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João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais1 4. Entender o Utilizador – Modelos Sociais (Aula.

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1 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais1 4. Entender o Utilizador – Modelos Sociais (Aula Teórica 4 – apresentação adaptada do sítio de [Preece et al 2002]) O conhecimento produzido pela Sociologia é relevante na construção de sistemas interactivos. É importante entender os problemas de comunicação dos utilizadores individuais nos seus ambientes sociais.

2 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais2 Modelos Sociais A forma como as pessoas interagem entre si influencia o desenvolvimento de Modelos Conceptuais para interacção. Deseja-se por exemplo: –Facilitar a comunicação e a socialização entre as pessoas. –Permitir trabalho cooperativo. –Permitir o entretenimento e aprendizagem conjunta. Em suma, toda a interacção entre as pessoas é importante!

3 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais3 Diálogos Há vários mecanismos e regras que são empregues durante um diálogo para permitir a comunicação. Há dois tipos: –Regras que definem o que as pessoas dizem (o carácter das suas contribuições). –Regras para decidir quem fala.

4 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais4 O carácter das contribuições... Qualidade (veracidade da informação) Quantidade (nível de detalhe) Relevância Estilo (sucinto, ordenado, claro, etc.) Novidade

5 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais5 Quem fala agora? (Sacks, Schegloff & Jefferson, 1974) 1.A vez de falar é composta por unidades. O ouvinte consegue prever quando é que a unidade do orador vai terminar. 2.O orador que detém a vez de falar tem o direito de utilizar uma unidade; no final da unidade o orador pode dar o direito ou obrigação de falar a outro dos intervenientes. 3.Se o orador actual não seleccionar alguém para continuar o diálogo então qualquer interveniente pode ficar com a vez. O primeiro interessado fica com a vez; se ninguém quiser continuar o orador actual continua com a vez.

6 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais6 Pistas verbais e não-verbais Já é mesmo tarde e Não lhe tomo mais tempo são sinónimos de vontade de terminar o diálogo. Olhar para o relógio indica vontade de terminar o diálogo. Fixar os olhos do orador actual é sinónimo de pretensão de tomar a vez. Levantar as sobrancelhas indica que se quer uma oportunidade para dizer algo.

7 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais7 Mais algumas regras Muletas verbais –uh-uh, humm e ahh Fórmulas de despedida –Até logo, até à próxima, vemo-nos qualquer dia,... Desentendimentos no diálogo –Quando o ouvinte não compreende o orador o orador repete enfatizando a parte não compreendida.

8 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais8 Comunicação Mediada por Computador A CMC (Comunicação Mediada por Computador): –Comunicação Síncrona –Comunicação Assíncrona –CMC com outras actividades Algumas soluções CMC nunca funcionaram, por exemplo o videofone. Porquê? Ver exemplo do «Hipermirror».

9 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais9 Quais as regras da CMC? Aplicam-se as regras de conversação face-a-face? Há mais desentendimentos? Como é que as pessoas recuperam? –Telefone? –Correio electrónico? –Mensagens? –SMS? –Videofone?

10 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais10 Implicações no projecto Como suportar o diálogo entre participantes distantes? Foram desenvolvidas muitas aplicações: –Correio electrónico, vídeo-conferência, videofone, mensagens instantâneas, salas de chat, ambientes cooperativos virtuais, etc. São efectivos? Simulam ou estendem formas humanas de estabelecer diálogos?

11 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais11 Comunicação Síncrona Os diálogos são suportados em tempo-real através de voz e texto Exemplos: vídeo-conferência e salas de chat. Benefícios –Permite a continuidade da informação. –Na vídeo-conferência a visualização de todos os intervenientes permite avaliar as pistas não-verbais. –As salas de chat permitem que utilizadores tímidos se desinibam. Problemas –As limitações tecnológicas limitam a qualidade da vídeo-conferência. –É difícil estabelecer contacto visual com imagens de outras pessoas. –No anonimato das salas de chat os comportamentos dos intervenientes podem não os mais adequados.

12 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais12 Videofones UMTS? Os solavancos, sombras e quebras vão desaparecer? Será possível estabelecer contacto de olho e ler os lábios numa imagem tão pequena? Será socialmente aceitável falar para uma imagem na palma da mão? The VP-210 VisualPhone: a mobile video phone developed by the japanese company Kyocera Corporation Source:

13 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais13 Comunicação Assíncrona Ocorre em lugares diferentes em instantes diferentes. Correio electrónico e grupos de discussão Benefícios –Disponível em qualquer lugar em qualquer altura. –Flexibilidade no acesso. –Mais poderoso pois é possível enviar para várias pessoas. –Permite dizer as coisas de uma forma mais fácil. Problemas –Flamming –Spamming –Sobrecarga de mensagens –Falsas expectativas sobre a chegada de uma resposta

14 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais14 Correio Electrónico Como iniciar e terminar uma mensagem? A quem se dirige a mensagem? Que se deseja com a mensagem? Que nível de formalidade/informalidade? Exemplos: –Bruknet e Luknet (1988) –FEUP estágios UK (2001) –FEUP (2002)

15 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais15 Correio Electrónico Sr. eng.Falcão e Cunha, Venho relembrar, após ter falado consigo acerca da manutenção de frequencia das aulas practicas de circuitos logicos dado o facto de no ano anterior não ter podido frequentar porque me encontrava em erasmus.conforme combinado envio este mail.Refiro tambem dois colegas meus que se encontram na mesma situação e me pediram para lhe dar a conhecer a sua situação,os seus nº são;cccNNNNN e cccNNNNN,respectivamente Silva Silva e Santos Santos. Despeço-me respeitosamente, na expectativa de uma resposta breve. Afonso Afonso cccNNNNN Mensagem recebida 2003 Nomes fictícios No mini-teste de hoje da cadeira de SI, na 4ª pergunta, a minha opção nao corresponde com a correcçao que o professor realizou, sendo que eu optei por dizer que numa Base de Dados Operacional, um campo de quantidade nao necessita de uma copia de segurança, devendo estar armazenado num unico local na Base de Dados, esta foi a minha opção, pois achei que se o registo tivesse uma cópia de segurança, ou essa cópia era actualizada constantemente, o que implicava que se houvesse um erro no registo, também a cópia teria um erro, ou então se a cópia fosse actualizada de tempos em tempos, como se trata de uma Base de Dados Operacional e de um campo de quantidades, a cópia certamente estaria de tal modo desactualizada que não teria qualquer actualidade. Por esta razao, acho que a minha resposta no mini- teste está correcta. Mensagem recebida 2002

16 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais16 Marcação de Reuniões Que requisitos deve ter um sistema de marcação de reuniões por forma a substituir o trabalho de secretariado?

17 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais17 Novas tecnologias de comunicação Tentar suportar mais do que comunicação face- a-face. Disponibilizar novas maneiras de interagir e dialogar. Alguns exemplos: –Mensagens SMS –Salas de chat –Ambientes cooperativos virtuais –Media spaces

18 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais18 Hipermirror (Morikawa and Maesako, 1998) Permite às pessoas sentirem que estão no mesmo espaço virtual, embora estejam em espaços físicos distintos. –As pessoas em lugares diferentes são colocadas na mesma janela de forma a parecer que estão no mesmo lugar. A senhora de branco está numa sala diferente das restantes pessoas

19 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais19 Ambientes cooperativos virtuais Um jardim no topo de um prédio em BowieWorld: um ambiente cooperativo virtual, suportado por Worlds.com. Os utilizadores participam através de uma personagem. Há centenas de personagens para escolher incluindo pinguins e pessoas reais. A partir do momento em que a personagem entra num mundo pode explorá-lo e conversar com outras personagens. Fonte:

20 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais20 Percepção dos outros Envolve saber quem está à nossa volta, o que está a acontecer e quem está a falar com quem. Percepção periférica –Focar a nossa atenção no que está na periferia da nossa visão. –Ouvir e ver em excesso – permite acompanhar o que os outros estão a fazer sem recorrer a pistas específicas.

21 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais21 Projectar tecnologias para suportar maior percepção Disponibilizar percepção sobre outras pessoas que estão em lugares remotos. Media spaces – estender o mundo das secretárias, cadeiras, paredes e tectos (Adaptado de Harrison et al, 1997) –Exemplo: Portholes.

22 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais22 PortHoles (Xerox PARC) Imagens actualizadas regularmente das pessoas nos seus gabinetes de dia e de noite.

23 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais23 Sistemas de Notificação Os utilizadores notificam os outros ao invés de estarem constantemente a ser monitorizados (cf Portholes). Disponibilizar informação sobre objectos partilhados e evolução de tarefas cooperativas. Exemplo: Babble.

24 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais24 Babble (IBM, Erickson et al, 1999) As pessoas mais activas na conversa estão no zona central do círculo.

25 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais25 Estruturas Conceptuais Linguagem / Acção (Winograd e Flores 1986). –Baseada na Teoria dos Actos de Linguagem (Speech act Theory). Cognição distribuída (Hutchins 1995) –Procura corrigir o modelo do processador humano de informação adicionando-lhe os contextos sociais.

26 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais26 Quem deve controlar Um dos dilemas de quem desenvolve sistemas CMC é o nível de controlo que deve ser deixado aos utilizadores. Por exemplo, ao implementar um sistema de gestão de documentos para um projecto, deve ser deixado ao cuidado dos utilizadores o protocolo para retirar documentos para alteração, ou pelo contrário o sistema deve implementar um controlo apertado sobre quem pode alterar e quando? Trata-se de um protocolo social...

27 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais27 O que ficou na cabeça No final deste capítulo os alunos devem saber: A forma como as pessoas comunicam e cooperam influencia o desenvolvimento de modelos conceptuais para interacção e influencia o desenho da interacção. Referência: Capítulo 4 [Preece et al 2002]

28 João Falcão e Cunha, Miguel B. Gonçalves © 2003 IPC (2003/04) :: Entender o Utilizador – Modelos Sociais28 Exercícios Práticos 1º Estudar no serviço de Web Mail da FEUP a gestão de calendários e agendas. Este serviço permite marcações de reuniões de várias pessoas? Indique vantagens e desvantagens dos serviços. 2º Estudar os novos serviços de envio de fotografias a partir de telemóveis. Este serviço terá sucesso? 3º Estudar os ambientes de conversação na Internet. Como podia melhorar estes ambientes para criar situações sociais mais aceitáveis? 4º Estudar um sistema de marcação de reuniões por forma a substituir esse trabalho de secretariado.


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