A apresentação está carregando. Por favor, espere

A apresentação está carregando. Por favor, espere

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR Professor : Reis AULA 06 – RELIGIÃO E SAÚDE.

Apresentações semelhantes


Apresentação em tema: "UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR Professor : Reis AULA 06 – RELIGIÃO E SAÚDE."— Transcrição da apresentação:

1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR Professor : Reis AULA 06 – RELIGIÃO E SAÚDE MENTAL Contato:

2 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Segundo Michel Foucault, autor do clássico A História da Loucura, a remoção dos doentes mentais e a prática de mantê-los em locais isolados teve origem na cultura árabe Os alienados eram recolhidos juntos com outras minorias sociais e encaminhados para prédios, geralmente mantidos pelo poder público ou religioso. Em muitos casos, esses prédios eram leprosários, emparedados para que ali, o mal se curasse por si só. Longe dos olhos, longe do coração. Histórias da Loucura – Autor: Décio Amorim, João Carlos Ventura, Lucas Ferraz Mateus Rabelo - Belo Horizonte 2006

3 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Os primeiros hospícios teriam sido construídos no Oriente: entre os séculos 7 e 12, no Marrocos, no Iraque e no Egito. Atradição dos redutos destinados para o asilo dos loucos teria se expandido pela Europa por causa da ocupação árabe na Península Ibérica Histórias da Loucura – Autor: Décio Amorim, João Carlos Ventura, Lucas Ferraz Mateus Rabelo - Belo Horizonte 2006

4 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Em 1795 Philippe Pinel foi nomeado médico chefe do Hospício da Salpêtrière rompe as correntes dos loucos, desalojando- os dos seus calabouços. Esse acontecimento é registrado na história da Psiquiatria como sendo a instauração da primeira revolução psiquiátrica, Pinel teria libertado os insensatos de séculos de incompreensão e de maltratados, rompendo com a tradição demonológica da loucura e configurando-a como doença mental Birman,-1978,p.1.. Pioneiro da Psiquiatria PIONEIRO DA PSIQUIATRIA

5 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Observando e descrevendo aqueles sujeitos – tidos, por pressupostos, como loucos por terem sido encontrados acorrentados naqueles ambientes –, Pinel estabeleceu a primeira classifica ç ão da loucura em termos cient í ficos, que era simples e f á cil de manejar. A loucura foi classificada assim: 1. melancolias; 2. manias sem del í rio; 3. manias com del í rio; 4. demências. Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF

6 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Histórias da saúde mental no Brasil No Brasil Colônia, o que hoje conhecemos como medicina, ou como campo de atuação da medicina, era exercido por uma série de sujeitos, com práticas que a ciência não mais legitima, mas que o povo brasileiro ainda usa: curandeiros, pajés, pais-de- santo, cirurgiões- barbeiros, benzeduras, atos religiosos, como confissões e exorcismos, tudo isso ao lado dos raríssimos físicos (licenciados que estudavam em Portugal ou na Espanha) e, mais tarde, dos doutores médicos – pouquíssimos –, já nos séculos XVII e XVIII. Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF

7 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O século XIX viu o surgimento de algumas escolas médicas no Brasil. Surgiram as primeiras faculdades de medicina, ainda nos idos da década de A psiquiatria, entretanto, tardou ainda um pouco. Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF

8 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS No início, o interesse dos médicos na questão da loucura era acadêmico, apenas como exercício pedagógico de qualificação. A escolha de temas para dissertações de graduação não vinculavam à titulação do estudante nem o habilitavam de forma especial a exercer a psiquiatria. Exemplos das teses defendidas nessa época: Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF

9 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS As teses de Silva Peixoto, de 1837 (Considerações gerais sobre alienação mental); de Geraldo F. de Leão, 1842 (As analogias entre o homem são e o alienado e em particular sobre a monomania); de A. J. I. C. Figueiredo, em 1847 (Breve estudo sobre algumas generalidades a respeito da alienação mental); de Cid Emiliano de Olinda Cardozo, em 1857 (Influência da civilização sobre o desenvolvimento das afecções nervosas); de Carneiro da Rocha, em 1858 (Do tratamento das moléstias mentais); e de F. J. F. de Albuquerque em 1858 (Dissertação sobre a monomania) são alguns exemplos desse trabalho pioneiro. Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF

10 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O doutor João Carlos Teixeira Brandão assumiu, em 1881, a cadeira rec é m-criada de Cl í nica Psiqui á trica e Mol é stias Nervosas como primeiro professor concursado. Ele publicou violentos manifestos que denunciavam os maus-tratos aos doentes mentais nos espa ç os asilares, em especial no Hosp í cio Dom Pedro II ou Hosp í cio Nacional. H á relatos de que: Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF Charam apud Ribeiro, 1999, p. 19.

11 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF os loucos por leitos tinham tábuas, sem colchões nem travesseiros, nem ao menos cobertura para lhes ocultarem a nudez e os resguardarem dos rigores do inverno. Os loucos agitados eram metidos em caixões de madeira, onde permaneciam nus e expostos às intempéries. Charam apud Ribeiro, 1999, p. 19.

12 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF Repetia-se o gesto mítico da quebra das correntes e cadeados, embora com cem anos de atraso. Uma segunda leitura pode indicar que, subjacente ao discurso humanitário e cientificista, existe uma luta por poder contra a Provedoria da Santa Casa de Misericórdia e as freiras católicas da Irmandade de São Vicente de Paula. Essa confraria já tinha sido enfrentada em outros países, inclusive pelo alienismo francês, na fase imediatamente posterior à Revolução de 1789.

13 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF A luta pela melhoria do tratamento aos loucos era, da mesma forma, uma luta pela psiquiatrização dos espaços asilares. Note-se que o estado deplorável dos loucos, denunciado então pela medicina psiquiátrica como de responsabilidade dos não-médicos que aplicavam métodos não-científicos na sua lida com a alienação.

14 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS No Brasil, a psiquiatria teve início na primeira metade do século 19, com a Sociedadede Medicina do Rio de Janeiro clamando pela construção de um hospital psiquiátrico. Isso se deu por causa de protestos pela situação dos loucos na Santa Casa de Misericórdia – eles ficavam jogados nos porões da instituição. Em 1841, o imperador Dom Pedro II assinou decreto de criação. Histórias da Loucura – Autor: Décio Amorim, João Carlos Ventura, Lucas Ferraz Mateus Rabelo - Belo Horizonte 2006

15 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O hospício foi inaugurado em 1852, ano em que também foi aberto em São Paulo o Hospital Provisório. Apartir daí, seguiuse a criação de hospitais psiquiátricos em outras partes do Brasil: em 1874, na Bahia; em 1883, no Recife e, cinco anos depois, outro em São Paulo, o superlotado Juqueri, cujas imagens chocaram o mundo, nos anos de 1960 e 1970, pela desumanidade com que se tratava os internos. Fato que se repetiria quase simultaneamente na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Histórias da Loucura – Autor: Décio Amorim, João Carlos Ventura, Lucas Ferraz Mateus Rabelo - Belo Horizonte 2006

16 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O CASO FEBRÔNIO O mais famoso caso de loucura na história jurídica do Brasil, se refere ao crime cometido por Febrônio Índio do Brasil. "O caso Febrônio" foi retratado em diversos artigos: "Febrônio Índio do Brasil: onde cruzam a psiquiatria, a profecia religiosa, a homossexualidade e a lei. Ambos de autoria de Peter FRY FRY, Peter, Febrônio Índio do Brasil: onde cruzam a psiquiatria, a profecia, a homossexualidade e a lei, em VOGT, Carlos el al., in Caminhos Cruzados: linguagem, antropologia e ciências naturais, São Paulo:Brasiliense, 1982 e Direito positivo versus direito clássico: a psicologização do crime no Brasil no pensamento de Heitor Carrilho, in Cultura da Psicanálise, Sérvulo a Figueira (org.), Rio de Janeiro: Brasiliense, 1985.

17 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Febrônio tatuava suas vítimas com as iniciais D.C.V.V.I, letras idênticas as tatuadas no seu tórax. As letras, segundo o tatuador, significavam "Deus Vivo" ou "Imana Viva". Com uma religiosidade aflorada, Febrônio chegou a mandar publicar o seu próprio evangelho, intitulado "As revelações do príncipe do fogo". Febrônio Índio do Brasil

18 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Febrônio Índio do Brasil confessou ter estrangulado, Almiro José Ribeiro, em 17 de agosto, e João Ferreira, no dia 29 do mesmo mês. Os corpos, encontrados na Barra da Tijuca, tornaram Febrônio um dos criminosos mais conhecidos do Brasil. Mas o mineiro Febrônio Índio do Brasil, já era velho conhecido da polícia, tendo sua primeira prisão ocorrido em 1916, aos 21 anos, depois da qual acumularam-se outras 29, por motivos diversos como por exemplo exercício ilegal da medicina e odontologia - consta que duas crianças morreram no Espírito Santo após receberem medicação prescrita por ele.

19 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Febrônio também escreveu um livro, "Revelações do Príncipe do Fogo", que ele próprio escreveu, em delírio religioso e mandou imprimir, com tema apocalíptico.

20 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Em junho de 1984 foi lançado o curta-metratgem "O Príncipe do Fogo", de Sílvio DaRin, tendo Febrônio como tema. Dois meses depois, aos 89 anos e completamente senil, o preso mais antigo do Brasil, interno número do Manicômio Judiciário, morreu de edema pulmonar agudo. Havia passado 57 anos no hospício.

21 O caso mereceu destaque na obra que traça o perfil biográfico do jurista Evandro Lins e Silva. Vide SILVA, Evandro Lins e, O salão dos passos perdidos: Depoimento ao CPDOC, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997, p. 205 Os casos de Piérre Rivière e Febrônio Índio do Brasil como exemplos de uma violência institucionalizada POR: Alexandre Wunderlich advogado criminal, especialista e mestre em Ciências Criminais (PUC/RS), professor de Direito Penal da pós-graduação da PUC/RS e UFRGS Fonte de consulta: UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR

22 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Há mais de um século, vários pesquisadores brasileiros têm estudado as relações entre religiosidade e transtornos mentais, mas estes trabalhos são pouco conhecidos atualmente.

23 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Os trabalhos históricos foram iniciados no final do século XIX e muitos deles dedicam- se ao tema do messianismo e de formas coletivas de "loucura religiosa". Os trabalhos contemporâneos tratam de temas como religião, uso de álcool e drogas, assim como de uma variedade de condições clínicas, como esquizofrenia e suicídio. Falta a esta linha de pesquisa uma melhor articulação entre investigação empírica e análise teórica dos dados, assim como um diálogo mais próximo com ciências sociais, como a antropologia e a sociologia da religião.

24 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Estudos de relevância histórica No Brasil, desde a virada do século XIX para o século XX, vários autores têm estudado a religiosidade nas suas relações com o sofrimento individual e os transtornos mentais. Não há espaço seguramente para uma revisão completa da produção sobre o tema realizada por autores brasileiros.

25 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Apenas serão mencionados alguns trabalhos e autores a fim de assinalar algumas das linhas de investigação mais significativas. Os trabalhos produzidos por psiquiatras brasileiros sobre estados de transe e possessão não foram incluídos neste trabalho, pois são tema de outro artigo ("O olhar dos psiquiatras brasileiros sobre os fenômenos de transe e possessão") nesta mesma edição da Revista de Psiquiatria Clínica (Almeida et al., 2007).

26 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Foi possivelmente Raimundo Nina Rodrigues O primeiro a estudar a religiosidade de negros e pardos, assim como as epidemias de "loucura coletiva" (ele falava em "epidemia vesânica de caráter religioso") em nosso país. Raimundo Nina Rodrigues ( ).

27 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O valor de seu trabalho foi, sobretudo, etnográfico, pois descreveu minuciosamente os cultos, práticas e entidades sagradas de africanos e seus descendentes. Da mesma forma, descreveu tais "epidemias" de "loucura coletiva" no Maranhão e na Bahia, analisando em profundidade o fenômeno do messianismo (em particular, de Antonio Conselheiro, em Canudos).

28 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS A Guerra de Canudos ou Campanha de Canudos, Conhecida como Guerra dos Canudos em certas regiões do sertão baiano [1] foi o confronto entre o Exército e integrantes de um movimento popular de fundo sócio- religioso liderado por Antônio Conselheiro, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no Brasil.

29 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS GUERRA DE CANUDOS Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo que fossem tomadas providências contra Antônio Conselheiro e seus seguidores.

30 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O estopim e a 1 a Expedição Outubro de 1896 – Ocorre o episódio que desencadeia a Guerra de Canudos, quando as autoridades de Juazeiro apelam para o governo estadual baiano em busca de uma solução. Em 24 de novembro deste ano, é enviada a primeira expedição militar contra Canudos - um destacamento policial de cem praças, sob comando do Tenente Manuel da Silva Pires Ferreira.

31 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS A 2 a Expedição Janeiro de Enquanto aguardavam uma nova investida do governo, os jagunços fortificavam os acessos ao arraial. Comandada pelo major Febrônio de Brito depois de atravessar a serra de Cambaio, uma segunda expedição militar contra Canudos foi atacada no dia 18 e repelida com pesadas baixas pelos jagunços, que se abasteciam com as armas abandonadas ou tomadas da tropa.

32 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Os sertanejos mostravam grande coragem e habilidade militar, enquanto Antônio Conselheiro ocupava-se da esfera civil e religiosa.

33 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS A 3 a Expedição Março de Na capital do país, o governo federal diante das perdas e a pressão politica e da Igreja, assumi o comando ao exército brasileiro. A notícia da chegada de tropas militares à região atraiu para lá grande número de pessoas, que partiam de várias áreas do Nordeste e iam em defesa do "homem Santo". Em 2 de março, depois de ter sofrido pesadas baixas, causadas pela guerra de guerrilhas na travessia das serras, a força, que inicialmente se compunha de homens, assaltou o arraial. Abalada diante da perda do seu Comandante, a expedição foi obrigada a retroceder.

34 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS A 4 a Expedição Abril de No Rio de Janeiro, a repercussão da derrota foi enorme, preparou a quarta e última expedição, com mais de quatro mil soldados equipados com as mais modernas armas da época. Fortemente armados, os soldados cercaram por três meses o arraial de Canudos, que sofreu forte bombardeio e depois foi invadido.

35 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Os primeiros combates foram em Cocorobó, em 25 de junho, com a coluna Savaget. No dia 27, depois de sofrerem perdas consideráveis, os soldados chegaram a Canudos.

36 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Setembro de Após várias batalhas, as tropas conseguiram fechar o cerco sobre o arraial. Antônio Conselheiro morreu em 22 de setembro, supostamente em decorrência de uma disenteria. Após receber promessas de que a República lhes garantiria a vida, uma parte da população sobrevivente se rendeu com bandeira branca.

37 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Enquanto um último reduto resistia na praça central do povoado, apesar das promessas, todos os homens presos, e também grupos de mulheres e crianças acabaram sendo degolados - uma execução sumária que se denominava de "gravata vermelha". [ Com isto, a Guerra de Canudos acabou se constituindo num dos maiores crimes já praticados em território brasileiro

38 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O arraial resistiu até 5 de outubro de 1897, O cadáver de Antônio Conselheiro foi exumado e sua cabeça decepada a faca. O corpo de Antônio Conselheiro (Antonio Vicente Mendes Maciel)

39 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS No dia 6 quando o arraial foi arrasado e incendiado, o Exército registrou ter contado vinte mil sertanejos mortos na guerra e estima-se que cinco mil militares tenham morrido. A guerra terminou com a destruição total de Canudos, a degola de muitos prisioneiros de guerra, e o incêndio de todas as casas do arraial.

40 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Referencia sobre a guerra de canudos: AS IMAGENS DE CANUDOS Por Flávio de Barros (1897) Disponível em: CALASANS, José. No Tempo de Antônio Conselheiro. Salvador, Livraria Progresso Editora, GALVÃO, Walnice Nogueira. No Calor da Hora - a guerra de Canudos nos jornais. São Paulo, Editora Ática, 1977 ARINOS, Afonso. Os Jagunços. PIRES FERREIRA, Manuel da SilvaPIRES FERREIRA, Manuel da Silva. Relatório do Tenente Pires Ferreira, comandante da 1a Expedição contra Canudos. Quartel da Palma, 10 de dezembro de J. da Costa Palmeira. A Campanha do Conselheiro - 1ª edição: Rio de Janeiro, Calvino, 1934, 212 p., il. HORCADES, Alvim Martins. Descrição de uma viagem a Canudos. Salvador: EDUFBA. 2a. edição 1996 Arinos de Belém. História de Antônio Conselheiro - Campanha de Canudos. Belém, Casa Editora de Francisco Lopes, CUNHA, EuclidesCUNHA, Euclides. Os Sertões - Campanha de Canudos. 1ª edição: Rio de Janeiro, Laemmert, 1902.Os Sertões BOMBINHO, Manuel das Dores. Canudos, história em versos. São Paulo: Hedra, Imprensa Oficial do Estado e Editora da Universidade Federal de São Carlos, 2a. edição, 2002 BENÍCIO, Manoel. O Rei dos Jagunços. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas. 2a. edição, 1997BENÍCIO, Manoel MACEDO SOARES, Henrique Duque-Estrada de. A Guerra de Canudos.Rio de Janeiro: Typ. Altiva, 1902 CUNNINGHAME GRAHAM, R. B. A Brazilian Mystic. Dial Press, MARCHAL, Lucien. Le Mage du Sertão. Paris, 1952 LLOSA, Mario VargasLLOSA, Mario Vargas. La guerra del fin del mundo. Barcelona: Seix Barral, 1981 Wikipédia Wikipédia, a enciclopédia livrelivre

41 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Seus estudos das epidemias psíquicas, o beribéri de tremeliques ou caruara, em São Luís (MA) e Salvador (BA) (Nina Rodrigues, 2003), assim como a loucura epidêmica de Canudos (Nina Rodrigues, 2000), expressam a sua percepção aguda de como crenças poderosas podem atuar sobre um terreno fértil de populações vulneráveis ao contágio imitativo.

42 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Para ele, a religiosidade das classes populares no Brasil revelava um caráter híbrido, no qual uma casca de catolicismo monoteísta europeu encobria crenças mais bem fetichistas, politeístas e animistas. Tal perfil, em contexto sociopolítico de mudanças rápidas, aumentaria as tensões sociais e facilitaria a propagação das epidemias de loucura coletiva.

43 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Um indivíduo acometido por doença mental grave, como era o caso de Antonio Conselheiro (acometido por delírio crônico de Magnan, segundo Nina Rodrigues), atuando em uma massa de pobres, mestiços, sugestionáveis e desequilibrados, em momento histórico conturbado, poderia desencadear previsivelmente fenômenos histéricos, neurastênicos e místicos de grandes proporções.

44 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Apesar das indiscutíveis ressalvas ao viés racista e psiquiátrico de sua obra, deve-se reconhecer que Nina Rodrigues descreveu laboriosamente a riqueza cultural das manifestações dos cultos fetichistas, assim como a importância dessas manifestações para a expressão de conflitos e necessidades.

45 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O primeiro psiquiatra paulista, Franco da Rocha (1919), apresentou o tema "Do delírio em geral", no Curso de Clínica Psiquiátrica na Faculdade de Medicina de São Paulo. Ele terminou essa aula salientando a grande importância do delírio das multidões, que seria produzido por indução e comunicação afetiva nas massas populares.

46 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Certamente ainda impressionado pela tragédia de Canudos, Franco da Rocha relatou um episódio de loucura coletiva religiosa na pequena São Luiz do Paraitinga (SP): "Um rudimento de loucura coletiva deu-se, há bem pouco tempo, em S. Luiz do Paraitinga, onde a epidemia religiosa foi jugulada no nascedouro pelo bom senso do governo.

47 UFMS Foram elementos iniciais uma histérica com crises catalépticas e uma boa dose de embusteirice ao redor desse fenômeno; o resto coube ao misticismo, (à sede de milagres) existente sempre em certas camadas da sociedade. Não tomasse o governo tão importantes medidas e a epidemia seguiria seu curso, como tantas outras já registradas entre nós, no Rio Grande do Sul, na Bahia, em Taubaté (SP) etc. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR

48 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Em uma perspectiva inicialmente mais psicopatológica (e mais etnológica, anos depois), Osório Cesar interessou-se profundamente tanto pela arte produzida pelos alienados dos hospícios como pelas manifestações religiosas e culturais dessa população.

49 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Em 1924, no primeiro artigo sobre arte produzida por alienados no Brasil, ele relata detalhadamente o caso de um doente negro, de 32 anos, soldado da polícia, católico, que havia sido internado, pois movido por intensa atividade delirante, assassinou sua mulher a machadadas. Esse homem que se comunicava com os "poderes espirituais do espaço" demonstrava um prazer especial e uma habilidade incrível em produzir esculturas originais e muito expressivas.

50 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Anos mais tarde, César (1939) publicou um livro inteiramente dedicado a aspectos religiosos relacionados à doença mental, intitulado Misticismo e Loucura. Nesse trabalho, o psiquiatra paulista faz, nos primeiros capítulos, uma análise etnopsicológica do caráter religioso dos brasileiros, sobretudo de negros e mestiços.

51 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS No penúltimo, "Fanatismo e Psicopatia", ele relatou uma série de "loucuras religiosas epidêmicas" ocorridas no Brasil. Analisou o episódio de Pedra-Bonita, em Pernambuco, em que morreram algumas dezenas, movidos pelo delirante João Santos, que acreditava haver descoberto nas redondezas do município de Flores uma área sagrada, prenhe de riquezas e maravilhas celestes, onde ainda reinaria o legendário rei português Dom Sebastião. No episódio, várias pessoas se suicidaram e ocorreram muitos sacrifícios humanos.

52 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Na busca e ânsia por aquele éden agreste. Relatou também a então considerada loucura epidêmica de Canudos, liderada pelo místico (considerado também delirante) Padre Antônio Conselheiro. Também como expressão de uma devoção extrema e com contornos delirantes, citou o grande líder religioso nordestino Padre Cícero do Crato (e de sua Juazeiro) como exemplo de santo popular, autor de muitos milagres (e, assim, substrato de delírios religiosos coletivos).

53 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O capítulo mais original de César é o último sobre "Os místicos dos hospícios". Aqui ele descreveu como as diferentes patologias mentais produzem delírios e alucinações de conformação religiosa. Afirmou que é a parafrenia (uma psicose esquizofreniforme com preservação da organização mental) a que mais produz delírios religiosos.

54 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Relatou casos de pacientes com demência precoce (atual esquizofrenia) com idéias de natureza místico- erótica e comentou como o delírio místico nos melancólicos, geralmente envolto em idéias de auto- acusação, é das formas mais graves de delírio religioso.

55 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Um deles, jovem presbiteriano, teve alucinações e delírios acreditando ser o apóstolo Pedro. Após um período em que se tornou triste e sombrio, decidiu cortar o pênis com uma faca, pois se masturbava com freqüência e decidiu seguir as indicações de Jesus.

56 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Citou para justificar seu ato automutilatório: "Se tua mão direita te escandaliza, corta-a e lança-a fora..."

57 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS O outro jovem delirante também era um assíduo masturbador, tendo tido uma estrita educação católica. Considerava a masturbação e a fornicação pecados máximos; movido por suas análises delirantes religiosa, para se liberar de seus desejos eróticos, decidiu também pela amputação do próprio pênis.

58 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Um trabalho de análise histórica, Demonologia (1957), César discutiu a importância da possessão demoníaca na cultura européia e como tais possessões passaram a fazer parte da expressão da doença mental no Ocidente. Utilizando autores como Charcot, Richer, Janet e Zilboorg, traçou pontos de contato entre a chamada demonopatia e a grande histeria descrita pelos autores franceses.

59 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS No início dos anos de 1940, Lucena (1940) estudou um movimento messiânico no município de Panelas, em Pernambuco. Descreveu como um líder com vagas idéias paranóides e de influência atuou sobre um grupo de pessoas crédulas. Lucena examinou essas pessoas e concluiu não se tratar de "epidemia de doença mental", mas de fenômeno cultural.

60 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS pois os adeptos não passavam dos vários matizes da credulidade; eles não eram portadores de transtornos mentais, apenas expressavam a exacerbação de uma mentalidade coletiva. Esse trabalho do professor pernambucano foi importante no sentido de iniciar um processo de "despatologização" do fenômeno do messianismo no meio psiquiátrico brasileiro.

61 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Em 1942, Whitaker analisou detalhadamente o fenômeno da mediunidade lançando mão tanto de visitas a ritos religiosos espíritas como do estudo de uma jovem paciente com marcantes qualidades mediúnicas. O autor notou que quando a jovem freqüentava as sessões espíritas, suas crises de choro, nervosismo e descontrole cessavam; sem as sessões, sentia- se nervosa e percebia que necessitava "receber os espíritos".

62 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Ele analisou os médiuns como um grupo heterogêneo; alguns neuróticos cujas manifestações inconscientes são interpretadas como "espíritos" e outros perfeitamente normais, crentes sinceros e de boa-fé, movidos por forte influência sugestiva

63 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Na mesma linha dos estudos de Lucena sobre psiquiatria e messianismo, poucos anos depois, em Campo Grande (MS), Pires (1946) observou outro movimento de loucura religiosa, liderado por uma dupla; um pai delirante e seu filho, tido como "santo milagroso". Ele disse que o pai era fervoroso crente, às vezes alucinado e portador de idéias místicas supervalentes que, freqüentemente, atingiam a condição delirante: era o indutor do episódio que se ia passar.

64 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Pires interessou-se em particular pelo fenômeno das chamadas psicoses induzidas e pelo "contágio psíquico" nas populações. O jovem líder do movimento messiânico que estudou era um adolescente anemiado profundamente, de inteligência aparentemente subnormal, que atuava com o pai; recusou-se à entrevista, pois era um santo que não queria ser perturbado. Tinha ânsia por curar e dizia que enlouqueceria se não o fizesse..

65 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Segundo Pires, em virtude das condições socioculturais da população, que no interior do Brasil em si não é delirante, mas tem marcante necessidade de crença, acabou-se por atribuir a esse garoto a qualidade de santo curador de todo tipo de doença.

66 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Acorreu à pequena cidade, que então contava com 30 mil habitantes, uma multidão de doentes, paralíticos, asmáticos, ulcerosos, que se diziam curados pelo menino santo. Ao que parece, a mortalidade na cidade aumentou nesse período. Ao final, o juiz local proibiu as curas e determinou com a polícia o fim do episódio.

67 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Poucos anos depois, em Belisário, Minas Gerais, Alvim (1951) descreveu um movimento messiânico associado a uma seita liderada por uma mulher, possivelmente com "personalidade psicopática" e um fiel seu com retardo mental e reações paranóides e homicidas. O autor não constatou, por outro lado, nenhuma doença mental nos adeptos.

68 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS No final dos anos de 1950, um primeiro estudo multidisciplinar realizado pela socióloga Maria Izaura Pereira de Queiroz (1957), em Caculé (BA), analisou os participantes de um movimento messiânico, não constatando doença mental. Entretanto, do ponto de vista da psicologia social, verificou indícios de insegurança, passividade, imaturidade e deficiência de iniciativa nos adeptos de tal movimento.

69 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Essa autora tornou-se uma das principais referências do fenômeno do messianismo (Pereira, 1965) e consolidou nos anos de 1960 e 1970 uma nova visão, que enfatizava tanto aspectos sociais como políticos, em contraposição a perspectivas patológicas dominantes no meio intelectual anterior a ela.

70 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Bastide (1967) deu particular atenção à influência das seitas religiosas sobre os transtornos mentais. Para ele, há seitas que desempenham papel positivo de proteção em relação aos transtornos mentais, outras, entretanto, intensificam (...) os conflitos psíquicos entre o desejo de perfeição absoluta e os instintos, mais particularmente o instinto sexual.

71 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Aqui, possivelmente Bastide se referiu a pequenas igrejas evangélicas, pentecostais, com seu pietismo e moralismo estrito. Ao analisar outro grupo de pequenas seitas, que ele denominou "seitas urbanas e esotéricas" (possivelmente grupos de espiritismo híbrido, com componentes afro- brasileiros e kardecistas), ele disse que tais seitas chamam para seu seio: "(...) todos os ansiosos e deprimidos, os grandes vencidos da sociedade industrial; elas (tais seitas) constituem verdadeiros caldos de cultura dos transtornos psiquiátricos, os quais elas exaltam, enquanto as Igrejas os controlavam e reprimiam" (1967).

72 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Moreira-Almeida et al. (2005) reviram recentemente a história da chamada "loucura espírita" na primeira metade do século XX, no Brasil. Nesse contexto, médicos eminentes, como Henrique Roxo, Franco da Rocha e Afrânio Peixoto, consideravam que as práticas espíritas desencadeavam com freqüência quadros de loucura e histeria. Até o início dos anos de 1950, essa tese foi sustentada (em particular por Pacheco e Silva, líder universitário da psiquiatria paulista).

73 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Conclusão Pode-se, finalmente, constatar uma rica multiplicidade de temas abordados nesses estudos sobre religiosidade e sa ú de mental. A presen ç a do religioso no modo de construir e vivenciar o sofrimento mental tem sido observada por muitos dos pesquisadores. Assim é o caso tanto em estudos com contornos mais qualitativos e etnogr á ficos, como com os mais bem quantitativos e epidemiol ó gicos. Isso tamb é m é constat á vel tanto para os transtornos mentais mais leves, como ansiedade e depressão, como para os quadros graves, como nas psicoses. A busca por algum al í vio do sofrimento, por alguma significa ç ão ao desespero que se instaura na vida de quem adoece, parece ser algo marcadamente recorrente na experiência, sobretudo para as classes populares. Conclusão Pode-se, finalmente, constatar uma rica multiplicidade de temas abordados nesses estudos sobre religiosidade e saúde mental. A presença do religioso no modo de construir e vivenciar o sofrimento mental tem sido observada por muitos dos pesquisadores. Assim é o caso tanto em estudos com contornos mais qualitativos e etnográficos, como com os mais bem quantitativos e epidemiológicos. Isso também é constatável tanto para os transtornos mentais mais leves, como ansiedade e depressão, como para os quadros graves, como nas psicoses. A busca por algum alívio do sofrimento, por alguma significação ao desespero que se instaura na vida de quem adoece, parece ser algo marcadamente recorrente na experiência, sobretudo para as classes populares.

74 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Drº. Paulo Dalgalarrondo - Estudos sobre religião e saúde mental no Brasil: histórico e perspectivas atuais. O caso mereceu destaque na obra que traça o perfil biográfico do jurista Evandro Lins e Silva. Vide SILVA, Evandro Lins e, O salão dos passos perdidos: Depoimento ao CPDOC, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997, p. 205 Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF 2008 Histórias da Loucura – Autor: Décio Amorim, João Carlos Ventura, Lucas Ferraz Mateus Rabelo – Belo Horizonte 2006 Referência:

75 UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR UFMS Drº. Paulo Dalgalarrondo - Estudos sobre religião e saúde mental no Brasil: histórico e perspectivas atuais. O caso mereceu destaque na obra que traça o perfil biográfico do jurista Evandro Lins e Silva. Vide SILVA, Evandro Lins e, O salão dos passos perdidos: Depoimento ao CPDOC, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997, p. 205 Paulo Vasconcelos Jacobina DIREITO PENAL DA LOUCURA Brasília – DF 2008 Histórias da Loucura – Autor: Décio Amorim, João Carlos Ventura, Lucas Ferraz Mateus Rabelo – Belo Horizonte 2006 Pelo Professor : Reis AULA 06 – RELIGIÃO E SAÚDE MENTAL Contato: Referência:


Carregar ppt "UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL HOSPITAL UNIVERSITÁRIO CURSO DE EXTENSÃO EM CAPELANIA HOSPITALAR Professor : Reis AULA 06 – RELIGIÃO E SAÚDE."

Apresentações semelhantes


Anúncios Google