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CESÁRIO VERDE. BIOGRAFIA Lisboa – 1855-1886 (morte por tuberculose) Filho de um abastado comerciante (burguesia) Lisboa Dicotomia cidade (Lisboa)/campo.

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1 CESÁRIO VERDE

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4 BIOGRAFIA Lisboa – (morte por tuberculose) Filho de um abastado comerciante (burguesia) Lisboa Dicotomia cidade (Lisboa)/campo (Linda a Pastora) Uma vida dividida: os negócios do pai e a faculdade de Letras (inscreve-se quando edita os primeiros versos).

5 Biografia A cidade: retrata nos seus versos as gentes observadas nos seus percursos (matéria banal e comum). O campo Contacta, por motivos de saúde, com Paris e Londres em diversas curtas viagens - textos marcados pelo espírito de modernidade. A sua obra foi publicada apenas em círculos jornalísticos. Só após a sua morte, em 1887, se publicou o Livro de Cesário Verde graças ao seu amigo Silva Pinto.

6 parnasianismo Objetividade e preciosismo (o pormenor) Descrição visual Reação antirromântica Cânones clássicos “realismo na poesia” Procura da perfeição formal

7 impressionismo Valorização da sensação pura e da perceção imediata; Interesse pelo efeito que provoca o objeto no artista; Recurso à hipálage (transposição de um atributo do agente para a ação).

8 Características realistas/ naturalistas Supremacia do mundo externo (em oposição ao mundo interior) - “realismo na poesia”. Predomínio do cenário urbano (o favorito dos escritores realistas e naturalistas). Recurso frequente a advérbios/ expressões temporais e espaciais para situar as cenas apresentadas. Predomínio dos substantivos principalmente concretos. Uso predominante do Presente e Pretérito Perfeito do Indicativo. Atenção ao pormenor, ao detalhe.

9 A seleção temática: a dureza do trabalho («Cristalizações» e «Num Bairro Moderno»); a doença e a injustiça social («Contrariedades»); a imoralidade das «impuras», a desonestidade do «ratoneiro» e a «miséria do velho professor» em «O Sentimento dum Ocidental». Presença de factos históricos e referências a figuras históricas, como por exemplo em «O Sentimento dum Ocidental». Recurso frequente a termos do domínio das ciências (observar, examinar...); Características jornalísticas dos poemas.

10 MODERNISMO Apesar de um marcado realismo, encontramos um olhar subjetivo (porque à partida seletivo) e valorativo, que se manifesta num impressionismo pictórico, pois, mais do que a representação do real, importa a sua impressão, que resulta numa transfiguração do real. Ex: “Num bairro moderno”, em que o conteúdo da giga (frutas e legumes) se transformam num corpo humano.

11 TEMÁTICA Introdução na poesia daquilo que é considerado inestético: o vulgar, o feio, a realidade trivial e quotidiana. Forte componente sinestésica (cruzamento de várias sensações na apreensão do real), de pendor impressionista, que valoriza a sensação em detrimento do objeto real. Um certo cruzamento entre planos diferentes, visualismo e memória, real e imaginário.

12 ESTILO a regularidade métrica, estrófica e rimática: – preferência pelo verso decassílabo ou alexandrino (12 sílabas); – preferência evidente pela quadra (que permite registar as observações e saltar com facilidade para outros assuntos). os recursos fónicos – as aliterações, que contribuem para a musicalidade e para a perfeição formal; os processos estilísticos – abundância de imagens, de metáforas, de sinestesias...; Coloquialismo (ex: “Num bairro Moderno”) com a introdução do discurso direto.

13 Estilo Estrutura narrativa, sob forma de texto poético, ações protagonizadas por várias personagens/ sujeitos (ex: «Cristalizações» e «Num bairro moderno»). Estrutura deambulatória, uma poesia itinerante: – a exploração do espaço é feita através de sucessivas deambulações, numa perspetiva de câmara de filmar, em que se vão fixando vários planos (ex: «Cristalizações», em que se configuram vários planos, e «O Sentimento dum Ocidental», em que há um fechamento cada vez maior dos cenários apreendidos pelo olhar). Olhar itinerante e fragmentário, que reflete o passeio pela cidade (ou pelo campo) e o movimento: poesia errante.

14 ESTILO Olhar seletivo: descrição/evocação do espaço filtrada por um juízo de valor transfigurador, profundamente sinestésico (ex: «Num Bairro Moderno»). O poeta é como um espelho em que vem repercutir-se a diversidade do mundo citadino.. Contraste luz/sombra: a incidência da luz é uma forma de valorizar os objetos, entendendo-se a luz como o princípio de vida. Associações desconexas de ideias, visível nas frases curtas, nas súbitas exclamações, na sequência de orações coordenadas assindéticas, que sugerem o encadear de ideias da mente humana. Adjetivação dupla e tripla particularmente abundante e expressiva, quando serve o impressionismo.

15 TEMÁTICAS Oposição cidade/campo: – cidade = espaço de morte, de doença, de decadência, castrador e opressor. – campo = espaço de vida, de liberdade, do não isolamento – valorização do natural em detrimento do artificial. A esta oposição associam-se os contrastes: belo/feio, claro/escuro, força/fragilidade, vida/morte, saúde/ doença...

16 TEMÁTICAS Oposição, passado/presente: – Passado = tempo de harmonia com a natureza; – presente – contaminado pelos malefícios da cidade (ex: «Nós»). A inviabilidade do Amor na cidade. A humilhação (sentimental, estética, social). A preocupação com as injustiças sociais. O sentimento antiburguês.

17 TEMÁTICAS O perpétuo fluir do tempo, que só trará esperança para as gerações futuras. Presença recorrente da figura feminina, retratada: – De modo negativo, porque contaminada pela civilização urbana : mulher opressora – mulher nórdica, fria, símbolo da eclosão do desenvolvimento da cidade como fenómeno urbano, imagem da classe social opressora e, por isso, geradora de um erotismo da humilhação (ex: «Frígida», «Deslumbramentos» e «Esplêndida»), em que se reconhece a influência de Baudelaire; mulher objeto – vista enquanto estímulo dos sentidos carnais, sensuais, como impulso erótico (ex: atriz de «Cristalizações»).

18 TEMÁTICAS – De modo positivo, porque relacionada com o campo – mulher anjo – visão angelical, reflexo de uma entidade divina, símbolo de pureza campestre, frequentemente com os cabelos loiros, dotada de uma certa fragilidade («Em Petiz», «Nós», «De Tarde»)– também tem um efeito regenerador; - mulher regeneradora – mulher frágil, pura, natural, simples, representa os valores do campo na cidade, que regenera o sujeito poético e lhe estimula a imaginação (ex: as figuras femininas de a «A Débil» e «Num Bairro Moderno»);

19 Temáticas mulher oprimida – tísica, resignada, vítima da opressão social urbana, humilhada, com a qual o sujeito poético se sente identificado ou por quem nutre compaixão (ex: «Contrariedades»); - mulher como representação social – (ex: “as burguesinhas” e as varinas de «O Sentimento dum Ocidental»).

20 A temática social: “Num bairro moderno” O drama da injustiça social: – contraste das classes sociais – atitude de desdém com que o criado trata a vendedeira “rota” e “pequenina”. – “Eu acerquei-me dela, sem desprezo”. O contacto humano com a vendedeira, na ajuda que lhe oferece; O contacto mais físico e próximo que lhe revigora o espírito e a alma: “E recebi naquela despedida, as forças, a alegria, a plenitude”. A vendedeira de frutos e legumes: tipo social, a gente do povo, que contrasta com a imagem elegante e requintada de um bairro burguês e moderno.

21 A vendedeira frágil é obrigada a um trabalho pesado – a atenção do poeta: – as indicações relativas ao aspeto físico - "pequenina" (est. IV), "esguedelhada, feia", "os (...) bracinhos brancos" (est. V), "magra", "enfezadita" (est. XIX); ao vestuário - "rota" (est. IV), "os tamancos", "abre-se- lhe o algodão azul da meia" (est. V), "na sua chita" (est. XIX) caracterização social e impressão de debilidade, de fragilidade (diminutivos): o peso da opressão de que é vítima.

22 Num bairro moderno Impressões/expressões que relatam os movimentos e gestos da rapariga: – expressividade dos verbos utilizados: "ajoelhando" (est. IV), "se curva", "pendurando" (est. V), "Nós levantámos todo aquele peso / Que ao chão de pedra resistia preso / Com um enorme esforço muscular." (est. XIV), "Carregam sobre a pobre caminhante" (est. XX). A indiferença das classes privilegiadas diante dos desfavorecidos: a figura do criado, contexto burguês, que aparece “do patamar” de cima, altivo, "muito descansado", em contraste com a vendedeira: "Atira um cobre ignóbil“.

23 Num bairro moderno Poesia descritiva: procura da objetividade parnasianista. – Predomínio do uso do Presente do Indicativo e pontualmente do Pretérito Perfeito; – Introdução de falas (coloquialidade); – Dupla e tripla adjetivação, que procura marcar e descrever o pormenor; – Referências temporais e espaciais ao longo do texto;

24 Num Bairro Moderno – Recurso abundante a nomes concretos e a termos técnicos/ científicos; – Texto prosaico com um certo cunho jornalístico – Versos simples sem grande recurso a figuras de estilo; – uma descrição objetiva (exceto as estrofes 7 a 10 marcadas por um profundo impressionismo).


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