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A IMPORTÂNCIA DAS POLÍTICAS MANDATÓRIAS PARA A CONSOLIDAÇÃO E VISIBILIDADE DOS R EPOSITÓRIOS I NSTITUCIONAIS B RASILEIROS Renato Reis Nunes Mestre em Ciência.

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1 A IMPORTÂNCIA DAS POLÍTICAS MANDATÓRIAS PARA A CONSOLIDAÇÃO E VISIBILIDADE DOS R EPOSITÓRIOS I NSTITUCIONAIS B RASILEIROS Renato Reis Nunes Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Bibliotecário do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Campus São Gonçalo, RJ 10ª Jornada sobre la Biblioteca Digital Universitaria, JBDU2012 Sueños, pensamientos y acciones con la mirada en el futuro 8 y 9 de noviembre de 2012

2 Introdução O progresso da ciência está vinculado a ampla disseminação daquilo que é produzido A ciência depende de processos de comunicação Disseminação da produção da ciência Gera novos conhecimentos, pesquisas

3 O surgimento da internet no final do séc. XX originou novas alternativas para a comunicação científica, assim como a difusão da filosofia aberta Iniciativa dos Arquivos Abertos (Open Archives Initiative) Movimento de Acesso Livre à Informação (Open Access Movement) A filosofia aberta é o movimento [...] em direção ao uso de ferramentas, estratégias e metodologias que denotam um novo modelo de representar um igualmente novo processo de comunicação científica (COSTA, 2006, p. 40) Geração de publicações de Acesso Livre no meio acadêmico Editores Comerciais

4 Neste contexto surgem os Repositórios Institucionais Tem por objetivo centralizar, preservar, expandir o acesso à pesquisa; Maximiza o acesso aos resultados das pesquisa, elevando e acelerando seu impacto e, consequentemente, sua produtividade, progresso e resultados O Movimento de Acesso Livre à Informação, aplicado a pesquisa científica Potencial de servir como indicadores tangíveis da qualidade de uma instituição; Demonstrar a relevância científica, social e econômica das atividades de pesquisa de uma instituição, aumentando sua visibilidade, status e valor como bem público; Reafirmar o controle sobre o saber gerado na academia, quebrando barreiras impostas por editores comerciais, sobretudo em pesquisas desenvolvidas com recursos oriundos de agências públicas de fomento à pesquisa;

5 Problema Apesar do significativo crescimento de RI no mundo... Somente por volta de 15 a 20% de toda produção científica mundial são auto-arquivados; Muitas agências públicas de fomento à pesquisa científica não possuem políticas de depósito da produção científica oriunda de seus financiamentos em iniciativas de acesso livre; Muitos editores comerciais não permitem que os artigos científicos sejam depositados em Repositórios de Acesso Livre;

6 Questões Norteadoras da Pesquisa Qual a importância da adoção de políticas mandatórias para os Repositórios Institucionais? Qual o reflexo da adoção das políticas mandatórias na visibilidade e consolidação dos Repositórios no meio acadêmico?

7 Justificativa Aumento do depósito da produção científica Maior visibilidade das pesquisas e de sua utilização, o que promove o desenvolvimento da ciência; Maior reconhecimento dos autores, assim como aumento do índice de citação de sua produção; Maior visibilidade da instituição e de sua produção científica; Maior acessibilidade da produção científica oriunda de recursos públicos; Somente através de mandatos de depósito será possível reunir, em uma plataforma única, toda produção científica gerada em uma instituição (HARNAD, 2008).

8 A Iniciativa de Arquivos Abertos (Open Archives) e o Movimento de Acesso Livre à Informação (Open Access) Causas: Consciência das limitações e contradições do tradicional sistema de comunicação científica; Possibilidades tecnológicas; Objetivos: Maximizar a visibilidade e o impacto da pesquisa, ampliando o acesso aos seus resultados e, consequentemente, o progresso da Ciência e Tecnologia (C&T); Reassumir o controlo do sistema de comunicação científica; Revisão de Literatura

9 O Movimento de Acesso Livre à Informação foi uma reação da comunidade científica, onde VELHA TRADIÇÃO Boa vontade de pesquisadores publicarem seus resultados sem qualquer remuneração, em prol da ciência e difusão do conhecimento BEM PÚBLICO SEM PRECEDENTES Distribuição eletrônica da literatura científica com revisão pelos pares em escala global, de forma gratuita, sem restrições de acesso NOVA TECNOLOGIA Internet (Budapest Open Access Initiative, 2002)

10 O Movimento de Acesso Livre à Informação (Open Access) possui como objetivo promover o acesso livre e irrestrito à literatura científica, quebrando as barreiras encontradas pela comunidade científica mundial no que diz respeito ao acesso a informações científicas e favorecendo o aumento do impacto do trabalho dos pesquisadores (CAFÉ et al, 2003). Mas como? Sinal verde dos editores para que autores depositem seus trabalhos em Repositório Digital Acesso aberto na própria publicação do periódico científico eletrônico (HARNAD et al, 2004)

11 Os Repositórios Institucionais São sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à produção científica de uma instituição (RODRIGUES et al. 2004); Incentivam o gerenciamento e a publicação pelo pesquisador, através do auto-arquivamento (IBICT, 2005); Ajudam as instituições a cumprir a sua missão de disseminação dos resultados científicos, aumentando a sua visibilidade e impacto (RODRIGUES et al. 2004); Oferecem às instituições ferramentas para analisar, gerir e disseminar sua produção científica (CROW, 2002);

12 Políticas de Informação Conjunto de princípios, leis, diretrizes, regras e regulamentos que orientam a produção, gestão, organização, disseminação, recuperação, uso e preservação da informação (ANDRYCHUCK, 2004 apud JARDIM, 2009). Segundo Hill (1995, p. 279 apud JARDIM, 2009): As políticas de informação são projetadas para responder às necessidades e regular as atividades dos indivíduos, indústria e comércio, de todos os tipos de instituições e organizações e governos nacionais, locais, ou supranacionais. Devem regular a capacidade e a liberdade de adquirir, possuir e manter a própria informação, usá-la e transmiti-la.

13 Políticas de Auto-Arquivamento em Repositórios de Acesso Livre Mandatos de Depósito como Política Informacional de Auto-Arquivamento: São instrumentos instituídos através de medidas legais ou administrativas, que obrigam o autor vinculado à instituição, ou que teve sua pesquisa financiada por recursos públicos, a depositar uma cópia de sua pesquisa no repositório da instituição a qual esteja vinculado (HARNARD, 2008). Política Informacional de Auto-Arquivamento Garantia do depósito dos documentos gerados nas instituições de pesquisa Sucesso do Movimento de Acesso Livre ao Conhecimento Científico

14 A Importância das Políticas Mandatórias para a consolidação e visibilidade de Repositórios Institucionais Os Repositórios são importantes para o Movimento de Acesso Livre, mas não são suficientes... O fator determinante é a implementação de políticas e mandatos de auto- arquivo que encorajem ou tornem obrigatório o depósito da produção científica dos membros das instituições nos seus repositórios. Os Repositórios com mais sucesso no que tange o depósito de publicações são aqueles cujas instituições estabeleceram política de depósito mandatório (HARNAD, 2008). Para alcançar 100% de acesso livre, o auto-arquivamento precisa tornar- se obrigatório pelos empregadores e financiadores dos pesquisadores (HARNAD et al, 2004).

15 Considerações Finais A implementação de mandatos de auto-arquivamento vai de encontro à baixa resposta da política de depósito voluntário (Baptista et al., 2007). Ressalta-se que os Repositórios Institucionais com mais sucesso no que diz respeito ao seu povoamento têm sido aqueles cujas instituições estabeleceram política de depósito obrigatório. Nesse sentido, foi o escopo deste trabalho abordar o tema das políticas mandatórias sob a perspectiva da democratização do conhecimento, legitimando a importância da adoção de tais políticas para o bom funcionamento dos repositórios, além de cooperar no surgimento futuras políticas informacionais a serem implantadas no nosso país, ainda carente de tais iniciativas até o presente.

16 Verifica-se que no Brasil tem surgido várias iniciativas de implementação de repositórios institucionais, apoiadas e incentivadas pelo IBICT. Porém, ratifica-se a necessidade de se ter uma política ou um mandato tornando obrigatório o registro da produção científica pelos próprios autores, caso contrário, a iniciativa de registro desta produção corre sério risco de fracasso. Deve-se ressaltar que uma política mandatória, em qualquer instituição, visa apenas a criar mais uma atribuição entre outras já realizadas pelos seus funcionários, como, por exemplo, no caso das universidades, conduzir pesquisa científica, preparar plano de curso, orientar monografias, etc. Cabe aos bibliotecários e demais profissionais das ciências da informação o apoio técnico na fase de implementação do Repositório Institucional, assim como definição de políticas de depósito, promoção das vantagens dos Repositórios Institucionais, treinamento da comunidade ao auto-arquivamento e conscientização da importância do frequente uso, de modo a proporcionar visibilidade aos pesquisadores da instituição em nível nacional e internacional.

17 Referências AUN, Marta Pinheiro. A construção de políticas nacional e supranacional de informação: desafio para os estados nacionais e blocos regionais. Ci. Inf., Brasília, v. 28, n. 2, p , maio/ago BARRETO, Aldo de Albuquerque. Mudança estrutural no fluxo do conhecimento: a comunicação eletrônica. Ciência da Informação, Brasília, v. 27, n. 2, maio/ago BETHESDA Statement on Open Access Publishing Disponível em:. Acesso em 07 jul BOAI. Budapest Open Access Initiative Disponível em:. Acesso em: 25 nov CAFÉ, Lígia et al. Repositórios institucionais: nova estratégia para publicação científica na rede. In: ENDOCON – Encontro Nacional de Informação em Ciências da Comunicação, 13., 2003, Belo Horizonte. Anais... Disponível em:. Acesso em: 09 out COSTA, Sely Maria de Souza. Controle de qualidade em periódicos científicos eletrônicos disponibilizados na Internet: a questão do julgamento pelos pares. Revista de Biblioteconomia de Brasília, v. 20, n. 2, p , jul./dez ____. Mudanças no processo de comunicação científica: o impacto do uso de novas tecnologias. In: MUELLER, Suzana Pinheiro Machado; PASSOS, Edilenice (Orgs). Comunicação científica. Brasília: Departamento de Ciência da Informação da Universidade de Brasília, p CROW, Raym. The case for institutional repositories: a SPARC position paper. Washington, DC, Scholarly Publishing & Academic Resources Coalition, Disponível em:. Acesso em: 15 nov FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto. Repositórios versus revistas científicas: convergências e convivências. In: FERREIRA, Sueli Mara Pinto; TARGINO, Maria das Graças (Org). Mais sobre revistas científicas: em foco a gestão. São Paulo: Ed. Senac, 2008.

18 GARVEY, W. D. Communication : the essence of science facilitating information among librarians, Scientists, engineers and students. Oxford: Pergamon Press, GUEDON, J-C. Toward optimizing the distrubuted intelligence of scientists: the need for open access. In: Simpósio Internacional de Bibliotecas Digitais, 2, 2004, Campinas. Campinas: Unicamp, HARNAD, S. Acesso livre: que? Por que? Quando? Onde? Como?: medidas e mandatos. In: Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, 59. IBICT, Belém, HILL, M. W. Information policies: premonitions and prospects. Journal of Information Science, v. 21, n. 4, p , INSTITUTO Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia. Manifesto Brasileiro de apoio ao acesso livre à informação científica. Rio de Janeiro, JARDIM, José Maria; SILVA, Sérgio Conde de Albite; NHARRELUGA, Rafael. Análise de políticas públicas: uma abordagem em direção às políticas públicas de informação. Perspect. ciênc. inf., Belo Horizonte, v.14, n.1, jan./abr KURAMOTO, Hélio. Informação científica: proposta de um novo modelo para o Brasil. Ciência da informação, Brasília, v. 35, n. 2, p , maio/ago LYNCH, Clifford A. Institutional repositories: essential infrastructure for scholarship in the digital age. ARL Bimonthly Report, 26, Disponível em:. Acesso em: 12 jan MARCONDES, Carlos Henrique; GOMES, Sandra Lúcia Rebel. O impacto da internet nas bibliotecas brasileiras. Revista do Terceiro Setor, Rio de Janeiro, ano 2, n. 92, jul Disponível em:. Acesso em: 19 set MARCONDES, Carlos Henrique; SAYÃO, Luís Fernando. Documentos digitais e novas formas de cooperação entre sistemas de informação em C&T. Ciência da Informação, Brasília, v. 31, n. 3, set/dez MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, MUELLER, Suzana Pinheiro Machado. A Ciência, o sistema de comunicação científica e a literatura científica. In: CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B. V.; KREMER, J.M. (Org). Fontes de informação para pesquisadores e profissionais. Belo Horizonte: UFMG, MUELLER, S P. M. O círculo vicioso que prende os periódicos nacionais. DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação [on line], dez Disponível em:. Acesso em: 10 jul ORTELLADO, Pablo. As políticas nacionais de acesso à informação científica. Liinc em Revista, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, p , set Disponível em:. Acesso em: 03 ago ORTIZ, Lúcia. Arquivos abertos e novas maneira de disponibilizar informação na internet Disponível em:. Acesso em: 05 out

19 RODRIGUES, Eloy. Acesso livre ao conhecimento: a mudança do sistema de comunicação da ciência e os profissionais de informação. Universidade do Minho, Braga (Portugal), 2004a. Disponível em:. Acesso em: 9 out ____. Acesso livre ao conhecimento: imperativos éticos e desafios técnicos para os profissionais da informação: o contributo da Open Archives Initiative. Universidade do Minho, Braga (Portugal), 2004b. Disponível em:. Acesso em: 9 out RODRIGUES, Eloy et al. RepositóriUM: criação e desenvolvimento do repositório institucional da universidade do Minho. Universidade do Minho, Braga (Portugal), Disponível em:. Acesso em: 05 out SARMENTO E SOUZA, M. F.; FORESTI, M. C. P. P.; VIDOTTI, S. A. B. G. A comunicação científica: do impresso ao eletrônico. In: SIMPÓSIO EM FILOSOFIA E CIÊNCIA – Trabalho e Conhecimento: desafios e responsabilidades da Ciência, 5., 2003, Marília. Anais… Marília: Unesp: Marília Publicações, SHERPA/RoMEO: publisher copyright policies & self-archiving. Disponível em:. Acesso em 21 jan THE SANTA FE CONVENTION OF THE OPEN ARCHIVES INITIATIVE, 2000, Santa Fé. Disponível em:. Acesso em: 14 out VIDOTTI, S. A. B. G.; OLIVEIRA, Gabriela Pereira de; SOUZA, Maria Fernanda Sarmento e. A Iniciativa dos Arquivos Abertos como alternativa às publicações científicas. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE BIBLIOTECAS DIGITAIS, 2., 2004, Campinas. Anais... Campinas: UniCamp, Disponível em:. Acesso em: 19 out WEITZEL, Simone da Rocha. Os repositórios de e-prints como nova forma de organização da produção científica: o caso da área das Ciências da Comunicação no Brasil f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação-Escola de Comunicações e Artes, Universidade de São Paulo, São Paulo, ____. O papel dos repositórios institucionais e temáticos na estrutura da produção científica. Em Questão, Porto Alegre, v. 12, n. 1, p , jan./jun WEITZEL, Simone da Rocha; FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto. Estudos de percepção sobre a questão do acesso e visibilidade dos repositórios digitais e revistas eletrônicas. In: FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto (Org). Acessibilidade e visibilidade de revistas científicas. São Paulo: SENAC/CENGAGE, no prelo. ZIMAN, John. Comunidade e comunicação. In:________. Conhecimento público. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1979.

20 OBRIGADO!!! C ONTATO : RENATO. IFRJ. EDU. BR


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