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OBJETIVISMO E IMPESSOALIDADE O poeta deve ser neutro diante da realidade, esconder seus sentimentos, sua vida pessoal. A confissão íntima e o extravasamento.

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3 OBJETIVISMO E IMPESSOALIDADE O poeta deve ser neutro diante da realidade, esconder seus sentimentos, sua vida pessoal. A confissão íntima e o extravasamento subjetivo, tão caros aos românticos, são vistos como inimigos da poesia. A exemplo do que ocorrera no Realismo e no Naturalismo, o escritor é aquele que observa e reproduz as coisas concretas. ARTE PELA ARTE Esta expressão sugere que a poesia não tomava partido, não tem nenhum sentido utilitário, não se comprometia composições políticas. Os parnasianos ressuscitam o preceito latino de que a arte é gratuita, que só vale por si própria. Ela, nenhum tipo de compromisso. É autossuficiente e justifica-se apenas por sua beleza formal. RETORNO AO CLASSICISMO Abordando temas mitológicos e da antiguidade greco-latina, os poetas parnasianos valorizavam as normas e técnicas de composição e, regra geral, exploravam o soneto (poema de forma fixa).

4 CULTO DA FORMA O objetivo da "arte pela arte" é o Belo, a criação da beleza pelo uso perfeito dos recursos artísticos. Neste sentido, levam ao exagero o culto da rima, do ritmo, do vocabulário, do verso longo. Para o Parnasiano, a poesia deveria ser trabalhada até que resultasse perfeita. O resultado da visão descompromissada é a celebração dos processos formais do poema. A verdade de uma obra de arte passa a residir apenas em sua beleza. E a beleza é evidenciada pela elaboração formal. Logo: VERDADE = BELEZA = FORMA = POESIA O sentido da forma: Mas, afinal, o que é forma para os parnasianos? Eles consideram como forma a maneira do poema ser apresentado, seus aspectos exteriores. Forma seria assim a técnica de construção do poema. Isso representava uma simplificação primária do fazer poético e do próprio conceito de forma que passava a ser apenas uma fórmula. Preferência por um vocabulário dicionarizado, evitando-se palavras de uso corriqueira, enfatizando-se o uso de palavras latinizadas, organizadas numa sintaxe erudita, em que se destacam os processos de encadeamentos sintáticos, como o enjambemant.

5 1- METRIFICAÇÃO RIGOROSA: Os versos devem ter o mesmo número de sílabas poéticas, preferencialmente dez sílabas poéticas ( versos decassílabos ) e doze sílabas (versos alexandrinos), os preferidos na época, ou apresentar uma simetria constante. 2- RIMAS RICAS: Os poetas devem evitar as rimas pobres, isto é, aquelas estabelecidas por palavras da mesma classe gramatical. No período há uma ênfase no tipo de rima ABAB para as estrofes de quatro versos, isto é o primeiro verso rima com o terceiro, o segundo com o quarto. Não é incomum, contudo, o uso de rimas ABBA, isto é o primeiro verso rima com o quarto e o segundo com o terceiro. 3- PREFERÊNCIA PELO SONETO: Os parnasianos reivindicam a tradição clássica do soneto, composição poética de quatorze versos - articulada obrigatoriamente em dois quartetos e dois tercetos - e que se encerra com uma "chave de ouro", espécie de síntese do poema, manifesta tão somente no último verso. 4- DESCRITIVISMO: Eliminando o Eu, a participação pessoal e social, só resta ao parnasiano uma poética baseada no mundo dos objetos, objetos mortos: vasos, colares, muros, etc. São pequenos quadros, fortemente plásticos (visuais), fechados em si mesmos, com grande precisão vocabular e frequente superficialidade.

6 VILA RICA O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre; Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição Na torturada entranha abriu da terra nobre: E cada cicatriz brilha como um brasão. O ângelus plange ao longe em doloroso dobre, O último ouro de sol morre na cerração. E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre, O crepúsculo cai como uma extrema-unção. Agora, para além do cerro, o céu parece Feito de um ouro ancião, que o tempo enegreceu... A neblina, roçando o chão, cicia, em prece, Como uma procissão espectral que se move... Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu... Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove. Olavo Bilac

7 RESUMINDO AS CARACTERÍSTICAS PARNASIANAS: Postura antirromântica que se manifesta na busca da objetividade absoluta. Objetividade temática, postura que leva os poetas a fazer poemas descritivos e reflexivos. Arte pela arte, o que cria o conceito de uma arte não compromissada com a ideologia social, pois seu objetivo é o fazer estético e não o dizer. Culto da forma, representada pelos sonetos, versos alexandrinos e decassílabos, sáficos e heroicos, com rimas rica, rara e perfeita. Tentativa de atingir a impassibilidade e a impessoalidade, nem sempre possível. Universalismo, o que leva os poetas a cultuar temas comuns e não particulares, conforme ocorria no Romantismo e no Simbolismo. Descrições objetivas da natureza e de objetos e reflexões sobre pequenas dramas humanos. Retomada da Antiguidade Clássica, com seu racionalismo e formas perfeitas, mas também de sua cultura e história.

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16 TEMÁTICA PARNASIANA

17 OBJETOS DE ARTE, DECORATIVOS E UTILITÁRIOS Os parnasianos não se limitam apenas a descrever objetivamente os objetos sobre sua utilidade, mas a refletir sobre a sua beleza estética, o que configura metalinguagem. Em alguns poemas, os poetas procuram comparar a utilidade funcional do objeto com a existência humana, o que configura uma reflexão de cunho filosófico. Vaso grego, Vaso chinês, A Estátua, do poeta parnasiano Alberto Oliveira, e Perfeição, de Olavo Bilac, são poemas em que a metalinguagem é o tema principal, mas em o Tear percebe-se uma intenção filosófica por parte de Bilac. O Muro, O Musgo, Taça de Coral e a Vingança da Porta são poemas em que a intenção principal é o exercício da linguagem poética, como é comum aos parnasianos, e objetivamente descritivo.

18 VASO GREGO Esta de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. Era o poeta de Teos que a suspendia Então, e, ora repleta ora esvasada, A taça amiga aos dedos seus tinia, Toda de roxas pétalas colmada. Depois... Mas o lavor da taça admira, Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas Finas hás-de lhe ouvir, canora e doce, Ignota voz, qual se da antiga lira Fosse a encantada música das cordas, Qual se essa voz de Anacreonte fosse. Alberto Oliveira

19 A NATUREZA ESTÁTICA E ILUSTRATIVA A natureza para os parnasianos apresenta-se dentro da perspectiva bucólica dos árcades, mas para eles interessa apenas fotografá-la com palavras num pleno exercício lúdico com as palavras. Em vários poemas percebe-se a intenção do poeta em percebê-la sensorialmente, numa plena descrição plástica, mas com subjetividade contida. Anoitecer, A Cavalgada e Banzo, de Raimundo Correa; Vila Rica, de Olavo Bilac; O choro das Vagas, O Musgo e a Palmeira, de Alberto Oliveira, são alguns dos poemas mais significativos dos poetas parnasianos, mas ao contrário dos românticos, os escritores evitam comparar o estado de espírito do EU com a natureza.

20 ANOITECER Esbraseia o Ocidente na agonia O sol... Aves em bandos destacados, Por céus de oiro e de púrpura raiados, Fogem...Fecha-se a pálpebra do dia... Delineiam-se, além da serrania Os vértices de chama aureolados, E em tudo, em torno, esbatem derramados Uns tons suaves de melancolia.. Um mundo de vapores no ar flutua... Como uma informe nódoa, avulta e cresce A sombra à proporção que a luz recua... A natureza apática esmaece... Pouco a pouco, entre as árvores, a lua Surge trêmula, trêmula... Anoitece. Raimundo Correia

21 A METALINGUAGEM O ideal de beleza e perfeição leva os parnasianos, na maioria das vezes, a refletir sobre o processo de criação da poesia, o que os leva a fazer metalinguagem. O poema Profissão de Fé, de Olavo Bilac, neste sentido funciona como definidor do programa estético dos parnasianos, em que o poeta reafirma seu compromisso de objetividade e sua ideologia esteticista. Inania Verba e Língua Portuguesa são outros poemas de temática metalinguística que aparece também em poemas sobre objetos de arte, como a Estátua, Vaso Grego e Perfeição.

22 PROFISSÃO DE FÉ (... ) Quero que a estrofe cristalina, Dobrada ao jeito Do ourives, saia da oficina Sem um defeito: (...) Porque o escrever - tanta perícia, Tanta requer, Que oficio tal... nem há notícia De outro qualquer. Assim procedo. Minha pena Segue esta norma, Por te servir, Deusa serena, Serena Forma! (... ) E horas sem conto passo, mudo, O olhar atento, A trabalhar, longe de tudo O pensamento. Olavo Bilac

23 REFLEXÕES FILOSÓFICAS É comum entre os parnasianos a reflexões sobre inquietações existenciais, influência da poesia realista europeia, em que os poetas expressavam um certo mal estar diante da realidade burguesa capitalista. Os poetas parnasianos, principalmente os brasileiros, fizeram uma poesia de reflexão filosófica em que abordavam temas como dissimulação, velhice, desilusão e felicidade. Nestes poemas reflexivos observa-se, portanto, uma temática quase sempre eivada de pessimismo diante da existência material e humana, como era comum entre os poetas simbolistas, românticos da segunda geração e os escritores realistas. Poemas como Velho Tema e Esperança, de Vicente de Carvalho; Mal secreto e As Pombas, de Raimundo Correa; O Tear, de Olavo Bilac, e Velhice, de Alberto Oliveira, são exemplos de textos reflexivos.

24 ESPERANÇA Só a leve esperança em toda a vida disfarça a pena de viver, mais nada; nem é mais a existência resumida que uma grande esperança malograda. O eterno sonho da alma desterrada, sonho que a traz ansiosa e embevecida, é uma hora feliz, sempre adiada e que não chega nunca em toda a vida. Essa felicidade que supomos árvore milagrosa que sonhamos toda arriada de dourados pomos existe sim; mas nós não n´a encontramos, porque está sempre apenas onde a pomos e nunca a pomos onde nós estamos. Vicente de Carvalho

25 A CULTURA GRECO-ROMANA O Ideal de beleza e a perfeição leva os parnasianos a retomarem a cultura greco-latina, o que dá à sua poesia uma conotação neoclássica e acadêmica. A cultura antiga aparece na poesia parnasiana em reflexões e descrições sobre a História, a Geografia, a Cultura e a Mitologia pagã. A concepção de arte dos clássicos é o tema mais evidente em poemas que retomam os ideais da cultura e da arte greco-romana. Esta postura justifica a denominação de poetas da torre de marfim, visto que os parnasianos abandonaram a ideologia social para tematizar o passado, numa época em que a arte tinha um compromisso com o seu tempo. Fica clara, portanto, que a arte poética parnasiana retoma alguns pressupostos do Arcadismo, do Classicismo e dos poetas da Antiguidade greco-latina.

26 Língua portuguesa Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura, Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o tom e o silvo da procela E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: "meu filho!" E em que Camões chorou, no exílio amargo, O gênio sem ventura e o amor sem brilho! Olavo Bilac

27 Os poetas parnasianos, contudo, abordam outros temas, como o amor numa perspectiva erótica, em que a mulher aparece concretamente. No Brasil, os poetas, principalmente, Olavo Bilac, do ponto de vista formal, fizeram uma poesia dentro dos preceitos da estética. Tematicamente, contudo, oscilaram entre o pessimismo romântico da segunda geração, o amor platônico, o nacionalismo ufanista e aspectos transcendentais dos simbolistas. Assim não conseguiram atingir a objetividade absoluta que pregava a estética ao fazerem poemas dotados de subjetivismo contido e de tons impressionistas.

28 Como quisesse livre ser Como quisesse livre ser, deixando As paragens natais, espaço em fora, A ave, ao bafejo tépido da aurora, Abriu as asas e partiu cantando. Estranhos climas, longes céus, cortando Nuvens e nuvens, percorreu: e, agora Que morre o sol, suspende o voo, e chora, E chora, a vida antiga recordando... E logo, o olhar volvendo compungido Atrás, volta saudosa do carinho, Do calor da primeira habitação... Assim por largo tempo andei perdido: Ali! que alegria ver de novo o ninho, Ver-te, e beijar-te a pequenina mão! Olavo Bilac


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