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Cultura e vida privada no Império Mariana Muaze s:

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Apresentação em tema: "Cultura e vida privada no Império Mariana Muaze s:"— Transcrição da apresentação:

1 Cultura e vida privada no Império Mariana Muaze s:

2 Aula 1: História e historiografia da Vida Privada I - Que matrizes historiográficas abriram espaço para o estudo da vida privada? Escola dos Annales/ História Nova (História das Mentalidades) Criticava a escola positivista e propunha uma luta contra a história factual, sobretudo política e desvinculada das estruturas sociais e econômicas. - Interessava-se menos pelos grandes homens que pontuavam a história política da época e mais pelos homens e grupos sociais. - Buscava repensar os acontecimentos e as crises em função dos movimentos lentos e profundos da história. (história na longa duração – F. Braudel) A longa duração da história não é a-crônica, fora do tempo, e que as estruturas identificadas pelos historiadores incluem, por sua natureza, a transformação e a mudança. - Criticava a noção de fato histórico. Não há realidade histórica acabada e sim construção científica dos documentos para possibilitar a reconstituição ou a explicação do passado. - Multiplicidade de documentos e temáticas – necessidade de diálogo com outras disciplinas, interdisciplinaridade. (geografia, sociologia, antropologia, demografia, etc) - Nova concepção do documento, acompanhada de uma nova crítica ao mesmo. Ele é produzido conscientemente e inconscientemente pelas sociedades do passado. É preciso delimitar, explicar lacunas, os silêncios da história, e assentá-los tanto sobre seus vazios, quanto sobre os cheios que sobreviveram. - Demolir a idéia de tempo único, homogêneo e linear. Construir conceitos operacionais dos diversos tempos de uma sociedade histórica.

3 História Nova - A grande e principal contribuição da história nova está na abertura de novas temáticas, com o conseqüente enriquecimento do discurso historiográfico. - Sua fragilidade básica reside na recusa em elaborar conceitos adequados às novas abordagens e temas sugeridos, preferindo antes um caráter descritivo e não analítico. Como conseqüência temos belíssimas reconstituições dos hábitos, gostos, saberes, amores, etc. Enfim, das mentalitès que ficam pairando no espaço como se nada tivessem a ver com as outras esferas da existência: organização do estado, vida material, estrutura política, etc.

4 II – Desafios e reflexões para uma história da vida privada: Georges Duby faz uma análise dos dicionários franceses e percebe que o verbo privar tem o sentido de domar, domesticar, extrair do domínio selvagem e transportar para o espaço familiar da casa. O adjetivo privado também conduz a idéia de familiaridade: a vida privada deve ser murada não é permitido procurar e dar a conhecer o que se passa na casa de um particular (privado como refúgio, secreto) aqueles que governam cometem mais faltas que os homens privados nada é privado na vida dos grandes homens, tudo pertence ao público. (privado como oposição a público, o que está aberto, fora da esfera das autoridades e dos Estados, propriedade de alguém) Conclusão: vida privada como vida em família, não individual, mas de convívio, e fundada na mútua confiança. Suas relações internas estruturam uma entidade social (família/lar) defendida por uma parede protetora contra a lei cuja tendência é expandir-se e insinuar-se sobre o privado. Privado X Público O que pertence ao povo, Estados, instituições, autoridades, aquilo que está ostensivo, manifesto in patrimonio, pertencente ao pater familias X extra commercium, aquilo que não pode ser trocado (Georges Duby. Poder privado, poder público In: História da Vida Privada II)

5 Phillipe Ariès questiona: É possível uma história da vida privada? Ou a noção de coletivas, feudais e comunitárias (linhagem, honra, atos de vassalagem), havendo, portanto, uma não delimitação entre as esferas pública e privada como passou a ser entendida no mundo moderno. O ponto de chegada é a sociedade do século XIX – sociedade anônima, onde lazer, trabalho e família são atividades separadas. A família se torna um refúgio frente às pressões da opinião pública. - A família muda de sentido. Já não é uma unidade econômica, cuja reprodução tudo deve ser sacrificado, prisão dos indivíduos. Torna-se o refugio dos olhares de fora, lugar de afetividade. Sociabilidade anônima de grupos - Sociabilidade restrita Rua, pátio, castelo, praça, comunidade família, indivíduo todos se conhecem sem sociabilidade pública confusão entre público e privado privatização do público autonomização dos espaços,

6 1- Quais são os acontecimentos que vão modificar as mentalidades e fazer emergir uma privacidade oitocentista? - O novo papel do Estado que desde o século XV não parou de se impor sob modos e meios diferentes (território, justiça, burocracia, coleta de impostos, exército). A progressiva construção do Estado moderno – nem sempre absolutista, mas em toda a parte administrativa e burocrática – que se revela condição necessária para se poder definir, pensar como tal ou apenas vivenciar de fato um privado doravante distinto de um público claramente identificável. (ELIAS – para quem privatização e civilização andam juntas) - O desenvolvimento da alfabetização e a difusão da leitura sobretudo graças à imprensa. (reflexão solitária, emancipação dos antigos elos que o prendiam a comunidade numa cultura da fala e do gesto) - As formas novas de religião (Reforma e Contra-Reforma) que se estabelecem nos séculos XVI e XVII. (exigência de uma devoção mais interior, relação direta do indivíduo com Deus, exame de consciência sob a forma de diário íntimo, oração privada).

7 2- Quais categorias permitem vislumbrar um processo de fortalecimento da esfera íntima e nascimento da noção de privacidade? - A literatura de civilidade e a nova atitude em relação aos gestos, comportamentos e ao corpo. - A literatura autobiográfica - escritos sobre si e para si, uma prática solitária que conduz ao nascimento dos diários e cartas íntimas. - Gosto pela solidão. - A amizade. Essa tendência à solidão convida a partilhá-la com um amigo querido, selecionado no círculo habitual. Um outro eu. - O redimensionamento do espaço doméstico devido a maior importância adquirida pelo privado: diminuição dos cômodos, criação de pequenos novos espaços (gabinete, alcova, ruelle), criação de espaços de comunicação (corredor, hall, escada privada), especialização dos aposentos e distribuição do calor e da luz.

8 3 – Do individualismo de costumes (XVI/XVII) à vida burguesa em família (XIX). - Conquista da intimidade individual (séc XVI/XVII). - Aparecimento dos grupos de convivialidade que não pertenciam à corte entre os séculos XVI e XVII. Eram pequenas sociedades dedicadas à conversação, leitura, escrita, música, canto, etc. No século XVIII, algumas tenderam a se tornar regulamentadas e se transformaram em clubes, academias, sociedades de pensamento, etc. - O privado que se resulta do fortalecimento do Estado Moderno também produz um espaço público diferente do ocupado pelo Estado. Uma outra esfera pública fundamentada no uso público da razão por pessoas privadas, com apelo à discussão crítica do âmbito do Estado. Novas sociabilidades onde todos participam como iguais surgem. (Habermans) - Desenvolvendo novas funções, a família absorve o indivíduo que recolhe e defende. Mas, ao mesmo tempo, acirra sua diferença com o espaço público com o qual se comunica. No entanto, trata-se apenas do começo de uma evolução que triunfará nos séculos XIX e XX. - A privatização é consubstancial à civilização (Norbert Elias) - O individualismo é o que diferencia ocidente de oriente, é a alforria da subordinação dos interesses pessoais aos fins imperiosos das sociedades. (L. Dumont)

9 III - As reflexões sobre o privado na historiografia brasileira: 1922 – Gilberto Freyre escreve um texto monográfico - Social life in Brazil in the Middle of the 19th century - em inglês, para a Universidade de Columbia e inspira-se na noção de Goncourt de história íntima. Seu objetivo era: saber como vivia o povo, que trajos usava, que aparências tinha. Ou tentativa de reconstituição de aspectos menos ostensivamente públicos e menos brilhantemente oficiais, nem por isto, menos sociológica e psicologicamente significativos do viver em família Gilberto Freyre publica Sobrados e Mocambos, livro fundador do estudo da vida privada no Brasil e ensaio pioneiro na bibliografia internacional sobre o assunto. Narra a experiência do patriarcalismo urbano dos sobrados citadinos. Utiliza como fontes de diários, cartas, narrativas de viajantes, jornais e testemunhos orais (ex-escravos, viúva de Joaquim Nabuco).

10 1957 – Sérgio Buarque de Holanda publica Caminhos e Fronteiros (com textos de 1949, 1951, 1952) - Faz uma história do cotidiano baseada nas expedições bandeirante do séc. XVII e nas Monções de povoamento do Séc. XVIII, retratando uma sociedade sertaneja instável e moldada pelo meio – Aquecimento dos debates sobre vida privada no Brasil a reboque da história das mentalidades, história da cultura e a valorização de uma história que vem de baixo, notadamente com uma importante revisão da historiografia sobre a escravidão, discussão mais detida sobre os temas históricos pouco trabalhados pela historiografia tradicional, tais como: mulher, criança, práticas sociais relacionadas à festas, ao cotidiano, à morte e aos estudos das representações sociais. Como crítica pode-se apontar, muitas vezes, a falta de um escopo teórico melhor definido, descolamento das práticas cotidianas da dimensão social como um todo, fragmentação da abordagem histórica.

11 Aula 2: Vida Privada e Ordem Privada no Império Discussão sobre a noção de vida privada e cotidiano no Império brasileiro: a problemática da esfera pública e privada numa sociedade na periferia da sociedade burguesa capitalista ocidental – cuidados a tomar. Poder central X Poder local. Casa X Rua. Diferentes noções de liberdade individual e entendimentos do pacto político no Estado constitucional moderno. Saquaremas X Luzias; Centralização X Descentralização; Liberdade Qualitativa X Liberdade Quantitativa. Pacto político baseado na vitória do poder central.(1842) Qual o alcance exercido por autoridades locais eleitas pelos proprietários rurais? Paradoxo fundador: densidade de escravos X pretensões civilizadoras. Entre 1799 e 1821 a percentagem de cativos na cidade do RJ sobe de 35% a 46%. 1833: 4/5 da população era escrava, em Niterói. 1840: dos habitantes de Campos, 59% eram escravos. 1848: para cada 3 habitantes do RJ, um era africano. 1849: 110 mil escravos para 266 mil habitantes. O escravo precisava ser captado pela malha jurídica do Império. O escravismo não é uma herança colonial, como um vínculo com o passado que o presente oitocentista se encarregaria de dissolver. É sim um compromisso para o futuro: o Império retoma e reconstrói a escravidão no quadro do direito moderno, dentro de um país independente, projetando-a sobre a contemporaneidade. Contudo, era um elemento de instabilidade no âmago da vida privada que carecia ser estritamente controlado.

12 A vida privada escravista se desdobra numa ordem privada cheia de contradições com a ordem pública. Manifesta-se a dualidade que atravessa todo o Império: o escravo é um tipo de propriedade particular cuja posse e gestão demandam, reiteradamente, o aval da autoridade pública. Vida privada confunde-se no Império com vida familiar. A ordem privada específica escravista deveria ser endossada tanto na esfera pública, quanto privada (cotidiano, sociabilidade, família). A corte como o centro formador e conformador de um padrão de comportamento e sociabilidade. O RJ, então, funcionava como uma eclusa, recanalizando os fluxos externos e acomodando os regionalismos num quadro mais amplo, pela primeira vez, verdadeiramente nacional. Fim do tráfico – aumento das importações de bens de consumo semiduráveis, duráveis, supérfluos, jóias, etc. Inauguração de uma linha regular Liverpool – RJ. Tempo imperial entra em sintonia com o tempo da modernidade. Mercadoria – fetiche Afrancesamento das elites. Novos espaços de sociabilidade e representação social para as famílias da elite imperial. A cidade do RJ e a família Imperial como sínteses de representação do Império. Uso da fotografia para criar uma imagem de Brasil que se projetasse para o futuro e para as nações européias e que circulavam através das exposições, fotografias de paisagens, etc. Numa sociedade que em grande parte era analfabeta, a fotografia habilita os grupos sociais a formas de auto-representação até então reservadas à elite através da pintura. Necessidade de experiência visual. No âmbito privado: amas de leite, parto, epidemias, sapatos.


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