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DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS NOTAS DE AULA GIÁCOMO BALBINOTTO NETO ECONOMIA DOS RECURSOS HUMANOS UFRGS/PPGE II/2004.

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1 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS NOTAS DE AULA GIÁCOMO BALBINOTTO NETO ECONOMIA DOS RECURSOS HUMANOS UFRGS/PPGE II/2004

2 2 Job Matching: preferências A principal função do mercado de trabalho é prover os sinais e os mecanismos pelos quais cada trabalhador, buscando maximizar sua própria utilidade, pode encontrar-se com os empregadores que buscam, cada um a seu modo, maximizar os lucros. A maximização da utilidade implica que os trabalhadores estão interessados tanto nos aspectos pecuniários como não pecuniários de seus empregos.

3 3 Escolhas Individuais e Seus Resultados A Alocação da Mão-de-Obra A maioria das sociedades modernas baseiam-se principalmente em incentivos e diferenciais compensatórios para recrutar mão-de-obra em trabalhos que são desagradáveis. A compensação para os trabalhadores Os salários compensatórios servem como um recompensa individual pelo pagamento daqueles que aceitam condições de trabalho desagradáveis ou arriscadas.

4 4 Qual o Valor dos Vários Aspectos de um Emprego? Os empregos variam ao longo de várias dimensões: Localização; Prestígio; Tipo de trabalho – com risco, sem risco de vida Flexibilidade de horas de trabalho; Autonomia; Criatividade.

5 5 QUESTÕES REFERENTES A TEORIA DOS SALÁRIOS COMPENSATÓRIOS E SALÁRIOS HEDÔNICOS Por que os salários diferem no mercado de trabalho? Empregos com riscos de vida diferente implicam em salários diferentes? Por que as firmas oferecem empregos arriscados? Por que os trabalhadores aceitam trabalhos arriscados? Qual o valor de se salvar uma vida humana? A vida humana tem um preço?

6 6 O Equilíbrio no Mercado de Trabalho Entre Empregos Sob as seguintes condições Livre entrada e saída; Todos os empregos são parecidos; Todos os trabalhadores são parecidos. Háverá um único salário na economia Os ajustamentos salariais irão ocorrer devido Mobilidade do trablhador [migração]; Mobilidade do produtor.

7 7 Mobilidade do Trabalhador w*

8 8 Mobilidade do Produtor w*

9 9 Quando E xistem Diferenciais Salariais? Barreiras a Mobilidade da mão-de-obra Mercados de trabalho segmentados; monopsônio Os trabalhadores são diferentes Diferencial de habilidade – capital humano As preferências são diferentes com relação aos atributos do emprego Riscos. Moral Os empregos são diferentes Teoria da equalização dos diferenciasi salariais Os empregos tem diferentes amenidades Trabalhadores tem diferentes atitudes com relação ao risco e as amenidade.

10 10 Acidentes de Trabalho - Definição Acidente do trabalho é aquele que ocorre durante o serviço, ou no trajeto entre a residência e o local de trabalho, provocando lesão corporal ou perturbação funcional e pode resultar em morte, perda ou redução da capacidade para o trabalho. Seja em caráter permanente ou temporário, o acidente de trabalho inclui também as doenças ocupacionais.

11 11 Acidentes de Trabalho A prevenção aos acidentes do trabalho é a ferramenta mais importante para evitar a incapacitação de milhares de trabalhadores Os agrotóxicos estão em sétimo lugar em número de acidentes com substâncias químicas e em primeiro no número de mortes

12 12 Acidentes de Trabalho Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), os acidentes de trabalho são a causa da morte de mais de dois milhões de trabalhadores no mundo por ano. São três pessoas que morrem a cada minuto devido a condições impróprias de trabalho !

13 13 Acidentes de Trabalho Acompanhe os dados da OIT: -Em 2001, morreram 650 mil pessoas em conflitos armados. As vítimas de morte por acidentes de trabalho foram mais de um milhão e 300 mil pessoas - mais que o dobro! - No mesmo ano, 340 mil pessoas foram afetadas devido ao contato com substâncias perigosas (produtos químicos e radioativos, por exemplo).

14 14 Acidentes de Trabalho O contato com o amianto foi responsável pela morte de 100 trabalhadores em a maioria ocupada na construção civil. -A falta de segurança no trabalho mata mais do que as drogas e o álcool juntos. - Os setores que apresentam menores condições de segurança em todo o mundo são a agricultura, a construção civil e a mineração.

15 15 Acidentes de Trabalho no Brasil Os acidentes de trabalho no Brasil, no ano de 2002, deixaram empregados temporariamente incapacitados, outros 15 mil incapacitados para sempre, e foram responsáveis pela morte de trabalhadores, vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Esse quadro foi responsável por despesas equivalentes a 2,2% do PIB - Produto Interno Bruto - brasileiro, ou R$ 23 bilhões, gastos com pagamento dos benefícios por afastamento do empregado, despesas de saúde, reabilitação profissional, além de processos judiciais

16 16 Acidentes de Trabalho Apesar de estes setores liderarem a lista de acidentes, o Brasil testemunha atualmente o alarmante número de acidentes em uma categoria de trabalho em expansão: os motoqueiros. O serviço de courier através de motos une vários fatores de risco: violência das ruas, roubos seguidos de mortes (latrocínios), acidentes de trânsito, entre outros.

17 17 Dados sobre Acidentes de Trabalho no Brasil do/evolucaoindicadores pdf

18 18 Doenças Profissionais Bancários e profissionais de saúde são os que mais se afastam por causa de doenças mentais. Dessas, 55% são doenças depressivas.

19 19 Indicadores e estatísticas de acidentes Coeficiente de Freqüência CF = [número de acidentes com afastamentos * / (número de homens/horas trabalhadas)] Coeficiente de gravidade CG = [(número de dias perdidos + número de dias computados * ) / numero de homens / horas trabalhadas)]

20 20 Alguns Fatos – Mortes ocupacionais por trabalhadores – Fonte: Filer, Hamermersh & Rees (1996, p.378) Indústria Mineração43,826,0 Construção30,513,7 Manufatura5,93,9 Trasp. & UP18,712,9 Seguro & Imóveis5,41,52 Serviços3,02,4

21 21 Alguns Fatos – Efeitos da amenidades locacionais e desamenidades sobre as taxas salariais em cidades dos EUA, 1980 – Fonte: Filer, Hamermersh & Rees (1996, p.393) (Dis)amenidadeMudança% de mudança nos salários Dias de sol30%-80%-6,8 Umidade20% - 90%+6,8 Velocidade do vento5-15 milhas p/h+14,4 Crimes violentos2x média+5,8 Visibilidade0-25 milhas-1,0

22 22 Taxas de Acidentes nos EUA, 1996

23 23 Diferenciais Compensatórios de Salários Origem: Adam Smith (1776,cap.10) Alfred Marshall (1920, book 6 cap.3) Rosen, S. (1974), JPE

24 24 Adam Smith (1776, cap.10) The ferve following are the principal circumstances which, so far as I have been able to observe, make up for a small pecuniary gain in some employments, and counter-balance a great one in others: first, the agreeableness or disagreeableness of the employments themselves; secondly, the easiness and cheapness, or the difficulty and expence of learning them; thirdly, the constancy or inconstancy of employment in them; fourthly, the small or great trust which must be reposed in those who exercise them; and fiftly, the probability or improbability of success in them.

25 25 Adam Smith (1776, cap.10) First, The wages of labour vary with the ease or hardship, the cleanliness or dirtiness, the honourableness or dishonourableness of the employment. Thus in most places, take the year round, a journeyman taylor earns less than a journeyman weaver. His work is much easier. A journeyman weaver earns less than a journeyman smith. His work is not always easier, but it is much cleanlier. A journeyman blacksmith, though an artificer, seldom earns so much in twelve hours as a collier, who is only a labourer, does in eight. His work is not quite so dirty, is less dangerous, and is carried on in day-light, and above ground. Honour makes a great part of the reward of all honourable professions. In point of pecuniary gain, all things considered, they are generally under-recompensed, as I shall endeavour to show by and by. *5 Disgrace has the contrary effect. The trade of a butcher is a brutal and an odious business; but it is in most places more profitable than the greater part of common trades. The most detestable of all employments, that of public executioner, is, in proportion to the quantity of work done, better paid than any common trade whatever.

26 26 Diferenciais Compensatórios de Salários As principais razões para a existência de diferenciais salariais (Adam Smith, 1776): (i) caráter agradável ou desagradável dos empregos; (ii) facilidade e o pouco gasto ou a dificuldade e o alto dispêndio exigidos na aprendizagem dos empregos; (iii) constância ou inconstância do emprego; (iv) grau de confiança colocados no emprego; (v) probabilidade de sucesso ou insucesso no emprego.

27 27 Diferenciais Compensatórios de Salários O modelo competitivo do mercado de trabalho implica que, na medida em que os trabalhadores e firmas possam entrar e sair livremente do mercado de trabalho, haverá um único salário na economia se todos os trabalhadores e empregos forem iguais.

28 28 Diferenciais Compensatórios de Salários A teoria dos salários compensatórios reconhece que os empregos são diferentes. A teoria dos salários compensatórios busca examinar o impacto das características nos empregos com base em suas características na determinação dos salários e emprego.

29 29 Qual é a hipótese básica da teoria dos salários compensatórios? A idéia básica da teoria dos salários compensatórios é que as características dos empregos tem influência sobre a determinação dos salários e empregos num determinado mercado de trabalho.

30 30 Diferenciais Compensatórios de Salários Segundo a teoria dos salários compensatórios, é útil pensarmos um emprego não somente em termos de salários, ou de quanto ele paga, mas também em termos de todo um pacote que inclui tanto salários como as condições de trabalho. De acordo com o enfoque original de Smith (1776,cap.10), não é o salário que é igualado entre os empregos num mercado de trabalho competitivo, mas todas as vantagens e desvantagens do mesmo.

31 31 Diferenciais Compensatórios de Salários A introdução das compensações salariais implica que os trabalhadores diferem em suas preferências por empregos específicos e as firmas diferem nas condições de trabalho que elas oferecem.

32 32 O que a teoria dos salários compensatórios busca explicar? A teoria dos diferenciais compensatórios de salários procura explicar como os trabalhadores e firmas se encontram ou interagem no mercado de trabalho a fim de determinar os níveis de emprego e salários de equilíbrio. Assim, a alocação de trabalho não é aleatória.

33 33 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALAHDORES EM EMPREGOS ARRISCADOS – O MODELO DE ROSEN (1983) (i) os empregos diferem em apenas uma característica - a probabilidade de que o trabalhador irá ser prejudicado ou ferido enquanto estiver empregado, sendo que a probabilidade de sofrer um acidente é dada por: 0 e 1 A suposição de analisarmos apenas uma única dimensão nos permite ver mais claramente os resultados do processo de seleção do emprego.

34 34 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALAHDORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (ii) a utilidade do trabalhador é função tanto do salário como da probabilidade de que ele irá ser ferido enquanto estiver no trabalho i. A sua função utilidade é dada por: U = (w, ) Onde: ( U/ w) > 0 e ( U/ ) < 0

35 35 A escolha dos trabalhadores entre salário e risco Utilidade=f(salário, risco de acidente no emprego) O acidente é considerado algo indesejável. a curva de indiferença é positivamente inclinada U 0 : (wo, 0) ~ (^W1, 1).

36 36 A escolha dos trabalhadores entre salário e risco Salário reserva: é o montante de salário que deve ser oferecido ao trabalhador para induzi-lo a aceitar o emprego arriscado.

37 37 Salário- reserva Curvas de indiferença e salário reserva

38 38 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALAHDORES EM EMPREGOS ARRISCADOS As curvas de indiferença risco-salário se inclinam para cima porque o risco de acidentes constitui-se numa característica do emprego que é considerada ruim para o trabalhador.

39 39 As curvas de indiferença entre salário e probabilidade de acidente no trabalho Probabilidade de acidente 0 salários Uo 1 0 wo wr

40 40 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALAHDORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (iii) é assumido que os trabalhadores preferem altos salários e que o risco é um atributo indesejado. Aqui assumimos, implicitamente que existem trabalhadores propensos ao risco.

41 41 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALAHDORES EM EMPREGOS ARRISCADOS A inclinação da curva de indiferença nos mostra quanto um trabalhador valoriza o fato de se ferir. Ela mostra quanto o trabalhador está disposto a substituir o risco de acidente por um aumento na taxa de salário.

42 42 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALAHDORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Se o trabalhador não gosta de correr riscos, sua curva de indiferença será muito inclinada e seu salário-reserva será muito alto. Se o trabalhador não se importar muito com os riscos que corre no emprego sua curva será plana e seu salário-reserva será baixo.

43 43 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS 0 Probabilidade de acidente Taxa de salário Uo U1U1 w1 wo

44 44 Curvas de indiferença representativas para dois Trabalhadores para suas aversões ao risco de sofrer um acidente

45 45 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (iv) existem no mercado de trabalho somente dois tipos de emprego, os arriscados e os seguros. 0 – alguns empregos oferecem um ambiente completamente seguros; 1 – outros oferecem um ambiente inerentemente arriscado.

46 46 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (vi) o trabalhador tem uma informação completa sobre o nível de risco assumido com cada trabalho. Em outras palavras, ele sabe ou conhece o verdadeiro valor do risco ( ) num determinado emprego.

47 47 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (vi) o emprego seguro tem um salário w o e o emprego arriscado tem um salário w 1 ; - como todos os trabalhadores são avessos ao risco, temos que w 1 > w o, - a fim de que os empregos arriscados atraiam trabalhadores, eles devem pagar uma compensação salarial diferenciada (w 1 - w o ) > 0.

48 48 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (vii) = w 1 * - w o – salário-reserva. Se o salário aumentar de $, o trabalhador irá mudar de um emprego seguro para o emprego arriscado. O salário-reserva busca responder a seguinte pergunta – quanto você está disposto a ganhar para fazer algo que não gosta?

49 49 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALAHDORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (viii) O conjunto de oportunidades do trabalhador contém apenas duas alternativas: A1 (w o, 0) A2 (w 1, 1) w/ = [(w 1 - w 0 )/1-0] = w 1 - w o

50 50 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS 0 01 wowo w1w1 Diferencial compensatório de salário A B

51 51 O conjunto de oportunidades do trabalhador O conjunto de oportunidades do trabalhador contém duas alternativas: trabalhar num emprego seguro e ganhar $w o ou trabalhar no emprego arriscado e ganhar $w 1. A inclinação da linha que conecta os dois pontos alternativos é dado por w 1 -w o, ou o diferencial compensatório pago pelo mercado entre os dois tipos de trabalho.

52 52 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS w/ = [(w 1 -w 0 )/1-0] = w 1 - w 0 O salário compensatório é a taxa a qual o mercado está disposto a compensar um trabalhador pelo risco que está correndo.

53 53 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS – A ESCOLHA DO EMPREGO (ix) o trabalhador deve escolher o emprego que maximize sua utilidade. Função objetivo do trabalhador: Max U (w, )

54 54 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS – A ESCOLHA DO EMPREGO No caso em que o trabalhador menos avesso ao risco escolhe o emprego mais arriscado, ocorre porque o seu salário-reserva [ = (w 1 *- w 0 )] é menor do que o salário referente ao salário compensatório pago no mercado de trabalho, ou seja, a curva de indiferença é mais plana do que a linha orçamentária.

55 55 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS A aceitação de uma oferta com um emprego seguro lhe confere uma utilidade U, enquanto a aceitação de uma oferta com um emprego arriscado o coloca numa curva de indiferença mais elevada.

56 56 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS (x) o trabalhador escolhe um emprego seguro porque o seu salário-reserva é maior do que o diferencial compensatório, isto é: > w 1 -w 0 O trabalhador escolhe um emprego arriscado porque o seu salário-reserva é menor do que o diferencial compensatório, isto é: < w 1 -w 0

57 57 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS - A LÓGICA DA ESCOLHA O que nos mostra o salário-reserva ( ) ? O salário-reserva ( ) indica quanto o trabalhador requer para ser persuadido a se mover de um emprego seguro para um emprego arriscado ou (w1*-w0) enquanto o salário diferencial compensatório (w1-w0) indica quanto o mercado está disposto a pagar para um trabalhador se mover ou ir para um trabalho arriscado.

58 58 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS - A LÓGICA DA ESCOLHA Se o diferencial compensatório exceder o salário-reserva do trabalhador, ele irá para o emprego arriscado.

59 59 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS - A LÓGICA DA ESCOLHA Se o diferencial compensatório for menor que o preço-reserva, o mercado não está pagando o suficiente para convence-lo a trabalhar num emprego onde ele provavelmente sofrerá um acidente e ele terá que permanecer ou escolherá um emprego seguro.

60 60 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Regras de decisão da escolha dos empregos: > w 1 -w 0 o trabalhador escolhe o emprego seguro. < w1-w 0 o trabalhador escolhe o emprego arriscado. As regras de decisão acima nos mostram como os trabalhadores alocam o seu tempo entre dois empregos alternativos.

61 61 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A ESCOLHA DE UM EMPREGO ARRISCADO Probabilidade de acidente 0 salários U U 01 w1w1 wr wo sr

62 62 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A ESCOLHA DE UM EMPREGO ARRISCADO O trabalhador escolhe o emprego arriscado porque o salário reserva é menor do que o diferencial compensatório pagos pelo mercado (isto é, a curva de indiferença é mais plana do que o a linha orçamentária)

63 63 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A ESCOLHA DE UM EMPREGO SEGURO Probabilidade de acidente 0 salários U U 01 w1w1 wr wo O trabalhador escolhe o emprego seguro porque o seu salário-reserva (wr) é maior do que o diferencial compensatório oferecido pelo mercado (w1).

64 64 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Se os diferenciais salariais forem elevados, é mais provável que um dado trabalhador acabe aceitando um emprego arriscado. Se os diferenciais salariais forem baixos, ele não irá aceitar um emprego arriscado.

65 65 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS 0 max min freqüência Os diferentes trabalhadores na economia tem diferentes salários reservas. A distribuição de freqüência assume que todos os trabalhadores tem um salário reserva positivo, ou em outras palavras, todos não gostam de correr riscos.

66 66 A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Para derivarmos a curva de oferta do mercado de trabalho para empregos arriscados, nós adicionamos as decisões de oferta dos muitos trabalhadores da economia.

67 67 A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Supondo que existam N trabalhadores na população e que o salário-reserva [ ] tenha uma freqüência como mostrada acima e assumindo que um trabalhador escolhe um emprego arriscado somente se o diferencial compensatório [w 1 -w o ] >, temos que isto implica que se o salário de mercado for menor que min, nenhum trabalhador desejará se empregar num trabalho arriscado, pois o diferencial compensatório é muito baixo, ele não supera o salário-reserva de até mesmo um trabalhador que não gosta de riscos.

68 68 A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Quando o diferencial compensatório é igual a mim, o trabalhador que não gosta de correr riscos se torna indiferente entre ofertar o seu tempo entre empregos arriscados e empregos seguros e sua oferta é igual a zero. Se o salário de mercado subir um pouco, teremos que agora ele irá ofertar seu tempo num trabalho arriscado e um trabalhador adicional que tem um baixo salário-reserva será persuadido a ofertar seu tempo de trabalho em empregos arriscados.

69 69 A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS A medida em que os diferenciais compensatórios continuam subindo, teremos que mais e mais trabalhadores são persuadidos a aceitar ocupações de risco e o número desses trabalhadores aumenta. Quando o diferencial compensatório atinge o seu máximo [ max], todos os trabalhadores estariam ou desejariam trabalhar em empregos arriscados.

70 70 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Número de trabalhadores em empregos arriscados 0 w1-wo max min N Curva de oferta de trabalhadores para empregos arriscados

71 71 A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Assim, vemos que a curva de oferta de mercado para empregos arriscados é positivamente inclinada. A inclinação da curva de oferta de mercado é determinada pelo formato da distribuição das preferências com relação aos riscos na população.

72 72 A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Se houver pouca dispersão na distribuição do salário reserva na população, as diferenças entre ( max e min) serão pequenas, e a curva de oferta de mão-de-obra ser elástica. Assim, uma pequena mudança nos salários compensatórios irá atrair um número muito grande de trabalhadores para empregos arriscados. Se a distribuição das preferências for muito dispersa – o que implica que a distância entre ( max e min) é grande, a curva de oferta será inelástica.

73 73 A decisão da firma em oferecer empregos arriscados A função de produção da firma: q = (E, ) ; q/ E > 0 e q/ > 0 q = produto da firma; E = número de trabalhadores = probabilidade de acidente na firma.

74 74 A decisão da firma em oferecer empregos arriscados O produto da firma depende do número de trabalhadores que ela contrata (E) e do tipo de ambiente de trabalho que ela oferece aos seus trabalhadores, medido pela probabilidade de sofrer algum tipo de acidente no emprego. Oferecer um ambiente seguro para a firma é caro, visto que a firma deve alocar recursos e materiais para produzir um ambiente seguro para os trabalhadores e que aqueles recursos poderiam ser usados na produção.

75 75 Os ganhos de ser uma empresa arriscada Se a firma decidir oferecer um ambiente seguro, o seu produto é dado por qo= oE* ( o= produto marginal do trabalho num ambiente seguro) p o = produto marginal do trabalho seguro.

76 76 Os ganhos de ser uma empresa arriscada Se a firma decidir oferecer um ambiente com risco, o seu produto é dado por q 1 = 1 E* ( 1 = produto marginal do trabalho num ambiente com risco) p 1 = produto marginal do trabalho com risco.

77 77 Os ganhos de ser uma empresa arriscada 1 > o – as firmas produzem mais produto quando não tem que alocar recursos para tornar o ambiente seguro.

78 78 Os ganhos de ser uma empresa arriscada Seja: = p 1 - p o = montante ganho por trabalhador quando a firma muda de um ambiente seguro para um ambiente com risco. Assumimos aqui que p é constante, pois a firma opera num ambiente competitivo.

79 79 Qual o tipo de ambiente de trabalho que uma firma deve escolher? Os lucros da firma dependem do fato de se ela opera num ambiente seguro ou arriscado: o = p o E* - w o E* 1 = p 1 E* - w 1 E* - uma firma irá oferecer um ambiente com risco se 1 > o e irá oferecer um ambiente seguro quando 1 < o.

80 80 Qual o tipo de ambiente de trabalho que uma firma deve escolher? Substituindo-se as equações de lucro nas regras de decisão, obtemos que, por exemplo: o = p oE* - woE* > 1 = p 1E* - w1E* E* (p o – wo) > E*(p 1 - w1) (p o – wo) > (p 1 - w1) p o - p 1 > w1 - wo = p 1 - p o > w 1 - wo

81 81 Qual o tipo de ambiente de trabalho que uma firma deve escolher? Oferece um ambiente seguro se: > w 1 – w o Oferece um ambiente arriscado se: < w 1 – w o A escolha da firma com relação a qual ambiente de trabalho oferecer dependerá da comparação de quanto serão os ganhos quando for proporcionado um ambiente seguro (sem risco) comparado com os seus custos (w1-wo).

82 82 Qual o tipo de ambiente de trabalho que uma firma deve escolher? Assumimos que as firmas numa economia diferem com relação as várias tecnologias para produzir uma ambiente seguro. Para algumas firmas é fácil e barato produzir um ambiente seguro enquanto para outras isto é muito difícil e dispendioso.

83 83 Qual o tipo de ambiente de trabalho que uma firma deve escolher? Assim, temos que o parâmetro varia significativamente entre as firmas numa economia. As firmas com um elevado são firmas que tem mais a ganhar oferecendo um ambiente arriscado e as firmas com um baixo são as firmas que tem pouco a ganhar.

84 84 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS 0 max min freqüência As diferentes firmas ganham diferentes montantes de lucros por oferecer diferentes ambientes de risco Ganho por oferecer um ambiente com risco

85 85 A curva de demanda por trabalhadores arriscados A curva de demanda por trabalhadores arriscados é derivada adicionando-se as curvas de demanda das firmas arriscadas. Se w 1 -w o > max, temos que nenhuma firma na economia irá desejar oferecer um ambiente de risco. Portanto, a curva de demanda por trabalhadores em ocupações de risco é igual a zero. A medida em que o diferencial compensatório (w1- wo) declina, algumas firmas irão achar ótimo oferecer ambientes de risco.

86 86 A curva de demanda por trabalhadores arriscados A curva de demanda por trabalhadores em ocupações de risco é negativamente inclinada. A medida em que os diferenciais compensatórios de salários declinam, haverá mais firmas com riscos e demanda por eles.

87 87 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS – A OFERTA DE TRABALHADORES EM EMPREGOS ARRISCADOS Número de trabalhadores em empregos arriscados 0 w 1 -w o max min N Curva de demanda por trabalhadores em empregos arriscados

88 88 Equilíbrio de mercado em empregos com risco O salário diferencial compensatório de mercado e o número de trabalhadores empregados em empregos de risco são determinados pela interseção das curvas de oferta e demanda de mercado. Se o salário compensatório exceder o nível de equilíbrio, mais pessoas estarão dispostas a trabalhar em firmas arriscadas do que estão sendo demandadas e o diferencial compensatório de equilíbrio iria diminuir.

89 89 Equilíbrio de mercado 0 E* N Número de trabalhadores em empregos arriscados P oferta demanda w1-wo (w1-wo)* max min

90 90 Equilíbrio de mercado - Propriedades (1) o diferencial compensatório de equilíbrio é positivo. Empregos que envolvam riscos pagam mais do que empregos seguros. Este resultado é devido ao pressuposto de que todos os trabalhadores não gostam de riscos, de modo que se as firmas oferecerem um ambiente que envolva riscos e desejam atrair trabalhadores, elas devem pagar salários mais elevados.

91 91 Equilíbrio de Mercado - Propriedades (2) o salários compensatório de equilíbrio [(w 1 - w o )*] é o diferencial compensatório que é requerido para compensar o trabalhador marginal ao emprego arriscado. O salários compensatório de equilíbrio constitui-se na medida do salário-reserva que o último trabalhador contratado.

92 92 Equilíbrio de Mercado - Propriedades (3) tanto os trabalhadores como as firmas não são casados aleatoriamente no mercado de trabalho. Os trabalhadores que são mais avessos ao risco (aqueles que tem um salário reserva mais elevado) são aqueles que escolhem trabalhar em empresas mais seguras. Os trabalhadores que tem uma menor aversão ao risco irão trabalhar em empresas menos seguras.

93 93 Equilíbrio de Mercado - Propriedades (4) O equilíbrio de mercado obtido é do tipo em que há uma autoseleção dos trabalhadores [self-select] entre o spectrum de firmas. No modelo de salários compensatórios há um casamento entre trabalhadores e firmas que tem interesses comuns.

94 94 Teoria dos Salários Hedônicos Generalização Ao invés de termos apenas 2 tipos de trabalhadores, um arriscado e outro seguro, nós temos agora muitos tipos de firmas. A probabilidade de acidente pode assumir qualquer valor entre 0 e 1.

95 95 Curvas de indiferença dos trabalhadores Aqui nós assumimos que os trabalhadores são avessos ao risco, mas que diferentes trabalhadores têm diferentes aversões ao risco. A figura abaixo ilustra o caso de curvas de indiferença para trabalhadores avessos ao risco, mas que diferem em suas atitudes com relação ao risco, de modo que tais curvas podem se interceptar.

96 96 Curvas de indiferença dos trabalhadores A inclinação de cada curva de indiferença nos mostra quanto de aumento salarial deve ocorrer a fim de que um determinado trabalhador se sinta disposto, voluntariamente a aceitar um emprego com um risco mais elevado. Portanto, a inclinação da curva de indiferença é o preço-reserva que o trabalhador fixa para se mover para um emprego que envolva maior risco.

97 97 Uma família de curvas de indiferença entre Salário e Risco de Acidentes

98 98 Função de salários hedônicos Curvas de indiferença dos trabalhadores salários 0 Probabilidade de acidente Ub Ua Uc

99 99 As Curvas de Isolucro As curvas de isolucro nos dão todas as combinações de salário e risco que produzem o mesmo nível de lucros para as empresas. Assim, todos os pontos ao longo de uma curva de isolucro produzem o mesmo nível de lucros, tais como o. Um empregador maximizador de lucros é indiferentes entre as várias combinações possíveis entre risco e salário que se situam ao longo de uma única curva de isolucro.

100 100 As Curvas de Isolucro - Propriedades As curvas de isolucro são positivamente inclinadas. Visto que proporcionar um ambiente seguro para as empresas é dispendioso, uma firma que oferece um nível de risco * pode tornar o ambiente de trabalho mais seguro somente se ele reduzir os salários (mantendo os lucros constantes). Assim, a curva de isolucro é positivamente inclinada.

101 101 As Curvas de Isolucro - Propriedades As curvas de isolucro mais baixas implicam em lucro maiores para as firmas. Curvas de isolucro mais baixas implicam em lucros mais elevados, pois para um mesmo nível de risco ( * ) a empresa poderia pagar salários mais baixos. Uma redução salarial, dado o nível de risco ( * ) implica em maiores lucros.

102 102 As Curvas de Isolucro - Propriedades As curvas de isolucro são côncavas. A propriedade da concavidade das curvas de isolucro é devida ao fato de que a lei dos rendimentos marginais decrescentes também se aplica a produção de segurança no ambiente de trabalho. Por exemplo, no ponto (P), na curva [ o] temos que a firma oferece um ambiente arriscado. Há várias coisas simples e baratas que uma firma poderia fazer para reduzir o risco de acidentes, o que implicaria numa pequena redução salarial a fim de manter os lucros.

103 103 As Curvas de Isolucro - Propriedades As curvas de isolucro são côncavas. Por exemplo, no ponto (P), na curva [ o] temos que a firma oferece um ambiente arriscado. Há várias coisas simples e baratas que uma firma poderia fazer para reduzir o risco de acidentes, o que implicaria numa pequena redução salarial a fim de manter os lucros. Contudo, depois de a firma ter alcançado o ponto (Q), se a firma ainda desejar tornar o ambiente mais seguro ela teria que incorrer em gastos substanciais, que são caros e complexos e afirma teria que reduzir significativamente os salários a fim de manter os lucros constantes. Assim, depois do ponto (Q) a curva de issolucro é significativamente inclinada.

104 104 As Curvas de Isolucro - Propriedades É assumido implicitamente no modelo que a firma opera num ambiente de concorrência perfeita com livre entrada e saída. O resultado do processo competitivo é que somente as combinações de salário-risco que se situam ao longo da curva de isolucro que produzem lucro-zero podem ser observadas num mercado competitivo.

105 105 Função de salários hedônicos As curvas de isolucro 0 Probabilidade de acidente o 1 salários * w1 wo P Q

106 106 Familias de curvas de isolucro para uma firma

107 107 Curvas de lucro zero para duas firmas

108 108 Função de Salários Hedônicos A curva de isolucro nos mostra o conjunto de combinações de risco salário disponíveis para uma dada firma maximizadora de lucros. Algumas firmas irão achar fácil oferecer um ambiente seguro para a sua força de trabalho, enquanto outras irão achar muito difícil se não impossível. Assim, temos que diferentes firmas irão ter diferentes curvas de isolucro.

109 109 Função de Salários Hedônicos Os trabalhadores maximizam a utilidade [Ui] escolhendo a oferta salário-risco que os coloca sobre a curva de indiferença mais alta possível. O trabalhador A que não gosta de correr riscos maximiza sua utilidade no ponto Pa e irá acabar trabalhando na firma X, que é a firma que acha mais fácil proporcional um ambiente seguro. Já o trabalhador C, que não se importa muito com o risco, maximiza sua utilidade no ponto Pc e irá trabalhar na firma Z, a firma que acha mais difícil proporcionar um ambiente seguro.

110 110 Função de Salários Hedônicos Diferentes firmas possuem diferentes curvas de isolucro e diferentes trabalhadores possuem diferentes curvas de indiferença. O mercado de trabalho casa os trabalhadores que não gostam de correr riscos (A) com as firmas que acham fácil prover um ambiente seguro (como as firmas X) e os trabalhadores que não se importam em correr risco (como os trabalhadores C) com as firmas que acham difícil proporcionar um ambiente seguro (firmas Z). A relação observada entre salários e a característica é chamada função hedônica dos salários.

111 111 Função de Salários Hedônicos A relação de salários hedônicos mostra que a distribuição dos trabalhadores entre as firmas não é aleatória entre trabalhadores e firmas. Os trabalhadores avessos ao risco casam-se com as firmas seguras e os trabalhadores que são menos avessos ao risco casam-se com as firmas que proporcionam o ambiente menos seguro.

112 112 Encontrando o Equilíbrio Os trabalhadores maximizam sua utilidade escolhendo a oferta salário-risco que os coloca na curva de indiferença mais alta possivel. A oferta salário-risco de cada firma é fixada sobre a curva de isolucros.

113 113 Encontrando o Equilíbrio Pessoas altamente avessas ao risco escolhem trabalhar para firmas que podem reduzir o risco com maior facilidade. Pessoas que não se importam tanto com o risco escolhem trabalhar em firmas que acham dificil reduzir o risco de acidentes.

114 114 Função de Salários Hedônicos Probabilidade de acidente 0 salários x y z ua ub uc i – curvas de isolucro com lucro zero Pa Pb Pc FSH

115 115 Função de Salários Hedônicos Os pontos Pa, Pb e Pc nos dão as combinações salário-risco que irão prevalecer no mercado de trabalho. Conectando os pontos, nós obtemos a função salarial hedônica que resume a relação entre os salários que os trabalhadores desejam e as características do emprego.

116 116 Função de Salários Hedônicos Visto que os trabalhadores são avessos ao risco e não gostam de correr riscos, a função salarial hedônica é positivamente inclinada A inclinação da função salarial hedônica nos dá o aumento salarial oferecido pelo mercado devido a um acréscimo no risco do emprego.

117 117 Função de Salários Hedônicos Ao longo da curva de salários hedônicos nós temos um casamento (matching) eficiente, pois os trabalhadores maximizam a utilidade escolhendo a oferta salário-risco que os coloca na curva de indiferença mais alta possível.

118 118 Casamento de Trabalhadores e Empregados

119 119 Considerações sobre o equilíbrio Equilíbrio usual (modelo geral): Os trabalhadores e firmas são anônimos. A alocação de firmas e trabalhadores é aleatória. Equilibrio com diferenciais de salários compensatórios: Os trabalhadores se auto-selecionam [self-select] eles mesmos entre as várias firmas existentes na economia Assortative mating: o casamento entre trabalhadores e firmas ocorrem com interesses comuns.

120 120 Função de salários hedônicos algumas implicações (i) o mercado de trabalho concorrencial gera diferenças salariais entre indivíduos com o mesmo montante de capital humano. Os altos salários estão associados com poucas amenidades e elevados risco de acidentes;

121 121 Função de salários hedônicos algumas implicações (ii) parte das diferenças observadas nos diferenciais de gênero (homens x mulheres) pode ser explicado ou estar refletindo diferenças nas preferências por amenidades positivas e aversão ao risco.

122 122 Função Hedônica dos Salários Relaciona os salários correntes e as combinações de risco para formar a equação dos salários hedônicos; Resume a relação entre os salários que os trabalhadores são pagos e as características do emprego.

123 123 Propriedades da Função dos Salários Hedônicos Positivamente inclinada Os trabalhadores não gostam de correr riscos; É dispendioso para a firma prover segurança; A inclinação da função de salários hedônicos Nos dá o aumento salarial oferecido nos empregos de risco; Nos dá o salário reserva do trabalhador num nível ótimo ao nível ótimo de risco incorrido.

124 124 Problemas de medição [cf. Lazear (1998,p.393)] Segundo Lazear (1998,p.393), alguns fatores não pecuniários podem precocupar os trablhadores, mas são de dificil mensuração, tais como o respeito e o status.

125 125 Aplicações – O Valor da Vida Bibliografia recomendada: Thaler & Rosen (1976) – The Value of Saving a Life: Evidence From the Labor Market. Borjas (1996) – Labor Economics (1996, cap.6) Viscusi, W. Kip (1993), JEL.

126 126 Especificação empírica w: taxa salarial ou o log dela; X: características individuais; p: probabilidade de acidente; Dados: uma cross section de uma amostra de trabalhadores. Uma curva linear assume uma taxa constante com relação ao dilema [tradeoff] em todos os níveis de risco. estimativas do dilema risco-salário.

127 127 O Cálculo do Valor da Vida Firma Prob. de acidente Rendas Anuais Fatal X x wx Y x + 0,001 wx+ $5.000

128 128 O cálculo do valor da vida Segundo Viscusi et. Alli (1995,p ), os resultados das estimativas empíricas do valor da vida variam entre menos de $ ,00 e mais de $ ,00. Cf. Viscusi (1993), JEL para um survey de estimativas do cálculo do valor da vida.

129 129 O Cálculo do Valor da Vida Miller, Mulvey & Norris (1997). Economic Record, 73 – Austrália Liu, Hammitt & Liu (1997) – Taiwan Smith, Robert (1979) - survey

130 130 O Cálculo do Valor da Vida – Resumo de Estudos Selecionados [Viscusi, Vernon & Harrington, 1998] Autor/AnoValor Implícito da Vida ($ milhões)[em US$ 1988/3] usando o deflator do PIB Smith (1976)4.0 Thaler & Rosen (1976)0.7 Viscusi (1979)3.6 Brown (1980)1.3 Olson (1981)4.5 Viscusi (1981)5.7 Arnould & Nichols (1983)0.8 Dillingham (1985a)2.2 – 4.6 Dillingham (1985b)5.9

131 131 O Cálculo do Valor da Vida – Resumo de Estudos Selecionados [Viscusi, Vernon & Harrington, 1998] Autor/AnoValor Implícito da Vida ($ milhões)[em US$ 1988/3] usando o deflator do PIB Gerking, DeHann & Schulze (1988)3.0 Moore & Viscusi (1988)6.4 Moore & Viscusi (1990)2.2 Moore & Viscusi (1990)6.4

132 132 Miller, Mulvey & Norris (1997). Economic Record, 73 – Austrália MMN (1997) investigaram a existência e a magnitude dos diferenciais compensatórios de salários para o risco de vida na Austrália. Eles encontraram que existe um diferencial de renda salarial compensatório para o risco de vida no mercado de trabalho australiano. Contudo, a extensão do prêmio de risco para o risco de fatalidade é sensível a especificação da equação estimada.

133 133 Miller, Mulvey & Norris (1997). Economic Record, 73 – Austrália Utilizando dados de risco classificados por indústria, foi estimado que um aumento de 1 em no risco e morte está associado com um aumento nos rendimentos de 42% a 70 %. As estimativas de 42 % implicam num aumento nos rendimentos de 28% para trabalhadores que fazem face a esta média de risco. O prêmio salarial estimado consistente com o valor implícito da vida situou-se, para os australianos, no período estimado, entre 11 e 19 milhões de dólares de 1991.

134 134 Liu, Hammitt & Liu (1997) – Taiwan LHL (1997) testaram a teoria dos diferenciais compensatórios usando dados referentes ao mercado de trabalho de Taiwan para o período O valor implícito da vida estimado situou-se entre US$ e U$ dólares.

135 135 O MODELO ESTÁTICO SIMPLES DE OFERTA DE MÃO-DE- OBRA – APLICAÇÕES DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS [Borjas, 1996, p ] Uma das principais justificativas para o SD é que os trabalhadores necessitariam ser protegidos das incertezas que ocorrem no mercado de trabalho. Contudo, o mercado de trabalho poderia, através dos diferenciais de salários compensatórios, compensar os trabalhadores com uma alta probabilidade de demissão.[cf. Adam Smith (1776,cap.10)] – pois a constância e inconstância do emprego irá gerar diferenciais compensatórios de salários.

136 136 O MODELO ESTÁTICO SIMPLES DE OFERTA DE MÃO-DE- OBRA – APLICAÇÕES DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS [Borjas, 1996, p ] No ponto P o indivíduo maximiza sua utilidade trabalhando (T-L o ) horas ao salário w o. A oferta de emprego alternativo, um trabalhador sazonal obtém o mesmo salário, mas trabalha somente (T-l 1 ). Neste caso ele estaria numa situação pior pois U

137 137 O MODELO ESTÁTICO SIMPLES DE OFERTA DE MÃO-DE- OBRA – APLICAÇÕES DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS [Borjas, 1996, p ] Para atrair trabalhadores para trabalhos sazonais e deixa-los com o mesmo nível de satisfação que teriam em empregos mais estáveis, os empregadores teriam que oferecer um salário mais elevado. Portanto, se as demissões forem perfeitamente previsíveis, um emprego com reduzidas horas de trabalho anual deverá compensar seus trabalhadores oferecendo um salário mais elevado, quando comprado com a alternativa de um emprego mais estável.

138 138 O MODELO ESTÁTICO SIMPLES DE OFERTA DE MÃO-DE- OBRA – APLICAÇÕES DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS [Borjas, 1996, p ] Y L LoL1 P R Q Uo U 0 wo w1 A fim de atrair o trabalhador, um empregador que oferece somente (TL1) horas de trabalho deverá oferecer um salário w1>wo. Em R o trabalhador fica indiferente ente um emprego que oferece (T-Lo) e outro que oferece (T-L1).

139 139 As Amenidades Locacionais Confira: - Filer, Hamermesh & Rees (1996,p ) - Blomquist, Berger & Hoehn (1988), ERA, 78. Os salários são mais baixos em áreas com mais sol, ma são mais altos em áreas com mais vento e clima mais úmido. A taxa de crimes violentos em uma área (o dobro da média) leva a aumentos em cerca de 6% nos salários, ceteris paribus.

140 140 Evidências Empíricas Sobre Salários Hedônicos e Clima

141 141 Aplicação - escolha de atividades criminosas Viscusi, W.Kip (1986). The Risk and Rewards of Criminal Activity: A Comprehensive Test of criminal Detterrence. Journal of Labor Economics, 4 (3):

142 142 Aplicação - escolha de atividades criminosas The economic approach to crime closely parallels the analysis of hazardous jobs. In the case of job safety, it is the probability of an injury and its severity that constitutes the unatrative feature of the job. For criminal pursuits, the probability it that of apprehension and conviction, while the loss is that imposed by the individuals incarceration. Kip Viscusi (1986,p )

143 143 Aplicação - escolha de atividades criminosas The crime risk premium levels consequently are not inconsistent with avaliable evidence regarding how individuals make decisions among other risky opportunities to earn income. In each case, activities posing additional risk will command compesating differentials. Legitimate and illegitimate activities both have upward-sloping income-risk profiles. The primary distinguishing characteristics of ilrgitimate activities is that the risk premiu,m have an additional policy implication in that they imply that enhanced enforcement will raise the risk to crime, thus diminishing its attractiviness. Kip Viscusi (1986,p )

144 144 Aplicação - escolha de atividades criminosas - a atividade criminal é a atividade geradora de renda mais arriscada que existe; - os prêmios de risco da atividade criminosa situam-se ente 50 a 33% de todas as rendas criminosos. Comparadas com os riscos nas atividades legais, temos que eles se situam abaixo de 10%; - as evidências empíricas para os EUA indicam existir uma relação positiva entre as rendas derivadas do crime e os riscos de se cometer um determinado crime, sendo a relação estável tanto para dados mensais como anuais.

145 DIFERENCIAIS COMPENSATÓRIOS DE SALÁRIOS NOTAS DE AULA GIÁCOMO BALBINOTTO NETO ECONOMIA DOS RECURSOS HUMANOS UFRGS/PPGE II/2004


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