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PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE III FREUD E O DESENVOLVIMENTO DA PSICANÁLISE: TEORIA DAS PULSÕES.

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Apresentação em tema: "PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE III FREUD E O DESENVOLVIMENTO DA PSICANÁLISE: TEORIA DAS PULSÕES."— Transcrição da apresentação:

1 PSICOLOGIA DA PERSONALIDADE III FREUD E O DESENVOLVIMENTO DA PSICANÁLISE: TEORIA DAS PULSÕES

2 Na História do Movimento Psicanalítico (1914d), Freud, escreve que a repressão é a pedra angular do edifício teórico da psicanálise. Nos Estudos Autobiográficos (1925): a teoria da resistência e da repressão do inconsciente, da significação etiológica da vida sexual e da importância dos acontecimentos infantis são os elementos principais do edifício teórico da psicanálise. A presença da repressão, quer pelo mecanismo de deformação nos sonhos, quer pela camisa de força à qual obriga a sexualidade encaixar no sintoma neurótico, quer no esquecimento para evitar o desprazer no ato falho, quer ainda pelo trajeto tortuoso que impõe à frase de espírito, deve-se à indestrutibilidade do desejo infantil, que, em cada um destes casos busca se manifestar. O termo formação de compromisso simboliza um acordo entre os adversários (desejo x lei social), de cuja permanente interação resulta a ação visível do homem. Recalcar significa submeter o desejo às normas de convivência que a sociedade impõe a todo pequeno Édipo. 2

3 A TEORIA DAS PULSÕES As excitações às quais está submetido o organismo são de dois tipos: – Exteriores descontínuas, circunstanciais; pode-se evitá-las. – endógenas exercem uma pressão mais ou menos contínua; sua pressão corresponde ao que o termo de necessidade engloba; não há, evidentemente, nenhuma possibilidade de fugir delas. A esse tipo de excitações se dá o nome de pulsões. 3

4 Pulsão é "um conceito limite entre o psíquico e o somático – O representante psíquico das excitações que se originam no interior do corpo e alcançcam a mente. – uma exigência de trabalho que é imposto ao psiquismo em consequência de sua ligação ao corporal. A expressão "exigência de trabalho imposta ao psiquismo" é coerente com a noção de impulso, que se encontra no próprio termo pulsão. O termo impulso designa o aspecto dinâmico, motor da pulsão. Esse impulso é não apenas uma propriedade constante da pulsão, representa mesmo a sua essência. 4

5 Por sua natureza, a pulsão tende, pois, em direção a alguma coisa que é seu objetivo. Esse objetico é sempre o desaparecimento da tensão que foi precisamente criada pela emergência da pulsão. – Esse desaparecimento se faz por uma descarga. Essa descarga é a satisfação da pulsão. A satisfação é obtida por meio do o objeto – aquilo no qual ou pelo qual a pulsão pode atingir seu objetivo. É o que há de mais variável na pulsão A pulsão tende, na origem, à satisfação pelas vias mais diretas, sem distinguir um objeto específico desta satisfação. Contudo, depois da experiência de satisfação, a representação do objeto satisfatório ficará fortemente investida e orientará o organismo para a busca do mesmo objeto. 5

6 A propósito da pulsão sexual é principalmente com ela que o desenvolvimento da vida psíquica está relacionado. A fim de compreender sua importância na vida psíquica e sua importância na teoria psicanalítica, é preciso distinguir três etapas no desenvolvimento histórico do conceito de pulsão: A primeira etapa é caracterizada pelo dualismo entre pulsões sexuais, por um lado, pulsões de autoconsevação ou pulsões do Ego, por outro. A segunda etapa é marcada pela introdução do narcisismo na teoria das pulsões. A terceira etapa institui a oposição entre pulsões de vida e pulsões de morte. 6

7 Dualismo Pulsões Sexuais X Pulsões de Autoconservação Em Freud, o conceito de pulsão não se restringe a esfera do sexual, desde 1905, a noção de "apoio" da sexualidade sobre as grandes funções orgânicas da nutrição e da excreção sugere a existência de pulsões de autoconservação (p. ex., a fome). No pensamento de Freud, as pulsões sexuais, por suas exigências, podem comprometer a segurança do sujeito e a sua adequação no interior do seu meio sociocultural. A denominação pulsões de autoconservação depreende do fato de que se o indivíduo se abandonar aos ditames das pulsões sexuais, sua existência estará em perigo. No trabalho A concepção psicanalítica da perturbação psicoogênica da visão (1910) surge a primeira elaboração teórica introduzindo a formulação mais clara do dualismo entre pulsão sexual e pulsão de autoconservação. 7

8 As pulsões não estão sempre de acordo entre si, e isso conduz muitas vezes a um conflito de interesses. De uma importância muito especial para nossos esforços de elucidação se mostra a inegável oposição que reina entre as pulsões que servem aos desígnios da sexualidade, a obtenção do prazer sexual, e essas outras pulsòes, que visam à preservação e à conservação do indivíduo, ou seja, as pulsões do Ego. O poeta dizia que se pode dispor atrás da fome ou atrás do amor todo pulsão ativo em nossa alma. 8

9 Embora Freud, teorize uma oposição ente as pulsões, as pulsões sexuais e pulsões do Ego não se opõem de saída. – No começo da vida, as pulsões sexuais se apoiam sobre as fun;óes de autoconservação e lhe emprestam ao mesmo tempo sua fonte corporal e seu objeto: O bebé mama para satisfazer sua fome: porém, essa atividade lhe proporciona um prazer, mais tarde, mesmo na ausência da fome, ele procurará mamar ou chupar, apenas em busca desse prazer. Uma das consequências importantes desse apoio sobre diversas funções do corpo é a noção de pulsões parciais. – É preciso entender por isso que na criança cada componente dessa pulsão pode funcionar de maneira totalmente autônoma. 9

10 – A uma pulsão parcial corresponde, igualmente, um objeto parcial e uma zona erógena específica. – Nessa fase auto-erótica, cada zona erógena é suscetível de trazer um certo prazer sexual, chamado de "prazer de órgão". No que se refere às pulsões sexuais, as modalidades de satisfação vinculam-se às zonas erógenas e as pulsões parciais, somente após um longo trabalho de síntese é que se submetem ao domínio da zona genital. Neste processo, pode haver entraves: – as inibições do desenvolvimento libidinal – As regressões do desenvolvimento Ilbidinal – As inibições e regressões são as causas das patologias e das perversões sexuais de todos os tipos. 10

11 Assim, uma outra consequência do compartilhamento do mesmo suportes corporal pelas duas funções, sexual e de autoconservação, está na etiologia dos distúrbios funcionais de origem psíquica. Em A concepção psicanalítica da perturbação psicoogênica da visão (1910), Freud estudou as cegueiras psíquicas e concluiu que: – se o Ego julga que as exigências sexuais que se exercecem por meio da visão são demasiado intensas, ele pode impedir essa utilização da visão pela pulsão sexual. O conflito é concebido como se processando entre o Ego e as pulsões a serviço da sexualidade.... Descobrimos que cada pulsão [sexual e de autoconservação] procura se impor, avivando as representações adequadas aos seus fins. Estas pulsões nem sempre se mostram compatíveis entre si, e seus interesses respectivos entram muitas vezes em conflito. 11

12 – O aparelho da visão tem a capacidade de ser erogenização pela pulsão sexual. – a escoptofilia nada mais é que uma erogenização do ato de olhar e por conseguinte do aparelho da visão. – quando as exigências da pulsão parcial (escopofílica) chegam a provocar as defesas do ego, o olho se converte no palco da luta entre as pulsões. – O resultado é a inibição do ato de ver, resultando na cegueira histérica. Deste modo, Freud explica as perturbações psicógenas da visão mediante a hipótese do conflito entre o ego e as pulsões sexuais. A energia para que o ego opere o recalque lhe é fornecida pelas pulsões de autoconservação, de onde seu outro nome, "pulsões do ego". 12

13 Esse mecanismo apresentado em A concepção psicanalítica da perturbação psicoogênica da visão (1910) se encontra presente em grande número de transtornos deficitários histérico s (paralisia, anestesia, anorexia, etc.). Essa relação de um órgão com uma dupla exigência sobre ele sua relação com o ego consciente e com a sexualidade reprimida pode ser encontrada de maneira ainda mais evidente nos órgãos motores do que no olho: como, por exemplo, a mão que procurou executar um ato de ataque sexual e ficou paralisada histericamente é incapaz, depois da inibição do ato, de fazer outra coisa. A existência, no núcleo da histeria e da neurose obsessiva, de um conflito entre o ego e a sexualidade, sugeriu a existência de duas forças opostas, cujo embate resulta na formação dos sintomas. 13

14 O dois princípios do Funcionamento Mental Freud em seu artigo Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental (1911) especifica que: – Se no início ocorre uma indiferenciação inicial entre os dois gêneros de pulsões (autoconsevação e sexuais) que se encontram misturadas entre si (p. ex., no ato de mamar), lentamente com o desenvolvimento do indivíduo, vai-se estabelecendo uma distinção fundamental entre elas. – A pulsão sexual, ao se tornar autônoma em relação às função de autoconservação, não tem mais necessidade de um objeto exterior e pode se satisfazer de forma imediata (princípio de prazer) de maneira auto-erótica. – As pulsões sexuais não somente continuam a poder satisfazer-se de maneira auto-erótica, mas lhes é possível uma satisfação mesmo fora da realidade, de modo fantasmático. Assim, elas podem ficar mais facilmente ligadas ao princípio do prazer. 14

15 Para as funções do Ego, o princípio de realidade deve suplantar rapidamente o princípio do prazer, pois essas funções, para se satisfazerem, têm necessidade imperativa de um objeto exterior. O processo secundário é uma exigência da vida. Os objetos que satisfazem as pulsões da autopreservação só existem no mundo exterior (o leite materno). Para que a criança não morra de fome, precisa dominar o processo primário e entrar na fase do processo secundário. Assim, o reconhecimento do mundo exterior, por meio do desenvolvimento do "princípio de realidade", é elevado à categoria de elemento regulador da vida psíquica. A instauração do princípio de realidade leva à dissociação da vida mental. 15

16 O Princípio de Realidade aparece, neste texto, como algo imposto do exterior, e que o indivíduo faz seu para evitar o desprazer. Freud explica que o Princípio de Realidade está a serviço do Princípio do Prazer: Ele simplesmente resguarda o indivíduo de frustrações desnecessárias: "renunciando a um prazer momentâneo, de conseqüências inseguras, apenas para alcançar pelo novo caminho um prazer ulterior e seguro. A tendência fundamental do aparelho psíquico, em que se defrontam as duas pulsões, continua a exercer-se no sentido de realizar o máximo de prazer. 16

17 Contudo, sendo o ser humano condenado a uma existência social, a busca do prazer é limitada por normas que transcendem o indivíduo e lhe impõem as restrições derivadas da cultura. Assim, a responsabilidade pela transformação do erotismo pré- genital em motivo de vergonha é produto da educação, que introduz o pudor, a repugnância e a moral. Apesar dos efeitos da educação, o desenvolvimento libidinal deixa suas marcas para além de suas fases pré-genitais, e, no adulto, pode-se falar de um erotismo de caráter oral ou anal - quando a pulsão parcial predomina na relação com o objeto. Em Caráter e Erotismo Anal (1908) Freud aponta traços de caráter que resultam de formações reativas contra o erotismo anal, o que sugere a Freud que a pulsão podia sofrer transformações. 17

18 – Frente à proibição do gozo infantil, certas crianças reagem introjetando a instância recalcadora, de modo que a proibição já não parece vir de fora, mas de dentro do psiquismo. O indivíduo cuja vida se centra na limpeza e na escrupulosidade, pode ser interpretada como uma reação contra o erotismo anal, ou, mais precisamente, contra a presença do "sujo". – A tenacidade ou obstinação obedece a um mecanismo um pouco diferente: ela representa o protesto infantil contra a violência ao seu prazer, como se dissesse "não" à interdição e posteriormente atingindo os graus mais refinados e abrangentes da perseverança. 18

19 Em As Transformações das Pulsões, em especial do Erotismo Anal (1917), Freud ao se interrogar sobre os destinos do erotismo anal propõe quatro possibilidades: – a perseveração desimpedida que conduz ao sadismo como sequelas perversas da sexualidade infantil; – a sublimação em curiosidade, a partir das interrogações sobre a origem das crianças, pode desembocar na tendência geral à investigação; – O recalque leva às formações reativas (transmutação em traços de caráter), – ou, no caso de um conflito intenso, à disposição constitucional para uma neurose obsessiva; – a integração na corrente maior da sexualidade genital deixa o sadismo e a analidade como possibilidades abertas à satisfação preliminar no coito adulto 19

20 20 Em As Pulsões e seus Destinos (1915), Freud examina as transformações das pulsões sexuais em geral. Os destinos do representante ideativo da pulsão são: 1.Reversão ao seu oposto uma reversão do objetivo da pulsão (sujar-limpar) uma reversão do conteúdo (exemplo isolado da transformação do amor em ódio) 2.Retorno em direção ao próprio eu – uma mudança do objeto, permanecendo inalterado o objetivo (neurose obsessiva, sadismo-masoquismo e voyeurismo-exibicionismo) 3. Recalcamento 4. Sublimação

21 Retorno em direção ao próprio eu: o sadismo-masoquismo e a neurose obsessiva – numa primeira etapa, verifica-se o exercício da violência sobre outra pessoa ou objeto; – em segundo lugar, ocorre o abandono deste objeto exterior e sua substituição pelo próprio indivíduo, juntamente com a transformação da finalidade de ativa em passiva; – por fim, o masoquismo surge quando a pulsão de finalidade passiva encontra um novo objeto exterior que em virtude da segunda fase, tem que assumir o pape! ativo do sujeito. – Na neurose obsessiva a inversão não chega até o estágio masoquista: o paciente transpõe o sadismo para sua própria pessoa de onde as autorecriminações que caracterizam essa neurose. 21

22 Sobre o narcisismo: uma introdução (1914) Neste artigo, a dualidade, pulsão de autoconservação X pulsões sexuais, é mantida. Mas, é a compreensão do objeto da pulsão sexual que é remanejada: – Freud distinguia uma satisfação auto-erótica (prazer de órgão) de uma satisfação objetal. – introduz uma outra modalidade, que é o investimento global do Ego pela libido. É a partir de diversas considerações que foi elaborada essa noção de narcisismo. – Desde (análise do "Caso Schreber") foi admitido que a libido, ao se retirar dos objetos do mundo exterior, pode refluir, reinvestindo no próprio sujeito. 22

23 – Isso levou a emitir a hipótese, no curso do desenvolvimento, de uma etapa em que não são mais as zonas erógenas, mas a pessoa por inteiro. O Ego permanece sempre parcialmente investido e os investimentos objetais ficam ligados a ele. segundo a imagem clássica, como os pseudópodos de uma ameba ficam ligados à região do núcleo. Há como que uma espécie de balanço entre o que se chama, desde então, de libido do Ego e libido de objeto. "Quanto mais uma cresce mais a outra se empobre Freud estabelece que: "O Ego deve ser considerado como um grande reservatório de libido, de onde ela é enviada para os objetos, e que está sempre pronto para absorver a libido que reflui a partir dos objetos". 23

24 Freud distingue duas formas do narcisismo: – O narcisismo secundário: conceito essencialmente clínico, ele é entendido em todas as situações em que se acha um refluxo da libido objetal sobre o Ego. – O narcisismo primário quer designar a situação inicial, em que a libido investiu no próprio sujeito. Com o conceito de narcisismo, Freud passou a considerar três ordens de fatos: – Um estado totalmente indiferenciado (sujeito-mundo exterior). – A constituição de uma imagem unificada de si(por "reunião" dos auto-erotismos e/ou por interiorização de uma imagem do outro). – A retirada, para o Ego, da libido que investia os objetos exteriores (narcisismo secundário). 24

25 Desde que se passou a considerar o narcisismo, algumas pulsões do Ego foram reconhecidas como de natureza libidinal, mas tendo um objeto interior, o Ego. A oposição entre pulsões sexuais e pulsões do Ego se transformava, assim, em uma oposição entre pulsões do Ego e pulsões orientadas para os objetos, mas tanto umas como as outras de natureza libidinal. No plano clínico, o conflito psíquico será compreendido como uma oposição entre pulsões do Ego e pulsões de objeto. 25

26 NARCISISMO E GENITALIDADE (OU O Narcísico e o Sexual ) A Problemática do falo Etimologicamente, o termo falo designa uma representação, uma imagem do membro erétil masculino e, por extensão, um emblema de potência. Descobrindo diferente pela presença-ausência de um órgão muito visível, a criança de um e outro sexo está confrontada a uma realidade que, tendo em vista seu equipamento conceituai do momento, ela é ainda incapaz de interpretar sexualmente. A angústia específica resultante disso estará ligada à ideia segundo a qual ter um pênis é signo de completude e de perfeição, e não tê-lo (ou arriscar-se a perdê-lo), signo de despossessão ou de falta. o que põe em causa o sentimento de identidade narcísica e de integridade corporal. Pode-se, falar aqui de uma angústia de castração narcísica. 26

27 Assim, o termo "falo" teria um duplo sentido: - Por um lado, em uma interpretação falsa- o possuidor do pênis seria o único ser perfeito e completo. - Por outro lado, o falo seria também uma representação do narcisismo existencial, relacionado ao sentimento de identidade própria, integrando tanto a identidade sexuada como a identidade propriamente dita. De acordo com isso, todas as mulheres, assim como todos os homens, têm evidentemente um direito a possuir um "falo" simbólico. Que possam sentir-se despossuídos dele, indica que entramos no domínio da patologia do narcisismo. 27

28 O problema do narcisismo Pode-se admitir que Narciso e Édipo designam "de maneira diferencial dois modelos distintos de funcionamento afetivo e relacional e que essas duas correntes correspondem a etapas psicogenéticas em perfeita continuidade ao longo da vida. Mas pode-se também acrescentar que essas duas correntes poderiam ser consideradas como "um conflito diacrônico ao mesmo tempo inicial e permanente (sincrônico) em todo indivíduo". Dito de outra forma, mesmo sendo de aparição sucessiva no tempo, do ponto de vista da psicogênese, Narciso e Édipo não deixam de ser atores concomitantes, agindo em alternância ou ao mesmo tempo ao longo de toda a existência. 28

29 O termo "narcisismo" sofre por sua história, que o utilizá para designar os avatares ou desvios, ou seja sua patologia. – Relaciona-se a ele a infeliz jornada do personagem que lhe deu o nome, um herói devorado de amor por um objeto que não é outro senão ele próprio. Mas existe, um outro aspecto do narcisismo que, faz deste o protetor do psiquismo. – Pode-se assim descrever um "bom" narcisismo – que promove a constituição de uma imagem de si unificada, perfeita e inteira que suscita e mantém o indispensável e mínimo "amor-próprio", necessário a toda sobrevivência física e mental. No âmbito dos diferentes componentes da organização mental o importante é a comunicação com flexibilidade e a liberdade ou não em ligar o narcisismo e a sexualidade. 29

30 Depressão Freqüentemente encontrada na prática clínica cotidiana, a depressão é a expressão maior e quase específica da patologia do narcisismo. A prática psicanalítica nos mostra que a o humor deprimido e a depressão se desenvolvem no quadro de uma certa estrutura, de uma certa organização da personalidade. Não faz uma depressão quem quer, é preciso estar predisposto para isso. Constatam-se, nos deprimidos, qualquer que seja o tipo de sua depressão, sintomas como decréscimo ideomotor, sentimento de não-valor (ideias de ruína, de indignidade, de vergonha, de culpa por "faltas" ou "erros" presentes ou passados). 30

31 Essas ideias, testemunho de modificações dos processos de pensamento, podem ir ao ponto de conduzir ao suicídio. Essa fenomenologia comum nos casos de depressão relaciona-se à um luto. Uma perda do objeto narcísico constitutivo do Si-mesmo, ou seja, do sentimento de valor. O sofrimento experimentado está essencialmente ligado à desvalorização da imagem narcísica de si mesmo, qualquer que seja o fator conjuntural do momento. É preciso ressaltar que, antes de ser perdido, em verdade, o objeto narcísico interno provavelmente jamais foi constituído, de maneira completa e satisfatória nos sujeitos depressivos e/ou deprimidos. Portanto, o luto se deve mais a uma não-constituição do que a uma perda do narcisismo. 31

32 Deve-se acrescentar que, estabelecida na primeira infância, no curso do desenvolvimento do psiquismo, essa não- constituição, dependente essencialmente de razões históricas, tais como as carências ou complicações nas relações primitivas, no nível narcisista. Deste modo, a depressividade, assim como a depressão, é um transtorno do desenvolvimento do narcisismo e em tais personalidades, ela chegou a se tornar permanente, ou seja, estrutural. 32

33 O Sexual Complexo de Édipo Por seu papel fundamental de organizador central na estruturação da personalidade, o complexo de Édipo representa o eixo de referência maior da psicogenética humana, para os psicanalistas. O conflito em causa (que surgiria, de acordo com as opiniões clássicas, entre 3 e 5 anos) é um conflito doravante sexualmente especificado, inscrito em uma problemática a três. – a criança, seu pai e sua mãe -, inaugurando, enfim, a verdadeira genitalização da libido. 33

34 Antropologia A estrutura triangular do Édipo é reconhecida nas culturas mais diversas e não apenas nas sociedades de tipo patriarcal e nas quais predomina a família conjugal. Sem dúvida alguma, o Complexo de Édipo é influenciado pela natureza da instituição social e por isso, suscetível de mudar com as transformações das sociedades. De forma geral, o Édipo consiste no estabelecimento de um sistema simbólico destinado a transmitir, em um contexto sociocultural dado, uma lei fundamental nas relações sociais. Essa lei se encontra sempre e por toda parte, como condição universal e mínima para que uma "cultura" se diferencie da "natureza" (Lévi-Strauss). 34

35 Pode-se, em resumo definir o Édipo como: uma problemática relacional fundamental da dimensão social; estrutural; histórica que sobrevêm em um momento relativamente precoce do desenvolvimento de cada indivíduo e no sentido de que ela confere à evolução afetivo-sexual deste último um caráter de quase-conclusão. É preciso ainda insistir no caráter fundador do Édipo, como representante do nó original de todas as relações humanas, e em seu papel fundamental na estruturação da personalidade e na orientação que deverá ter o desejo de um adulto: na escolha do objeto de amor definitivo; no acesso à genitalidade; Superar as tendências edipianas representa uma condição preliminar para o acesso à sexualidade adulta normal, enquanto que prender-se a elas inconscientemente equivale a colocar a pedra angular da neurose. 35

36 Com a resolução do complexo de Édipo, as escolhas objetais (termo que designa o desejo de possuir sexualmente um indivíduo, por exemplo a atração do menino pela mãe) são substituídas por identificações (o que implica o desejo de se assemelhar a alguém, por exemplo, no menino que imita as características do pai). A dissolução do complexo de Édipo são acompanhados de uma liberação energética considerável. Essa energia liberada será geralmente investida na aquisição de um aparelhamento intelectual. Do mesmo modo, ela ficará pronta para ser, mais tarde, reinvestida em novos objetos. O Édipo é o ponto nodal em torno do qual se ordenam as relações que estruturam a família humana, no sentido amplo da sociedade como um todo. 36

37 É o momento em que o ser humano confronta-se pela primeira vez com o fenômeno social. Pode-se considerar que um dos efeitos do complexo de Édipo - e sobretudo pela proibição do incesto e da instauração da moral - constitui uma vitória da espécie sobre o indivíduo (Freud, 1924). O Édipo é também o momento fundador da vida psíquica. A sexualidade que o condiciona atinge aqui seu apogeu, com o acesso à genitalidade, caracterizada, entre outros: – pelo primado da zona genital; – pela superação do auto-erotismo primitivo por um homoerotismo em espelho; – pela orientação para objetos exteriores. 37

38 O conflito edipíano participa também da constituição da realidade do objeto, que se autentica como um objeto global, inteiro e sexuado, substituindo o objeto parcial das pulsões pré-genitais. Assim pode-se compreender que o Édipo determina a escolha do objeto de amor definitivo. No declínio do Édipo, as impossibilidades reais de satisfação pulsional - sejam externas (a lei), sejam internas (inadequação antepuberal) –, em conjunto com a internalização das pressões sociais exteriores, vão se acrescentar para provocar a entrada na fase de latência, durante a qual se constata essencialmente uma modificação estrutural das pulsões sexuais. 38

39 Essa transformação não somente torna possível a utilização da energia pulsional, investindo-a em outros objetos, mas sobretudo permite perseguir outros alvos, a tensão crescente tende a se satisfazer de maneira substitutiva. Desse modo. observa-se inicialmente uma dessexualização ao mesmo tempo das relações de objeto e dos sentimentos, com uma prevalência da ternura sobre os desejos sexuais. 39

40 Latência Freud vê no período de latência uma verdadeira redistribuição das energias pulsionais. De fato, esse repouso aparente frequentemente não é profundo, e a masturbação, as tendências edipianas e as regressões pré-genitais continuam em certa medida. É por isso que a clássica menor importância assumida aqui pela sexualidade é relativa, e não absoluta. Nesse período ocorre a transformação dos investimentos de objetos em identificações com os pais e os desejos libidinais dirigidos aos pais, como objetos de amor, irão agora ser substituídos pelas expressões sublimadas da afeição: ternura, devoção, respeito. 40

41 Esse período é particularmente favorável às aquisições educativas, escolares, culturais - e é, de fato, um tempo de aquisição eminentemente receptivo, no domínio intelectual. A energia pulsional disponível é canalizada nos jogos ou nas atividades sociais mais diversas, o que leva a destacar aqui uma verdadeira mudança de objeto. A criança é cada vez mais atraída por obje.tos concretos, não representando um produto da imaginação como os contos de fadas de que tanto gostava durante toda a sua primeira infância. Entretanto, a criança ainda procura estar nas proximidades do objeto de amor, pelo menos no começo do período de latência, no qual a ambivalência cresce, o que se exprime, no comportamento, por uma alternância de obediência e de rebelião, seguida de remorsos. 41

42 Depois, com as reações hostis tendendo a ser eliminadas, a criança começa a se aproximar das outras pessoas de seu entorno para estabelecer com elas relações amigáveis. Ela está, então, pronta para ser influenciada pelas outras crianças e por outros adultos que não seus pais. 42

43 Puberdade A puberdade põe fim brusco ao período de latência que a precede. A tarefa psicológica essencial é a adaptação da personalidade às novas condições produzidas pelas transformações físicas, e podem-se considerar todos os fenômenos psíquicos que caracterizam a puberdade como tentativas de restabelecimento do equilíbrio perturbado. O desenvolvimento psicossexual é, caracterizado por uma revivescência pulsional maciça por reativação tanto das pulsões agressivas como também da libido narcisicas e objetais. Associada a essa revivescência, o desenvolvimento psicossexual é também uma crise narcísica, sobretudo com dúvidas angustiantes a respeito da autenticidade de si, do corpo, do sexo. 43

44 Observam-se muitas vezes sentimentos de "estranheza". Manifestam-se inquietudes a propósito do corpo (desenvolvimento dos órgãos genitais e suas consequências: primeiras poluções e primeiras menstruações, o surgimento dos caracteres sexuais secundários (pilosidade, mudança da voz, etc.). A maturidade sexual física, é marcada pelo fato de que, se antes, o aumento do investimento pulsinal permanecia relativamentete indiferenciado, a partir de agora, a libido vai se concentrar especificamente em sentimentos, alvos e ideias genitais, ficando as tendências pré-genitais (pelo menos aparente e temporariamente) relegadas a segundo plano, o que não as impede em absoluto de reaparecer na primeira oportunidade. 44

45 Cedo ou tarde, entretanto, as tendências genitais crescentes encontram sua expressão em uma atividade masturbatória cuja necessidade é sentida como uma necessidade ao mesmo tempo imperiosa e muito reprovada, tanto por si mesmo como por outrem. O que dá, logicamente, nascimento aos sentimentos de culpa muito intensos, se bem que se trate, em nosso contexto sociocultural, de um fenômeno bem banal, enquanto única saída possível, no momento, para a satisfação das necessidades sexuais. Seja, sobretudo, pelo fato de que essa culpa se relaciona com a revivescência dos conflitos edípicos não-resolvidos e do complexo de castração. 45

46 No período da pré-adolescência, a libido se dirige novamente para os objetos de amor da infância, ou seja, os objetos de amor parentais, e a primeira tarefa do Ego será integrar, fazer desaparecer a qualquer preço a necessidade objetiva de viver essa escolha parental. Como regra geral e de maneira característica, o jovem indivíduo vai isolar-se e se comportar como um estranho em relação à sua família; é a revolta pubertária contra os pais, a autoridade ou seus substitutos simbólicos. Essa luta contra os antigos investimentos pode desembocar seja na rejeição aparente e total dos pais, e, pois, na ruptura, em direção a um modo de vida totalmente diferente. 46

47 Nessa tentativa de solução do conflito, a escolha de novos objetos libidinais desempenhará, para o adolescente, um papel considerável. Na maioria das vezes, trata-se, então, de ligações compulsivas e passageiras a pessoas da mesma idade, com as quais a relação assume a forma de uma amizade apaixonada ou de um amor real. Essas fixações amorosas passageiras, frequentemente abandonadas, tanto mais rápida e completamente quanto tiverem sido mais apaixonadas e exclusivas, não representam realmente relações objetais, mas antes ligações identificatórias, dominadas que são pelo esforço desenvolvido para se vincularem ao mundo exterior de uma maneira narcisista. 47

48 A tendência é de se reunirem grupos homossexuados, para evitar a presença excitante do outro sexo e, ao mesmo tempo, evitar estar sós, o que permite se reconfortarem. Esta tendência é muitas vezes devida tanto à timidez em relação ao outro sexo como o prolongamento da orientação narcisista da maioria das necessidades objetais dessa época e na seqüência será substituída por uma orientação para novos objetos, objetos definitivos da sexualidade adulta. 48

49 Última Dualismo Pulsional Desde o Projeto de 1895, Freud concebia o funcionamento da mente como regulado por uma tendência a eliminar as tensões, ou pelo menos reduzi-las ao nível mínimo necessário para a sobrevivência do organismo. Psicologicamente, o incremento da tensão origina uma sensação de desprazer, resultando sua descarga na sensação oposta, de alívio ou de prazer. Nesta perspectiva, o fenômeno do recalque aparece como uma tentativa de evitar o desprazer. O Princípio do Prazer toma a posição de regulador do funcionamento mental. 49

50 O Princípio de Realidade, que à primeira vista parecia opor- se a esta inclinação revela-se como um mero desvio, uma concessão ao mundo exterior para dele obter um prazer futuro e garantido. Contudo, a observação de alguns fatos, tanto na esfera da normalidade quanto na da patologia, impôs a Freud uma revisão radical desta teoria. Freud vê-se em dificuldades para explicar sobe este princípio fenômenos como: – a reprodução de situações das quais não emanam prazer (p. Ex., os sonhos na neurose traumática, os conflitivas na relação transferencial, a brincadeira que revive situações dolorosas) e onde o conteúdo repetido é marcado com o desprazer mais profundo e intenso. 50

51 O caráter compulsivo da repetição a indica como algo mais primitivo, mais elementar, mais pulsional, do que o princípio do prazer. Esta colocação em evidência da compulsão de repetição introduz o problema de saber a que finalidade ela obedece. Usando o exemplo das neuroses traumáticas, Freud conclui que os sonhos dos indiví­duos traumatizados que têm por conteúdo a reprodução da vivência traumatizante servem ao propósito de restaurar o controle dos estímulos mediante o desenvolvimento de angústia, cuja ausência causou a neurose traumática. Desta forma, eles nos permitem visualizar uma função do aparelho psíquico que, sem contradizer o Princípio do Prazer, é contudo independente dele, e parece ser de origem anterior ao objetivo de atingir o prazer e evitar desprazer. 51

52 Repetir é procurar ganhar o controle da situação, e também preparar o indivíduo para resistir melhor a traumas futuros, dotando-o na capacidade de desenvolver angústia e desta forma estar prevenido quando eles ocorrerem. Neste sentido, a repetição, por ser repetição da dor, é independente do Princípio do Prazer, contudo, indiretamente contribui para a instalação da supremacia deste. Freud, vê na situação transferencial, uma situação em que a repetição é totalmente antagônica ao Princípio do Prazer. Quando um paciente repete na transferência os momentos dolorosos do seu passado, esta ação é uma prova de que aquilo que se repete não foi submetido ao ego e portanto escapa ao processo secundário. 52

53 Se na neurose traumática (em que não houve repressão) a excitação tem que ser dominada pela repetição que atua a serviço do Princípio do Prazer. Nas neuroses de transferência, cuja pré-condição é o recalque, o que se repete é a própria pulsão, impedida de se manifestar (satisfazer) pela barreira do recalque. A conclusão: uma pulsão é uma tendência inata no organismo, que impele à restauração de um estado anterior de inércia na vida orgânica. A compulsão de repetição tem por efeito não modificar coisa alguma, repetindo-se a mesma coisa indefinidamente. Restabelecer um estado de coisas anterior, contudo, constitui um movimento, um movimento de natureza regressiva, que modifica um estado de coisas atual por outro que pertence a um período precedente no tempo. 53

54 A repetição é o a condição de possibilidade da pulsão, aquilo sem o que ela não poderia se reproduzir uma vez extinto o seu ímpeto inicial, por descarga ou por outra via qualquer., por exemplo a sublimação. Freud, vem então supor que a tendência à repetição é uma propriedade geral das pulsões, que levam o organismo a reproduzir, a restabelecer um estado anterior ao qual ele teve de renunciar. A mudança, o progresso seriam devidos à ação de fatores exteriores, de fatores perturbadores que obrigam o organismo a sair da inércia. Mas então, o estado anterior à vida sendo o estado inorgânico, pode-se dizer que a pulsão tende fazer o organismo voltar para o inorgânico, ou ainda que o fim para o qual tende toda a vida é a morte. 54

55 E é assim que ele chega a postular, nas raízes de nossa vida psíquica, uma pulsão de morte. A esta se opõe a pulsão de vida, o Eros, força que tende a organizar conjuntos de substância (viva) cada vez mais complexos e a mantê-los como tais. Visando a não ficar no domínio da especulação pura, Freud procura então apoiar essa concepção em considerações clínicas a propósito do sadismo e do masoquismo. Até aqui, o sadismo fazia parte do instinto sexual. Mas ele era muito particular, porque podia ter por alvo não somente o domínio, mas a destruição do objeto, tipicamente nas relações de modo pré-genital. O sadismo surge, então, como diretamente antagonista dessa pulsão sexual que Freud agora chama de "Eros". 55

56 Então, como conceber o sadomasoquismo a partir do postulado da pulsão de morte? Na origem, essa pulsão seria dirigida contra o próprio sujeito: mas a libido (a energia do Eros) se liga a ela e, por isso, ela a carrega consigo, ao mesmo tempo, para o mundo exterior: uma grande parte da pulsão de morte é, assim, posta a serviço da pulsão sexual. Essa mistura de pulsão de morte e de sexualidade orientada para um objeto exterior é o sadismo. Porém, uma outra parte da pulsão de morte, também unida a Eros, permanece voltada para o sujeito: ela constitui o masoquismo originário erógeno, ou masoquismo primário. 56

57 Ocorre, pois, que pulsões de vida e de morte estão sempre unidas (ou fundidas). Essa União decorre da ação própria de Eros, que busca sempre ligar, reunir. Quando há a desunião das pulsões, surge a ambivalência amor-ódio; trata-se, de fato, de uma eventualidade excepcional, ilustrada, entretanto, pelo Superego do melancólico, "pura cultura da pulsão de morte". As duas pulsões, de vida e de morte, podem encontrar-se unidas em proporções variáveis, e essas variações modificam de maneira considerável, não há dúvida, os comportamentos de um sujeito. 57

58 Na segunda teoria, a pulsão sexual se torna Eros. que procura reunir as partes da substância viva. ou, mais precisamente, essa parte do Eros que é voltada para o objeto exterior. Considerando essa nova teorização em seu conjunto, observamos, por um lado, que ela questiona a importância do princípio do prazer, e. por outro, que ela atribui importância à noção de agressividade que, até então, havia tido um papel relativamente apagado na teoria analítica. 58

59 A própria noção de pulsão é modificada. Em Freud fazia dela apenas uma quantidade suscetível de produzir um certo trabalho na vida psíquica. Em 1920, ele faz da pulsão o agente, o suporte de uma tendência inerente a todo organismo vivo e que o leva a reproduzir, a restabelecer um estado anterior, ao qual ele tinha sido obrigado a renunciar, sob a influência de forças perturbadoras externas. Limitadamente, pode-se dizer que: Na primeira concepção pulsional, a vida tem sua origem no interior do organismo e a pulsão está, de algum modo, a seu serviço. Na segunda concepção, a vida tem sua origem em um acidente exterior ao organismo, e as pulsões tendem, ao contrário, a fazer esse organismo voltar a um estado inorgânico anterior à vida. 59

60 Todavia, se bem que Freud não tenha jamais renunciado a essa concepção, deve-se notar que, no plano clínico, ela pouco modificou sua compreensão da psicopatologia. Mesmo depois de 1920, o conflito psíquico será compreendido como uma oposição entre pulsões do Ego e pulsões de objeto. Do ponto de vista ontogênico, essa nova teoria não modificará em nada a compreensão do desenvolvimento libidinal, sobretudo das fases pré-genitais. Uma aspecto contraditório: as pulsões de vida não parecem ter esse caráter conservador de retorno a um estado anterior, do qual Freud determina agora a característica primeira da pulsão. 60

61 O alvo do Eros é estabelecer unidades cada vez maiores, é conservar, é, pois, ligar. O alvo da outra pulsão, ao contrário, é romper as relações, é, pois, destruir as coisas. 61


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