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TEORIA DO CONHECIMENTO AULA 02. DOGMATISMO E CETICISMO.

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Apresentação em tema: "TEORIA DO CONHECIMENTO AULA 02. DOGMATISMO E CETICISMO."— Transcrição da apresentação:

1 TEORIA DO CONHECIMENTO AULA 02

2 DOGMATISMO E CETICISMO

3 Por dogmatismo (do grego dógma - doutrina estabelecida) entendemos a posição epistemológica para a qual o problema do conhecimento não chega a ser levantado.

4 A possibilidade e a realidade do contato entre sujeito e objeto são pura e simplesmente pressupostas.

5 É auto-evidente que o sujeito apreende seu objeto, que a consciência cognoscente apreende aquilo que está diante dela.

6 Esse ponto de vista é sustentado por uma confiança na razão humana que ainda não foi acometida por nenhuma dúvida.

7 O fato de que, para o dogmatismo, o conhecimento não chega a ser um problema, repousa sobre uma visão errônea da essência do conhecimento.

8 O contato entre sujeito e objeto não pode parecer questionável se não se vê que o conhecimento apresenta-se numa relação.

9 É o que ocorre com o dogmático. Ele não vê que o conhecimento é, essencialmente, uma relação entre sujeito e objeto.

10 Ao contrário, acredita que os objetos de conhecimento nos são dados como tais, e não pela função mediadora do conhecimento (e apenas por ela).

11 Ele desconsidera esta última. E isso vale não apenas para o campo da percepção, mas também para o do pensamento.

12 Segundo a concepção do dogmatismo, os objetos da percepção nos seriam dados diretamente, corporeamente, e assim também os objetos do pensamento.

13 Num caso desconsidera-se a percepção por meio da qual determinados objetos nos são dados; no outro, desconsidera- se a função pensante.

14 O mesmo ocorre quanto ao conhecimento dos valores. Também os valores estão, para o dogmático, pura e simplesmente aí.

15 O fato de pressuporem uma consciência valorativa permanece, para ele, tão oculto quanto o fato de todos os objetos de conhecimento exigirem uma consciência cognoscente.

16 Aqui como lá, ele desconsidera o sujeito e sua função.

17 Pode-se falar de um dogmatismo teórico, ético e religioso. A primeira forma de dogmatismo diz respeito ao conhecimento teórico; as duas últimas, ao conhecimento dos valores.

18 O dogmatismo ético lida com o conhecimento moral; o religioso, com o conhecimento religioso.

19 Sendo a atitude do homem ingênuo, o dogmatismo é, tanto psicológica quanto historicamente, o primeiro e mais antigo dos pontos de vista.

20 No período inicial da filosofia grega, ele predominou de modo quase generalizado.

21 As reflexões epistemológicas estão, de modo geral, afastadas do pensamento dos pré- socráticos (os filósofos jônios da natureza, os eleatas, Heráclito, os pitagóricos).

22 Esses pensadores são inspirados ainda por uma confiança ingênua na eficiência da razão humana.

23 Completamente voltados para os entes, para a natureza, não percebem o conhecimento como problema. Isso só irá acontecer com os sofistas.

24 Eles levantam pela primeira vez o problema do conhecimento e tornam o dogmatismo, tomado em sentido estrito, para sempre impossível no campo da filosofia.

25 Dos sofistas em diante, encontraremos em todos os filósofos, de uma forma ou de outra, reflexões críticas sobre o conhecimento.

26 É verdade que Kant acreditava que a designação "dogmatismo" deveria ser aplicada aos sistemas metafísicos do século XVII (Descartes, Leibniz, Wolff).

27 Dogmatismo, para ele, é fazer metafísica sem ter antes examinado a capacidade da razão humana. Neste sentido, os sistemas pré-kantianos da filosofia moderna são, de fato, dogmatismos.

28 Isso não quer dizer que falte a esses sistemas toda e qualquer reflexão epistemológica e que ainda não tenham percebido o problema do conhecimento em geral.

29 Isso acontece em todos eles, como mostram as discussões epistemológicas em Descartes e Leibniz.

30 Não se deve falar aqui num dogmatismo geral e axiomático, mas num dogmatismo especial. Não se trata de um dogmatismo lógico, mas de um dogmatismo metafísico.

31 Enquanto o dogmático encara a possibilidade de contato entre sujeito e objeto como auto- evidente, o cético a contesta. CETICISMO

32 Para o ceticismo, o sujeito não seria capaz de apreender o objeto. O conhecimento como apreensão efetiva do objeto seria, segundo ele, impossível.

33 Por isso, não podemos fazer juízo algum; ao contrário, devemos nos abster de toda e qualquer formulação de juízos.

34 Enquanto o dogmatismo de um certo modo desconsidera o sujeito, o ceticismo não enxerga o objeto. Seu olhar está colado de modo tão unilateral ao sujeito, à função cognoscente, que desconhece por completo a referência ao objeto.

35 Sua atenção está sempre completamente direcionada aos fatores subjetivos do conhecimento humano.

36 Ele observa que todo conhecimento é condicionado por peculiaridades do sujeito e de seus órgãos de conhecimento, bem como por circunstâncias externas (meio ambiente, cultura).

37 Com isso, desaparece de sua vista o objeto, que é, no entanto, necessário para que aconteça o conhecimento, que significa exatamente uma relação entre um sujeito e um objeto.

38 Como o dogmatismo, o ceticismo também pode estar associado tanto à possibilidade do conhecimento em geral quanto de um conhecimento determinado.

39 No primeiro caso, estamos diante de um ceticismo lógico, também chamado ceticismo absoluto ou radical. Se referir- se apenas ao conhecimento metafísico, falaremos de ceticismo metafísico.

40 Com respeito ao campo dos valores, distinguimos o ceticismo ético do ceticismo religioso. Para o primeiro, o conhecimento ético é impossível; para o segundo, o religioso.

41 Finalmente, cabe distinguir ainda o ceticismo metódico do sistemático. Aquele está relacionado a um método; este, a uma posição de princípio. Esses tipos de ceticismo não passam de diferentes formas dessa posição de princípio.

42 Mas o ceticismo metódico consiste em pôr em dúvida tudo que aparece como certo e verdadeiro à consciência natural, eliminando toda a inverdade e atingindo um conhecimento absolutamente seguro.

43 É, sobretudo na Antiguidade que o ceticismo pode ser encontrado. Seu fundador é Pirro de Élis ( a.C.). Segundo ele, não ocorre contato entre sujeito e objeto.

44 A apreensão do objeto é vedada à consciência cognoscente. Não há conhecimento. De dois juízos contraditórios, um é exatamente tão verdadeiro quanto o outro.

45 Isso representa uma negação das leis lógicas do pensamento, em especial do princípio de contradição. Como não há juízo ou conhecimento verdadeiro, Pirro recomenda a suspensão do juízo, a epokhé.

46 Não tão radical quanto este ceticismo antigo ou pirrônico é o ceticismo médio ou acadêmico de Arcesilau (241 a.C.) e Carnéades (129 a.C.).

47 Um conhecimento no sentido estrito, segundo eles, é impossível. Sendo assim, não devo mais dizer que esta ou aquela proposição é verdadeira, mas sim que parece ser verdadeira, que é verossímil.

48 Portanto, não há certeza no sentido estrito, mas apenas verossimilhança. Este ceticismo médio distingue-se do antigo exatamente por estabelecer a possibilidade de se chegar a uma opinião verossímil.

49 O ceticismo mais recente, cujos principais representantes são Enesidemo (séc. I a.C.) e Sexto Empírico (séc. II d.C.), envereda novamente pelo caminho do ceticismo pirrônico.

50 O ceticismo também pode ser encontrado na filosofia moderna. O que encontramos aqui, porém, é um ceticismo mais específico e não aquele outro, radical e absoluto.

51 No filósofo francês Montaigne (1592), deparamos com um ceticismo, sobretudo ético; em Hume, com um ceticismo metafísico.

52 Em Bayle tampouco encontraremos um ceticismo no sentido de Pirro, mas, no máximo, no sentido do ceticismo médio. Em Descartes, que proclama os direitos da dúvida metódica, temos um ceticismo metódico e não de princípio.

53 É palpável que o ceticismo radical ou absoluto é autodestruidor. Ele afirma que o conhecimento é impossível. Com isso, porém, ele expressa um conhecimento.

54 Consequentemente, trata o conhecimento como sendo, de fato, possível, mas, ao mesmo tempo, afirma que ele é impossível. O ceticismo padece, assim, de autocontradição.

55 O cético poderia certamente encontrar uma saída. Poderia indicar o juízo "o conhecimento é impossível" como duvidoso e dizer: não há nenhum conhecimento, e mesmo isto é duvidoso.

56 Também aqui, porém, há um conhecimento sendo expresso, a saber, o conhecimento de que é duvidoso que haja conhecimento.

57 Por um lado, portanto, a possibilidade do conhecimento será afirmada pelo cético e, por outro, será posta em dúvida. No fundo, encontramo-nos diante da mesma autocontradição de antes.

58 Conforme os céticos antigos já reconheciam, o representante do ceticismo só pode contornar a autocontradição revelada há pouco se suspender o juízo.

59 A rigor, porém, nem isso basta. O cético não pode, na verdade, realizar nenhum ato de pensamento, pois tão logo o faça estará pressupondo a possibilidade do conhecimento e enredando-se, assim, na mesma autocontradição.

60 A aspiração ao conhecimento da verdade é, do ponto de vista do ceticismo estrito, desprovida de sentido e de valor. Nossa consciência ética dos valores, porém, protesta contra essa concepção.


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