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O ROMANCE ROMÂNTICO. Origens Os romances dos autores românticos europeus tornaram-se populares no Brasil através de sua publicação em jornais, depois.

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1 O ROMANCE ROMÂNTICO

2 Origens Os romances dos autores românticos europeus tornaram-se populares no Brasil através de sua publicação em jornais, depois de 1830, criando no público o gosto por um gênero ainda desconhecido entre nós. Tanto na Europa quanto nas traduções brasileiras, essas narrativas eram primeiramente publicadas na imprensa, na forma de capítulos diários ou semanais, aumentando de maneira extraordinária a tiragem dos periódicos. Tais romances receberam o nome de folhetins. Como regra geral, no último capítulo, após intensos tormentos, maldade e desolação, os obstáculos são removidos e o amor vence. Em vários romances, contudo, a ordem social é mais forte que a paixão e os amantes acabam destruídos pelas conveniências e pelos preconceitos. De qualquer maneira, o final de um folhetim tem sempre um caráter apoteótico e desmedido, seja na felicidade, seja na dor.

3 O surgimento no Brasil O sucesso do folhetim europeu, em jornais brasileiros, foi resultado da emergência de um novo público leitor, composto basicamente por estudantes e mulheres. Em 1844, veio à luz A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Pelo enredo melhor articulado, pelo registro do ambiente carioca e pela sutil harmonização entre amor juvenil e preceitos conservadores, esta narrativa ultrapassava a dimensão de simples cópia de folhetins europeus. Sob certos aspectos, estava nascendo o romance brasileiro.

4 JOAQUIM MANUEL DE MACEDO Nasceu em Itaboraí (RJ). Formado em Medicina. Obras principais: A moreninha (1844); O moço loiro (1845); Memórias do sobrinho de meu tio(1867); A luneta mágica (1869)

5 ... O escritor deu-se conta de que precisava vencer a barreira moral - imposta pela estrutura patriarcalista - que não via com bons olhos a explosão de sentimentos naquelas histórias que afirmavam o direito da paixão sobre a obediência e sobre a hierarquia social. A adaptação que Macedo fez, portanto, era uma necessidade, podendo ser assim resumida: Romance brasileiro (Romance romântico europeu + cenários brasileiros + valores patriarcais)

6 A Moreninha O estudante Filipe convida seu amigo e também estudante, Augusto, para um fim de semana em sua casa, na ilha de Paquetá. Augusto é famoso pela inconstância em relação à namoradas. Filipe aposta que desta vez ele se apaixonará por uma de suas primas. Na ilha, Augusto descobre a adolescente Carolina (a Moreninha), irmã de Filipe, que lhe desperta sentimentos contraditórios. Em seguida, defendendo-se da acusação de leviano com as donzelas, explica a dona Ana, avó da jovem, o motivo de sua volubilidade. Quando tinha treze anos estava brincando na praia com uma linda e desconhecida menina. Na ocasião, aparecera um rapazinho, dizendo que o pai estava prestes a morrer. As crianças visitam o moribundo e, constatando a pobreza da família, dão-lhe o dinheiro que possuíam. O doente pede um objeto pessoal de cada um: Augusto entrega-lhe o camafeu da gravata, a garota um anel. Os objetos são embrulhados em pedaços de pano e cosidos por sua esposa. Depois, o moribundo entrega a cada um a jóia do outro, dizendo que eles se amariam e no futuro se tornariam marido e mulher. Portanto, o rapaz ficara preso a esta promessa juvenil. O jogo entre o juramento do passado e o amor do presente - pois, obviamente, Augusto acaba gostando de Carolina - se alterna com brincadeiras marotas, erotismo negaceado, vinganças adolescentes, bilhetes secretos, problemas nos estudos, proibições paternas, etc. Tudo é bastante pueril e inocente, embora se possa perceber nessa ciranda de namoricos um retrato aproximado dos folguedos sentimentais permitidos na época. No fim da narrativa, Carolina entrega a Augusto o pacotinho contendo o camafeu: ela era a menina da praia. Assim, o namoro pode ser concretizado, sem que o estudante quebre a promessa feita cinco anos antes.

7 JOSÉ DE ALENCAR Ceará Formado em Direito (SP) Advogado e jornalista Obras principais: Romances urbanos: Cinco minutos (1856); A viuvinha (1857); Lucíola (1862); Diva (1864); A pata da gazela (1870); Sonhos d'ouro (1872); Senhora (1875); Encarnação (1877). Romances regionalistas ou sertanistas: O gaúcho (1870); O tronco do ipê (1871); Til (1872); O sertanejo (1875); Romances históricos: As minas de prata (1862); Alfarrábios (1873); A guerra dos mascates (1873) Romances indianistas: O guarani (1857); Iracema (1865); Ubirajara (1874)

8 A literatura como alma da pátria A idéia chave para a compreensão da obra de Alencar talvez esteja na sua célebre frase: "A literatura nacional que outra coisa é senão a alma da pátria?" Ou seja, cabe ao texto literário expressar a nação.

9 A linguagem brasileira Mais tarde, Alencar percebeu que, para criar de fato o romance nacional não bastava apenas o uso explícito da temática brasileira e "cor local". Era preciso também tomar posição diante da questão da linguagem. O esforço máximo de Alencar em torno da criação dessa linguagem brasileira ocorreu em Iracema. Entre os aspectos mais significativos que ali encontramos destacam-se: - Períodos curtos, sintéticos; - Intensa musicalidade; - Comparações e metáforas; - Vocábulos indígenas...

10 Um painel incompleto do país Na celebração exaltada do nacional está a grandeza, mas também o principal problema do espelho alencariano. O Brasil que ele mostra tende à idealização da realidade humana e social. É um espelho opaco, que não reflete nem as mazelas da escravidão nem a brutalidade das camadas senhoriais. Reflete quase tão somente as luzes fulgurantes do trópico, e o destemor, a generosidade e o altruísmo de sua gente. Assim, as imagens que aparecem nos romances de Alencar, em regra, são positivas e idealizadas.

11 ROMANCES URBANOS O Rio de Janeiro - na metade do século XIX - era uma capital limitada e pouco cosmopolita e, portanto, insuficiente para um romancista seduzido pela idéia de grandeza. O autor cearense viu-se, pois, obrigado a inventar histórias complicadas, conversões mirabolantes, renúncias sublimes, amores violentos, etc., para sobrepô-los à pobreza humana e intelectual da sociedade brasileira de então. Alencar tenta retratar este conflito entre a vulgaridade nativa e o sublime universo romântico.

12 Lucíola Paulo, jovem bacharel pernambucano, escreve cartas à senhora G. M., para narrar-lhe a história de seu relacionamento com uma cortesã. Nestas cartas conta que, recém chegado de Olinda, conhecera uma jovem e bela mulher, Lúcia, apaixonando-se à primeira vista por ela. Só mais tarde um amigo iria informá-lo de que Lúcia exercia a alta prostituição, sendo famosa por certas excentricidades, como vender todas as jóias que recebia de presente e jamais aceitar ser a amante exclusiva de alguém. Já abalado com a terrível revelação, Paulo se deprime ainda mais ao presenciar o espetáculo que Lúcia promove na casa de Sá, um homem dado a orgias. Lúcia exibe-se nua sobre uma mesa, imitando as cenas libertinas dos quadros que decoram as paredes da casa. Paulo sente, ao mesmo tempo, raiva, piedade e paixão pela cortesã mas, ao sair para o jardim da casa, reencontra-a e obtém da mesma a promessa de nunca mais repetir a cena. Em seguida, os dois declaram-se apaixonados e terminam se amando sobre a relva.

13 ... A partir de então, Lúcia abandona a profissão e Paulo passa a sustentá-la em nível modesto. O relacionamento entre os dois, entretanto, continua muito complicado. Após uma injustificada crise de ciúmes de Paulo, Lúcia enfim conta-lhe sua vida anterior, revelando que se prostituíra para ajudar sua família, de classe média, mas duramente empobrecida durante uma epidemia de febre amarela. Expulsa de casa pelo pai, trocara mais tarde seu verdadeiro nome, Maria da Glória, pelo de Lúcia, nome de uma amiga sua, morta de tuberculose. Depois de passar um ano na Europa, retornara ao Brasil, descobrindo que seus pais já tinham falecido. Internara, então, sua última parente, a irmã Ana, num colégio e seguira a profissão de cortesã. Tempos depois, abandonando a prostituição, Lúcia busca Ana no internato e as irmãs passam a viver juntas. Paulo tenta novamente conquistar o amor da jovem, mas esta - embora correspondendo aos sentimentos do rapaz - recusa-se ao relacionamento, alegando que para destruir a sua condição de prostituta, precisava renunciar inclusive a seus sentimentos. Em seguida, pede a Paulo que se case com a irmã, porém este, desesperado, se nega a realizar o pedido. Subitamente, Lúcia desmaia, revelando-se a sua gravidez: estava esperando um filho do amante. O feto, contudo, morre no ventre materno. Dias depois, Lúcia faz Paulo jurar que seria um legítimo pai para Ana, e, em seguida, também morre. Ao encerrar a correspondência dirigida à senhora G. M., Paulo informa-lhe que - conforme a promessa - servira de pai para Ana, que se casara.

14 ROMANCES INDIANISTAS Os romances de temática indianista são três: O guarani, Iracema e Ubirajara. Todos apresentam um mesmo substrato estético e ideológico: · A apresentação de heróis inteiriços e modelares. · Acima de tudo, os índios são os heróis da nascente nacionalidade pós-colonial. · Não foi o índio rebelde o celebrado por Alencar mas sim o índio que "entrou em íntima comunhão com o colonizador". Por isso, a exaltação dos índios ocorre somente quando os mesmos perdem a sua identidade e os seus valores, integrando-se (sempre na condição de súditos) à cultura dos conquistadores brancos.

15 O Guarani No início do século XVII, um dos fundadores do Rio de Janeiro, o fidalgo português D. Antônio de Mariz, em protesto contra a dominação espanhola ( ), estabelece-se em plena floresta. Vive com sua mulher, o filho, D. Diogo, a filha, Cecília e uma mestiça, Isabel, apresentada como sobrinha, mas que na realidade é sua filha natural. Junto à casa dos Mariz, vive um bando de mais ou menos quarenta aventureiros. Estes homens entram no sertão, fazendo o contrabando de ouro e pedras preciosas e deixando um percentual para D. Antônio. Logo em seguida à chegada da nobre família portuguesa, um jovem e hercúleo cacique, Peri, salva Cecília de enorme pedra prestes a desabar sobre ela. Ao receber o agradecimento dos brancos pelo gesto, Peri abandona sua tribo e passa a viver junto a eles, numa pequena choupana. Desta maneira, o indígena confirma uma visão que tivera com Nossa Senhora, a qual lhe ordenara que a servisse. E Cecília (a quem Peri chama de Ceci) tinha as mesmas feições da Virgem Maria. Era a ela, portanto, que o índio devia obediência e proteção.

16 ... Em princípio, Ceci manifesta um pouco de medo e repugnância pelo guarani. Este, entre outras façanhas, captura uma onça viva para mostrá-la a sua Iara (senhora). Também desce ao fundo de um penhasco, tomado por répteis e cascavéis, para apanhar um estojo com uma jóia da heroína. Apoiada pelo pai, que percebera a nobreza do índio ("É um cavalheiro europeu no corpo de um selvagem"), a jovem começa a simpatizar com seu estranho protetor. Entre os aventureiros que vivem sob a égide dos Mariz, dois merecem destaque. Álvaro de Sá, rapaz de impulsos nobres e gestos superiores e que ama respeitosamente Ceci, embora, por seu turno, seja amado por Isabel. E o antigo frade carmelita, Angelo di Lucca - hoje Loredano - que abandonara o hábito depois de se apossar de um mapa de riquíssimas minas de prata, pertencente a um moribundo. Homem cruel e decidido, quer, antes de alcançar as hipotéticas minas, possuir Ceci, pela qual professa um desejo animalesco. Simultaneamente, por um terrível equívoco, D. Diogo, o filho de D. Antônio, mata a filha do cacique dos aimorés, pensando se tratar de um animal. Os aimorés ("povo sem pátria e sem religião") querem vingança, exigindo em troca a vida da doce Ceci. Desejada impuramente por Loredano e perseguida pelos ferozes aimorés, quem poderia salvá-la de tantas adversidades?

17 ... Peri revela então a extensão de sua fidelidade aos portugueses. À medida em que centenas de aimorés iniciam o cerco final ao casarão, o herói - desobedecendo a sua "senhora" - parte para o acampamento dos inimigos e após derrubar vários deles, é preso e levado para o ritual antropofágico. Na hora da cerimônia, ingere poderosa dose de curare, um veneno terrível. Assim, quando os selvagens o devorassem, morreriam todos. Desta forma, Peri propõe o genocídio dos índios para que os brancos continuassem a viver livremente. No entanto, quando o veneno já corrói as entranhas do bravo guerreiro, Álvaro de Sá irrompe de surpresa no acampamento, com alguns amigos, e o resgata. Peri volta para Ceci mais morto do que vivo, mas a heroína do romance exige que ele tente se salvar. Cambaleante, Peri vaga pela floresta até encontrar o antídoto para o curare. O cerco dos aimorés torna-se cada vez mais terrível. Álvaro morre ao buscar víveres na floresta, confessando antes à Isabel que lhe retribuía a paixão. Peri consegue recuperar o corpo do rapaz. Desesperada, Isabel pede que o índio o deposite em seu quarto. Depois, fecha todas as frestas do quarto e asfixia-se com a fumaça de resinas aromáticas, morrendo por amor, na cena mais bela do romance.

18 ... Sem alternativa de resistência, D. Antônio chama o índio e diz que, se este se tornasse cristão, lhe confiaria a filha para que tentasse levá-la à civilização. O herói responde: "Peri quer ser cristão!", e ajoelha-se diante do fidalgo que o batiza. Enquanto as flechas incendiárias dos aimorés transformam a casa-forte num inferno, Peri pula o precipício - que cercava o casarão - com o auxílio de um galho de árvore, levando Ceci adormecida por uma bebida soporífera. Rapidamente alcança o rio Paquequer onde escondera uma canoa. Ouve-se uma grande explosão: D. Antônio colocara fogo no paiol e todos, os remanescentes brancos e centenas de aimorés desaparecem, numa espécie de apocalipse. Ao acordar, Ceci chora muito a morte dos parentes e diz querer o índio para sempre a seu lado, na cidade. Peri rejeita a idéia de morar na civilização, porém a jovem não pode mais viver sem ele e, aproveitando-se de uma parada para descanso, corta as amarras da canoa. Estão agora sozinhos, e como Adão e Eva, no começo do mundo, prontos para o amor. Eis quando uma grande enxurrada os surpreende. O casal refugia-se em cima de uma palmeira, mas as águas continuam subindo. Em um último gesto heróico, Peri arranca a palmeira, transformando-a em canoa. O índio e a jovem branca são arrastados, então, pela correnteza. Em direção ao quê? Da morte? Do início da felicidade conjugal? Da simbólica construção de um novo mundo nos trópicos? O que acontece após o grande dilúvio? O leitor que decida.

19 Iracema Nos primórdios da colonização, o português Martim Soares, perdido na mata, encontra abrigo junto ao pajé dos tabajaras, Araquém. A filha deste, Iracema, apesar de ser uma espécie de sacerdotisa, se apaixona pelo branco e o protege das investidas do guerreiro Irapuã, terminando por fugir com Martim para o lado dos potiguaras, chefiados por Poti. Esses, ao contrário dos tabajaras, eram aliados dos portugueses. Iracema e Martim vivem o amor nas florestas e praias do Ceará. A guerra dos tabajaras e os franceses afasta Martim e seu amigo, Poti, de Iracema. Ao regressar, encontra a índia às portas da morte, ainda que tenha gerado uma criança, filho de Martim, Moacir, cujo nome significa o filho do sofrimento. Iracema, exaurida, morre e o branco leva a criança rumo à civilização. A famosa descrição metafórica da heroína: Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

20 ROMANCES HISTÓRICOS A exemplo dos romances indianistas, dos quais são muito próximos, os romances históricos apresentam como características: - A ação localizada no passado colonial - Uma intenção simbólica, pois devem, no plano literário, representar poeticamente, as nossas origens e a nossa formação como povo. - Os episódios "históricos" que sustentam vagamente os romances alencarianos (a descoberta de minas, a guerra dos Mascates, etc.) não passam de pretexto para as mais frenéticas e improváveis aventuras.

21 ROMANCES REGIONALISTAS Os chamados romances regionalistas ou sertanistas (na verdade, romances de temática rural) parecem, à primeira vista, nascer da nostalgia do autor em relação ao rústico mundo interiorano. Da leitura dos quatro romances sertanistas (O sertanejo, O gaúcho, O tronco do ipê e Til) pode-se chegar a duas conclusões: a) A condição brasileira (isto é, o cerne da nação), na sua forma mais pura e singela, localiza-se no mundo rural. b) A extensão geográfica dos romances indica que a ânsia de Alencar em abranger o núcleo básico do território nacional corresponde ao desejo das elites imperiais em integrar todas as regiões ao corpo de uma nação centralizada e unificada. Como o autor está interessado em mostrar, acima de tudo, a unidade do país, os aspectos originais da vida regional reduzem-se a algumas descrições poéticas da natureza, a alguns costumes típicos e à capacidade heróica /aventureira dos protagonistas, os quais parecem representar, de maneira mais ou menos primitiva, à bravura e a generosidade do homem rural brasileiro. Observe-se ainda que a linguagem mantém o padrão culto urbano, pouco valorizando as particularidades lingüísticas de cada região enfocada.

22 A importância de José de Alencar As estruturas do folhetim, o predomínio da ação sobre os caracteres, o nacionalismo ufanista e a visão idealizada da existência não fascinam mais os leitores. Sob este ângulo, seus romances pertencem a outra época, desgastaram-se com o passar do tempo e oferecem dificuldades de leitura, sobretudo aos jovens. Não obstante, por várias razões, o autor cearense continua tendo uma importância histórica extraordinária: · Consolidou o romance brasileiro ao escrever movido por um sentimento de missão patriótica. ·Preocupou-se em construir um painel, o mais abrangente possível, da realidade brasileira. · Foi o primeiro ficcionista a perceber a vastidão e a diversidade do país, intuindo algumas especificidades regionais e abrindo um filão que continua presente na ficção contemporânea. · Nos momentos mais felizes, alcançou a análise psicológica, quase à maneira realista, além de mostrar o peso da sociedade nas relações pessoais. · Problematizou a questão da língua brasileira e ele próprio criou uma linguagem literária original, muitas vezes de grande densidade poética.

23 Outros Regionalistas Os romances de temática rural de José de Alencar abriram um rico espaço para o surgimento de um grupo de romancistas também denominados sertanistas (ou regionalistas). São escritores preocupados em revelar o Brasil agrário, distanciado do litoral, com seus costumes específicos e seus protagonistas que oscilam entre a ingenuidade psicológica e a prepotência patriarcal. O ponto de partida dessa literatura é geralmente uma visão nacionalista, mesclada à estrutura narrativa do folhetim e à busca de certa autenticidade poética ou documental na fixação da vida interiorana. Há uma intenção realista, inclusive, mas é um realismo que se detém em exterioridades: descrições da natureza, algo do acento lingüístico, dos costumes e dos valores morais da região. Esta procura da realidade concreta é prejudicada, no entanto pela construção totalmente romântica e melodramática dos personagens.

24 BERNARDO GUIMARÃES Nasceu em Ouro Preto Formado em Direito (SP) Boêmio e satírico Poemas pornográficos Morreu aos 59 anos Obras principais O ermitão do Muquém (1864); O garimpeiro (1872); O seminarista (1872); A escrava Isaura (1875).

25 A Escrava Isaura Isaura é filha de uma escrava e de um feitor português de uma enorme fazenda, no interior do Rio de Janeiro. Após a morte da mãe, a menina é adotada pela fazendeira que a trata como se fosse sua própria filha. Vem daí a esmerada educação da escrava que conversa sobre todos os assuntos, toca piano, canta e sabe línguas estrangeiras. Ainda por cima, é branca. Paradoxalmente branca: No entanto, com a morte da fazendeira, Leôncio, seu filho, assume a propriedade e começa a perseguir obsessivamente Isaura, assediando-a com propostas indecorosas. O pai da escrava, que agora trabalhava em outra fazenda, sabedor da situação, rapta a filha e ambos vão morar no Recife. Isaura adota o nome de Elvira. Um pernambucano riquíssimo, Álvaro, a vê e se apaixona loucamente por ela. Mas, no primeiro baile a que vão juntos, Elvira é desmascarada e sua condição de escrava fugida vem à tona. Álvaro e Leôncio enfrentam-se pela posse da moça, porém esta acaba voltando á fazenda como cativa, embora resistindo a todo o assédio do cruel fazendeiro. Este então promete libertá-la desde que ela casasse com o jardineiro, um ser monstruoso, "cabeludo como um urso e feio como um macaco". Na hora do casamento, ocorre a surpresa final: Álvaro aparece na fazenda, dizendo que havia comprado todos os bens que Leôncio penhorara por estar enredado em dívidas. Entre esses bens estavam todos os escravos, inclusive a linda Isaura, que evidentemente vai se casar com Álvaro. Neste momento, Leôncio sai da sala e se suicida, encerrando a narrativa com o mais desbragado final feliz.

26 O Seminarista Em O seminarista vemos narrando o drama de Eugênio e Margarida, que, na infância, passada no sertão mineiro, estabelecem uma amizade que logo vira paixão. O pai de Eugênio, indiferente aos sentimentos do filho, o obriga a ir para um seminário. Dilacerado entre o amor e a religiosidade, Eugênio segue para o mosteiro. Embora todo o sofrimento da perda amorosa, o jovem dedica-se à vida espiritual e acaba se ordenando sacerdote. Volta então à aldeia natal para rezar a sua primeira missa. Lá encontra a sua antiga paixão, Margarida, que está à beira da morte. Os dois não resistem ao impulso afetivo e mantêm relações. Em seguida, a heroína morre. Eugênio, ao saber da notícia, pouco antes de iniciar a missa, enlouquece de dor afetiva e moral, tanto pelo desaparecimento da amada quanto pela quebra do voto de castidade.

27 VISCONDE DE TAUNAY Nasceu no RJ Cursou Engenharia na Escola Militar Morreu aos 56 anos Obras principais A retirada da Laguna (1871); Inocência (1872).

28 Inocência Cirino, um rapaz de boa índole e muito curiosidade, viaja pelo sertão do Mato Grosso, apresentando-se como médico e dando consultas, quase sempre bem sucedidas, embora seja apenas um "prático"*, com experiência de farmacêutico. Em determinado momento, conhece Pereira, um pequeno proprietário rural que está voltando para casa e que possui uma filha doente. Cirino aceita a hospitalidade oferecida por Pereira e cura a febre da jovem (Inocência), causada pela maleita. Só que ao vê-la, impressiona-se profundamente com a sua beleza e se apaixona pela sertaneja. No entanto, Inocência já estava prometida por seu pai a um vaqueano, Manecão, caracterizando-se assim a temática nuclear do romance: a do amor impossível. Simultaneamente, um naturalista alemão, Meyer, que vaga pelos sertões, caçando borboletas, apresenta-se na pequena fazenda sertaneja, acompanhado de um cômico servo e trazendo uma carta de recomendação do próprio irmão de Pereira. Este recebe o cientista de braços abertos mas, por ser muito rústico, não entende que as galanterias que o alemão destina a Inocência são apenas frutos de sua educação e passa a temê-lo e vigiá- lo. Conta para isso com um fiel serviçal, um anão mudo chamado Tico. Sem entender nada do que está se passando, Pereira pede a Cirino que permaneça em sua casa até a partida do alemão para ajudar na guarda da filha, inclusive arranjando-lhe alguns pacientes.

29 ... Inocência e Cirino mal conseguem se falar até que, numa noite, o rapaz bate à janela da jovem e confessa- lhe a paixão. Ela acusa o falso médico de virar-lhe o juízo através de algum feitiço. Mas este a convence da sinceridade de seu amor e Inocência descobre-se igualmente apaixonada por ele. Os dois jovens voltam a se encontrar mais uma vez às escondidas, quando então Cirino propõe a fuga como alternativa para a realização amorosa. Inocência, entretanto, se recusa a isso com medo que o pai a amaldiçoasse e sugere que o namorado buscasse o apoio de um padrinho dela, Antônio Cesário, por quem o Pereira tinha muito respeito.

30 ... Enquanto isso, o naturalista alemão descobrira uma espécie desconhecida de borboleta e resolvera batizá-la com o nome de Inocência, deixando Pereira indignado e cada vez mais vigilante. Porém logo o cientista parte, dissipando as suspeitas do pai da sertaneja. Também Cirino viaja em busca do auxílio de Antônio Cesário. Ao mesmo tempo, Manecão, o noivo prometido chega à casa de Pereira. Inocência se recusa a validar o compromisso entre ambos e é espancada pelo pai. Através da mímica, o anão mudo indica o pseudo médico como o responsável pela insubordinação da garota. Exasperado, Manecão vai atrás de Cirino e o assassina. O romance tem seu desfecho com o sábio Meyer recebendo grande homenagem na Alemanha pela descoberta da borboleta (Papilio Innocentia), sem saber que dois anos antes Inocência preferira desaparecer a se casar com Manecão, encontrando na morte a sua própria salvação.

31 MANUEL ANTÔNIO DE ALMEIDA Um cenário um pouco diferente nos será apresentado. Perfil do RJ olhando para as camadas mais baixas da população. Seu romance constitui uma verdadeira crônica de costumes da vida na corte. Escritor de transição

32 Memórias de um Sargento de Milícias Leonardo e Maria viajavam de Lisboa rumo ao Rio de Janeiro, no navio se apaixonaram, logo após casaram e tiveram um filho chamado Leonardo, que desde pequeno era manhoso e arteiro. Com o passar do tempo Maria começou a trair seu marido e quando este descobriu deu uma surra na mulher, que acabou fugindo com seu amante, o capitão de um navio, partindo para Lisboa, Leonardo simplesmente foi embora abandonando o filho. Leonardo (filho) ficou então aos cuidados de seu padrinho, um barbeiro bem arranjado. Este passou a estimar muito o menino, planejou fazê-lo padre, iniciou a escrita e a leitura, bem precariamente, e depois o encaminhou à escola. Por estes tempos a madrinha de Leonardo também apareceu e lhe visitava sempre. O menino na escola não passava um dia sem apanhar com a palmatória do mestre. Quando passou a ir sozinho faltava a muitas aulas e ia para a igreja se juntar a Tomás para fazer bagunça. Imaginando a facilidade que teria em aprontar se viesse a ser coroinha como o amigo, pediu ao padrinho que lhe fizesse tal, o padrinho aceitou alegremente o interesse pela igreja. Mas logo o menino foi expulso por tanto aprontar. Já rapaz, levava uma vida de vadio. Ele e seu padrinho passaram a freqüentar a casa de D. Maria, que tinha uma sobrinha, Luisinha, por quem Leonardo se apaixonou.

33 ... Em meio às suas intenções apareceu um rival, José Manuel. Sua madrinha tomou parte e inventou uma mentira para que o rival de seu afilhado perdesse a estima que tinha. Nesses tempos o padrinho morreu e Leonardo foi viver com seu pai que, depois de muito lutar por uma cigana, acabou casado com a filha da comadre. Ele não se dava muito bem com a madrasta, então, em um dia após visitar D. Maria e não ver Luisinha, envolveu-se novamente em uma briga com a madrasta, seu pai tomou parte dela e o ameaçou com uma espada. Leonardo fugiu pela rua. Depois de muito andar encontrou-se com Tómas e mais uns amigos, dentre eles Vidinha, que lhe despertou uma nova paixão. Foi viver na casa deles, lá viviam duas senhoras irmãs, uma era mãe de três moças e outra, mãe de três rapazes. Uma das moças era namorada de Tomás e Vidinha era a paixão de dois dos rapazes. Como esta mostrava-se mais interessada em Leonardo, os dois primos armaram contra ele. A armação levou-o preso pelo major Vidigal, homem muito temido. Mas antes que chegassem à cadeia, o rapaz fugiu. Com o objetivo de evitar motivos para uma nova prisão, a madrinha de Leonardo lhe arrumou um emprego na casa-real, mas o rapaz logo foi despedido por ter se aproximado da mulher de um dos homens do poder da casa.

34 ... Ao saber de tal acontecimento, Vidinha foi tomar satisfações. Leonardo saiu atrás dela para impedir; quando chegaram à porta da casa, na indecisão de entrar ou não, ele acabou sendo levado por Vidigal que o esperava por lá. Nesses tempos, a mentira da madrinha tinha vindo à tona e José Manuel foi redimido, ganhando a mão de Luisinha em casamento. Leonardo foi feito granadeiro do major Vidigal. Vidinha e sua família haviam buscado muito por ele e, sem encontrá-lo, passaram a odiá-lo por cometer a desfeita de abandonar sem explicação quem o acolhera. Vidigal, armando a prisão de Teotônio, mandou Leonardo até a casa do pai dele, lá estava dando a festa de batizado da filha de tal e Teotônio animava a festa. Leonardo ficaria no batizado para facilitar a captura, Vidigal junto com seus homens esperavam na porta. No entanto, Leonardo sentiu-se um traidor e armou com Teotônio sua fuga sem que se comprometesse. O plano deu certo, mas de tão alegre que ficou acabou por se denunciar. Vidigal então o prendeu. Ao saber de tal coisa sua madrinha foi rogar por ele ao major, sem resultado; após uma forte reconciliação com D. Maria foram as duas pedir a libertação do rapaz, o que não conseguiram.

35 ... As duas senhoras foram atrás da ajuda de Maria-Regalada, esta tinha sido a primeira paixão de Vidigal, que concedeu a ajuda e as três foram implorar pela libertação de Leonardo. Depois de muito tentar e nada conseguir Maria-Regalada falou em particular com Vidigal, disse que se libertasse o rapaz ira viver com ele, como ele já lhe pedira muitas vezes. Com tal proposta o major cedeu e ainda prometeu uma surpresa. Durante tais acontecimentos Luisinha ficou viúva. No dia do enterro de José Manuel, Leonardo apareceu – tinha sido feito sargento. Passou a freqüentar novamente a casa de D. Maria. Seus interesses por Luisinha renasceram e os dela também. A madrinha e a D. Maria estavam mais do que de acordo com o casamento deles, o que impedia era o posto de sargento que não permitia o casamento. Pediram então novamente a ajuda de Vidigal, que nesses tempos já vivia com Maria-Regalada. O homem cedeu com gosto e fez de Leonardo sargento de milícias, oficio que permitia o casamento. Dado a essas circunstâncias casou-se com Luisinha. Depois de tais acontecimentos, Leonardo pai e D. Maria vieram a falecer.


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