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5ª. SEMANA SOCIAL BRASILEIRA UM NOVO ESTADO, CAMINHO PARA UMA NOVA SOCIEDADE DO BEM VIVER E DO BEM CONVIVER.

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1 5ª. SEMANA SOCIAL BRASILEIRA UM NOVO ESTADO, CAMINHO PARA UMA NOVA SOCIEDADE DO BEM VIVER E DO BEM CONVIVER.

2 ALGUNS PONTOS PARA APROFUNDAMENTO, ANÁLISE E DEFINIÇÃO 1. Sociedade do Bem Viver 2. Sociedade do Pertencimento

3 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver Esperanza Martínez é bióloga equatoriana e fundadora da ONG ambiental Acción Ecológica, com sede em Quito, no Equador. IHU On-Line – Como o "bem viver" (sumak kawsay) nos ajuda a compreender e a viver uma nova relação com a terra e com a natureza?

4 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver Esperanza Martínez – “A proposta do bem viver provém de um sujeito histórico, cujos vínculos com a terra e a natureza não estão quebrados, mesmo apesar de todo o sofrimento histórico, do despojo e da destruição da natureza: os índios. O bem viver, para eles, é mais do que viver melhor, ou viver bem: o bem viver é viver em plenitude. De fato, o termo utilizado não é "alli kawsay" (alli = bem; Kawsani = viver), mas sim "sumak Kawsay" (sumak = plenitude; kawsani = viver).

5 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver Só o fato de nos atrevermos a pensar que a meta é a plenitude e que a plenitude supõe relações de harmonia, não de hostilidade; condições de saúde, não de doença; relações de solidariedade, não de competição, nos leva a repensar a nós mesmos com a natureza e a superar a ideia cultivada na modernidade e santificada pela ciência ocidental (a religião) de que a natureza é algo hostil, que devemos dominar para sobreviver, e que aqueles que sobreviverão sempre serão os mais fortes. Duas coisas são centrais no bem viver: o sentido de pertença à natureza e o sentido da comunidade”.

6 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver IHU On-Line – A senhora diz que há "uma grande diferença em como a sociedade capitalista se aproxima da natureza e como os indígenas fazem isso". Em traços gerais, quais são essas diferenças? Esperanza Martínez – Para os índios, a natureza é um sujeito, não um objeto. Os índios reconhecem que a natureza está viva e têm um sentido de pertença, reconhecem a si mesmos como filhos da Mãe Terra (a Pachamama). Têm uma maior compreensão sobre os ciclos da vida das diferentes espécies, e por isso aplicam diferentes práticas e restrições. Sua visão de longos prazos compreende o ciclo da vida.

7 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver Inclusive a noção de explorar a natureza para pagar a dívida social acaba por destruir as bases de subsistência da população local e, portanto, acaba por aumentar os sujeitos dessa mesma dívida social. É um círculo vicioso que se quebra quando são colocados no centro das decisões a sustentabilidade, a saúde, a solidariedade, isto é, o sumak kawsay.

8 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver Para a sociedade capitalista, a natureza é um objeto de propriedade que temos o direito de explorar e destruir para o nosso benefício exclusivo. Importam apenas os ganhos rápidos. Acredita-se que é a tecnologia que irá reparar qualquer problema. E, embora haja respostas de preocupação pelos impactos e as desordens ambientais, estes continuam sendo vistos como algo distante.

9 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver De todas as formas, foi filtrado, sim, em todos os níveis, inclusive em muitos setores indígenas, o sentido de riqueza e pobreza próprias do capitalismo, porque, quando se fala desses termos, a referência imediata é o dinheiro. O sumak kawsay permite ir além dessas noções – riqueza e pobreza –, porque o fato é que a geração da riqueza provoca pobreza para a maioria.

10 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver A produção de alimentos é a atividade prioritária dos povos e dos países, e é verdade que a modernidade introduziu técnicas e produtos que desempenharam um papel na alimentação e na agricultura. Na maioria dos casos, as empobreceram, e principalmente perdeu-se o controle sobre o processo. As sementes híbridas, os agroquímicos, as monoculturas determinaram que se perca a soberania alimentar.

11 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver O mais grave é que são desprezadas e desconhecidas as tecnologias de culturas que fizeram avanços impressionantes nessas questões: o manejo da água, o cultivo em terraços, a associação e a rotação de cultivos, a domesticação das plantas são invenções geniais dos índios.

12 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver IHU On-Line – Na cosmovisão indígena, incluindo o bem viver, como se dá a relação com o sagrado e o transcendente? Esperanza Martínez – Para os índios, a natureza está impregnada do sagrado. Os rituais, as restrições são o resultado do conhecimento e do respeito à natureza. Quando se bebe chicha, o primeiro gole é dado à terra. Os mitos, lendas e rituais que foram proscritos pelas religiões dominantes são agora reconhecidos como práticas de convivência pacífica e harmônica.

13 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver Sem dúvida, na cosmovisão indígena há muitos saberes que, sendo expressões do sagrado e do transcendente, revelam um profundo conhecimento científico da vida, de seus ciclos naturais, de suas reações de adaptação e de transformação. É um pensamento construído por gerações que aprenderam a viver na e com a natureza e para e por ela.

14 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver IHU On-Line – O bem viver, recentemente, entrou no debate político sobre as Constituições do Equador e da Bolívia. O que significa o resgate dessa ideia no atual momento político e histórico de América Latina?ConstituiçõesBolívia Esperanza Martínez – Foi dito que, na América Latina, estamos saindo da longa noite neoliberal, que inclui a decomposição dos Estados e a privatização de tudo... Foi dito que parte dos ventos de mudança é recuperar o papel dos Estados e tirar o poder das transnacionais. Nesse contexto, os movimentos sociais de vários países deram passos importantes e conseguiram colocar novas agendas. Mas, claro, o poder, no sentido amplo do que implica, continua atuando e acomodando-se às novas circunstâncias.

15 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver O debate político ao redor do sumak kawsay implica, ou deveria implicar, o repensamento do modelo econômico. Não é suficiente controlar as transnacionais (porque elas podem mudar sua forma de atuar e utilizar as próprias empresas nacionais). É preciso passar de um modelo baseado na ideia de exploração da natureza para um de convivência, de sustentabilidade, de soberanias, de solidariedade. O sumak kawsay convida a repensar o padrão tecnológico basado no petróleo, no monopólio da tecnologia, e recuperar, reconstruir ou inventar uma tecnologia que construa soberania.

16 SUMAK KAWSAY: Sociedade do Bem Viver Mas, do ponto de vista do debate político, acredito que é central o reconhecimento do sujeito histórico que construiu e defendeu essas posições: os povos indígenas. Isso deveria significar um giro de timão completo, porque, de uma prática de invisibilização, desprezo ou medo, se deveria passar para um verdadeiro diálogo intercultural. No entanto, na prática, mesmo agora que temos esse presente do sumak kawsay e os direitos da natureza, os povos ou organizações, não só da América Latina, mas também do mundo inteiro, quando defendem essas visões, continuam sendo reprimidos e criminalizados. Ainda falta muito a ser feito.

17 Sociedade do Pertencimento “Não há, nas cosmovisões africanas, ninguém que não pertença. O fato de pertencer é a raiz e a essência do ser... Todo o sistema da sociedade africana e sua ordenação jurídica se baseiam neste paradigma do pertencimento. Todas as pessoas têm alguém a quem pertence e que deveria colher os benefícios de sua vida, ou assumir as responsabilidades que provêm dessa vida” (5ª.SSB, p 88).

18 Sociedade do Pertencimento “Segundo este princípio, a pessoa nasce com uma trajetória de vida previamente estipulada e marcada pelo pertencimento. O seu viver decorrerá conforme este princípio. Neste viver, a pessoa terá a tarefa de construir a existência harmônica ao seu redor: Consigo mesma, com a divindade, com o outro, com a coletividade. É o fundamento religioso da relacionalidade humana” (5ª.SSB, pp 88-89).

19 Sociedade do Pertencimento “A responsabilidade de construção da harmonia do viver estende-se à organização social como extensão da comunidade, exigindo uma sólida preparação: notamos que a participação da vida de comunidade, quer esta seja no âmbito da parentela, quer no da vida pública, é considerada como um dever preciso e como um direito de todos. Mas ao exercício desse direito se chega somente depois duma preparação amadurecida através duma série de iniciações com o fito de formar o caráter dos jovens candidatos e instruí-los sobre as tradições e normas consuetudinárias” (5ª.SSB, p 89).

20 Documento da CNBB – 91

21 Para colocar em debate propostas de reformas que fazem necessárias, diante da abrangência que os problemas atuais requerem

22 A crise financeira que eclodiu em setembro de O sistema produtivista e consumista assumido pelo capitalismo. A crise civilizacional O Imperativo da vida plena para todos Para desafiar a crise sistêmica não basta meias- medidas. O debate sobre a Reforma do Estado

23 Não apenas no Brasil, mas em todo mudo, há um processo de desvalorização e deslegitimação dos governos. A economia como uma armadilha do capital. A velocidade dos fluxos de informação, de consumo e de produção, contrasta a lentidão do estado O Estado tem sido gravemente debilitado pelo pensamento neoliberal.

24 O estado Nacional vem de um processo histórico. A ética da modernidade tem como prevalência o ter sobre o ser. O Brasil nasce de uma empreitada comercial A complexa relação entre o publico e privado O papel dos movimentos sociais desde a metade do século passado. A luta pelo retorno da democracia, começaram a ganhar força, na década de 70.

25 No surgimento de novos grupos sociais, as novas perguntas não obtêm as respostas adequadas. Novos Sujeitos exigem novas estruturas A democracia tem seu ponto alto, quando o eleitor aperta a tecla “confirma”. A democracia representativa, apresentada como a única forma de participação do povo. O caráter de sujeito a todos os povos (indígenas, ribeirinhos, campesinas, quilombolas) superando o tratamento tutelar.

26 O Povo não é uma massa inerte, a ser manipulado. Ampliar o conjunto de sujeitos políticos com vez e voz. É a mudança de prática e não apenas de discurso que vai criar uma nova confiança no agente político. Exigir dos agentes políticos no executivo conduta ética nas ações públicas, nos contratos assinados e demais relações com os poderes econômicos. Que o judiciário ultrapasse a rigidez da letra, para chegar ao calor do rosto que pede justiça. Acabar com os privilégios do agente político. A solução passa por uma nova postura ética dos indivíduos

27 Democracia participativa em complemento a representativa. A luta pela “constituição cidadã” como proposta de instrumento da democracia participativa. Os conselhos paritários como forma de participação popular. O orçamento participativo. Valorizar os grupos de acompanhamento dos poderes (morosidade processuais ) Este é um processo que se faz caminhando.

28 As práticas de cidadania são sinais de esperança. Os organismos que tem como missão a devesa dos empobrecidos. A prática das comunidades eclesiais de base. Rever o processo econômico e o processo de mercantilização da vida. Exigir uma política centrada nos interesses da sociedade e não do capital financeiro. Ampliar as oportunidades de trabalho

29 Fortalecer exigências éticas em defesa da vida e do meio ambiente Democratizar o acesso à terra e ao solo urbano O planeta como responsabilidade humana Uma nova economia, um outro consumo Democratizar a comunicação e a informação Reforma política com participação popular.

30 DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS CEBS Desafio para a construção de um novo modelo de sociedade a partir das relações entre Estado, Mercado e Sociedade Civil: O novo modelo social é construído com a participação cidadã e controle público, tendo em mente as grandes opções de um novo projeto de nação, como os indicados pela CNBB, Doc. 82 e 91.

31 PROJETO DE NAÇÃO As grandes opções do Projeto de Nação: 1.Democratizar o Estado e ampliar a participação popular. 2.Rever o modelo econômico e o processo de mercantilização da vida. 3.Ampliar as oportunidades de trabalho. 4.Fortalecer as exigências éticas em defesa da vida. 5.Reforçar a soberania nacional. 6.Democratizar o acesso à terra e ao solo urbano. 7.Proteger o meio ambiente e a Amazônia. (CNBB, Eleições 2006: Orientações, Doc. 82)

32 Socialismo ESTADO MercadoSociedade Civil

33 Neoliberalismo MERCADO Estado Sociedade Civil

34 Nosso Desafio SOCIEDADE CIVIL MercadoEstado

35 DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS CEBS Instrumentos práticos para a implementação deste novo modelo social. a)Fórum Social MundialUm outro mundo é possível. a)Fórum Social Mundial: Um outro mundo é possível. b)Campanha da Fraternidade: pastorais sociais b)Campanha da Fraternidade: Temas a partir das necessidades do povo. É importante notar que a grande maioria das pastorais sociais nasceu dos temas das Campanhas da Fraternidade. c)Grito dos excluídos c)Grito dos excluídos: Nova forma de celebrar a luta pela independência nacional. d)Encontros Intereclesiais de CEBs em nível nacional e latino-americano e caribenho. e)Assembléia Popular Mutirão por um novo Brasil e)Assembléia Popular Mutirão por um novo Brasil: Propostas a partir das assembléias populares e da 4ª. Semana Social Brasileira, retomada pela 5ª. Semana Social Brasileira. f)Romarias da Terra, das Águas, dos Trabalhadores/as.

36 DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS CEBS g) Escolas de formação política g) Escolas de formação política: Escola de fé e política, ética e cidadania, incentivando a participação nos partidos ligados à luta popular. Participação nos sindicatos e luta contra o desemprego h) Participação nos sindicatos e luta contra o desemprego. Fóruns das Pastorais Sociais i) Fóruns das Pastorais Sociais. j) Fórum da Reforma Agrária j) Fórum da Reforma Agrária. Fortalecimento da comunicação alternativa k) Fortalecimento da comunicação alternativa: Rádios comunitárias, jornais alternativos (Correio da Cidadania, Brasil de Fato), boletins. Campanhas nacionais l) Campanhas nacionais: Pela Auditoria Cidadã da Dívida, Campanha da valorização do salário mínimo, Marcha das Mulheres.

37 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA A Doutrina Social da Igreja nos convida a fazermos uma análise da realidade e frente a esta análise tomar uma posição. Atualmente, podemos dizer que há uma clara indicação que devemos buscar caminhos de superação do neoliberalismo e fazer uma crítica contra este sistema hegemônico no mundo atual e que se apresenta como a “única alternativa”:

38 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA A)Aspecto econômico: a)A Primazia do trabalho sobre o capital. b)A finalidade fundamental da produção não é o mero aumento dos produtos, nem o lucro ou a dominação, mas o serviço do ser humano (GS,64). c)Controle do capital financeiro.

39 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA Podemos recordar o texto de Gregório de Nissa (330 d.C.) sobre os Usurários: “Talvez tu dês esmolas. Mas, de onde as tiras, senão de teus roubos cruéis, do sofrimento, das lágrimas, dos suspiros do povo? Se o pobre soubesse de onde vem a tua esmola, ele a recusaria, porque teria a impressão de morder a carne de seus irmãos e de sugar o sangue de seu próximo. Ele te diria estas palavras corajosas: “Não sacies a minha sede com as lágrimas dos meus irmãos; não dês ao pobre o pão endurecido com os soluços de meus companheiros de miséria. Devolve ao teu semelhante aquilo que lhe roubaste. E eu te serei muito agradecido. De que vale consolar um pobre, se tu fazes outros cem?”

40 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA B) Aspecto político: a)A A misericórdia sempre será necessária, mas não deve contribuir para criar círculos viciosos que sejam funcionais para um sistema econômico injusto. b)A Política como a melhor forma de se fazer caridade: A ordem justa da sociedade e do Estado é tarifa principal da política. c)Repensar o papel do Estado e a discussão de um projeto de nação (cf. CNBB, Doc. 82 e 91) d)Exigência de políticas públicas nos campos da saúde, educação, segurança alimentar, previdência social, acesso à terra e à moradia, criação de empregos e apoio à economia sócio-solidária.

41 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA C) Aspecto Social: a)Luta contra a exclusão social que considera os pobres como supérfluos e descartáveis. b)Levar em consideração o desemprego estrutural que destrói a dignidade pessoal, a visão de futuro e a quebra da solidariedade. c)Preocupação e cuidado com os rostos concretos de antigas e novas pobrezas: moradores de rua, migrantes, enfermos, dependentes de substâncias químicas, presos, mulheres excluídas por questões de gênero, etnia e situação sócio- econômica, crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social (cf. Aparecida,402). d)Preocupação com o crescimento da violência e sua superação.

42 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA D) Aspecto cultural: a)Construção da convivência humana com respeito às diferenças: comunhão de diferentes e iguais. b)Importância do diálogo ecumênico e inter-religioso na construção da paz:”O diálogo inter-religioso e a luta pela defesa da vida e da natureza é o desafio de todas as Igrejas e de todas as religiões, pois não haverá paz no mundo, se não houver paz entre as religiões” (Hans Küng). c)Consciência de um Continente Latino-americano e caribenho pluriétnico e multicultural.

43 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA E) Aspecto ambiental: a)Exigência da superação sistema capitalista e busca da construção de um modo de produção sócio-ecológico. b)Necessidade de uma consciência planetária: “O Conceito de consciência articula o autoconhecimento (quem somos nós), o conhecimento experiencial da realidade (o que é o mundo onde vivemos) e o critério ético para o agir transformador (em que esse mundo deve ser mudado). No caso, consciência planetária, trata-se de perceber, nas complexas relações entre cada ser vivo e o meio-ambiente, que não há indivíduo isolado e que toda vida depende de múltiplas relações” (Pedro de Oliveira).

44 O REINO DE DEUS E A MISSÃO A SERVIÇO DA VIDA PLENA “A ecologia é mais que técnica e gerenciamento racional e sustentável de escassos recursos da natureza. Ela é antes arte e novo modo de relacionar-se com a natureza e com a realidade social. A ecologia em suas várias vertentes – a ambiental, a social, a mental e a integral –, tão bem assimiladas pela Carta da Terra, nos fez ver a natureza e o universo como sistemas onde cada elemento está ligado ao outro. Assim o físico, o mineral, o vegetal, o biológico, o consciente e o espiritual não formam realidades justapostas e paralelas. Elas estão interconectadas umas com as outras, se pressupõem, se compõem e se complementam. Todas elas são momentos de um vasto processo de evolução que já dura bilhões de anos” (Leonardo Boff, XX Curso de Verão. 2007).

45 Desafios para o século XXI. Retomamos a palavra de D. Pedro Casaldáliga, o profeta da justiça e da esperança: “O Século XXI ou será místico ou não será humano. O Século XXI cristão optará pelos excluídos ou não será cristão. O Século XXI cristão ou será ecumênico ou não será eclesial. O Século XXI ou será ecológico ou simplesmente não será”. Esta afirmação de D. Pedro indica que devemos incorporar ao projeto da nova sociedade e, portanto, de um mundo novo possível, o místico, a opção pelos excluídos, o ecumenismo e o ecológico. São desafios que devemos enfrentar com muita ousadia, criatividade e esperança.

46 COMO TRABALHAR? “ SE QUISERES FAZER PLANEJAMENTO PARA UM ANO: PLANTE CEREAIS. SE QUISERES FAZER PLANEJAMENTO PARA TRINTA ANOS: PLANTE ÁRVORES. SE QUISERES FAZER PLANEJAMENTO PARA CEM ANOS: ORGANIZE E MOTIVE A ORGANIZAÇÃO DO POVO”. (Provérbio Chinês)

47 COMO TRABALHAR? “GENTE SIMPLES, FAZENDO COISAS PEQUENAS, EM LUGARES POUCO IMPORTANTES, CONSEGUE MUDANÇAS EXTRAORDINÁRIAS”. (Provérbio Africano)


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