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2 7 - Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. MISERICORDIOSOS - Grego: eleêmôn, piedoso, misericordioso, compassivo. Em Hebreus.

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2 2 7 - Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. MISERICORDIOSOS - Grego: eleêmôn, piedoso, misericordioso, compassivo. Em Hebreus 2: 17 se diz que Cristo é misericordioso eleêmôn e fiel sumo sacerdote. A misericórdia da qual fala Cristo aqui é uma virtude ativa que se projeta para os seres humanos. Tem pouco valor enquanto não se converte em obras de misericórdia. Em Mateus 25: 31 a 46 se apresentam as obras de misericórdia como o elemento decisivo para a admissão no reino da glória. Tiago inclui os atos de misericórdia em sua definição da religião pura Tiago 1: 27. Miquéias 6: 8 resume a obrigação do homem para com Deus e seu próximo: fazer, justiça, e amar misericórdia, e humilhar-se ante teu Deus. Note que Miquéias, como Cristo, menciona tanto a humildade ante Deus como a misericórdia para com os homens. Estes dois procederes podem comparar-se com os dois mandamentos, dos quais depende toda a lei e os profetas. Mateus 22: CBASD, vol. 5, p. 318.

3 3 O egoísmo nos impede de ver a Deus. O espírito interesseiro julga a Deus igual a si mesmo. Até que tenhamos renunciado a isso, não podemos compreender Aquele que é amor. Unicamente o coração abnegado, o humilde e fiel de espírito, verá a Deus como misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade 1. Os misericordiosos são aqueles que estão conscientes de serem indignos recipientes da misericórdia de Deus e que, se não fosse, eles não seriam apenas pecadores, mas pecadores condenados. Consequentemente esforçam-se por refletir no seu convívio com outros algo da misericórdia que Deus mostrou para com eles. E quanto mais fazem isto, mais a bênção de Deus se estende a eles 2. 1 Desejado de Todas as Nações, p Mateus, Introdução e Comentário, R. V. G. Tasker, Mundo Cristão, pp. 49 e 50.

4 4 As palavras vem do Salmo 18: 25; Colossenses 3: 13 Efésios 4: 32 mostram que o crente é alvo de misericórdia, precisa da misericórdia divina e tem obrigação de exercer esta qualidade. Deus mostra sua misericórdia, sem merecimento da parte de quem a recebe. O povo de Deus deve imitá-lo, lembrando-se especialmente que ainda precisa de algo Mateus 18: 23 a 35, na parábola do credor incompassivo, ensina que aqueles que recebem misericórdia estão na obrigação de demonstrá-la e que se assim não fizerem, receberão mais severo julgamento, Lucas 6: 37; Tiago 5: 9. Bengel tem belos pensamentos sobre o reino de Deus, dado aos humildes como benigna tálio que significa absolvição graciosa. Aqueles que são assim absolvidos dificilmente deixam de apresentar a mesma atitude para com seus semelhantes. Os que mostram tal misericórdia para com a humanidade estão sujeitos, ipso fato à mesma graça 1. 1 ONTIVV, vol. 1, Russell Norman Champlin, Ph. D. Editora Milenium, p. 306.

5 5 I. Palavras Envolvidas. A palavra portuguesa misericórdia vem do latim mercês, mercedis, pagamento recompensa, que veio a ser associado a recompensas divinas ou atos de compaixão celeste. No AT temos três palavras que devem ser consideradas: 1. Hésed. Que aponta para a idéia de sede física da compaixão, e que leva o indivíduo a sentir e exprimir compaixão.Salmo 23: 5; Josué 2: 12 a 14; Jeremias 3: 13 para exemplificar. Essa sede compaixão era as entranhas modernamente atribuímos isto ao coração ou ao ventre Gênesis 43: 30; I Reis 3: 26. É daí que se originam o amor e a misericórdia naturais, que se podem achar nos membros de uma mesma família, uns pelos outros, e que o homem espiritual é capaz de ampliar, envolvendo seus parentes distantes e outras pessoas. Deus estende sua misericórdia a todas as criaturas vivas, sendo esse o alvo mesmo da espiritualidade no tocante a esse aspecto. Uma mãe sente compaixão por seu bebê Isaias 49: 15; um pai por seu filho Jeremias 31: 20; um amante por seu abjeto amado Oséias 2: 19; um irmão por seu irmão Amós 1: 11.

6 6 2. Rhm. Uma raiz hebraica que descreve as atitudes de Deus em relação à miséria e desgraça de seu povo, ou seja, a compaixão que isto provoca nele. O vínculo que une Deus às suas criaturas, leva-o a expressar compaixão para todos os seres vivos. Até mesmo aqueles que nada merecem da parte dele recebem misericórdia. Isaias 13: 18; Jeremias 6: 23; 21: 7; 42: 12; I Reis 8: 50. Um aumentativo plural desta raiz, rechamim, fala sobre a piedade, a compaixão, o amor e as emoções associadas Salmo 103: 4. Na verdade hésed e rachamim são sinônimos virtuais.

7 7 3. A raiz hebraica chn é usada para indicar a exibição de um favor, de alguém se mostrar gracioso um para com o outro. Deuteronômio 7: 2; Salmo 57: 1; 123: 2 e 3. A forma substantiva desta raiz é chen, favor, sucesso, aceitação e fortuna. Essa palavra também aponta para a idéia de sentir compaixão, de poupar a pessoa favorecida, de não aplicar nenhum castigo a ela. O trecho de Deuteronômio 7: 2 diz que Israel não deveria poupar seus inimigos; não obstante Deus poupa a todos nós, pois os resultados da aplicação de sua justiça seriam desastrosos para com todos nós. Lamentações 3; 22.

8 8 No NT precisamos considerar três vocábulos a saber: 1. Éleos, misericórdia, compaixão. Essa palavra grega ocorre por 27 vezes: Mateus 9: 13 citando Oseías 6: 6; 12: 7; 28: 23; Lucas 1: 54, 58, 72,78; 10: 37; Romanos 9: 23; 11: 31; 15: 9; Gálatas 6: 16; Efésios 2: 4; I Timóteo 1: 2; II Timóteo 1: 2, 16, 18; Tito 3: 5; Hebreus 4: 16; Tiago 2: 13; 3: 17; I Pedro 1: 3; II João 3; Judas 2: 21. A forma eleemosúme aparece por treze vezes: Mateus 6: 2 a 4; Lucas 11: 41; 12: 33; Atos 3: 2, 3, 10; 9: 36; 10: 2, 4, 31; 24: 17. O verbo eleéo figura por vinte nove vezes: Mateus 5: 7; 9: 27; 15: 22; 17: 15; 18: 33; 20: 30, 31; Marcos 5: 19; 10: 47, 48; Lucas 16: 24; 17: 13; 18: 38, 39; Romanos 9: 15 citando Êxodo 33: 19; 9: 16, 18; 11: 30 a 32; 12: 8; I Corintios 7: 25; II Corintios 4: 1; Filipenses 2: 27; I Timóteo 1: 13, 16; I Pedro 2: 10; Judas 22 e 23. O adjetivo eleémon ocorre por duas vezes Mateus 5: 7 e Hebreus 2: 17. A idéia de misericórdia está sempre relacionada à idéia de graça no grego charis.

9 9 2. Oiktirmós. Simpatia compaixão. Essa palavra grega que se refere às simpatias e interesses coletivos de Deus pelos homens, aparece por cinco vezes: Romanos 12: 1; II Corintios 1: 3; Filipenses 2: 1; Colossenses 3: 12; Hebreus 10: 28. Sua forma adjetivada oiktirmon, foi usada por duas vezes: Romanos 9: 15 citando Êxodo 33: Splágchna, entranhas. Está metaforicamente envolvida a idéia de misericórdia. Essa palavra grega aparece por onze vezes. Lucas 1: 78; Atos 1: 18; II Corintios 6: 12; 7: 15; Filipenses 1: 8; 2: 1; Colossenses 3: 12; Filemom 7, 12 e 20; I João 3: 17. O verbo splagchnízomai, aparece por doze vezes: Mateus 9: 36; 14: 14; 15: 32; 18: 27; 20: 34; Marcos 1: 41; 6: 34; 8: 2; 9: 22; Lucas 7: 13; 10: 33; 15: 20.

10 10 II. Definições É o ato de tratar um ofensor com menor rigor do que ele merece. Trata-se do ato de não aplicar um castigo merecido, mas também envolve a idéia de dar a alguém algo que não merece. Pode referir-se a tos de caridade ou de cura. Aponta para o ato de aliviar o sofrimento, inteiramente a parte da questão do mérito pessoal. Quando chega a idéia de favor desmerecido, então já se torna um sinônimo da palavra graça. A misericórdia retém o julgamento que um homem merece; que a graça outorga alguma bênção que esse homem não merece. Algumas vezes pode ser feita esta distinção, mas os dois conceitos se se justapõem. A misericórdia pode indicar benevolência, benignidade, bênção, clemência, compaixão e favor.

11 11 A misericórdia é uma atitude de compaixão e de beneficência ativa e graciosa expressa mediante o perdão calorosamente conferido a um malfeitor. Não denota condescendência, mas amor, desejando restaurar o ofensor e aliviar o castigo que esse ofensor merece. Na Bíblia a misericórdia de Deus é oferecida gratuitamente, uma expressão não constrangida de amor, sem qualquer mácula de preconceito, aberta a todos os homens dignos e indignos igualmente. A teologia não considera a misericórdia divina cristã como incompatível com os seus justos julgamentos, mas considera ambas as coisas como expressões vivas de seu amor, conforme o mesmo é revelado em Cristo, cuja morte expiatória reconcilia as exigências da justiça divina com as misericórdias divinas. A misericórdia combina um forte elemento emocional, identificado com a compaixão, a piedade e o amor, com demonstração prática de gentileza e bondade, em resposta à condição ou às necessidades do objeto da misericórdia.

12 12 III. Na Ética Cristã. 1. Deus é o exemplo que devemos seguir. Sua amor envolve todos os seres humanos, e ninguém é merecedor desta virtude. A compaixão humana é uma qualidade espiritual que procura aliviar o sofrimento humano e retém a vingança e os atos de retaliação. Na ética cristã, a misericórdia em um homem faz parte da justiça do reino, como um reflexo da divina, onde aquela encontra seu modelo e inspiração. A compaixão divina é salientada na teologia judaica e maometana, mas tudo deriva dos ensinamentos bíblicos. 2. Bultmann tinha razão quando falava na misericórdia como a qualidade da fidelidade na ajuda. Quando os homens se dedicam a Deus, tem uma qualidade que corresponde à correta espiritualidade, e agem com bondade. A própria salvação alicerça-se sobre este dom divino Êxodo 34: 6; Lucas 1: 58; Efésios 2: 4; Tito 3: 5. A espiritualidade do crente está baseada na regeneração que produz a salvação, na qual a misericórdia caracteriza os que são verdadeiramente justos.

13 13 3. A bondade alivia a justiça. Romanos 1 e 2 Paulo concebe a justiça crua, que vê a condenação de todos os homens. Nisso consiste justiça crua sem o tempero do amor. A partir do terceiro capítulo de Romanos Paulo mostra a realidade do Evangelho de modo que a justiça crua não é aplicada. 4. O julgamento e a justiça não são conceitos contrários ao amor de Deus. Os dois são sinônimos. Deus julga com o propósito de mostrar seu amor. Os juízos divinos são atos de bondade que alcançam resultados benévolos. A cruz do Calvário foi um julgamento divino contra o pecado, e dai veio a salvação dos homens. Um julgamento que foi remédio e não apenas penal. 5. O cumprimento da lei do amor inclui atos de misericórdia, sendo este o principal conceito ético. O amor é a prova da existência da espiritualidade I João 4: Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, R. N. Champlin, Ph.D. J. M. Bentes, Editora Candeia, vol. 4, pp. 298 a 300.

14 14 Desviando o Foco A quinta bem-aventurança nos apresenta um ponto critico. As quatro primeiras tratam de nossa relação com Deus. A quinta começa a tratar de nosso relacionamento com outras pessoas. O mesmo é verdade com respeito às últimas três. Assim, a maneira mais simples de dividir as Bem-aventuranças é como a das tábuas dos Dez Mandamentos. Há uma verdade profunda na base dessa disposição. O cristianismo não é simplesmente uma questão de amar e ter afeição por Deus. Longe disso. Os dois Testamentos ilustram o cristianismo como amor tanto a Deus como as outras pessoas. Não estamos tratando de um ou outro, mas de um e outro.

15 15 Na verdade, para mim, é impossível amar a Deus sem amar os outros. De igual forma, se realmente refletirmos nisso, é impossível amar genuinamente as outras pessoas, sem amar a Deus. O máximo que você transmite de amor a um irmão ou irmã, desvinculado do amor divino, é meramente uma forma mais sutil de egoísmo humano. Isto é, eu o amo por causa do que você pode fazer por mim. Nosso Senhor escolheu cuidadosamente a ordem das Bem-aventuranças para representar a ordem de nossa salvação. Cada bem-aventurança segue a seqüência lógica da anterior. Assim, quando percebo que não tenho justiça em mim mesmo e sou verdadeiramente humilde de espírito, reconheço minha extrema debilidade. Clamo por livramento, e a percepção de meu verdadeiro estado me torna genuinamente manso em vez de altivo e imponente. Percebendo minha condição desesperada, naturalmente sinto fome e sede do perdão e da capacitadora justiça de Deus.

16 16 Nesse ponto, o Deus de todas as misericórdias entra em cena e aceita meu arrependimento, me declara perdoado, e implanta em mim um novo coração. Sou redimido, salvo por Sua misericórdia para co­migo. Essa é a promessa das quatro primeiras bem-aventuranças. Mas como devo responder? Esse é o assunto da segunda tábua das Bem- aventuranças. Serei misericordioso, puro de coração, pacificador e paciente quando tratado injustamente. Em resumo, através do poder de Deus me tornarei mais e mais semelhante a Jesus 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 37.

17 17 Invertendo uma das Bem-aventuranças O Filho do homem veio buscar e salvar o perdido. Lucas 19: 10. Uma das coisas mais fáceis no mundo é entender as coisas às avessas. Isso é o que acontece especialmente com a quinta bem-aventurança. Muitos a lêem como se dissesse: Se eu tiver misericórdia e perdoar meus semelhantes, Deus terá misericórdia e me perdoará. Em outras palavras, se eu sou misericordioso para com os outros, então Deus, e só então, terá misericórdia de mim. O problema dessa interpretação e que ela contraria totalmente as Escrituras. Deixa de considerar quão perdido realmente sou, e quão sem esperança. Deixa de responder pela seriedade do problema do pecado. A Bíblia retrata Deus como Aquele que, em Sua misericórdia, sempre toma a iniciativa de estender a mão e ajudar os perdidos em sua condição mesmo antes de eles saberem que estão perdidos.

18 18 Assim sendo, é Deus quem busca Adão e Eva em sua nudez após a queda. E Deus quem toma a iniciativa de buscar a ovelha perdida e a moeda perdida conforme Lucas 15, e é o Pai que vai conversar com o filho mais velho na história do filho pródigo, nesse mesmo capitulo. Deus tanto amou o mundo que tomou a iniciativa de dar Seu Filho Unigênito, e esse Filho veio para buscar e salvar os que estavam sob a sentença de morte. E o próprio Deus a fonte de toda a misericórdia. Seu nome é misericordioso e pie­doso. Êxodo 34: 6. Portanto, eu não sou misericordioso porque quero ser salvo. Não! Como cristão, sou misericordioso porque já fui salvo. Fui resgatado do abismo do pecado e da morte pelo Deus de toda a misericórdia. Qual o resultado? Tenho um desejo ardente de ser misericordio­so em minha vida diária. Quero passar adiante o dom de Deus 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 38.

19 19 O Significado de Misericórdia Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocente o culpado. Êxodo 34: 6 e 7. É muito fácil confundir misericórdia com uma atitude complacente. Mas a pessoa misericordiosa não é aquela que sorri diante da transgressão e do pecado. Nosso texto de hoje retrata um cuidadoso equilíbrio no caráter de Deus, entre a terna compaixão e a firmeza que se recusa a tolerar a pecaminosidade rebelde. Estamos aqui lidando com o Deus que é tanto amoroso quanto justo, o Deus que permanece firme pelos princípios, e que todavia está disposto a demonstrar misericórdia para com aqueles que tem fome e sede de uma vida melhor.

20 20 Eu, diz Jesus, repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te. Apocalipse 3: 19. Deus nos ama demais para nos deixar levar uma vida destrutiva, que não só afeta nossa própria felicidade, como perturba a comunidade em geral. Ele deseja o que há de melhor para nós. Ele nos considera o suficiente para nos repreender quando erramos. Mas essa repreensão faz parte da Sua misericórdia. As pessoas que não se importam e que deixam seus filhos agirem de maneira selvagem. As pessoas sem consideração para com os outros e que deixam de advertir seus amigos acerca das infelizes conseqüências de sua conduta. Esse descaso não deve ser confundido com misericórdia. Misericórdia significa fazer caso das pessoas, preocupar-se com o bem-estar dos que nos rodeiam. Desse modo, em nossa misericórdia estendemos a mão aos outros, demonstrando interesse cristão.

21 21 Em certo sentido, misericórdia e um estado mental, um estado de interesse pelo bem-estar de outros; e uma atitude de consideração suficiente para ser tanto amável como disposto a perdoar, mesmo que isso signifique ter de enfrentar problemas e atos errôneos com a disposição de Cristo. Senhor, ajuda-me hoje a assimilar a atitude misericordiosa que representa a essência do caráter de Deus. Ajuda-me a mostrar em minha vida um equilíbrio semelhante ao que revelas em Tua vida 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 39.

22 22 Misericórdia é Mais do que uma Atitude E quem der a beber, ainda que seja um copo de dágua a um destes pequeninos, por ser este Meu discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão. Mateus 10: 42. Conta-se a história de Jacob Bright, que certo dia ao voltar da cidade para casa, encontrou no caminho um vizinho pobre em grande dificuldade. Seu cavalo sofrera um acidente e era preciso matá-lo. As pessoas se aglomeravam em torno daquele homem, dizendo como lamentavam a situação. A alguém que ficava repetindo isso em voz alta, Jacob disse: Eu lamento um valor de 50 dólares. Quanto o senhor la­menta? Ele então passou o chapéu por todos os que ali estavam para conseguir comprar outro cavalo para aquele homem. Ser misericordioso é mais do que uma atitude. É uma ação. Misericórdia é amor em ação.

23 23 Mas antes do amor se tornar ação, e necessário olhar para os outros. Nas palavras de William Barclay: Misericórdia é o oposto de egocen­trismo. E a antítese de egoísmo. Certo teólogo sugeriu que a igreja é companheirismo entre pessoas mortas para si mesmas e vivas para Cristo. A misericórdia entra em cena quando o amor ao eu é substituído pelo amor a Deus e aos semelhantes. Misericórdia é uma atitude do coração que gera atitudes específicas para com pessoas especificas. Por que deixar para depois? Por que não fazer uma gentileza não esperada para seu esposo ou esposa? Que tal começar o dia de trabalho com um ato de bondade para com o seu colega? Que tal surpreender seu pai, ou seu filho ou filha? Hoje é o dia de demonstrar a outros a misericórdia de Deus. Não ao meio-dia ou depois do trabalho, mas agora e depois também 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 40.

24 24 Religião que Embrutece Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque dais o dizimo da hortelã, do endro e do cominho e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porem, fazer estas coisas, sem omitir aquelas! Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo! Mateus 23: 23 e 24. Nem toda religião é piedosa. Nem toda religião é crista. Nem toda religião é prestativa. Para algumas pessoas, seria melhor não ter religião, ou pelo menos, não o tipo de religião que tem. Isso se aplica de modo particular aqueles cuja religião os torna mais rudes. Alguém pode pensar nos reformadores de saúde que se in­dispõem contra membros da família ou amigos que não são tão rigorosos quanto eles. Ou nas pessoas que explodem quando seus momentos de meditação sobre a vida de Cristo são interrompidos. Pode-se ainda imaginar a cena do purista doutrinário que se torna menos amável quando alguém discorda dele num ponto de sua crença ou interpretação bíblica.

25 25 Tais pessoas se embruteceram pela assim chamada religião. Elas es­tão caminhando na direção errada. Estão se afastando de Jesus. Não me entenda mal. Reforma de saúde, uma vida de fiel devoção e doutrinas corretas são importantes. Por quê?, pareço ouvir alguém perguntar. Porque as pessoas doentes se tornam resmungonas e acham difícil demonstrar misericórdia total aos demais. O verdadeiro propósito da reforma de saúde é preparar-nos para viver melhor uma vida de misericórdia. O mesmo pode ser dito acerca do estudo devocional. Aqueles que andam com Jesus devem ser os que agem da maneira mais semelhante a Ele. E a exatidão das doutrinas deve ajudar-nos a compreender me­lhor o amor de Deus, para que o experimentemos ao máximo.

26 26 Mas quando qualquer dessas assim chamadas experiências religiosas em nosso estilo de vida nos endurecem tanto que nos tornamos menos misericordiosos e mais rudes, perdemos de vista o que é cristianismo, não parcialmente, mas totalmente. A religião de Jesus nos tornará mais misericordiosos e não mais rudes. Se não tiver esse efeito, estamos conectados na experiência erra­da, seja o que for que tenhamos, não é a religião de Jesus 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 41.

27 27 Religião que Abranda Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros. João 13:35. Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se guardardes o sábado. Nisto conhecerão todos que sois Meus discípulos: se devolverdes o dizimo. Nisto conhecerão todos que sois Meus discí­pulos: se comerdes as coisas certas. Alguns anos atrás li João 13: 35 desta maneira numa reunião de consultoria de leigos da Associação, em Ohio. Imediatamente após minha apresentação, fui confrontado por um zeloso novo converso. Ele queria saber exatamente onde estava esse texto. Na Bíblia dele, alegava, não estava escrito assim.

28 28 O que ele realmente queria, em sua agitação, era o texto básico que prova quem é um adventista. Alguns seriam tentados a pensar que seria absolutamente maravilhoso se tivéssemos um verso de Jesus rei­vindicando que poderíamos identificar Seus verdadeiros seguidores, sem qualquer sombra de dúvida, pelo simples averiguar se guardam o sétimo dia, o sábado. E Jesus poderia ter-nos dado tal texto. Mas não o fez. Ele, porém, nos deu um modo, o Único, de identificar Seus legítimos seguidores. Eles verdadeiramente se preocuparão com sinceridade uns pelos outros e amarão uns aos outros. Nunca será demais afirmarmos que os verdadeiros cristãos demonstram amor: amor a Deus e uns aos outros.

29 29 O cristianismo fará de você uma pessoa mais bondosa. O cristianismo fará com que você tenha mais consideração pelos outros. Ele transformará sua vida. É impossível que um cristão seja mesquinho e rude; seria uma evidente contradição. Temos de ser uma coisa ou outra: cristãos ou levianos, cristãos ou cruéis. Não podemos ser ambas as coisas. O cristianismo abranda tanto nossas atitudes como nossas ações. Ele as orienta com amor. Senhor, hoje oramos a Ti para que nos ajudes a amar e ser genuínos. Ajuda-nos a interioriza o grande principio do Teu caráter, ajuda­nos a ser mais semelhantes a Jesus. Além disso, mostra-nos alguém a quem possamos expressar o Teu amor neste dia 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 42.

30 30 Misericórdia "Naquele" Dia O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesiforo, porque muitas vezes ele me reanimou e não se envergonhou por eu estar preso; pelo contrario, quando chegou a Roma procurou-me diligentemente até me encontrar. Conceda-lhe ó Senhor que, naquele dia, encontre misericórdia da parte do Senhor! II Timóteo 1: A recompensa dos misericordiosos e que alcançarão misericórdia. A quinta bem-aventurança é a única em que a recompensa é a mesma virtude. A bem-aventurança poderia simplesmente dizer que eles alcançariam maior misericórdia ou misericórdia em abundância, uma vez que esses fieis já estavam experimentando a misericórdia de Deus. Afinal, foi em resposta a misericordiosa graça de Deus que eles foram inspirados a ser misericordiosos. A sua recompensa: mais misericórdia. Existe algo especialmente lindo a respeito da seqüência desta promessa. Com Deus, a vida se torna cada vez melhor e continuará assim pela eternidade. Que promessa!

31 31 A recompensa da misericórdia vem em duas etapas. Primeiro, aqueles que são misericordiosos aqui na Terra, freqüentemente recebem misericórdia de outras pessoas na vida diária. E geralmente verdade que somos mais bondosos para com os que são misericordiosos e co­meteram um erro do que para com os que são cabeça- dura. Aqueles que são cruéis tem maior probabilidade de receber crueldade de volta. Mas nem sempre é assim. O triste fato é que pessoas bondosas são mui­tas vezes tratadas mal aqui neste mundo. E isso nos leva a segunda etapa da promessa de misericórdia. Essa etapa terá lugar por ocasião da segunda vinda de Jesus. Todos os que foram misericordiosos durante a vida, desfrutarão misericórdia sem-fim naquele dia..

32 32 Naquela ocasião, todas as injustiças da Terra serão corrigidas. Os misericordiosos alcançarão a misericórdia divina no mais amplo senti­do da palavra. Como cristãos, aguardamos ansiosos aquele dia, mais do que todos os demais. E uma das grandes verdades da Bíblia é que a maneira como vivemos agora determinará a maneira como viveremos então 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 43.

33 33 O Lado Escuro das Bem-Aventuranças Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo. Tiago 2: 13. Nem tudo é cor-de-rosa no tocante as bem-aventuranças. Elas tem um lado escuro, assim como o evangelho tem um lado escuro pa­ra aqueles que o rejeitam. Deus pode apenas nos convidar a mesa do evangelho; Ele não pode nos forçar a participar. E embora Jesus convide cada pessoa para aceitar Sua salvação, Ele não compelirá ninguém a aceitá-la. Semelhantemente, Jesus apresentou as maravilhosas promessas das bem- aventuranças, mas cabe a nos individualmente escolher aceitá-las ou rejeitá-las. Para aqueles que aceitam, as promessas são claramente definidas.

34 34 Para aqueles que recusam as boas novas e as bênçãos, o resultado será de igual modo certo. Por exemplo: Aqueles que se recusam a ser misericordiosos, freqüentemente deixam de alcançar misericórdia neste mundo e certamente não a alcançarão no juízo final. Esse Último ponto não é simplesmente uma decisão arbitraria da parte de Deus. Ele quer que todos em Seu reino eterno sejam felizes, sintam-se bem ali. Mas se eu não assimilei as características de Deus, não me sentirei a vontade no Seu reino eterno. Deixe-me ilustrar. Lembro-me da primeira vez que almocei com um pregador. O convite veio antecipadamente e eu me preocupei durante toda a semana. Eu estava morando num navio na Baia de São Francisco naquela época, e isso estava definitivamente em desarmonia com os princípios dele.

35 35 Depois que me converti, alguns anos mais tarde, cheguei à conclusão de que a pior coisa que poderia acontecer a uma pessoa não convertida seria ela ter de passar a eternidade na presença do Deus de amor, que conhece não só todos os nossos atos, mas até nossos pensamentos. Tal existência seria pior do que o inferno. Seria preferível não existir. As bênçãos das bem-aventuranças são para aqueles que interior­zam as características estabelecidas. Todos os outros ficarão do lado de fora do reino 1. 1 Caminhando com Jesus No Monte das Bem Aventuranças, MM 2001, George R. Knight, CPB, p. 44.

36 36 A BEM AVENTURANÇA DA PERFEITA SIMPATIA Esta é uma verdade expressa em todo o NT, a afirmação insiste que para sermos perdoados temos que perdoar. Porque o julgamento será sem misericórdia para aquele que não pratica a misericórdia. A misericórdia porém desdenha o julgamento. Tiago 2: 13. Jesus encerra a parábola do devedor que se negou a perdoar com a advertência: Eis como meu Pai celeste agirá convosco, se cada um de vós não perdoar, de coração, a seu irmão. Mateus 18: 35. A oração do Pai Nosso é seguida dos versos: pedido e ação. E perdoa-nos as nossas dívidas como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos exponhas à tentação mas livra-nos do Maligno. Pois se perdoardes aos homens os seus delitos, também o vosso Pai celeste vos perdoará; mas se não perdoardes aos homens, o vosso Pai também não perdoará os vossos delitos. Mateus 6: 12 a 14. Este ensino inconfundível no NT diz que só alcançará misericórdia os misericordiosos.

37 37 Há mais do que isto no conceito desta Bem-aventurança. A palavra grega para misericórdia é eleêmôn. O grego do NT remonta um original hebraico e aramaico. A palavra hebraica para misericórdia é hésed que é uma palavra intraduzível. Não quer dizer simplesmente simpatizar com uma pessoa no sentido popular da palavra, não quer dizer só falar uma palavra de solidariedade e conforto lastimando porque o próximo passa mal. Hésed, misericórdia, quer dizer ter a capacidade de se colocar totalmente no lugar do outro de maneira que veja com seus olhos, pensa com sua mente e sente com seus sentimentos. Está evidente que isto é muito mais do que dar uma atenção passageira emocional de lamento; exige um esforço deliberado de mente e de vontade. Denota uma simpatia que não se dá de maneira superficial, mas há uma identificação com a pessoa ao ponto de sentir como ela sente. Isto é o que quer dizer literalmente a palavra simpatia. Deriva de duas palavras gregas: syn, que quer dizer juntamente com, e pasjein que quer dizer experimentar sofrer. Simpatia quer dizer experimentar as coisas juntamente com a outra pessoa passar literalmente o que a outra está passando.

38 38 É precisamente o que muitas pessoas nem sequer imaginam, e até evitam inconscientemente. A maioria está preocupada com seus sentimentos próprios que não tem interesse nos demais. Quando sentem pena de alguém, o sentem de maneira superficial, não fazem o esforço de se colocarem no lugar do próximo a ponto de sentir o que o próximo está sentindo para poderem auxiliá-lo. Se fizermos este deliberado esforço, e nos identificarmos, tornar-nos idênticos, com a outra pessoa, as coisas nos pareceria bem diferentes. I. Salvar-nos-ia de amarmos equivocadamente. Há no NT um exemplo forte de amabilidade instintiva equivocada. Encontra-se no relato da visita que fez Jesus a seus amigos de Betânia. Lucas 10: 38 a 42. Quando Jesus foi visitá-los faltava poucos dias para a crucifixão. O que Jesus mais queria era a oportunidade de descansar e relaxar daquela tensão que se aproximava.

39 39 Marta amava Jesus. Ele era seu hóspede bem vindo, e como lhe amava tanto, queria oferecer a melhor comida que se poderia preparar. Estava indo e vindo apressadamente para preparar a correndo, tensa, apressada... que seria uma tortura para os nervos tensos de Jesus, o que Ele mais necessitava era de tranqüilidade. Maria queria ser amável... não poderia ter sido mais cruel. Porém Maria compreendeu que o que Jesus queria era paz. Quando queremos ser amáveis oferecemos nossa amabilidade à nossa maneira, e a outra pessoa tem que aceitá-la, queira ou não. Nossa amabilidade seria duplamente amável, e evitaria muita crueldade involuntária, se nós tivéssemos a sensibilidade e nos introduzisse no interior da outra pessoa.

40 40 II. Seríamos muito mais tolerantes e perdoaríamos com muito mais facilidade. Há um princípio na vida que esquecemos muitas vezes: sempre há uma razão para que a pessoa pense e atue de certa maneira; e se conhecermos esta razão, nos seria muito mais fácil simpatizar e perdoar. Se a pessoa atua, segundo nossa maneira de pensar, equivocadamente, pode ser que tenha passado por experiências que fazem com que atue assim. Uma pessoa inquieta e descortês, pode se comportar assim porque esta preocupada e sofrendo alguma dor. Se nos trata mal, pode ser que tenha na mente algum equivoco... ou não. O provérbio francês diz: Conhecer tudo e perdoar tudo. Porém nunca chegaremos a conhecer tudo se não fizermos o esforço determinado de nos colocarmos dentro do coração e da mente da outra pessoa.

41 41 III. Em última análise. Não foi isto que fez Deus em Jesus Cristo? Num sentido literal. Deus se introduziu no interior do ser humano. Veio como homem, vendo as coisas com olhos humanos, sentindo os sentimentos humanos, pensando com a mente humana. Deus sabe como é a vida, porque se introduziu até o interior no mais profundo íntimo. A rainha Vitória da Inglaterra era muito amiga do reitor Tulloch, da Universidade de São Andrews, e sua esposa. O príncipe Albert morreu, e a rainha Vitória sentiu-se só. Precisamente nesta mesma data morreu o reitor Tulloch, e a senhora Tulloch se sentiu só. Sem aviso antecipado a rainha Vitória veio visitar a senhora Tulloch, que estava descansando em sua casa. Quando lhe anunciaram a rainha, a senhora se deu conta e se apressou em se levantar e cumprimentar com reverência a rainha. A rainha Vitória deu passo à frente e disse: Querida minha não te levantes. Hoje não venho como rainha a uma de suas súditas, mas como uma mulher que perdeu seu marido a outra mulher na mesma situação.

42 42 Isto é precisamente o que fez Deus; veio à humanidade não como Deus soberano, distante, remoto, majestático, mas como homem. O exemplo supremo de misericórdia hésed, foi à vinda de Deus a este mundo em Jesus Cristo. Só os que mostram esta misericórdia recebem misericórdia. Isto é verdade a nível humano, porque é a grande verdade da vida que veremos em outras pessoas e o reflexo de nossas atitudes. Se não temos interesse por nada, assim serão eles conosco. Se nos preocuparmos com o outro, seu coração responderá preocupando-se conosco. É absolutamente certo do lado divino, porque o que revela esta misericórdia tem chegado nada menos que parecer-se com Deus.

43 43 Assim que a tradução da quinta bem-aventurança poderia ser: Ah, a bem-aventurança da pessoa que se põe até tal ponto no lugar dos demais que pode ver com seus olhos, pensar com sua mente e sentir com seu coração, porque ele assim como os demais descobrirá que os demais fazem o mesmo com ele e saberá que isto é o que Deus tem feito em Jesus Cristo 1. ALCANÇARÃO MISERICÓRDIA - Atingirão misericórdia. Isto ocorrerá tanto agora como no dia do juízo, tanto de parte dos homens como de Deus. O princípio da regra de ouro 7: 12 aplica-se tanto a nosso trato com outros como ao trato que os demais nos brindam em resposta. A pessoa cruel, de coração duro e espírito desconsiderado, rara vez recebe um trato bondoso e misericordioso de parte de seu próximo. Mas muitas vezes os que são bondosos e considerados com as necessidades e os sentimentos alheios, encontram que o mundo lhes paga com a mesma moeda 2. 1 Comentário ao Novo Testamento, Mateus, vol. 1, William Barclay. Editora Clie, pp. 123 a CBASD, vol. 5, p. 318.

44 44 SALMO 103 INTRODUÇÃO O Salmo 103 é um dos mais expressivos; é a manifestação espontânea de um coração pleno de gratidão a Deus por sua misericórdia e compaixão. Davi louva a Deus por suas bênçãos recebidas em sua própria vida versos 1 a 5, descreve a bondade amorosa que Deus manifesta para com seus filhos versos 6 a 14, mostra a dependência do homem diante da misericórdia de Deus versos 15 a 18 e convida toda criação a adorar a Deus versos 19 a 22. Os Salmos 103 e 104 são paralelos: o primeiro celebra as maravilhas de Deus reveladas em sua compaixão e sua misericórdia; o segundo canta suas maravilhas na criação 1. Este hino de louvor tem sido chamado uma estrela de primeira grandeza na galáxia do Saltério D. Kidner por causa de seu sentido todo-penetrante de gratidão a Deus. Davi exorta a si mesmo a bendizer RSV ou louvar o santo nome de Deus verso 1! Ele explica a razão mais adiante na expressão paralela, não te esqueças de nem um só de seus benefícios verso 2, Aparentemente o salmista apreciava profundamente a bondade de Deus dada a ele. Ele sente o desejo interno de expressar sua gratidão ao Senhor com júbilo. Bendize o Senhor a minha alma! Verso 1. 1 CBASD, vol. 3, p. 872.

45 45 Não louvar a Deus significa esquecer de todos os Seus benefícios, não apreciar os dons de Deus. Só aqueles que louvam não esquecem. Pensar e falar sobre Deus ainda não é louvá-Lo. O louvor começa quando a pessoa reconhece a majestade e trabalhos de Deus e responde com adoração Sua bondade, misericórdia, e sabedoria. A ausência de louvor não pode ser causada por qualquer falta de benefícios de Deus. Moisés advertiu que Israel poderia sucumbir ao espírito de materialismo: Não aconteça que, depois de terem comido até ficarem satisfeitos, de terem construído boas casas e nelas morado, de ­aumentarem os seus rebanhos, a sua prata e o seu ouro, e todos os seus bens, o seu coração fique orgulhoso e vocês se esqueçam do Senhor, o seu Deus, que os tirou do Egito, da terra da escravidão. Deuteronômio 8: 12 a 14.

46 46 Esquecer de Deus se tornaria evidente ao estar calado sobre os Seus atos. Claus Westermann diz, O segredo do louvor é o poder que tem para fazer ligação com Deus; por meio do louvor permanece-se com Deus 1. Louvar a Deus por Sua bondade é a forma mais elevada de oração. Ergue-se por sobre nossos lamentos e orações de petição. O louvor a Deus reconhece que nós somos criaturas, totalmente dependentes do Criador pela vida e saúde, pela salvação e significado na existência humana 2. 1 The Psalms, Augsburg Publishing House, 1980, p Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, pp. 221 a 222.

47 47 Deus é amor De Davi 1 - Bendize a Iahweh, oh minha alma, e tudo que há em mim ao seu nome santo! BENDIZE - Hebraico: barak. Tem vários conceitos. Quando Deus abençoa uma pessoa, se entende que concede dons, e declara que esta pessoa recebeu dons. Quando alguém bendiz a Deus reconhece quem concede estes dons. No VT se fala com freqüência de pessoas que bendizem a Deus Salmo 63: 4; 103: 1, 2, 20 a 22; 145: 2; etc. Quando uma pessoa bendiz outra, expressa que receba dons para seu bem. Em geral a LXX traduz barak como elogéo, falar bem de alguém. Em poucos casos se emprega barak no sentido de maldizer Jó 1: CBASD, VOL. 3, p. 789.

48 48 TUDO QUE HÁ EM MIM - Para louvar devidamente ao Senhor há que empregar todas as faculdades 1. NOME - Salmo 33: 21;Salmo 7: 17. O investimento da ordem dos elementos sintáticos que se utiliza para apresentar as idéias é uma agradável variação retórica do paralelismo sinônimo Bendize a Iahweh, ó minha alma, e não esqueças nenhum dos seus benefícios. NÃO ESQUEÇAS - Advertência repetida com freqüência por Moisés Deuteronômio 4: 9, 23; etc. Nada temos a temer quanto ao futuro, a não ser que esqueçamos a maneira como que o Senhor nos conduziu 3. 1 CBASD, vol. 3, p CBASD, vol. 3, p CBASD, vol. 3, p. 872.

49 Ele quem perdoa tua culpa toda e cura todos os teus males. PERDOA - O benefício primário da graça é o perdão dos pecados Atos 13: 38. Deus mostra-se compassivo para com seu povo arrependido 1. Comentário Salmo 25: 18 - Hebraico: Nasa, levantar, levar, tirar, e também perdoar. Com este último sentido aparece em várias passagens Gênesis 50: 17; Êxodo 10: 17; 32: 32; Emprega-se a voz nasa para referir-se à ação de levar a iniqüidade dos filhos de Israel Levítico 10: 17. Da idéia de levar o pecado alheio à do perdão não há mais do que um passo. Uma das vozes gregas correspondentes é o verbo áirô, tirar, levantar, que se usa em João 1: 29: O Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Seguindo a ordem do acróstico, este verso deveria começar com uma qof e não com resh, a letra seguinte, como o faz. O verso 19 também começa com resh 2. 1 BG, p CBASD, vol. 3, p. 700.

50 50 Razões Para Louvar Davi lista seis benefícios divinos que ele provou e que causa em sua vida tal satisfação e experiência feliz: É ele que perdoa todos os seus pecados, e cura todas as suas doenças, que resgata a sua vida da sepultura e o coroa de bondade e compaixão, que enche de bens a sua existência, de modo que a sua juventude se renova como a águia. Salmo 103: 3 a 5.

51 51 Estas bênçãos abarcam todas as necessidades do homem. Eles cumprem suas aspirações para esta vida e para toda a eternidade. Davi menciona primeiro: Deus perdoa todos os meus pecados. Isto realmente é a maior necessidade de todo o mundo. O Perdão Divino traz paz à alma e à mente. Só Deus pode perdoar; só Ele pode assegurar a alma do Seu perdão. No Salmo 32 Davi enfatizou o benefício infinito da graça perdoadora de Deus que vem após o arrependimento e confissão ao Senhor. No perdão Deus já não conta nossa culpabilidade contra nós Salmo 32: 1 e 2. Sem o perdão a vida não pode ser livre e alegre, porque há medo na presença de culpabilidade. O perdão de Deus proporciona a nossa vida um novo futuro, uma nova esperança. O perdão traz o espírito de Deus em nossos corações. Só então pode a alma transbordar com a alegria do ser e com louvor 1. 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, pp. 222 e 223.

52 É ele quem redime a tua vida da cova e te coroa de amor e compaixão. REDIME - Da morte 1. AMOR - Hebraico: hésed, amor divino. Coroa de graça. Em sua aliança com seu povo Deus prometeu amá-lo fielmente. Ele é o autor das condições da aliança que o vinculava a seu povo É ele quem sacia teus anos de bens e, como a da águia, tua juventude se renova. SACIA - Deus provê tudo que é construtivo e benéfico para o seu povo 3. ANOS - Teus anos, literalmente tua existência, hebraico: ´odeki, conjunção: hebraico: edyekt, teu adorno 4. 1 BG, p BG, p BG, p BJ, p

53 53 ÁGUIA - A lenda de que depois de certo tempo o águia mudava suas plumas e se rejuvenescia não tem base científica. A águia muda suas plumas em forma pouco atraente. O salmista se referia ao fato de que o águia vive mais do que muitas outras aves e mantém seu vigor. O pecador perdoado vê seu alento da juventude renovada. Depois deste louvor pessoal, Davi comenta o que sucede aos filhos de Deus. Nota as seis bênçãos registradas nos versos 3 a 5: Deus perdoa, cura, resgata, coroa, sacia, rejuvenesce 1. Depois da reconciliação com Deus, a vida pode realmente começar. Além da alegria de viver no presente, Deus nos dá também a segurança de vida eterna, uma esperança que renova nossa vitalidade como a águia, verso 5. 1 CBASD, vol. 3, p. 872.

54 54 Mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam. Isaias 40: 31. Diz-se que uma águia pode viver até cem anos e ainda reter sua vitalidade. Quando o verdadeiro conhecimento de Deus entra no coração, isto significa restauração da dignidade humana e propósito, de vitalidade e esperança. Davi acrescenta agora o benefício, Ele resgata minha vida da sepultura, verso 4. Esta expressão pode aludir à sua cura física de uma doença mortal, embora, seguindo o perdão e a cura, poderia ser de fato que Davi esperou sua redenção do sepulcro Salmo 16: 9 a 11; 49: 7 a 9, 15; 73: 24. Os benefícios de Deus abarcam o passado, o presente, e o futuro eterno! 1 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, p. 223.

55 Iahweh realiza atos justos, fazendo justiça a todos os oprimidos Louvor Pela Aliança do Senhor Com Israel Davi colocou sua experiência de perdão e curando na perspectiva de uma longa história de libertações divinas a Israel. Continuamente Deus foi o gracioso e compassivo Libertador em tempos de necessidade. As manifestações da justiça do Senhor, literalmente: atos de vindicação, na história de Israel do Egito para a terra prometida era nada mais que expressões da fidelidade do Deus da aliança para com o Seu povo. O salmista vê a história de salvação de Israel desde Moisés como uma razão por si só para louvar a Deus. O caráter de Deus é claramente estabelecido nas experiências de Israel com o Senhor. Mesmo depois da apostasia espantosa ao Israel dançar em volta do bezerro de ouro, Moisés desceu do Monte Sinai com as surpreendentes novas de que o Senhor é Deus compassivo e misericordioso, paciente, cheio de amor e de fidelidade. Êxodo 34: 6. Ainda, a consciência culpada do homem não podia senão temer a ira de Deus. A culpabilidade vê Deus como um inimigo. Então agora Davi traz as boas novas para o Israel 1. 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, pp. 223 e 224.

56 Revelou seus caminhos a Moisés e suas façanhas aos filhos de Israel. MOISÉS - Ao referir-se a Moisés, o salmista relembra as bênçãos divinas associadas ao êxodo, às peregrinações pelo deserto, e até a conquista da Terra Prometida 1. Êxodo. 33: 13. Os caminhos de Deus são inescrutáveis Romanos 11: 33. Dá-se a conhecer algumas vezes por revelação divina, como no Sinai Êxodo BG, p CBASD, vol. 3, p. 872.

57 Iahweh é compaixão e piedade, lento para a cólera e cheio de amor AMOR - São os atributos do nome de Iahweh, revelados a Moisés Êxodo 34: 6, que todo o Salmo desenvolve, colocando o acento sobre a misericórdia e a bondade versos 17 a 18 e Êxodo 20: 6, preparando para I João 4: 8 1. Misericordioso e clemente. Cf. Êxodo 34: 6; Salmo 86: Deus não é irado por natureza. O Seu amor é eterno. Sua ira só é despertada pelo fracasso do homem em apreciar o Seu amor. A Escritura declara repetidamente que Israel provocou Deus à ira Juízes 2: 12; II Reis 17: 17; Salmo 106: 29; Jeremias 44: 8 ou despertou a ira do Senhor II Crônicas 36: 16; Salmo 78: 58. O propósito de Sua raiva não é ferir, mas antes curar o homem; não destruir mas salvar o povo de Sua aliança Oséias 6: 1 e 2. 1 BJ, p CBASD, vol. 3, p. 872.

58 58 Por meio de Ezequiel Deus assegurou a Israel de que Ele não tem prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel? Ezequiel 33: 11. Que o ímpio abandone o seu caminho, e o homem mau, os seus pensamentos. Volte-se ele para o Senhor, que terá misericórdia dele; volte-se para o nosso Deus, pois ele dá de bom grado o seu perdão. Isaias 55: 7. Davi foi profundamente movido pela experiência da misericórdia imerecida de Deus. Sua alma não pôde deixar de Lhe agradecer tão grande salvação, tal paz de consciência. Ele veio a conhecer o coração de Deus como nunca antes. Agora ele quer testemunhar do amor de Deus a todos os que ainda têm dúvidas sobre Deus 1. 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, pp. 224 e 225.

59 ele não vai disputar perpetuamente, e seu rancor não dura para sempre. Um comentário bonito nesta passagem é dado por I. Weiser: Enquanto o homem não tiver examinado as profundidades do conhecimento do pecado ele não sabe realmente o que a graça significa. É justamente porque o pecado é a mais perturbadora experiência em sua vida que o poeta pode reconhecer a verdade de que a graça de Deus é maior que o pecado do homem e que o Seu amor é mais forte que a Sua ira. Davi ilustra a graça imensurável de Deus com notáveis analogias. Seu quadro verbal de distância infinita no espaço alto como os céus, dificilmente pode fazer justiça à largura da misericórdia de Deus. Mas Davi agrega a esta figura de linguagem uma de natureza mais pessoal 1. 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, p. 225.

60 Nunca nos trata conforme nossos erros, nem nos devolve segundo nossas culpas. TRATA-NOS - Pagou-nos. Cristo pagou o castigo do pecado Como o céu que se alteia sobre a terra, é forte o seu amor por aqueles que o temem. CONFORME NOSSOS ERROS - Como a altura. O amor de Deus é tão imensurável como a distância infinita que separa à terra do céu, onde ele se encontra Como o oriente está longe do ocidente, ele afasta de nós as nossas transgressões. DISTA - Quando Deus perdoa pecados, ele os remove completamente. A altura e a largura de sua misericórdia são vastas 3. AFASTA - Isaias 38: 17; Miquéias 7: 19. Não podemos compreender a imensidão do universo, mas sim sua paternidade verso CBASD, vol. 3, p CBASD, vol. 3, p BG, p CBASD, vol. 3, p. 872.

61 Como um pai é compassivo com seus filhos, Iahweh é compassivo com aqueles que o temem; PAI - A comparação entre Deus e um Pai compassivo e amoroso é desenvolvida em Romanos 8: 12 a 17; Êxodo 4: 22 a 23; Oséias 11: 1, 8 e 9; Deuteronômio 32: 6 1. O homem como uma criação perfeita de Deus só pode viver pela força e sustento de Deus. Quanto mais uma criatura pecadora, fraca necessita da misericórdia e poder de Deus. Quando Deus lembra-se de que somos pó, isto indica que Sua misericórdia é despertada ao Ele nos olhar. Um afável pensamento. No Salmo 90 Moisés nos instrui que nós somos sábios ao ponderar a brevidade de nossa vida: Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. Salmo 90: 12. Moisés nos impele a buscar de Deus a sabedoria do verdadeiro autoconhecimento e humildade diante de Deus. 1 BG, p. 688.

62 62 A transitoriedade do homem como uma criatura, os seus dias são como a relva fica mais evidente à luz da eterna existência e majestade de Deus. A revelação de que o Criador é compassivo como um Pai e que com Ele o perdão é possível, é para a alma o amanhecer de um novo dia, a maravilha de Sua graça. Mas graça tem um propósito exaltado; a história da salvação é a história de louvar o Deus da libertação 1. 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, p. 226.

63 63 Em Demonstrar os Atributos Paternos de Deus Em todos os atos de benignidade praticados por Jesus, Ele procurou impressionar os homens quanto aos atributos benévolos e paternais de Deus. Em todas as Suas lições, procurava ensinar aos homens a verdade de que Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3: 16. Jesus deseja que compreendamos o amor do Pai, e procura atrair-nos para Ele apresentando a Sua graça paternal. Deseja que todo o âmbito de nossa visão se encha com a perfeição do caráter de Deus. Na oração que fez pelos discípulos, diz: Eu Te glorifiquei na Terra, consumando a obra que Me confiaste para fazer. Manifestei o Teu nome aos homens que Me deste do mundo. João 17: 4 e 6.

64 64 Jesus veio ao mundo para exemplificar o caráter de Deus em Sua vida, e afastou as falsidades originadas por Satanás, revelando a glória de Deus. Era unicamente vivendo entre os homens que Ele podia revelar a misericórdia, compaixão e amor de Seu Pai celeste; pois, apenas por atos de beneficência, podia Ele salientar a graça de Deus. Firmemente estabelecida estava a incredulidade humana, e, todavia não podiam resistir ao testemunho de Seu exemplo divino, Seus feitos de amor e de verdade 1. A generosidade da providência de Deus fala a toda pessoa semelhantemente, confirmando o testemunho de Cristo quanto à suprema bondade de Seu Pai. O Senhor quer que Seu povo compreenda que as bênçãos outorgadas a qualquer criatura, são proporcionais ao lugar que essa criatura ocupa na escala da criação. Se mesmo as necessidades dos mudos animais são supridas, podemos nós apreciar as bênçãos que Deus concederá aos seres formados a Sua imagem? 2 Deus é amor e cuida de nós. Como um pai se compadece de Seus filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem 3. 1 The Youths Instructor, 15 de dezembro de General Conference Bulletin, The Youths Instructor, 14 de dezembro de 1893.

65 Porque ele conhece nossa estrutura, ele se lembra do pó que somos nós. CONHECE - Deus nos conhece melhor do que nos conhecemos a nós mesmos 1. SOMOS PÓ - De acordo com Gênesis 2: 7, Deus formou Adão do pó da terra. A conseqüência do pecado é que os seres humanos morrem tão inexoravelmente como os animais Eclesiastes 3: 19. Não obstante, Deus tem misericórdia de nós 2. CONHECE NOSSA ESTRUTURA - Conhece nossa condição. A debilidade do homem e a fugacidade da vida são razões suficientes para recorrer à misericórdia de Deus Gênesis 8: 21; Salmo 89: 5; 139: PÓ - Gênesis 2: 7; 3: 19; Jó 34: BG, p BG, p CBASD, vol. 3, p. 872.

66 O homem!... Seus dias são como a relva: ele floresce como a flor do campo; O HOMEM - Comentário Salmo 8: 4. Que é o homem? Homem, Hebraico:. hino, vocábulo que se usa para designar ao homem débil e frágil. Quando uma pessoa contempla a imensidão, o mistério e a glória dos céus noturnos, pensa no infinito do espaço e os inumeráveis corpos celestes, deve sentir- se como um pontinho infinitesimal no universo. Se esta é a admiração habitual dos mortais iletrados, quanto maior não tem de ser a dos que, equipados com o conhecimento crescente da astronomia moderna, contemplam o céu com modernos telescópios! 1 COMO A RELVA - Como a erva. Isaias 40: 6 a 8; 51: CBASD, vol. 3, p. 654.

67 Roça-lhe um vento e já desaparece, e ninguém mais reconhece o seu lugar Mas o amor de Iahweh!... Existe desde sempre e para sempre existirá por aqueles que o temem; sua justiça é para os filhos dos filhos; AMOR - Há um relacionamento recíproco entre a iniciativa divina e a reação humana. Deus primeiramente nos ama, e então nós o amamos, conforme é demonstrado pela fiel obediência de nossas vidas Romanos 5: 8; I João 4: O amor de Deus não está baseado no amor do homem ou boa vontade em obedecer à Sua lei. Sua misericórdia antes nos motiva a andar com Ele e inclina nossos corações para segui-Lo no temor do Senhor. Este é o louvor de que Deus se agrada. Aqui está o significado da vida e de todas as gerações. Quando Deus é o centro de nosso interesse e devoção, nosso coração começa a cantar a melodia do céu 2. 1 BG, p Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, pp. 226 e 227.

68 para os que observam sua aliança e se lembram de cumprir suas ordens. ALIANÇA - A obediência daqueles que guardam a aliança de Deus mostra a realidade de sua misericórdia. Eles andam em devotada comunhão com o Senhor que os amou em sua aliança da graça 1. Louvor de Toda a Criação - O ideal de Deus para nós não é ambíguo. O Seu coração Se regozija em nossa atitude de gratidão. O poeta inspirado olha agora para cima ao céu. O seu olhar profético apanha uma visão da glória de Deus da mesma maneira que uma vez Isaías recebeu Isaias 6. Ele está absolutamente seguro 2. 1 BG, p Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, p. 227.

69 Iahweh firmou no céu o seu trono e sua realeza governa o universo. ESTABELECEU - O domínio do Rei celestial não abarca uma nação nem um império, senão todo o universo. Deus é Rei de reis e Senhor de senhores. Apocalipse 19: 16, e não só rei da nação de Israel. Davi começa este Salmo com sua própria experiência; depois, poeticamente, inclui também a todos os que temem ao Senhor como participantes da bondade de Deus. Agora exorta a toda a criação, animada e inanimada, para que se una em abençoar ao Senhor 1. O Deus de Israel não é o Deus de uma nação, mas o Rei de todas as nações, o Deus de todas as criaturas no universo. A vontade soberana de Deus domina sobre tudo que existe, não apenas sobre Israel. O Seu trono é inexpugnável, a Sua salvação invencível, a glória de sua santidade irresistível ao louvor. A voz de um homem jamais pode fazer justiça à majestade da Pessoa de Deus. A casa inteira do Rei do Universo é chamada a unir-se na exaltação de Davi da glória de Deus 2. 1 CBASD, vol. 3, p Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, p. 227.

70 Bendizei a Iahweh, anjos seus, executores poderosos de sua palavra, obedientes ao som de sua palavra. PODEROSOS DE SUA PALAVRA - Poderosos em fortaleza. Esta apresentação dos anjos que executam sua palavra vincula à família dos céus com a dos filhos de Deus que vive na terra e guardam seus mandamentos 1. Aqui está o tema mais elevado que a mente humana jamais pode contemplar. Quanto mais nos aproximamos de Deus, mais nos envergonhamos de nossa falta de fervor em adorar nosso grande Criador. Quando Isaías ouviu os hinos celestiais do Serafim, Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos exércitos; a terra inteira está cheia de sua glória. Isaias 6: 3, ele percebeu que os seus próprios lábios estavam sujos em comparação com as línguas fervorosas dos anjos que louvam a incomparável fascinação da glória de Deus. 1 CBASD, vol. 3, p. 872.

71 71 O louvor de Davi a Deus não é definitivamente um solo! O Céu e a terra declaram a glória de Deus Salmo 19: 1. A proclamação do Serafim de que a terra inteira está cheia de sua glória Isaias 6: 3 anunciam a certeza de um cumprimento escatológico futuro na terra. O esplendor de Deus em última instância iluminará toda a terra Apocalipse 18: 1; 21: 1 e 2. A glória de Deus já reivindica todo território e cada esfera no universo. Bendigam o Senhor todas as suas obras em todos os lugares do seu domínio. 1 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, p. 228.

72 Bendizei a Iahweh, seus exércitos todos, ministros que cumpris a sua vontade. EXÉRCITOS - Uma referência ao exército divino. Estão incluídos os anjos, os querubins e as outras criaturas celestes, Lucas 2: Comentário Salmo 24: 10 - Iahweh dos exércitos. Deus é soberano de um universo de coisas e de seres criados, e que estão ordenados como exércitos dispostos para a batalha. Seu domínio é universal. Os habitantes do universo, de toda classe e categoria, reconhecem seu domínio. Algumas vezes se usa o termo exércitos para referir-se aos corpos celestes Gênesis 2: 1; Deuteronômio 17: 3; em outros casos, para referir-se aos anjos Josué 5: 14; Salmo 103: 21; 148: 2. Os que levavam a arca responderam pela primeira vez Salmo 24: 8, mas aparentemente as portas permaneceram fechadas frente à procissão que espera. Quando respondem pela segunda vez com a frase Iahweh dos exércitos, em vez de Iahweh forte e valente, Iahweh poderoso na batalha, parece ter sido um glorioso santo com a chave para abrir a cidade, com o qual se reforça o efeito do ritual. I Samuel 17: 45; II Samuel 6: 2; Isaias 1: 9. 1 BG, p. 688.

73 73 Este Salmo termina em perfeita harmonia com a idéia inicial: só Deus é o governante do universo; só a ele se lhe deve render reconhecimento universal. A cerimônia da instalação da arca no monte do Senhor é uma ocasião propícia para lançar esta proclamação 1. MINISTROS - Equivale a exércitos. Salmo 104: 4; Daniel 7: 10; Hebreus 1: CBASD, vol. 3, p CBASD, vol. 3, p. 872.

74 Bendizei a Iahweh, todas as suas obras, nos lugares todos que ele governa. Bendizei a Iahweh, ó minha alma! TODAS AS SUAS OBRAS - O salmista exorta toda a criação, nos céus e na terra, o animado e o inanimado, a unir-se ao coro de gratidão Salmo BENDIZEI A IAHWEH - Abençoa, alma minha, a Iahweh. Depois deste hino universal de louvor, expressa um profundo sentimento ao repetir a frase com a qual começou o Salmo. Consciente de que o universo louva a Deus, o salmista almeja que também se escute sua própria voz 2. 1 CBASD, vol. 3, p CBASD, vol. 3, p. 872.

75 75 Davi termina o seu hino exatamente como ele o começou: com sua adoração pessoal do grande Governante do universo que se preocupa tanto com sua alma individual e salvação: Bendiga o Senhor a minha alma! A atitude de se lembrar das misericórdias de Deus como bênçãos por Seus filhos cultiva em nós uma atitude de gratidão. Isto preparará o cristão para unir-se aos coros do céu no louvar a Deus com inteligência e com avaliação adequada para o que Ele realmente é: um Salvador maravilhoso 1. Regozijai-vos, vós puros de coração Regozijai-vos, dêem graças e cantai; Sua bandeira festiva ondula no alto, A cruz de Cristo seu Rei. Regozijai-vos, Regozijai-vos, Regozijai-vos, dêem graças e cantai. Sim, pelo longo caminho da vida, Ainda cantar como vós ides; De juventude à velhice, de noite e de dia, Em alegria e em aflição, Regozijai-vos, Regozijai-vos, Regozijai-vos, dêem graças e cantai 2. 1 Libertação nos Salmos, Hans K. LaRondelle, p E. H. Plumptre, 1865.

76 76 Como é Alcançado o Perdão Pedro se achegou a Cristo, com a pergunta: Até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Mateus 18: 21. Limitavam os rabinos o exercício do perdão até três ofensas. Pedro, que, como cuidava, seguia os ensinos de Cristo, ampliou-o até sete, o número que indica perfeição. Cristo, porém, ensinou que nunca nos devemos fatigar de perdoar. Não até sete, disse Ele, mas até setenta vezes sete. Mateus 18: 22. Mostrou, então, o verdadeiro motivo pelo qual o perdão deve ser concedido, e o perigo de acariciar espírito irreconciliável. Numa parábola, contou o procedimento de um rei para com os oficiais que administravam os negócios de seu domínio. Alguns desses oficiais recebiam grandes somas de dinheiro pertencentes ao Estado. E quando o rei investigava a administração desse depósito, foi-lhe apresentado um homem cuja conta mostrava uma dívida para com seu senhor, da imensa soma de dez mil talentos. Nada tinha ele com que pagar e, segundo o costume, o rei ordenou que fosse vendido com tudo quanto tinha, para que se fizesse o pagamento. Terrificado, porém, o homem prostrou-se aos seus pés, e suplicou-lhe, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Então, o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão, soltou-o e perdoou-lhe a dívida.

77 77 Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem dinheiros e, lançando mão dele, sufocava-o, dizendo: Paga-me o que me deves. Então, o seu companheiro, prostrando-se aos seus pés, rogava-lhe, dizendo: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei. Ele, porém, não quis, antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida. Vendo, pois, os seus conservos o que acontecia, contristaram-se muito e foram declarar ao seu senhor tudo o que se passara. Então, o seu senhor, chamando-o à sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Mateus 18: 26 a 34. Esta parábola apresenta pormenores necessários ao remate do quadro, mas não têm homólogos em sua significação espiritual. A atenção não deve ser divergida para eles. São ilustradas certas verdades importantes, e estas devemos entender.

78 78 O perdão concedido por esse rei representa o perdão divino de todo pecado. Cristo é representado pelo rei que, movido de compaixão, perdoou a dívida de seu servo. O homem estava sob a condenação da lei quebrantada. Não podia salvar-se por si mesmo, e por esse motivo veio Cristo ao mundo, velando Sua divindade com a humanidade, e deu Sua vida, o Justo pelo injusto. Entregou- Se por nossos pecados, e oferece livremente a todos o perdão comprado com Seu sangue. No Senhor há misericórdia, e Nele há abundante redenção. Salmo 130: 7. Eis a razão por que devemos ter compaixão de pecadores como nós também. Se Deus assim nos amou, também nós devemos amar uns aos outros. I João 4: 11. De graça recebestes, diz Cristo, de graça dai. Mateus 10: 8.

79 79 Na parábola, quando o devedor solicitou um prazo, com a promessa: Sê generoso para comigo, e tudo te pagarei, a sentença foi revogada. Foi cancelada toda a dívida. E logo lhe foi concedida a oportunidade de seguir o exemplo do Mestre que lhe tinha perdoado. Saindo, encontrou um conservo que lhe devia uma pequena soma. A ele lhe haviam sido perdoados dez mil talentos, o conservo devia-lhe cem dinheiros. Todavia, ele que havia sido tratado tão misericordiosamente, procedeu com o conservo de maneira inteiramente oposta. O devedor fez-lhe um apelo semelhante ao que fizera ao rei, porém, com resultado diferente. Ele, que fora perdoado recentemente, não foi magnânimo nem piedoso. O perdão que lhe foi demonstrado, não o exerceu em relação a seu conservo. Não atendeu ao pedido de ser generoso. A diminuta soma a ele devida era tudo o que pensava o servo ingrato. Exigiu tudo que cuidava lhe ser devido, e levou a efeito uma sentença idêntica à que lhe fora revogada tão graciosamente.

80 80 Quantos hoje em dia não manifestam o mesmo espírito! Quando o devedor pediu ao seu senhor misericórdia, não tinha verdadeiro conhecimento do vulto da dívida. Não reconheceu seu estado irremediável. Tinha esperança de livrar-se a si mesmo. Sê generoso para comigo, disse ele, e tudo te pagarei. Assim há muitos que esperam por suas próprias obras merecer a graça de Deus. Não reconhecem a própria incapacidade. Não aceitam como dádiva liberal a graça de Deus, antes procuram apoiar-se em justiça própria. Seu coração não está quebrantado nem humilhado por causa do pecado, e são severos e irreconciliáveis para com os outros. Seus próprios pecados contra Deus, comparados com os do irmão para com eles, são como dez mil talentos contra cem dinheiros, quase um milhão contra um, e ainda ousam ser irreconciliáveis.

81 81 Na parábola, o senhor intimou à sua presença o devedor malvado e disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? E, indignado, o seu senhor o entregou aos atormentadores, até que pagasse tudo o que devia. Mateus 18: 32 a 34. Assim, disse Jesus, vos fará também Meu Pai celestial, se do coração não perdoardes, cada um a seu irmão, as suas ofensas. Mateus 18: 35. Aquele que recusa perdoar, rejeita a única esperança de perdão.

82 82 Os ensinos dessa parábola não devem ser mal-aplicados, porém. O perdão de Deus não nos diminui de modo algum o nosso dever de obedecer-Lhe. Assim também o espírito de perdão para com nosso próximo não diminui o direito de justa obrigação. Na oração que Cristo ensinou aos discípulos, disse: Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Mateus 6: 12. Com isso não queria Ele dizer que para nos serem perdoados os pecados não devemos requerer de nossos devedores nossos justos direitos. Se não puderem pagar, embora isso seja o resultado de má administração, não devem ser lançados na prisão, oprimidos ou mesmo tratados severamente; todavia a parábola tampouco nos ensina a animar a indolência. A Palavra de Deus declara: Se alguém não quiser trabalhar, não coma também. II Tessalonicenses. 3: 10. O Senhor não requer do trabalhador diligente que suporte outros na ociosidade. Para muitos, a causa de sua pobreza e vicissitude é um desperdício de tempo, uma falta de esforço. Se estas faltas não forem corrigidas por aqueles que com elas condescendem, tudo que se fizer em seu auxílio será como pôr riquezas em saco sem fundo. Todavia há uma pobreza inevitável, e devemos manifestar ternura e compaixão para com os desafortunados. Devemos tratar os outros como quereríamos ser tratados sob circunstâncias idênticas.

83 83 Diz-nos o Espírito Santo, pelo apóstolo Paulo: Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja entre vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus. Filipenses 2:1 a 5. Mas, não se deve fazer pouco caso do pecado. O Senhor nos ordenou não tolerar injustiça em nosso irmão. Diz: Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o. Lucas 17: 3. O pecado deve ser chamado pelo verdadeiro nome, e deve ser claramente exposto ao delinqüente.

84 84 Na admoestação a Timóteo, Paulo diz, por inspiração do Espírito Santo: Instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. II Timóteo 4: 2. E a Tito escreve: Há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores... Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé. Tito 1: 10 e 13. Se teu irmão pecar contra ti, disse Cristo vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão. Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano. Mateus 18: 15 a 17. Nosso Senhor ensina que dificuldades entre cristãos devem ser resolvidas dentro da igreja. Não devem ser declaradas aos que não temem a Deus. Se um cristão for ofendido por seu irmão, não deve ir a um tribunal apelar a incrédulos. Siga a instrução dada por Cristo. Em vez de procurar vindicar-se, procure salvar o irmão. Deus protegerá os interesses dos que O temem e amam; e podemos entregar com toda a confiança nosso caso Àquele que julga justamente.

85 85 Muitíssimas vezes, quando se perpetram injustiças repetidamente, e o delinqüente confessa sua culpa, o ofendido se cansa e pensa que o perdão foi genuíno. Mas o Salvador disse claramente como devemos tratar os relapsos: Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. Lucas 17: 3. Não o consideres indigno de confiança. Olha por ti mesmo, para que não sejas também tentado. Gálatas 6: 1. Se vossos irmãos erram, deveis perdoar-lhes. Quando vos procuram com confissão, não deveis dizer: Não creio que são bastante humildes. Não creio que sintam a confissão. Que direito tendes de julgá-los como se pudésseis ler o coração? A Palavra de Deus diz: Se ele se arrepender, perdoa-lhe; e, se pecar contra ti sete vezes no dia e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me, perdoa- lhe. Lucas 17: 3 e 4. E não somente sete vezes, porém setenta vezes sete, tantas vezes quantas Deus te perdoa a ti.

86 86 Nós mesmos devemos tudo à livre graça de Deus. A graça do concerto é que prescreveu nossa adoção. A graça do Salvador efetua nossa redenção, regeneração e exaltação a co-herdeiros de Cristo. Que esta graça seja revelada a outros. Não dê ao perdido ocasião para desânimo. Não permita intervir uma severidade farisaica para ferir seu irmão. Não surja amargo escárnio no espírito ou no coração. Não manifeste sinal de desprezo na voz. Se falar uma palavra de você mesmo, se tomar atitude de indiferença, ou denotar suspeita ou desconfiança, poderá causar a ruína de uma vida. Carece-a de um irmão com o coração simpatizante do Irmão mais velho para que lhe toque o coração humano. Sinta ela o aperto de uma mão simpatizante, e ouça o sussurro: Oremos. Deus dará rica experiência a ambos. A oração une-nos um ao outro e a Deus. A oração traz Jesus ao nosso lado, e dá à alma fatigada e perplexa novas forças para vencer o mundo, a carne e o diabo. A oração desvia os ataques de Satanás.

87 87 Quando alguém se volta da imperfeição humana para contemplar a Jesus, dá-se uma divina transformação no caráter. O Espírito de Cristo que opera no coração conforma-o a Sua imagem. Seja pois vosso esforço exaltar a Jesus. Que os olhos do espírito se dirijam ao Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. João 1: 29. Empenhando-vos nesta obra, lembrai-vos de que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma e cobrirá uma multidão de pecados. Tiago 5: 20. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. Mateus 6: 15. Nada pode justificar o espírito irreconciliável. Aquele que não é misericordioso para com os outros, mostra não ser participante da graça perdoadora de Deus. No perdão de Deus, o coração do perdido é atraído ao grande coração do Infinito Amor. A torrente da compaixão divina derrama-se no espírito do pecador e, dele, na de outros. A benignidade e misericórdia que em Sua própria vida preciosa Cristo revelou, serão vistas também naqueles que se tornam participantes de Sua graça. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é Dele. Romanos 8: 9. Está alienado de Deus e apto unicamente para a eterna separação Dele.

88 88 É verdade que pode uma vez haver sido perdoado; porém, seu espírito impiedoso mostra que agora rejeita o amor perdoador de Deus. Está separado de Deus e na mesma condição em que estava antes de ser perdoado. Desmentiu seu arrependimento, e os pecados sobre ele estão como se não se tivesse arrependido. Mas a grande lição da parábola está no contraste entre a compaixão de Deus e a dureza de coração do homem; no fato de que a misericórdia perdoadora de Deus deve ser a medida da nossa própria. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? Mateus 18: 33. Não nos é perdoado porque perdoamos, porém, como o fazemos. O motivo de todo perdão acha-se no imerecido amor de Deus; mas, por nossa atitude para com os outros denotamos se estamos possuídos desse amor. Por isto Cristo diz: Com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. Mateus 7: Parábolas de Jesus, EGW, CPB, pp. 243 a 251.

89 89 Os Misericordiosos Receberão Misericórdia O coração do homem é, por natureza, frio, escuro e desagradável; sempre que alguém manifeste espírito de misericórdia e perdão, fazê-lo, não de si mesmo, mas mediante a influência do divino Espírito a mover-lhe o coração. Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro. I João 4: 19. É o próprio Deus a fonte de toda a misericórdia. Seu nome é misericordioso e piedoso. Êxodo 34: 6. Ele não nos trata segundo os nossos merecimentos. Não indaga se somos dignos de Seu amor, mas derrama sobre nós as riquezas desse amor, a fim de fazer-nos dignos. Não é vingativo. Não busca punir, mas redimir. Mesmo a severidade que mostra por meio de Suas providências, é manifestada para salvação dos extraviados. Intensamente anela Ele aliviar as misérias dos homens, e aplicar-lhes às feridas Seu bálsamo. É verdade que Deus ao culpado não tem por inocente Êxodo 34: 7; mas quereria tirar a culpa.

90 90 Os misericordiosos são participantes da natureza divina II Pedro 1: 4, e neles encontra expressão o compassivo amor de Deus. Todo aquele cujo coração está em harmonia com o coração do Infinito Amor, buscará reaver e não condenar. A presença permanente de Cristo na alma é urna fonte que jamais secará. Onde Ele habita, haverá uma torrente de beneficência. Ante o apelo do tentado, do errante, das míseras vítimas da necessidade e do pecado, o cristão não pergunta: São eles dignos? mas: Como os posso eu beneficiar? Nos mais indignos, mais degradados, vê almas para cuja salvação Cristo morreu, e para quem Deus deu a Seus filhos o ministério da reconciliação.

91 91 Os misericordiosos são os que manifestam compaixão para com os pobres, os sofredores e oprimidos. Jó declara: Eu livrava o miserável, que clamava, como também o órfão que não tinha quem o socorresse. A bênção do que ia perecendo vinha sobre mim, e eu fazia que rejubilasse o coração da viúva. Cobria-me de justiça, e ela me servia de veste; como manto e diadema era o meu juízo. Eu era o olho do cego e os pés do coxo; dos necessitados era pai e as causas de que não tinha conhecimento inquiria com diligência. Jó 29: 12 a 16. Muitos há para quem a vida é uma penosa luta; sentem suas deficiências, e são infelizes e incrédulos; pensam nada terem por que ser agradecidos. Palavras bondosas, olhares de simpatia, expressões de apreciação, seriam para muitas almas lutadoras e solitárias como um copo de água fria a uma alma sedenta. Uma palavra compassiva, um ato de bondade, ergueriam fardos que pesam duramente sobre fatigados ombros. E toda palavra ou ato de abnegada bondade é uma expressão do amor de Cristo pela humanidade perdida.

92 92 Os misericordiosos alcançarão misericórdia. Mateus 5: 7. A alma generosa engordará, e o que regar também será regado. Provérbios 11: 25. Há uma doce paz para o espírito compassivo, uma bendita satisfação na vida de esquecimento de si mesmo em benefício de outros. O Espírito Santo que habita na alma e Se manifesta na vida, abrandará corações endurecidos, e despertará simpatia e ternura. Haveis de ceifar aquilo que semeardes. Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre... O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na Terra, e Tu não o entregarás à vontade de seus inimigos. O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; Tu renovas a sua cama na doença. Salmo 41: 1 a 3.

93 93 Aquele que consagrou sua vida a Deus para o ministério de Seus filhos, está ligado com Aquele que tem todos os recursos do Universo ao Seu dispor. Sua vida se acha, pela áurea cadeia das imutáveis promessas, presa à vida de Deus. O Senhor não lhe faltará na hora do sofrimento e da necessidade. O meu Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. Filipenses 4: 19. E na hora da necessidade final os misericordiosos encontrarão abrigo na misericórdia de um compassivo Salvador, e serão recebidos nas eternas habitações 1. 1 O Maior Discurso de Cristo, pp. 21 a 24. Que Deus nos abençoe! Itamar de Paula Marques

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