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Formação básica na fé: Jesus Cristo: ontem, hoje e sempre II Escola de Dirigentes Centro Pastoral Paulo VI «Meu Senhor e meu Deus!» Jo 20, 28.

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1 Formação básica na fé: Jesus Cristo: ontem, hoje e sempre II Escola de Dirigentes Centro Pastoral Paulo VI «Meu Senhor e meu Deus!» Jo 20, 28

2 Formação básica na fé: Jesus Cristo: ontem, hoje e sempre II Sumário: I – Jesus de Nazaré, vida e obra II – O Mistério Pascal: paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo III – Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem IV – Quem é Jesus? Bibliografia recomendada

3 II – O Mistério Pascal: paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo « Mas se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã é também a vossa fé. (…) Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos». 1 Cor 15,

4 1. Considerações gerais

5 1 – Considerações gerais 1 – Considerações gerais II. MISTÉRIO PASCAL tem dois sentidos: Sentido estrito: abrange apenas a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo; Sentido mais amplo: abrange também a Ascensão e glorificação e o dom ou envio do Espírito Santo, ou seja, o Pentecostes. I. MISTÉRIO PASCAL: «Mistério» não tem o sentido de "coisa oculta", "enigma", mas sim o sentido de realidade que nos supera mas que é objecto de uma revelação progressiva. «Pascal», porque a entrega de Cristo na Cruz e sua Ressurreição estão ligados à Páscoa, à festa judaica que comemora a sua libertação da escravidão do Egipto, e a que Cristo dá o sentido novo de libertação da escravidão do pecado e da morte; do hebraico, «pesha», passagem: assim como a Páscoa, para os judeus, está ligada à passagem do Mar Vermelho, para os cristãos liga-se à passagem da Morte para a Vida, sentido último do Mistério Pascal. Assim como Cristo morreu mas voltou à vida, também nós somos libertados da morte e reconduzidos à vida. III. O mesmo acontecimento e mistério da vida de Jesus é constituído por dois momentos, inseparáveis e complementares da mesma e única realidade: a paixão, sofrimento e morte, que sintetizamos com a palavra «Cruz»; e a Vida Nova e gloriosa com todo o seu significado, a ressurreição; não se podem «ler» separadamente. PÁSCOA: passagem

6 1 – Considerações gerais 1 – Considerações gerais IV. O Mistério Pascal é o núcleo da nossa fé! É o maior, mais significativo, central e fundamental acontecimento da História dos Homens e do grande momento salvífico-revelador de Deus, no seio da história humana; é a Palavra e Resposta Última de Deus à questão do sentido do Universo e da História, ao escândalo do pecado, da morte, do Mal e a revelação ao Homem de Quem é Deus e de quem é o Homem, resposta á qual o Homem é chamado a corresponder com a adesão pela fé. V. Tem-se como pressuposto uma visão retrospectiva dos acontecimentos, isto é, de diante para trás, do futuro para o passado: é a partir do acontecimento pascal que a começa a interrogação acerca da missão e da Pessoa de Jesus: Quem é O Ressuscitado? É o Crucificado! Quem é o Crucificado? É Jesus de Nazaré que fez vários sinais, ensinou em parábolas, anunciou o Reino de Deus, fez-Se baptizar por João no início do ministério, viveu em Nazaré, era da família de David, nasceu de Maria, etc. É neste ambiente que nascem os quatro evangelhos. Só mais tarde é que se entende!

7 2. A Paixão e Morte de Jesus

8 2.1 – Os factos e o seu contexto 2.1 – Os factos e o seu contexto Vamos recordar, de uma forma mais sistemática factos que já referimos… I. A PAIXÃO E MORTE DE JESUS NO CONTEXTO GLOBAL DA SUA VIDA. a) A morte de Jesus é consequência «natural», lógica, de todo o seu caminho e atitude, síntese da sua doutrina, valores e critérios que defendeu e viveu, que entrou em choque e confronto com as estruturas humanas de pecado. b) No entanto, se a paixão e morte é algo que acontece a Jesus, que se Lhe impõe dramaticamente, ao mesmo tempo é algo de profundamente Seu, de activo, de pessoal, de livremente aceite, acolhido e assumido; Jesus assume a realidade, faz da sua vida o dom, entregando-Se ao pai pela Sua Comunidade, pela Humanidade inteira. c) A própria paixão, livremente aceite por Jesus, a Sua atitude interior e exterior perante ela, é ainda anúncio de Boa Nova, do Reino de Deus: o que Jesus anunciara ao longo do Seu Ministério é agora vivido por Jesus até ao extremo, na Sua própria carne e existência. «Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos». (Jo 15, 13)

9 2.1 – Os factos e o seu contexto 2.1 – Os factos e o seu contexto II. OS MOTIVOS DE CONDENAÇÃO E MORTE DE JESUS a) Interesses e situações ameaçados ou desiludidos: «O Mundo odeia-Me porque dou testemunho de que as suas obras são más» (Jo 7, 7). A covardia, o medo das consequências, o querer agradar aos homens, o temor das complicações, o egoísmo individual e colectivo, os interesses pessoais, etc., que estão por detrás da paixão. b) Imagem escandalosa de Deus e do seu Reino: o um Deus que acolhe quem O procura, «O sábado foi feito para o Homem e não o Homem para o sábado» (Mc 2, 7), o amor universal e perdão aos inimigos, a imagem que as pessoas tinham do Messias, etc., tudo isto choca com a imagem vigente de Deus e do Seu reino. c) A reivindicação de autoridade messiânica e divina: As palavras e gestos de Jesus evidenciam que reclama para Si uma autoridade inaudita, só digna de Deus – Jesus fala com autoridade, até sobre a Lei, perdoa os pecados, realiza sinais, chama a Deus de Pai, etc. «Não te lapidamos por causa de uma boa obra, mas por blasfémia, porque sendo apenas homem, Tu te fazes Deus» (Jo 10, 33). «Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.» Mt 6, 24

10 2.1 – Os factos e o seu contexto 2.1 – Os factos e o seu contexto III. NÍVEIS DE RESPONSABILIDADE E CULPA a) Primeiro, há que dizer que só Deus sabe a culpa de cada um no processo! Cabe a Ele julgar! Os executores directos, com diferentes motivações foram: Saduceus, fariseus, Anciãos, Sumos sacerdotes, Anás, caifás, Pilatos, Herodes, o Povo, os próprios discípulos… b) Mas quem matou Jesus foi um espírito, uma mentalidade de pecado, o «mistério da iniquidade»; na Sua paixão está condensada as cinco grandes,linhas do pecado: a riqueza, a vaidade, o orgulho, a mentira e a falta de amor. Não é este espírito que nos move muitas vezes nas nossas acções do dia-a-dia? Na paixão e morte de Jesus está condensada toda a história humana, do «mistério da iniquidade», adquirindo ela um sentido universal. Neste mistério entra também Satanás, o inimigo de Deus, «homicida desde o início e pai da mentira» (Jo 8, 44), figura de que pouco sabemos. No fundo, nenhum de nós está inocente da morte de Jesus!

11 2.2 – O significado salvífico da paixão e morte de Jesus 2.2 – O significado salvífico da paixão e morte de Jesus I. REDENÇÃO, SALVAÇÃO E SOTERIOLOGIA. Redenção é diferente de Salvação: Redenção significa a acção libertadora realizada por Deus em Jesus Cristo, em favor da Humanidade; a redenção de Israel e da Humanidade está realizada e consumada; a Salvação, pelo contrário, estritamente falando, tem um significado mais subjectivo, pois é a apropriação por nós, o acolhimento ao longo da História, da redenção já realizada em Jesus Cristo. Contudo, são tomadas muitas vezes como sinónimos. A Soteriologia é a secção da teologia que trata da Salvação (do grego soterios, Σοτεριος). II. O CONTEXTO PRÉ-PASCAL DE INTERPRETAÇÃO. A interpretação salvífica e também a reveladora da morte de Jesus só se verificou a partir da Ressurreição, com um olhar retrospectivo. Mas A Comunidade Cristã Primitiva muito cedo começou a interpretar salvificamente a paixão e morte de Jesus. Para isso mais contribuiu as palavras e gestos de Jesus na Sua existência pré-pascal: a Sua vida foi um serviço, foi um «Homem-para-os-outros». De isso nos fala muitos relatos evangélicos: o Servo sofredor (Mc 9, 30-32), a instituição da Eucaristia (Mc 14, 22-25), o Lava-pés (Jo 13, 1-17), etc. E também no AT: salmos aplicados à paixão de Jesus (Sl 22, 34 e 69), a figura do Servo de Javé que sofre em resgate pela multidão (Is 53, 1-12). O próprio Jesus o diz: «Tomai, isto é o Meu Corpo… Isto é o meu Sangue, o Sangue da Aliança, derramado pela multidão» (Mc 14, 22-24): instituiu a Eucaristia, Dom de Si mesmo, irá morrer em acção de graças a Seu Pai. Jesus não sofreu só a morte, mas deu a Vida: «a Mim ninguém Me tira a vida, sou Eu que a dou» (Jo 19, 17-18). Essa existência na liberdade e amor está intimamente ligada à vontade do Pai, «que de tal modo amou o Mundo que lhe deu o seu Filho Único» (Jo 3, 16).

12 2.2 – O significado salvífico da paixão e morte de Jesus 2.2 – O significado salvífico da paixão e morte de Jesus III. A MORTE DE JESUS COMO LIBERTAÇÃO; REDENÇÃO OU SALVAÇÃO. «Jesus morreu para nos salvar…» Mas salvar de quê? O que isso significa em concreto? Dada a situação universal de pecado, a finalidade última da Encarnação do Filho eterno de Deus é a redenção ou salvação do pecado e a recondução do Homem a Deus. Numa perspectiva negativa a redenção é como um resgate, alicerçado na tradição jurídica e civil de Israel, na qual alguém pagava por outro a sua libertação da escravidão, «comprando» a sua vida (cf. Rm 3, 24); Numa perspectiva positiva, a redenção é a restauração da união ou comunhão com Deus, destruída pelo pecado e como tal é chamada de justificação. De que realidade nos salva e liberta Jesus? Do pecado – a morte espiritual, oposição a Deus, raiz da escravidão humana; De Satanás – por nos libertar do pecado, liberta-nos também do seu inspirador último, Satanás; Do Inferno – é a morte espiritual eterna, separação definitiva de Deus; Da morte – abre-nos para a Vida Eterna; Da Lei – o Homem não se salva por apenas cumprir a Lei, mas pela graça, pela fé em Jesus Cristo; Jesus, Sacerdote, ofereceu-Se em sacrifício a Deus pela Humanidade, como Vítima de expiação, redimiu-a, resgatou-a, libertou-a, pagou com o Seu sangue (com a vida e entrega que significam) a Deus a «dívida»,a ofensa contraída pelo pecado do Mundo.

13 2.2 – O significado salvífico da paixão e morte de Jesus 2.2 – O significado salvífico da paixão e morte de Jesus IV. A MORTE DE JESUS COMO RECONCILIAÇÃO. V. A REALIZAÇÃO DA REDENÇÃO. A vertente mais positiva do significado salvífico da morte de Jesus é a justificação. A paixão e morte de Jesus operou a reconciliação, a paz, com Deus e com os homens. A reconciliação, a paz, é filha da Sua entrega: «Deixo-vos a paz dou-vos a Minha paz» (Jo 14, 27). a) O valor da vida e da paixão de Jesus não provem do sofrimento em si, mas sim pela dignidade da pessoa e pela intenção com que é vivida. Para compreendermos temos e ver o que está «por detrás» da dor e sofrimento de Jesus: a sua dignidade é infinita e a sua intenção é o máximo de liberdade e amor; por isso, todas as acções de Jesus são salvíficas. b) A acção salvadora de Deus abarca toda a Sua vida, mas atinge na paixão e morte, na Sua Cruz, o cume. c) Jesus realizou a redenção por três modos: pelo poder doutrinal ou profético, da sua Palavra, que dissipa a mentira e o erro; pelo poder pastoral ou real, como Bom Pastor, que mostra e reconduz o Homem ao caminho do Pai e como Rei, que serve em vez de dominar; pelo poder sacerdotal, Jesus, Sumo Sacerdote e Mediador, é também Vítima, fazendo da sua vida o sacrifício. Jesus pelos seus méritos, merece por parte de Deus uma recompensa. d) Jesus é o novo Cordeiro Pascal, «o Cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo» (Jo 1, 29). Reúne em si o Servo sofredor de Isaías (IS 53) e o rito do Cordeiro Pascal, símbolo da redenção de Israel (Ex 12, 1).

14 2.3 – O significado revelador da paixão e morte de Jesus 2.3 – O significado revelador da paixão e morte de Jesus I. O PECADO, O PERDÃO A paixão de Jesus termina no fracasso e na morte; é o escândalo de Deus que deixa vencer a injustiça, em aparente abandono; mas ao ressuscitá-Lo, tudo muda de sentido: Deus, afinal, não é indiferente, mas ama e por isso se «magoa» com o pecado do Homem, porque aquele escraviza o Homem; a gravidade do pecado do Homem, só na Cruz de Jesus é revelada. Deus, afinal não abandona o Homem, humilhado, sofredor, «Ecce Homo», o Homem verdadeiro, que é Jesus. II. … QUE DEUS É AMOR PARA CONNOSCO Deus não olha de longe, mas torna-Se um de nós, identifica-Se com o Homem na sua humilhação, sofrimento, debilidade, derrota e até na morte. Deus é misericórdia, é Amor para connosco. III. … QUE DEUS É AMOR EM SI MESMO O Amor, em Deus, não é um atributo de Deus, mas é a Sua natureza. Na Cruz de Jesus, à luz da ressurreição, revela-se que Deus é em Si mesmo Amor, comunhão eterna e pessoal de Amor trinitário (Pai, Filho e Espírito Santo). «Quem Me vê, vê o Pai» (Jo 14, 9) A PAIXÃO E A CRUZ DE JESUS REVELA… IV. … QUEM É O HOMEM O Homem é aquele que é amado por Deus até à loucura e à morte: «Deus de tal modo amou o Mundo que lhe deu o Seu Filho Unigénito» (Jo 3, 16); só por Jesus Cristo sabemos quem é o Homem: pela graça do Espírito Santo, o Homem é filho de Deus, no Filho de Deus!

15 3. A Ressurreição de Jesus

16 3.1 – A problemática da ressurreição de Jesus 3.1 – A problemática da ressurreição de Jesus I. IMPORTÂNCIA E SENTIDO GLOBAL DA RESSURREIÇÃO Jesus de Nazaré morreu como um fracassado, abandonado por tudo e por todos! Mas neste contexto, inesperadamente irrompe a Boa-Nova: Jesus está vivo! «O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos reunidos, de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive… Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos e em último lugar apareceu também a mim, o abortivo», resume Paulo (1 Cor 15, 5-8). Jesus ressuscitou e está vivo! Não é possível fé cristã, sem fé na ressurreição de Jesus Cristo. O mistério pascal de Jesus Cristo, a Sua morte e ressurreição, é o «mistério central» de Jesus Cristo, do Cristianismo, da História e da História da Salvação. «Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa fé» (1 Cor 15, 14). «Sem o facto da ressurreição, a vida cristã seria simplesmente absurda», CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 5 de Novembro de 2008 NÃO É POSSÍVEL SER CRISTÃO SEM ACEITAR QUE CRISTO RESSUSCITOU!

17 3.1 – A problemática da ressurreição de Jesus 3.1 – A problemática da ressurreição de Jesus II. A HISTORICIDADE DA RESSURREIÇÃO DE JESUS Mas afinal a ressurreição de Jesus é um facto histórico ou não? NÃO… E SIM! 1) NÃO: por um lado, não é histórica porque não é julgável na sua realidade positiva, medida em termos de provas históricas, críticas e científicas; a ciência tem uns limites, é incapaz de se situar para além do nosso espaço e tempo… a ressurreição não é histórica no sentido estrito, científico, pois situa-se para lá da história, é «trans-histórica», pois Cristo saiu da história com o Seu corpo para entrar no mundo de Deus. Dizer que a Ressurreição não é histórica não é dizer que ela não seja um acontecimento real para quem admite que o mundo não está definitivamente fechado sobre si mesmo, mas radicalmente aberto à liberdade de Deus; é um acontecimento real vivido pela pessoa de Jesus, um homem da nossa história. 2) SIM: trata-se de uma realidade escatológica, início dos Novos Tempos, radicalmente diferente dos nossos critérios estritos históricos; existem provas históricas seguras de que os homens testemunharam esta Ressurreição, visto que acreditaram nela; a Ressurreição é histórica, pois aconteceu num determinado lugar, data e pelos traços que deixou na história; é um acontecimento experimentado na História, mas não «medido» pelos critérios históricos. Só conseguimos falar, em sentido próprio, das realidades que experimentamos, todas elas realidades intra- mundanas, situadas no espaço e no tempo, físicas, materiais, empíricas. Por isso, todas as descrições, do Ressuscitado, das realidades meta-históricas, como Deus, Céu, Inferno, etc., são feitas na base de símbolos e metáforas: são realidades que, nós como sujeitos limitados, não podemos delimitar. A Ressurreição não é acessível senão á fé; Jesus não se faz reconhecer nas Suas aparições a não ser por aqueles que se abrem á fé nele; o anúncio da Ressurreição é, em si mesmo, um acto de fé. III. A RESSURREIÇÃO ACESSÍVEL À FÉ

18 3.1 – A problemática da ressurreição de Jesus 3.1 – A problemática da ressurreição de Jesus Têm sido apresentadas objecções ao longo da História contra a historicidade da Ressurreição, de ordem: psicológica (dizem que as aparições de Jesus ressuscitado são fruto de alucinações, ou até de má-fé; mas, o fruto das mesmas nos discípulos, de entrega até à morte total não parece ter base em interesses ocultos), de Ciência (natural ou histórica: pode dizer-se que é um acontecimento escatológico, não pode ser medido pela Ciência), etc. Vamos ver algumas concretamente. IV. OBJECÇÕES À RESSURREIÇÃO DE JESUS 1. «O corpo foi roubado do sepulcro»: Reimarus (séc. XVIII) afirma esta tese, seguindo a dos judeus da época de Jesus; contudo, os apóstolos não tinham ânimo para admitir a ressurreição de Jesus e muito menos para tentar impô-la através da fraude; além disso, qualquer tentativa de falsidade por parte dos Apóstolos teria sido descoberta pelos judeus hostis, que teriam desprestigiado toda a sua pregação, o que não aconteceu. 2. «Jesus não chegou a morrer, sendo sepultado vivo e depois reanimado». Bahrdt e Paulus (séc. XVIII) defendiam isto; o sedativo que Ele tomou quando crucificado e os aromas que as mulheres levaram para ungi-lo terão contribuído para reanimá-lo. Holger Kersten, nos nossos dias, acrescentou o seguinte: Jesus, deixando o sepulcro, foi à Índia, onde terminou os seus dias! Isto não leva em conta a arqueologia que nos diz onde está o sepulcro de Jesus, em Jerusalém, com a sua história através dos séculos; não leva em conta toda a dura paixão de Jesus (flagelação, coroação de espinhos, porte da Cruz, crucificação, golpe com a lança, «pois os soldados o encontraram já morto» (Jo 19, 33). 3. «O que ressuscitou não foi Jesus, mas a Sua mensagem». Certos seguidores da Escola da História das Formas, especialmente Willi Marxsen, discípulo de Rudolf Bultmann, isso afirmou; o milagre seria não a ressurreição de Jesus, mas a fé dos discípulos! O que se pressupõe é que tudo aquilo que a razão não explica, não é verdade; ora, se Deus não pode fazer dum círculo um quadrado, pode ressuscitar um morto! 4. «O episódio da ressurreição de Jesus foi inspirado nos mitos orientais que existiam de ressurreição de deuses». Primeiro, para os pagãos, o voltar à vida por parte de um deus (Astarté, Osíris, etc) era um fardo, a alma aprisionada no cárcere corpóreo e não tinha a dimensão que tem a ressurreição em Jesus, de passagem para Vida Nova; segundo, o ambiente religioso da Palestina não era favorável a esse sincretismo religioso, mas avessos às influências pagãs.

19 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus I – A GÉNESE DA FÉ DOS DISCÍPULOS: DA INCREDULIDADE AO ANÚNCIO Após a Sexta-feira Santa os discípulos encontram-se com medo, fechados em si, dispersos… Mas, como é que se deu a reviravolta até ao seu anúncio firme que Jesus estava vivo, inclusive até á dávida da própria vida? A ressurreição de Jesus foi-lhes atestada por três sinais: 1º A descoberta do túmulo aberto e vazio; 2º Uma mensagem angélica no túmulo, segundo o género literário da teofania; 3º As aparições do Ressuscitado. 1º A descoberta do túmulo aberto e vazio; Antes de mais trata-se de um facto, que não podia ter sido inventado pela Igreja Nascente, pois nunca teriam apelado para dizeres de mulheres, considerados pouco fidedignos. Esta descoberta, tomada em si mesma, fora do contexto, não conduz à fé; não é prova de Ressurreição; o corpo poderia ter sido levado… Maria de Magdala tem essa reacção espontânea, os soldados («De noite, enquanto dormíamos, os seus discípulos vieram e roubaram-no» (Mt 28, 13); Pedro não chega à fé por isso; mas de João diz-se: «Viu e começou a crer» (Jo 20, 8); isto graças ao horizonte da história santa e o itinerário de Jesus que lhe permite concluir na fé: «ressuscitou».

20 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus Para lá da diversidade de situações, as aparições de Jesus ressuscitado, no NT, têm sempre três traços comuns: 1) Jesus manifesta a Sua condição nova, diferente, escatológica: Ele é o mesmo, mas está diferente; por vezes têm dificuldade em reconhecê-lo (o que aponta para as diferenças entre o corpo glorioso de Jesus e os homens neste mundo; além dos sentidos, é necessário a fé e uma preparação interior para O reconhecer); 2) É o próprio Jesus que Se dá a reconhecer à Sua Comunidade: esta não O reconhece por si mesma, mas Ele faz-Se reconhecer por um sinal (partir do pão, a pesca milagrosa, etc.); 3) Jesus dá o mandato àqueles a quem aparece de anunciar aos outros que Ele está vivo, núcleo essencial do Evangelho. 2º Uma mensagem angélica no túmulo, segundo o género literário da teofania; 3º As aparições do Ressuscitado aos discípulos. O túmulo vazio é também o lugar de uma manifestação ou «teofania» divina da ressurreição de Jesus; os primeiros destinatários da mensagem são as mulheres; o interesse para a génese da fé é dupla: primeiro todos os evangelistas colocam em relevo o papel das mulheres, o que é surpreendente e mesmo chocante nos textos de tradição judaica; por ela se reconhece geralmente (como vimos) um critério de historicidade. Sublinham também a dificuldade dos discípulos diante do acto de fé; no caso de se apoiarem apenas neles mesmos, poderíamos pensar que os discípulos não teriam acreditado com esta simples base. Primeiro, há que salientar a dificuldade e a relutância que os discípulos têm em acreditar nas aparições de Jesus; não é desejo, nem esperança dos apóstolos, o que leva a rejeitar a hipótese de alucinação. Por exemplo, em Jo 20, 24-29, Tomé não acredita logo.

21 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus II – O TESTEMUNHO DE S. PAULO A proclamação (kerigma) As aparições de Jesus ainda não libertam os discípulos do medo; mas não: só após o Pentecostes, que nos fala Act 2, 14, reunidos no cenáculo em oração com Maria, mãe de Jesus, recebido o Espírito Santo, começam a anunciar que aquele Jesus que padeceu, morreu, ressuscitou e agora está vivo! É o chamado kerigma, proclamação ou primeiro anúncio: os discípulos gritam a sua fé! S. Paulo sente-se testemunha do Ressuscitado; não conheceu Jesus antes da Páscoa, mas considera o acontecimento prodigioso que se deu a caminho de Damasco, como uma aparição do Ressuscitado; é o um marco importante na sua conversão (ou melhor: iluminação). S. Paulo diz-nos: «Lembro-vos, irmãos, o evangelho que vos anunciei, que vós recebestes, no qual permaneceis firmes e pelo qual sereis salvos, se o guardardes tal como eu vo-lo anunciei; de outro modo, teríeis acreditado em vão. 3*Transmiti-vos, em primeiro lugar, o que eu próprio recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; apareceu a Cefas e depois aos Doze. Em seguida, apareceu a mais de quinhentos irmãos, de uma só vez, a maior parte dos quais ainda vive, enquanto alguns já morreram. Depois apareceu a Tiago e, a seguir, a todos os Apóstolos. Em último lugar, apareceu-me também a mim, como a um aborto». (1 Cor 15, 1-8).

22 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus a) Paulo transmite os dois pontos essenciais da fé: morte e sepultura de um lado, ressurreição do outro. b) Paulo aponta-se ele próprio como o último beneficiário das aparições de Cristo Ressuscitado. c) Fala geralmente em «ele deu-se a ver»: sublinha a iniciativa de Jesus em todas as aparições. Assim também acontece com a ressurreição dos mortos: semeado corruptível, o corpo é ressuscitado incorruptível; semeado na desonra, é ressuscitado na glória; semeado na fraqueza, é ressuscitado cheio de força; semeado corpo terreno, é ressuscitado corpo espiritual. Se há um corpo terreno, também há um corpo espiritual. 1 Cor 15, d) Na 1 Cor, entra em debate com os coríntios que dizem não haver ressurreição dos mortos: 1º - tira as consequências segundo a qual Cristo não teria ressuscitado: a mensagem cristã tornar-se-ia vazia de conteúdo; os que morrem em Cristo estariam perdidos; mas reafirma a ressurreição como pedra angular da mensagem cristã: «Mas não! Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram» (1 Cor 15, 20). 2º - como ressuscitam os mortos? Paulo não sabe o processo, mas salienta que o corpo é o mesmo antes e depois da ressurreição, mas a sua condição é radicalmente nova porque ultrapassa os limites do corruptível; fala na imagem do grão de trigo e a espiga. Por curiosidade, os dotes do Corpo Glorioso são: Impassibilidade; Subtilidade; Agilidade; Claridade.

23 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus 3.2 – A Mensagem da Ressurreição de Jesus III – O SENTIDO DA MENSAGEM 1. A confirmação da identidade filial de Jesus A Ressurreição é a autenticação divina do itinerário humano de Jesus. Jesus é o Filho de Deus: a reivindicação inaudita de Jesus é agora confirmada, selada por Deus. 2. A Ressurreição é a Vida A ressurreição de Jesus é a vitória da vida sobre a morte. Mas o seu destino será o nosso: a sua ressurreição é garantia das promessas que nos são feitas. 3. O significado do sepulcro vazio O sepulcro vazio não é em si uma prova da Ressurreição; mas tem uma importância capital: porque ele é o único vestígio da Ressurreição, negativo aliás, que pode ser observado na realidade física do nosso mundo. Tem um tríplice significado: 1º - a pedra rolada significa a vitória de Deus sobre as forças da morte e a abertura da morada dos mortos (o que os judeus designam sheol); orienta para a esperança em Cristo; 2º - As roupas deixadas no sepulcro representam as velhas roupas usadas e a libertação de Jesus dos laços da morte pelo Deus da Páscoa; 3º - É sinal anunciador da transformação do mundo, dos sinais dos tempos; a última palavra sobre a condição humana não é a realidade corruptível deste mundo; na pessoa de Cristo, o cosmos já conheceu uma fractura.

24 3.3 – O significado revelador da ressurreição de Jesus 3.3 – O significado revelador da ressurreição de Jesus I. A RESSURREIÇÃO DE JESUS COMO CONFIRMAÇÃO Sem a ressurreição de Jesus, o Jesus pré-pascal é incompreensível, insignificante e passado. Ao ressuscitar Jesus, de entre os mortos: -Deus confirma a pretensão pré-pascal de Jesus (ser Ele o Messias; mais: ser Ele o Filho de Deus, com autoridade absoluta e divina) e o seu agir; -Deus confirma que a morte de Jesus é salvadora, sacrificial e substitutiva: Deus ouviu a oração de Jesus, mas também que a Sua oblação, entrega sacrificial foi aceite e que a Redenção da Humanidade está consumada; -Deus revela-Se definitivamente e insuperavelmente em Jesus Cristo: há que mudar a imagem do Deus da Filosofia, para um Deus Amor, um só Deus, mas que n’Ele há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo; o Deus revelado em Jesus ressuscitado, é um Deus diferente! II. A RESSURREIÇÃO DE JESUS COMO ANTECIPAÇÃO Israel vive na esperança da Ressurreição Universal e do Juízo Final; se Jesus ressuscitou, então o Pai confirma a Sua pretensão divina; Deus está definitivamente revelado, o Fim dos Tempos já começaram e o resto devem acontecer em breve; o Pai confirma Jesus porque ao ressuscita-l’O antecipa n’Ele o Fim dos Tempos. Jesus é o Filho do Homem esperado (cfr. Dn 7), figura a quem cabe decidir os destinos da humanidade.

25 3.4 – O significado salvífico da ressurreição de Jesus 3.4 – O significado salvífico da ressurreição de Jesus I. A RESSURREIÇÃO DE JESUS COMO FUNDAMENTO DA PLENA UNIDADE DA HUMANIDADE DE JESUS COM DEUS «Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52). Tendo crescido nesta unidade da humanidade de Jesus com Deus ao longo de toda a Sua vida terrena, a sua ressurreição é o momento-cume deste crescimento, a máxima e total unidade da humanidade de Jesus com Deus; pela Sua ressurreição, Jesus fica em estado de exaltação ou glorificação. «desceu aos Infernos- ressuscitou dos mortos – subiu ao Céu, onde está sentado à direita de Deus, Pai Todo-Poderoso – donde há-de vir para julgar os vivos e os mortos». Do Credo, Símbolo dos Apóstolos. DESCEU AOS INFERNOS Não é o Inferno da condenação eterna, mas os «Infernos», «lugares inferiores», onde as almas dos «justos» anteriores a Cristo estavam à espera da salvação; antes de ressuscitar no Seu corpo, o Verbo eterno de Deus, unido à Sua alma glorificada desceu aos «Infernos». Assim, a salvação só se dá em Cristo, a sua acção salvífica é universal, estende-se retroactivamente para aqueles que não O conheceram, mas que tinham esperança de Jesus Cristo. RESSUSCITOU DOS MORTOS A ressurreição de Jesus é início da nossa ressurreição do pecado (Rm 6, 3), inserção na vida nova, pela fé e pelo baptismo e, simultaneamente, imagem e penhor, garantia da ressurreição final, total, futura. SUBIU AO CÉU DONDE HÁ-DE VIR PARA JULGAR OS VIVOS E OS MORTOS Toda a humanidade de Jesus, corpo e alma, já lá está, no seio da Santíssima Trindade, um de nós… Até ao Fim do Mundo, Jesus permanece junto do Pai, na Sua humanidade exaltada e glorificada, como Mediador entre Deus e os homens; Ele é o Senhor do Universo.

26 3.4 – O significado salvífico da ressurreição de Jesus 3.4 – O significado salvífico da ressurreição de Jesus II. JESUS RESSUSCITADO, NOVO ADÃO E CABEÇA DA IGREJA É através da natureza humana ressuscitada, glorificada de Jesus - «instrumento» universal de salvação que participamos, desde já (embora ainda não visivelmente) pela presença e acção do Espírito Santo, da natureza e comunhão com Deus e futuramente da condição gloriosa da sua humanidade ressuscitada. A isto costuma-se chamar graça, justificação, santificação, divinização, filiação, etc. Jesus é o novo Adão: somos descendentes de Adão, velha natureza e «descendentes» do Novo Adão, pela participação, desde já, na filiação e natureza divina (graça santificante) e na natureza gloriosa da humanidade de Jesus ressuscitado, no futuro. Também é chamado de Cabeça da Igreja, pois Ele, Novo Adão, é Cabeça, pelo Espírito Santo, vivifica todo o Seu Corpo, a Humanidade Nova, cujo sinal sacramental é a Comunidade, a Igreja. III. JESUS RESSUSCITADO, FONTE DO ESPÍRITO SANTO É pelo Espírito Santo que o Novo Adão nos faz participantes da sua Vida Nova, que Jesus ressuscitado, Cabeça da Igreja, a alimenta e vivifica. O Espírito Santo é o grande e permanente Dom do Pai e do Filho ressuscitado à Humanidade. «Contudo, digo-vos a verdade: é melhor para vós que Eu vá, pois, se Eu não for, o Paráclito não virá a vós; mas, se Eu for, Eu vo-lo enviarei». Jo 16, 17

27 3.5 – Ressurreição e Reencarnação 3.5 – Ressurreição e Reencarnação A Reencarnação é defendida pelos orientais, hinduístas, budistas, etc; há também um «modelo ocidental», expandido a a partir do séc. XIX. De forma sumária, diremos que embora tenham alguns pontos em comum, a Ressurreição e a Reencarnação são incompatíveis. Pontos em comum: -As duas crenças afirmam um sentido para a existência; -As duas crenças dão primazia à ordem espiritual; -As duas crenças são habitadas por uma esperança; -A palavra renascimento é afirmado pelas duas crenças, embora com significados diferentes. «E, assim como está determinado que os homens morram uma só vez e depois tenha lugar o julgamento…» Heb 9, 17 Pontos discordantes: -A concepção da história é diferente: uma é cíclica e indefinida, propõe um eterno retorno; há uma lei cósmica de restabelecimento de equilíbrio, compensação e harmonia; a outra é linear e avança para um termo, um acabamento; -A reencarnação insere-se no dualismo corpo-alma; a ressurreição oferece também a salvação ao corpo; -Há uma dissolução do sujeito na reencarnação, o que põe em causa a identidade e a unicidade da pessoa humana, sujeito insubstituível diante de Deus, capaz de empenhar o seu destino por um acto de liberdade absoluta; -Jesus perde valor, na medida em que é uma reencarnação de um ser, inscrito no ciclo do destino e não o próprio Filho de Deus que encarna num momento da história preciso.

28 4. Uma análise de um texto: Mc 16, 1-8

29 4.1 – Uma análise de um texto: Mc 16, – Uma análise de um texto: Mc 16, As mulheres vão ao sepulcro - 1*Passado o sábado, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram perfumes para ir embalsamá-lo. 2*De manhã, ao nascer do sol, muito cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro.3Diziam entre si: «Quem nos irá tirar a pedra da entrada do sepulcro?» 4Mas olharam e viram que a pedra tinha sido rolada para o lado; e era muito grande. 5Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas.6Ele disse-lhes: «Não vos assusteis! Buscais a Jesus de Nazaré, o crucificado? Ressuscitou; não está aqui. Vede o lugar onde o tinham depositado. 7Ide, pois, e dizei aos seus discípulos e a Pedro: 'Ele precede-vos a caminho da Galileia; lá o vereis, como vos tinha dito'.» 8*Saíram, fugindo do sepulcro, pois estavam a tremer e fora de si. E não disseram nada a ninguém, porque tinham medo. É um relato do túmulo vazio, onde Marcos quer levar à compreensão mais pormenorizada de um acontecimento: a Ressurreição de Jesus. v.1 - «Passado o sábado». As mulheres não vão ao túmulo no Sábado, pois é dia de respeito, sagrado, para o judaísmo; Marcos quer dizer que o judaísmo e o Sábado estão ultrapassados pelos acontecimentos que a seguir se narra; Cristo esteve na sepultura no Sábado, que é dia de trevas, de escuridão, de túmulo; é afirmar que o judaísmo é templo de morte; mas é daí, do Sábado, do judaísmo, do túmulo que advém a vida! v.2 - «De manhã». Isto é na aurora, «ao nascer do sol»: primeiro é uma indicação de espaço e tempo; depois, é uma alusão a Cristo ressuscitado, pois Cristo é para as comunidades cristãs primitivas o Sol da Igreja Nascente; o erguer-se do sol é em grego o mesmo verbo utilizado para a Ressurreição de Jesus; Jesus é a luz, a vida das comunidades cristãs; este erguer-se o sol, é o primeiro indício que Cristo ressuscitou!

30 4.1 – Uma análise de um texto: Mc 16, – Uma análise de um texto: Mc 16, 1-8 v.2 - «no primeiro dia da semana»; sempre que as Escrituras nos falam em tempos novos, fala-se em primeiro dia; já no Génesis, Deus separa as trevas da luz e viu que a luz era boa; há aqui a imagem da Luz associada a Jesus e a superioridade da luz sobre as trevas, pois Deus viu que era bom; esse «primeiro dia» é o dia de Cristo Ressuscitado, Nova Criação. O primeiro dia da semana é o Dia do Senhor, aquele em que ressuscitou Cristo Senhor. v.4 - «Quem nos irá tirar a pedra da entrada do sepulcro?». O sepulcro é o lugar das recordações, semelhante ao verbo grego recordar: através do coração a pessoa sente Jesus Ressuscitado («recordar é viver!»); as mulheres estão preocupadas com a pedra, mas para Marcos é mais importante a pedra espiritual do que a física: a falta de esperança de ver Cristo Ressuscitado é a grande pedra. v.4 - «tinha sido rolada».Trata-se de um passivo teológico divino, não se diz quem rolou a pedra, mas sabe-se que foi Deus (os judeus evitavam falar no Seu Nome): Ele afasta a pedra física, fala só a espiritual… v.5 - «um jovem sentado à direita». Afinal onde elas esperavam a morte, trevas, encontram a vida e vida pujante, não uma vida decrépita personalizada nesse jovem; estava à direita, pois esse é o lugar de honra de Cristo ao lado de Deus.

31 4.1 – Uma análise de um texto: Mc 16, – Uma análise de um texto: Mc 16, 1-8 v.5 - «vestido com uma túnica branca». O jovem (cheio de vida), estava revestido de branco, sinal da Luz, de Cristo ressuscitado; «e ficaram assustadas»: de facto onde pensavam encontrar o ratificar da sua falta de esperança, encontram nova esperança; há algo naquele jovem que as inquieta, pressentem algo de especial; trata-se de um «terror sagrado» presente tanto no AT como no NT, que comprova a verdade da ressurreição de Jesus; o «pavor» ou «terror» divinos não deve confundir- se com medo: expressa a reacção do homem face ao sobrenatural, àquilo que não consegue integrar no seu universo quotidiano (por exemplo, Jesus no Getsémani). v.6 - «não vos assusteis». Mesmo com o choque sentido, não há razão para isso, é quase um anúncio messiânico: afinal Cristo não estava ali; «o Crucificado?» - remete para a sexta-feira Santa, dia da Sua morte; «Ressuscitou»: de facto, era verdade, o primeiro sinal foi o erguer-se do sol e agora a afirmação que de facto ressuscitara; a acção de Deus desconcerta o homem, pois as mulheres ficaram ultrapassadas pelo acontecimento; v.6 - «vede o lugar». É tão verdade que ressuscitou que Ele estava ali, mas não está (é quase com a mesma função que o «toca-Me» de Jesus a Tomé na aparição, para que este acreditasse n’Ele).

32 4.1 – Uma análise de um texto: Mc 16, – Uma análise de um texto: Mc 16, 1-8 v.6 - «Não está aqui». O anjo não limita Jesus às quatro paredes do Túmulo, pois Jesus não é limitado ao tempo e lugar; não há nada que O limita; v.6 - «Buscais». As mulheres já estavam inquietas no seu interior, começam a sua busca: a busca é o primeiro passo na caminhada da fé, se não nos pusermos a caminho, não acreditamos e o jovem quer alertar para isso. v.7 - «Ide, dizei a Pedro….». Preocupação de dar a primazia a Pedro; «…da Galileia» - Foi na Galileia que tudo começou, é lá que tudo deve continuar. v.8 - «Não disseram nada a ninguém, porque tinham medo». Marcos sublinha o Segredo Messiânico; ele quase provoca o leitor, pois deixa este antever que mais tarde, Deus fez com que eles anunciassem a Cristo Ressuscitado, com os ânimos acalmados. Estavam assustados porque anunciar Cristo Ressuscitado é uma responsabilidade tremenda: face ao Deus que Se revela o homem treme. -Este silêncio das mulheres mostra que ficaram transtornadas, perderam a cabeça; de facto, Deus apanhou-as de surpresa; -Por outro lado, o reagrupamento dos discípulos na Galileia e o anúncio não sejam devido ao que as mulheres dissessem ou não, mas à iniciativa do Ressuscitado; é o próprio deus que nos atira para o futuro. Este relato quer- nos levar a penetrarmos mais profundamente no Mistério que Cristo ressuscitou e está Vivo e continua hoje presente, a operar sinais.

33 III – III – Jesus Cristo: Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem «É preciso confessar (…) um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Monógeno, reconhecido em duas naturezas sem confusão nem mudança sem divisão nem separação» Concílio de Calcedónia (451)

34 1. A divindade de Jesus Cristo: a relação de Jesus com Deus

35 1 – O reconhecimento da divindade de Jesus Cristo 1 – O reconhecimento da divindade de Jesus Cristo Jesus na Tradição de Israel. Do Jesus histórico ao Cristo da fé. 1ª fase – Cristologia mais funcional, concreta, tipicamente hebraica: o que significa Jesus Cristo para nós? 2ª fase – Cristologia mais ontológica, virada para o ser de Jesus: quem é Jesus em si-mesmo? Esta Cristologia ontológica, em ligação com a Teologia da Trindade, culmina nos grandes Concílios Cristológicos de Niceia (325), Éfeso (431) e Calcedónia (451). À luz da ressurreição de Jesus Cristo e do Pentecostes, a Primitiva Comunidade Cristã começa a reflectir sobre a Pessoa de Jesus Cristo; deste esforço nascem os escritos do NT (Evangelhos, cartas…); o reconhecimento da sua divindade é progressivo; utilizam temas, categorias, profecias, etc. do AT, o que comporta diversos títulos a Jesus. O título principal é o de MESSIAS (em grego, o Cristo, em português, o Ungido). A este juntam-se outros: Rei de Israel, Filho de David, Servo de Javé, Filho do Homem e Filho de Deus. O Messias virá no Fim dos Tempos, será o Ungido de Deus, será o Novo Moisés, o Salvador de Israel, e será o Mediador da Nova e Eterna Aliança.

36 2 - A Tradição sinóptica Jesus, o Messias, Filho de Deus A vida pública de Jesus, a proclamação do Reino de Deus, no seu conjunto, é uma manifestação do poder de Jesus, acompanhado pelos milagres, gestos extraordinários e salvíficos que constituem uma confirmação, embora provisória da reivindicação da Sua autoridade; dá também aos apóstolos o poder de operarem milagres em Seu nome (cf. Mt 10, 1.8…). DOIS MOMENTOS IMPORTANTES NO EVANGELHO DE S. MATEUS PARA RECONHECER JESUS COMO O CRISTO: 1º «E vós, quem dizeis que Eu sou? Tomando a palavra, Simão Pedro disse: Tu és o Messias (o Cristo), o Filho de Deus vivo. E Jesus respondendo disse: Feliz és tu, Simão, filho de João, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas sim Meu Pai que estás nos Céus» Mt 16, Primeira confissão de fé da Comunidade Cristã em Jesus como o Cristo, o Messias, o Filho de Deus. O Sumo Sacerdote disse-lhe: «Intimo-te, pelo Deus vivo, que nos digas se és o Messias, o Filho de Deus.» Jesus respondeu-lhe: «Tu o disseste. E Eu digo-vos: Vereis um dia o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu.» Mt 26, Jesus pelos Seus sinais e Palavra, Se dá a conhecer como o Messias esperado, mas um Messias diferente… 2º

37 2 - A Tradição sinóptica Do Messias, Filho de Deus, a Deus-Filho Jesus pretende ser um Messias maior do que o esperado, o Filho de Deus. Jesus, progressivamente, vai fazendo evoluir a concepção judaica de Messias, não só um Messias- homem, mas um Messias que sem deixar de ser homem, é divino, não só um Filho de Deus, mas o Filho de Deus, Deus-Filho. Este longo processo, realiza-se nos sinópticos, por dois modos distintos, mas relacionados: 1º Pela Sua acção e gestos, realiza acções «exclusivas» de Deus, apresentando-Se como Senhor absoluto, em pé de igualdade com Deus: Jesus é Senhor: dos corpos e da vida (cura, ressuscita…), dos demónios (expulsa-os, ordena-lhes…), do pecado, do mal (perdoa os pecados, em pé de igualdade com a Lei e Deus), da Natureza (sossega as tempestades, multiplica os pães…), dos Homens (exige a fé nele e um amor que tudo ultrapassa, o que só pode ser exigido por Deus). 2º Jesus atribui-Se títulos do AT, que superam a concepção de um Messias humano, alguns só aplicados a Deus: Filho, mas Senhor de David (descendente De David, conforme a promessa, mas sentado à Direita do pai, isto é, em igualdade com Deus) Maior que Moisés, Jonas, Salomão e Elias. Senhor do Sábado, da Lei e do Templo Juiz universal (retratado pelo «Filho do Homem)

38 3 - O reconhecimento da divindade de Jesus nos escritos joaninos «Quem me vê, vê o Pai» Jo 14, «Eu estou no Pai e o Pai em Mim» Jo 14, 10 «As palavras que Eu vos digo não as falo de Mim mesmo; o Pai que habita em Mim, faz as suas obras» Jo 14, 10 «Tudo o que o Pai faz, também o faz o Filho igualmente» Jo 5, 19 «A fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai» Jo 5, 23 «Saí do Pai e vim ao Mundo; de novo deixo o Mundo e vou para o Pai» Jo 13, 1- 4 «Quem Me glorifica é o meu Pai, de Quem dizeis que é o vosso Deus» Jo 8, 53 «Os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão. Assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim também concedeu ao Filho ter a vida em Si mesmo» Jo 5, ; «Eu e o Pai somos um só» Jo 10, 30 «Eu Sou», etc, etc. Jo 8, 24… Corresponde a um estrato posterior e mais elaborado, explora a relação de Jesus com Deus, seu Pai, quer através de títulos e funções como os sinópticos, quer através de afirmações explícitas da divindade de Jesus, da sua igualdade e comunhão de natureza com o Pai, como seu Filho e Revelador. JESUS AFIRMA-SE EXPLICITAMENTE IGUAL A DEUS PAI: Primeira confissão de fé, explícita e integral, na divindade de Jesus: «Meu Senhor e meu Deus!» (Jo 20, 28)

39 4 - A divindade de Jesus nos escritos paulinos Hino cristológico na Carta aos Filipenses: «5Tende entre vós os mesmos sentimentos, que estão em Cristo Jesus: *Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus; 7*no entanto, esvaziou-se a si mesmo,tomando a condição de servo. Tornando-se semelhante aos homens sendo, ao manifestar-se, identificado como homem, 8*rebaixou-se a si mesmo, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. 9*Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo e lhe concedeu o nome que está acima de todo o nome, 10*para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seresque estão no céu, na terra e debaixo da terra; 11e toda a língua proclame: «Jesus Cristo é o Senhor!», para glória de Deus Pai». Fl 2, 5-11 S. Paulo exprime algumas vezes a sua fé na divindade de Jesus, chamando-O directamente Deus; por exemplo: Tito 2, 13: «aguardando a bem-aventurada esperança e a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo». Hb 1, 8: «a respeito do Filho, diz: O teu trono, ó Deus, permanece pelos séculos dos séculos e ceptro de justiça é o teu ceptro real». Cl 2, 9: «Porque é nele que habita realmente toda a plenitude da divindade,» Etc, etc. S. Paulo chama a Jesus de Kyrios (Senhor); era a tradução grega dos nomes divinos hebraicos, Adonai e Javé, nome aplicado para designar o Deus de Israel, único Deus verdadeiro. É mais importante este facto do que chamar directamente «Deus» a Jesus dada a pouca estima que os deuses tinham no mundo greco-romano de Paulo (deuses cruéis, vingativos, ao sabor das paixões…). S. Paulo reconhece a divindade de Jesus, sobretudo centrado nos títulos de «Senhor» e de «Filho». S. Paulo reconhece a filiação divina de Jesus; por exemplo: «é n’Ele e por Ele que tudo foi criado… e tudo n’Ele subsiste» (Cl 1, 15-17).

40 5 - A divindade de Jesus nos primeiros Símbolos da Igreja e nos Santos Padres SÍMBOLOS CRISTÃOS Muito antes das definições dogmáticas dos grandes concílios do séc. IV e V, já os Credos cristãos declaram decididamente a divindade de Jesus Cristo. Um exemplo é o símbolo «QUICUMPE» do séc. II, que afirma: «é portanto fé ortodoxa, que acreditamos e confessamos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem. Deus, gerado antes de todos os séculos da substancia do Pai, e homem nascido no tempo, da substância da mãe, perfeito Deus e perfeito homem». PADRES APOSTÓLICOS A Didaché confessa Jesus Cristo como Senhor, como Deus de David. S. Clemente de Roma (96) dá a Jesus o título de Senhor e presta- lhe culto divino. SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA Santo Inácio de Antioquia (107) designa Jesus como Deus, considera-O criador do mundo e reconhece-Lhe atributos divinos e a verdadeira filiação divina. Também encontramos isso na Epístola de Barnabé, Carta S. Policarpo aos Filipenses, etc. PRIMEIROS APOLOGISTAS Os apologistas do séc. II e III ensinam também a pré- existência e divindade de Jesus Cristo, socorrendo-se do conceito de Logos – Verbo – do Pai (S. Justino, Santo Hipólito, Orígenes, Tertuliano, etc.).

41 2. A humanidade de Jesus Cristo: a relação de Jesus connosco

42 2.1 - A realidade da natureza humana de Jesus Cristo A fé cristã ortodoxa sobre a Humanidade de Jesus Cristo, pode condensar-se em três afirmações: 1ª- Jesus Cristo era dotado de um verdadeiro corpo e não da simples aparência de um corpo (contra o docetismo e gnósticos); 2ª - Era dotado de alma racional (ou espiritual), sublinhando-se a integridade humana (contra arianos e apolinaristas); 3ª - Jesus foi realmente concebido e nasceu de mulher, filha de Adão, a Virgem Maria, sendo portanto igual à nossa natureza adâmica, verdadeiramente humana. 1ª A afirmação de seu corpo. Desde o início, a Igreja afirmou a realidade do corpo humano de Cristo, afirmações patentes nos mais antigos credos cristãos, que se referem expressamente aos diversos acontecimentos da vida terrestre de Jesus (concepção, nascimento, paixão e ressurreição) e no termo de longas polémicas consagrada no CONCÍLIO DE CALCEDÓNIA (451), que chama a Jesus Cristo, «verdadeiro Deus e verdadeiro homem». HERESIAS CRISTOLÓ -GICAS: DOCETISMO (fim séc. I, início II) – difundida por Marcião, Valentim, etc. O corpo humano de Jesus, a sua carne, era apenas uma aparência de corpo. MANIQUEISMO E PRISCILIANISMO. Consideram o corpo como sede do mal: uma união de Deus com corpo humano seria impensável| Tanto S. João nas suas cartas (1 Jo 4, 2) como S. Inácio de Antioquia (morreu em 107) lutam contra este erro; Jesus é verdadeiro homem que come, bebe, cansa-se, caminha, chora, admira-se... Jesus caminhou pelas estradas oeirentas de Israel... Jesus viu com os seus olhos, crianças inocentes, homens doentes, fariseus complicados... Jesus também amou com coração humano.

43 2.1 - A realidade da natureza humana de Jesus Cristo 2ª A afirmação da sua alma. A Igreja sempre afirmou em Jesus Cristo, além da realidade do seu corpo, a realidade da sua alma racional (ou espírito). HERESIAS CRISTOLÓ -GICAS: ARIAMISMO (doutrina difundida por Ario, séc. IV): para ele, o Logos divino tinha assumido um corpo sem alma; defendeu ainda, como veremos, em termos trinitários, que o Logos e o Pai não eram da mesma essência, que o Filho era uma criação do Pai e que houve um tempo em que o Filho ainda não existia (primeira criatura do Pai, pelo que inferior a Ele). NOTA: esta doutrina continua hoje em dia; por exemplo, as Testemunhas de Jeová seguem o arianismo. APOLINARISMO (doutrina difundida por Apolinário de Laodiceia, séc. IV): Jesus não tinha alma humana, porque esta seria pecaminosa, mas a alma espiritual era substituída pelo Logos divino. SANTO ATANÁSIO Foi condenado num Sínodo de Alexandria presidido por Santo Atanásio (362), declarado heresia no I Concílio de Constantinopla (381) e no Concílio de Calcedónia (451), diz-se: «Ele é perfeitamente…na sua humanidade… um homem verdadeiro, composto de uma alma racional e de um corpo… É semelhante a nós pela sua humanidade». Em que se baseia a Igreja para afirmar a alma racional de Jesus, da integridade da sua humanidade? 1º – expressões de Jesus em que fala da sua alma ou espírito: «a minha alma está triste até à morte» (Mt 26, 38); «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23, 46), etc. 2º - Na vida e conduta de Jesus que manifestam n’Ele, inteligência, vontade e liberdade (características da espiritualidade da alma): Jesus entristece-Se, alegra-Se, chora, pede, agradece, admira-Se, etc. A sua vontade é distinta da do Pai: «Não se faça a minha vontade, mas a Tua» (Lc 22, 42). Se não é dotado de corpo e alma racional, então a sua natureza não é a nossa, não seria assumida por Deus e por isso não estaríamos salvos!

44 2.1 - A realidade da natureza humana de Jesus Cristo 3ª A origem adâmica da natureza humana de Cristo. Jesus foi concebido e nascido de uma verdadeira mulher, a Virgem Maria, filha de Adão, isto é, da nossa estirpe e raça humana. O NT teve o cuidado de realçar o carácter adâmico de Jesus Cristo: -As genealogias de Mateus e Lucas, sublinhando a sua descendência de Abraão e David; Fazem descender Jesus de «situações irregulares»: amor incestuoso de Judá por sua nora Tamar, da prostituta Raab, que acolhe os exploradores israelitas, do homicídio e adultério de David, com a «esposa de Urias», da qual nasceu Salomão; -Nos relatos da concepção e nascimento de Maria, há a preocupação de «através de maria» se tornar nossa irmão de verdade, da nossa carne… «Maria, da qual nasceu Jesus» (Mt 1, 16), «nascido de mulher» (Gl 4, 4), etc. A inserção e inclusão salvadora de Jesus na verdadeira humanidade, é feita através de Maria («nasceu da Virgem Maria»). «…natum est ex Maria Virgine…»

45 3. A relação entre a divindade e a humanidade de Jesus Cristo

46 3.1 - A unicidade da pessoa de Jesus Cristo Doutrina ortodoxa da Igreja Católica: a natureza divina e a natureza humana estão, em Jesus Cristo, unidas entre si, hipostaticamente, isto é, na unidade da pessoa divina (afirmação de Calcedónia). Em Jesus Cristo há uma única pessoa, a pessoa divina do Logos (ou Filho) e duas naturezas (a divina e a humana), sustentadas por essa única pessoa divina. HERESIAS CRISTOLÓ -GICAS: NESTORIANISMO: heresia difundida no século V por Nestório, patriarca de Constantinopla: o filho da Virgem Maria é diferente do Filho de Deus; em Cristo há duas pessoas, uma divina e outra humana; o que pensaríamos de um homem que tenha duas pessoas ou duas personalidades incorporadas no seu ser? Qual seria a que mandava? Que luta dentro do mesmo ser! Contra Nestório, S. Cirilo de Alexandria lança os seus anátemas, reconhecidos mais tarde pelos concílios como doutrina católica: - Jesus Cristo, com o corpo que lhe é próprio, é uma só pessoa, ao mesmo tempo Deus e homem; -Jesus Cristo não é apenas portador de Deus, mas verdadeiro Deus; - Os predicados humanos (nascimento, sofrimento, morte, etc) e divinos (criação, omnipotência, eterni9dade, etc) mencionados nas Escrituras não devem ser repartido por duas pessoas o homem-Cristo e o Logos divino; mas foi o Logos que Se fez carne, o único Cristo, que sofreu, foi crucificado, morto e ressuscitou na carne; -A Virgem Maria é Mãe de Deus (theotókos), gerou da sua carne o Logos divino que Se fez homem. SÃO CIRILO DE ALEXANDRIA

47 3.1 - A unicidade da pessoa de Jesus Cristo ADOPCIONISMO: heresia difundida no século VIII e IX com Elipando, arcebispo de Toledo e Félix, bispo de Urgel, segundo a qual haveria em Jesus uma dupla filiação: como Deus, era Filho natural de Deus; como homem, o filho adoptivo de Deus; Jesus foi adoptado por Deus como seu Filho; isto equivale a duas pessoas em Jesus Cristo, o que desembocaria no Nestorianismo. «quod non erat assumpsit; quod erat permansit»: assumiu o que não era (humanidade) e permaneceu o que era (pessoa e natureza divina). COMEÇO E DURAÇÃO DA UNIÃO HIPOSTÁTICA: Iniciou-se no momento da sua concepção: «Desde o instante em que começo a ser homem, é Deus também»; não havia alma espiritual humana unida ao Verbo antes da Encarnação, como dizia Orígenes. A União hipostática jamais foi interrompida, mesmo na morte de Jesus: a divindade não se separou da sua humanidade, não cessará jamais; Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, permanece também agora e eternamente, ressuscitado, glorioso, no céu, permanece verdadeiro Homem. Só o Filho encarnou (a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade), mas o acto da união hipostática foi obra de toda a Trindade em comum, como veremos em próximos encontros.

48 3.2 - A dualidade das naturezas HERESIAS CRISTOLÓ -GICAS: MONOFISISMO: heresia difundida no século V por Eutiques, que sustentava uma única natureza em Cristo, a divina, anulando a humana; contra esta heresia levantou-se o Concílio de Calcedónia (451), pois em Cristo há duas naturezas, uma humana e uma divina; se Cristo não tivesse natureza humana, a verdadeira humanidade de Jesus desaparece com ela a obra da Redenção; se não fosse humano, não realizaria as actividades humanas relatadas nos Evangelhos! MONOTELISMO: heresia difundida no século VII por Sérgio, patriarca de Constantinopla, que sustentava uma só vontade de Cristo, a divina; mas, o que é uma natureza humana sem vontade humana própria? O monotelismo contradiz aas Escrituras: «Não o que Eu quero mas o que Tu queres (Mt 20, 39), «não a minha vontade mas a Tua» (Lc 22, 42), etc. No III Concílio de Constantinopla a Igreja deu resposta ( ): «há n’Ele duas vontades físicas e dois modos físicos de acção», «estas duas vontades não são oposto0s uma à outra». A vontade humana submete-se, sem oposição, com amor, à vontade divina. PERICORESE (OU CIRCUMINCESSÃO) CRISTOLÓGICA É o nome que se dá à compenetração mútua das duas naturezas de Cristo, mantida pela força da natureza divina; elas existem uma na outra e não lado a lado, unidas uma à outra (algo semelhante acontece na Trindade, como veremos). NATUREZA HUMANA NATUREZA DIVINA + X NATUREZA HUMANA NATUREZA DIVINA Mas continuam distintas entre si…

49 3.3 - Consequências da união hipostática A ADORAÇÃO DE JESUS CRISTO. Jesus Cristo, Deus e homem, deve ser honrado com um só culto, o culto absoluto de latria (adoração) que pertence exclusivamente a Deus: «que todos honrem o Filho como honram o Pai» (Jo 5, 23). A humanidade de Cristo é objecto de adoração, não por ela mesma, mas por causa da união hipostática indissolúvel. O culto é prestado à pessoa e não á natureza: em Cristo, há só uma pessoa, o Logos divino, que Se fez carne. Porque é legítimo adorar a totalidade da natureza humana de Jesus Cristo, unida indissoluvelmente ao Verbo, pela mesma razão é legítimo adorar partes distintas da sua humanidade: chagas, precioso sangue, Sagrado Coração, etc. Nessas partes ou mistérios o Amor redentor de Cristo se expressa de particular significado. A «COMUNICAÇÃO OU TROCA DE IDIOMAS OU PREDICADOS». Cedo se colocou o problema de atribuição dos diferentes predicados, uns divinos outros humanos, à pessoa e às naturezas. Em Jesus Cristo, o Filho do homem não é pessoalmente distinto do Filho de Deus; Em virtude da união hipostática, há comunicações de idiomas, isto é; denominações, propriedades e acções das duas naturezas em Jesus Cristo, que podem ser atribuídas à sua pessoa, de modo que se pode dizer: Deus morreu por nós, Deus salvou o mundo, Deus ressuscitou…

50 3.3 - Consequências da união hipostática O MISTÉRIO DA UNIÃO HIPOSTÁTICA: CONCLUSÃO. 1º É um mistério de fé que não pode ser conhecido pela Razão Natural sem a Revelação, mesmo depois da Revelação, não pode ser totalmente compreendido; estando para lá da Razão, não está contra esta, mas supera-a. 2º Nada impede que uma natureza humana e uma divina se unam, não se trata de uma mistura ou simbiose: impossível unir as naturezas numa só. Segundo Calcedónia, permanecem distintas e em plena integridade. Deus, dada a infinitude divina do Logos, tem a capacidade de possuir, além da natureza divina, a natureza humana; a natureza humana, em razão do seu carácter espiritual, inteligência e vontade e consequente abertura á Verdade e ao Bem Infinitos, tem a capacidade de ser elevada à subsistência de uma pessoa divina. 4º Nada impede que uma pessoa divina tenha assumido uma natureza humana, pois não é contrário à imutabilidade divinas. Não acrescentam nada a Deus; a única mudança verifica-se na natureza humana, na criatura. 3º A natureza humana de Cristo não é uma pessoa humana porque foi introduzida na pessoa divina do Logos; em Cristo, não há duas pessoas, mas apenas uma.

51 3.4 - Grandes Concílios cristológicos e respectivos dogmas Os 4 primeiros concílios ecuménicos (universais): 1. Niceia (325) 2. Constantinopla (381) 3. Éfeso (431) 4. Calcedonia (451)

52 3.4 - Grandes Concílios cristológicos e respectivos dogmas Os primeiros concílios ecuménicos (do total de 21):Nº Papa s DesignaçãoAnoTipoContra…(heresias) Decretos e definições (dogmas) 1São Silvestr e I NICEIA I 325Trinitá rio e Cristol ógico. Arianismo. Adopcionismo. Docetismo. Símbolo ou Credo de Niceia. Igualdade da natureza do Filho com o Pai. 2São Dâmaso I CONSTANTINOPL A I 381Trinitá rio e cristol ógico. Macedonianos. Apolinarismo. Credo Niceno-constantinopolitano credo da Missa). Divindade do Espírito Santo. 3São Celestin o I ÉFESO 431Cristol ógico. Nestorianismo / Pelagianismo A heresia de Nestório. Maria como Mãe de Deus. 4São Leão I, Magno CALCEDÓNIA 451Criskto lógico Monofisismo / Eutiquianismo… Duas naturezas na única pessoa de Cristo: união hipostática. 5Papa João II CONSTANTINOPL A II 533Trinitá rio e cristol ógico. Nestorianos.Condenação dos «Três capítulos» dos Nestorianos. 6Santo Agatão CONSTANTINOPL A III 680/ 681 Cristol ógico Monotelismo.Concenação da doutrina da única vontade de Cristo.

53 4. Objecções contra a divindade de Cristo: o exemplo das T.J.

54 4.1 - O que nos diz a Bíblia CRENÇA DAS T.J.: Jesus Cristo não é Deus, não é o Deus eterno, não é criador de tudo; não é omnisciente e todo-poderoso; é somente um deus (com minúscula), assim como o é Satanás; Cristo é o arcanjo Miguel; é apenas a primeira criatura criada por Deus, mas à qual Deus deu mais poder. Segundo a Bíblia, Cristo é Deus e não um deus; Ele é adorado como Deus e não como um deus a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas (VNM) traduz erradamente muitas passagens, especialmente aquelas que se referem à divindade de Cristo, como veremos, em alguns exemplos. As T.J. negam, não a divindade de Jesus, mas a Sua plena divindade, é um deus, não é Deus. A teologia das T.J. é politeísta (Jeová, Cristo, diabo, anjos); há um Deus maior e outros menores! Cristo tem títulos no NT que só se aplicam a Deus: DEUS «Antes de mim, não foi formado nenhum deus e depois de mim também não haverá» (Is 43, 10). Aqui diz-nos que só há um Deus e não mais do que um. Rom 9, 5: «O Cristo segundo a carne, o qual é Deus bendito» «Cristo segundo a carne: Deus que é sobre todos, (seja) bendito para sempre» (VNM) Fil 2, 6: «Ele, que é de condição divina, não considerou como uma usurpação ser igual a Deus». «Cristo Jesus, o qual, embora existisse em forma de Deus, não deu consideração a uma usurpação, a saber, que devesse ser igual a Deus» (VNM)

55 4.1 - O que nos diz a Bíblia «aguardando a bem-aventurada esperança e a gloriosa manifestação do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo». Tito 1, 3-4 A frase é tão evidente que as T.J. tiveram de introduzir uma palavra que não existe para truncar o significado: «ao passo que aguardamos a feliz esperança e a gloriosa manifestação do grande Deus e (do) nosso Salvador Cristo Jesus». Hb 1, 8: «a respeito do Filho, diz: O teu trono, ó Deus, é eterno» «Mas, com referência ao Filho Deus é teu trono para sempre» (VNM) «Pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo» «Pela justiça do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo» (VNM) (Esta tradução é vergonhosa e sem escrúpulos, adequa a Bíblia às doutrinas deles; de facto, mais adiante em 2Pd 1, 11 já traduz bem: «De facto, assim vos será ricamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo»; aqui como não une o nome de Cristo a Deus já traduzem bem!!) «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus.». Jo 1, 1-4 A passagem era tão evidente de Jesus Cristo como verdadeiro Deus, que a alteraram para: 1 No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com o Deus, e a Palavra era [um] deus. 2 Este estava no princípio com o Deus. com letra minúscula. Ao afirmarem um Deus maior e um menor, as T.J. caem no erro monstruoso do politeísmo.

56 4.1 - O que nos diz a Bíblia «Tomé respondeu- lhe: «Meu Senhor e meu Deus!» Jo 20, 28 Se Cristo não fosse Deus, devia tê-lo advertido e aos presentes, pois ao calar-Se, induzia-os em erro; pelo contrário, afirmou que as suas palavras foram um acto de fé: «Porque Me viste, acreditaste» (v. 29). «Bem sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro; e nós estamos no Verdadeiro, no seu Filho, Jesus Cristo. Este é o Verdadeiro, é Deus e é vida eterna». 1 Jo 5, 20 «Mas, sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu capacidade intelectual para podermos obter conhecimento do verdadeiro. E nós estamos em união com o verdadeiro, por meio do seu Filho Jesus Cristo. Esse é o verdadeiro Deus e a vida eterna» (VNM) 1 Jo 5, 20 «JEOVÁ» ( o certo é JAVÉ) A Cristo são aplicadas as profecias do AT, referentes a Javé: Cristo é Javé vendido por 30 moedas de prata (cf. Zc 11, ); Cristo é Javé precedido de João Baptista (cf. Is 40, 3); Cristo é Javé trespassado (cf. Zc 12, 10).

57 4.1 - O que nos diz a Bíblia Porquanto um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado; tem a soberania sobre os seus ombros, e o seu nome é: Conselheiro-Admirável, Deus herói, Pai- Eterno, Príncipe da paz. Is 9, 5 «Eu sou Javé e fora de mim não há salvador» (Is 43, 11) «e agora revelada na manifestação do nosso Salvador, Cristo Jesus, que destruiu a morte e irradiou vida e imortalidade, por meio do Evangelho» 2 Tim 1, 10 AS T. J. têm então de concluir que há dois salvadores: Jesus Cristo e Javé! SALVA -DOR OUTROS TÍTULOS: PRIMEIRO E ÚLTIMO, O CRIADOR, O SENHOR, etc.. Por falta de tempo, ficaremos por aqui. Como se explica que Jesus empregasse para falar de Si, as mesmas palavras que Deus empregou no deserto para dizer a Moisés o Seu nome? «Eu Sou» Ex 3, 14 «Mostrarei ser» (VNM): a ligação era tão evidente que a alteraram! Jesus respondeu-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: antes de Abraão existir, Eu sou!» Jo 8, 58 «EU SOU»

58 4.1 - O que nos diz a Bíblia Todo aquele que nega o Filho fica sem o Pai; aquele que confessa o Filho tem também o Pai. 1 Jo 2, 23 «Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida» (Jo 14, 6) «Eu Sou a Ressurreição e a Vida (Jo 11, 25) «Eu sou o pão vivo descido do céu» (Jo 6, 48) «Eu sou a luz do mundo» (Jo 8, 12) «Filipe, quem me vê, vê também o pai. Como, pois, dizes: Mostra-nos o Pai? Não acreditais que estou no Pai e o pai está em mim?» (Jo 14, 8- 11)… Jesus é adorado como Deus; os judeus sabiam que só a Deus se adora: «Quando o viram, adoraram-no; alguns, no entanto, ainda duvidavam». Mt 28, 17 Então, exclamou: «Eu creio, Senhor!» E prostrou-se diante dele. Jo 9, 38 Jesus não o repreendeu! Compare-se com: «Na altura em que Pedro entrava, Cornélio foi ao seu encontro e, caindo-lhe aos pés, prostrou-se. Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou apenas um homem.» Act 10, 25-26

59 4.1 - O que nos diz a Bíblia «Vendo Jesus a fé daqueles homens, disse ao paralítico: «Filho, os teus pecados estão perdoados.» Ora estavam lá sentados alguns doutores da Lei que discorriam em seus corações: 7«Porque fala este assim? Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?» Mc 2, 5-7 JESUS PERDOAVA OS PECADOS: Ele bem sabia que na Bíblia afirma bastantes vezes que só Deus é que pode perdoar pecados (Ex 34, 7; Sal 32, 5; Is 43, 25, etc.) «Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra». Mt 28, 18 para que, ao nome de Jesus, se dobrem todos os joelhos, os dos seres que estão no céu, na terra e debaixo da terra; e toda a língua proclame: Jesus Cristo é o Senhor!», para glória de Deus Pai. Fil 2, Jesus também é todo-poderoso. «Embora Jesus tivesse realizado diante deles tantos sinais portentosos, não criam nele, 38*de modo a cumprirem-se as palavras do profeta Isaías … Jo 12, A passagem a que se refere é Is 6, 1-10, e que Isaías viu o próprio Javé; João identificou a glória de Cristo com Javé. Enganou-se João ou enganaram-se as T.J.?

60 4.1 - O que nos diz a Bíblia «Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. 43*E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» Lc 1, Para os Judeus, o Senhor era Deus; Jesus é Filho de Deus e Maria é Mãe de Jesus, que é Deus. Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse-lhe: «Tu crês no Filho do Homem?» 36Ele respondeu: «E quem é, Senhor, para eu crer nele?» 37*Disse-lhe Jesus: «Já o viste. É aquele que está a falar contigo.» 38Então, exclamou: «Eu creio, Senhor!» E prostrou-se diante dele. Jo 9, 38 Cristo deixa que O adorem; Cristo não contrariou o cego de nascença, mas admitiu aquele acto. Responderam-lhe os judeus: «Não te queremos apedrejar por qualquer obra boa, mas por uma blasfémia: é que Tu, sendo um homem, a ti próprio te fazes Deus.» Jo 10, 33 Os próprios fariseus reconheceram que a reivindicação de Jesus era absolutamente divina!

61 4.2 - O que nos diz a Tradição O cristianismo primitivo tinha a certeza absoluta que Cristo era Deus e assim o proclamou. Vejamos alguns exemplos: Inácio de Antioquia (séc. I): «Há um médico, na carne feito Deus, Filho de Maria e Filho de Deus, Jesus Cristo». Segunda Epístola de Clemente (séc. II): «Devemos sentir de Jesus Cristo, que é Deus, que é o juiz dos vivos e dos mortos». Justino, mártir (séc. II): «Cristo pré-existe como Deus antes dos séculos». Atenágoras, de Atenas (2ª metade do séc. II): «Admitimos um só Deus… Deus Pai e Deus Filho e Deus Espírito Santo que mostram a Sua potência na unidade e a Sua distinção na ordem». INÁCIO DE ANTIOQUIA JUSTINO

62 4.3 - As objecções contra a divindade de Cristo OS «CAVALOS DE BATALHA» DAS T.J.: a pobreza dos argumentos contra a divindade de Cristo é evidente, nas poucas expressões que utilizam; ao invés, a quantidade de expressões a atestar que Cristo é Deus superabundam! «Quanto a esse dia ou a essa hora, ninguém os conhece: nem os anjos do Céu, nem o Filho; só o Pai.» Mc 13, 32 (ou Mt 24, 36) Conclusão das T.J.: Logo, Cristo não era Deus, porque não era omnisciente e porque o Pai era maior que Ele. Incapacidade de distinguir entre a natureza humana e a divina de Cristo; Jesus, como homem, cansava-se, tinha sede, etc; mas como Deus, era omnisciente: «Senhor, Tu sabes tudo» (Jo 21, 17); «para que tenham ânimo nos seus corações, vivendo bem unidos no amor, e assim atinjam toda a riqueza, que é a plena compreensão, o conhecimento do mistério de Deus: Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento» (Col 2, 2-3)… Jesus não estava privado da omnisciência. A sua natureza humana era inferior aos Anjos e infinitamente menor que a do Pai! Mas ambas as pessoas divinas, a do Filho e a do Pai, são iguais. «…fazendo-se igual a Deus» (Jo 5, 18-19). «Ouvistes o que Eu vos disse: 'Eu vou, mas voltarei a vós.' Se me tivésseis amor, havíeis de alegrar- vos por Eu ir para o Pai, pois o Pai é mais do que Eu». Jo 14, 28 Jesus, que foi feito por um pouco inferior aos anjos, coroado de glória e de honra, por causa da morte que sofreu, a fim de que, pela graça de Deus, experimentasse a morte em favor de todos. Heb 2, 9

63 4.3 - As objecções contra a divindade de Cristo «É Ele a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criatura; porque foi nele que todas as coisas foram criadas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, os Tronos e as Dominações, os Poderes e as Autoridades, todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele. Col 1, «Visto que Jesus orou a Deus, pedindo que fosse feita a vontade de Deus, não a sua, os dois não poderiam ser a mesma pessoa» (Poderá viver para sempre no Paraíso na Terra, pág. 39). Isto mostra um desconhecimento do Mistério da Santíssima Trindade; de facto, Pai e Filho são duas pessoas diferentes! A Deus jamais alguém o viu. O Filho Unigénito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem o deu a conhecer. Jo 1, 18 Conclusão das T.J. se a Deus ninguém O viu, então Cristo não é Deus, porque ele foi visto! Está claro que Cristo só foi visto Encarnado, como homem, a sua natureza humana; a Sua natureza divina não foi vista! Para as T.J. e outras seitas, primogénito é «primeiro criado»; em grego, protótokos em grego, é diferente de primeiro criado em grego (protiktos); se Paulo quisesse expressar que Cristo era um ser criado, teria empregue o verbo «criar», o que não fez; «primogénito» significa não só o primeiro que nasceu, mas aquele que tem certos direitos de herança, de realeza (David foi o primogénito, embora fosse o mais pequeno; Efraim era o primogénito, embora Manassés fosse o mais velho; Ex 4, 22: o primogénito é Israel, que não é a primeira nação criada! Por fim, o contexto diz que Cristo é o criador e não um ser criado.

64 «Quem dizem os homens que Eu sou?» Disseram-lhe: «João Baptista; outros, Elias; e outros, que és um dos profetas.» «E vós, quem dizeis que Eu sou?» - perguntou- lhes. Pedro tomou a palavra, e disse: «Tu és o Messias.». Mc 8, 27 IV – IV – Quem é Jesus? Cristo, o meu ideal.

65 QUEM É JESUS?  Esta pergunta de Jesus aos discípulos tem merecido as mais variadas respostas… Jesus foi a pessoa mais notável de todos os tempos… Jesus foi uma personagem do passado, assim como o foi Napoleão Bonaparte… Jesus foi um fundador religioso, como Buda e Maomé… Jesus foi um revolucionário, como o foi Che Guevara… Jesus foi o primeiro hippie da história…

66 QUEM É JESUS?  Consoante a época ou local, ou ambiente a própria imagem que se tem de Jesus difere… O Novo Testamento não fornece indicações sobre o aspecto físico de Jesus; os quatro evangelistas apresentam-n’O de forma diferente, mas de forma complementar. Por exemplo, Mateus oferece-nos um Jesus Mestre, mas uma figura menos próxima do que nos outros evangelhos; privilegia o discurso e não as acções. «Ouvistes o que vos foi dito… Eu porém digo-vos». Por sua vez, Marcos mostra-nos um Jesus muito humano, que fala pouco, mas age muito, um Jesus profundamente humano e afectivo: tocava, abraçava, pegava pela mão, admirava-se, amargurava-se, um Jesus próximo e disponível. Vejamos, de um modo mais detalhado, como os Evangelhos vêem a Jesus:

67 Jesus nos evangelhos NO EVANGELHO DE S.MARCOS: Foi o primeiro evangelho a ser escrito, pelo que nele vibra ainda o eco da pregação de Pedro e se reflecte com original frescura a problemática teológica do pensamento e da fé dos primeiros cristãos. No primeiro versículo, S. Marcos declara o ângulo sob o qual pretende descrever Jesus Cristo: «Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus». Jesus de Nazaré, verdadeiro homem: retrata um Jesus muito humano e as suas manifestações da sua sensibilidade humana: mais do que em qualquer outro Evangelho, Jesus, "Filho de Deus" (1,1.11; 9,7; 15,39), revela-se profundamente humano, de contrastes por vezes desconcertantes: é acessível (8,1-3) e distante (4,38-39); acarinha (10,16) e repele (8,12-13); impõe "segredo" acerca da sua pessoa e do bem que faz (1,44 nota) e manda apregoar o benefício recebido (5,19 nota); manifesta limitações e até aparenta ignorância (13,22). É verdadeiramente o "Filho do Homem", título da sua preferência (ver 2,10 nota). Deste modo, a pessoa de Jesus torna-se misteriosa: porque encerra em si, conjuntamente, um homem verdadeiro e um Deus verdadeiro. Vai residir aqui a dificuldade da sua aceitação por parte das multidões que o seguem e mesmo por parte dos discípulos. Jesus de Nazaré, o Filho de Deus: a Marcos interessa documentar com factos impressionantes a grandeza sobre-humana de Jesus e a reacção do povo;

68 Jesus nos evangelhos NO EVANGELHO DE S.MATEUS: Se em Marcos nos é oferecido um panorama dos princípios do acontecimento de Cristo, Mateus apresenta um estádio mais progressivo da cristologia dos primeiros cristãos, que se tinham tornados mais precisos e sensíveis do ponto de vista dogmático. Jesus é o novo Moisés, que veio para cumprir as Escrituras; Jesus de Nazaré é o «filho de Abraão» (Mt 1, 1), é Filho de David; As manifestações da sensibilidade humana de Jesus são agora mais ténues do que em Marcos: tudo se desenrola sob o signo duma alta missão, e no cumprimento das profecias do A.T., sem temperamentos exaltados… Jesus de Nazaré, filho de David e Messias. O Cristo do Evangelho de Mateus foi enviado como Messias ao povo da Antiga Aliança, mas é, ao mesmo tempo, fundador do novo povo de Deus, a Igreja, no qual todos, judeus e pagãos têm parte na promessa. Jesus é o Kyrios («Senhor»): Jesus, o Messias e Filho de Deus, feito homem, é o Redentor e o Senhor de todos, judeus e pagãos.

69 Jesus nos evangelhos NO EVANGELHO DE S.MATEUS (continuação): Como os outros Evangelhos, o de MATEUS refere a vida e os ensinamentos de Jesus, mas de um modo próprio, explicitando a cristologia primitiva: em Jesus de Nazaré cumprem-se as profecias; Ele é o Salvador esperado, o Emanuel, o "Deus connosco" (1,23) até à consumação da História (28,20); é o Mestre por excelência que ensina com autoridade e interpreta o que a Lei e os Profetas afirmam acerca do Reino do Céu (= Reino de Deus); é o Messias, no qual converge o passado, o presente e o futuro e que, inaugurando o Reino de Deus, investe a comunidade dos discípulos - a Igreja - do seu poder salvífico. Assim, no coração deste Evangelho o discípulo descobre Cristo ressuscitado, identificado com Jesus de Nazaré, o Filho de David e o Messias esperado, vivo e presente na comunidade eclesial.

70 Jesus nos evangelhos NO EVANGELHO DE S.LUCAS: A figura de Cristo em Lucas é marcada pela mentalidade e experiência pessoal de Lucas, mas também pelos acontecimentos litúrgicos do povo de Deus no A.T. Jesus de Nazaré, o Homem-Deus: à volta de Jesus resplandece o esplendor da divindade; desde o princípio (narrações da Anunciação, etc.), o Menino Jesus é circuncidado pela auréola da divindade. Este Jesus é sempre homem e Deus ao mesmo tempo. Jesus de Nazaré, a Misericórdia de Deus encarnada: Jesus é o Salvador, como a Misericórdia de Deus, que se inclina para toda a miséria física e espiritual do homem. O novo povo de Deus é universal, Jesus veio para todos; Jesus Cristo, o Kyrios escondido: a figura de Cristo é marcada pela oração e liturgia da Igreja primitiva; Jesus não é um Cristo longínquo entre as nuvens do céu, mas vive invisivelmente e também realmente na sua Igreja (por ex. Discípulos de Emaús); Jesus de Nazaré o Kyrios que vive e opera no meio da sua comunidade terrena.

71 Jesus nos evangelhos NO EVANGELHO DE S JOÃO: Jesus de Nazaré, o Filho de Deus: Jesus é descrito do ponto de vista pós-pascal; contudo, João reuniu mais dados geográficos e históricos do que os três sinópticos juntos; este Jesus está visivelmente cheio da glória e da majestade de Deus A fórmula «Eu sou» aplica-se com solenidade litúrgica, recorda as declarações divinas do A.T. Eu sou: o pão da vida, a luz do mundo, a porta, a ressurreição, a vida,. A videira, o Rei, o caminho, a verdade e a vida. O Cristo de João está presente, vivo e operante, na celebração eucarística das primeiras comunidades cristãs. João não se limita a descrever acontecimentos históricos da vida de Jesus, mas a apresentá-los como acontecimentos actuais da comunidade litúrgica. O que interessa é viver na comunhão com Cristo: «Quem me segue não andará nas trevas…», «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tema vida eterna»…

72 QUEM É JESUS? A figura de Cristo na arte ocidental. Na arte paleo-cristã, verificamos que, por influência judaica, de não representar figuras humanas e muito menos Deus, não se representa Jesus a não ser por meio de símbolos, como o leão, o peixe, a âncora, o pão, etc. Ao encontrarem-se duas pessoas, para saberem se eram cristãos, uma desenhava um arco; a outra completava o arco para dizer que era cristão. Entre as imagens mais antigas de Jesus, contam-se a de Cristo como Bom Pastor…

73 QUEM É JESUS? Com o estilo românico, é frequente a imagem de Cristo Pantocrator («todo- poderoso»), caracteriza Cristo como Deus (luz de luz), com um porte imperial imutável e eterno no meio de um mundo em mudança… Com o estilo gótico, a imagem de Cristo é a de um crucificado sofredor (Christus patiens), mais próximo do homem… Com o Renascimento, com a busca da beleza, Cristo é representado como o homem ideal com formas semelhantes à do deus Hermes.

74 QUEM É JESUS? No Barroco, procura-se convencer mais pela emoção do que pela razão, por isso os quadros de paixão, sentimento e dor misturam-se… Cristo de Gregório Fernandez (VAlladolid, séc. XVII) No séx. XIX, com a Revolução Industrial, surgem os gessos de Olot (Espanha), que apresentam um Jesus muito pouco feliz na sua expressão artística…

75 QUEM É JESUS? No séc. XX, a arte de diferentes continentes, América, África e Ásia, vai produzindo imagens indígenas de Cristo na perspectiva da sua cultura….

76 QUEM É JESUS?  Algumas imagens de Jesus são obtidas a partir de descrições de pessoas que recebem revelações particulares, por exemplo a imagem de Jesus da Divina Misericórdia, revelação a Faustina Kowalska ou o Sagrado Coração de Jesus, a Santa Margarida Alacoque… Quando a Irmã Faustina ficou triste ao ver que o pintor não tinha conseguido pintar Jesus tão belo como ela O havia visto, o próprio Jesus disse a ela: “O valor da Imagem não está na beleza da tinta nem na habilidade do pintor, mas na minha graça” (Diário 313).

77 QUEM É JESUS? No cinema, a imagem de Cristo também é abundante. Alguns exemplos: Vie et la passion de Christ (1905) The King of Kings (1927) C.B. Mille The Greatest Story Ever Told (1965) G. Stevens Il Vangelo Secondo Matteo, (1964) Passolini Jesus Christ Superstar (1973), Norman Jewison Il messia. (1976) Rossellini Jesus of Nazareth (1977) Zefirelli The Passion of the Christ (2004) Mel Gibson Jesus – the movie (1999) Roger Young

78 QUEM É JESUS? E também no teatro, por exemplo, Jesus Cristo superstar, de Filipe La Feria…

79 QUEM É JESUS? Uma Síntese JESUS FOI UM PERSONAGEM HISTÓRICO Embora não se possa reconstruir com pormenor a Sua biografia temos testemunhos de escritores não-cristãos e de escritores cristãos, que nos permitem conhecer os factos principais da Sua vida localizando-os no tempo e no espaço. As principais fontes cristãs são os Evangelhos. Estes foram escritos pelos quatro evangelistas que se serviram da pregação apostólica, da colecção de escritos sobre Jesus e alguns, até da sua própria memória.

80 QUEM É JESUS? Uma Síntese JESUS ERA UM HOMEM SEMELHANTE A NÓS EXCEPTO NO PECADO… Jesus experimentou a fome, comeu, teve sede, sentiu o cansaço, sentiu o aperto da multidão, dormiu, suspirou, chorou, emocionou-se, explodiu de alegria, mergulhou em profunda tristeza, teve medo, morreu… Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. Mt 4, 2 Depois disso, Jesus, sabendo que tudo se consumara, para se cumprir totalmente a Escritura, disse: «Tenho sede!» Jo 19, 28 Jesus, à popa, dormia sobre uma almofada. Mc 4, 38 Quando se aproximou, ao ver a cidade, Jesus chorou sobre ela Lc 19, 41 MAS JESUS TINHA ALGO MAIS…

81 QUEM É JESUS? Uma Síntese Um homem de contemplação: Foi um homem imerso na natureza e atento a tudo que o rodeava; admirava a beleza dos campos, impressionava-o a faina da pesca, dos pastores… Um homem que acolhia a todos: era uma pessoa aberta aos outros; todos vão ter com Ele; sacerdotes, doutores da lei, pagãos, ricos, pobres, doentes, pecadores… A todos acolhe. Um homem inteligente, que não se deixava enredar nas armadilhas que lhe preparavam. Um homem que vivia para os outros, especialmente para quem mais precisava e a sociedade rejeitava, não se preocupava com os bens materiais, nem com o Seu bem-estar… Um homem dialogante, compreensivo, respeitador, mas duro com quem se pretendia colocar acima dos demais, os arrogantes e orgulhosos. OU SEJA, UM HOMEM QUE PASSOU ENTRE OS HOMENS FAZENDO O BEM, UM GRANDE HOMEM…

82 QUEM É JESUS? Uma Síntese Jesus assumia-Se livre e libertava os outros daquilo que os oprimia e não deixava ser pessoas: Das leis ritualistas: não se sentiu atado a normas estabelecidas pelos fariseus para cumprir a Lei; a Lei deve estar ao serviço do Homem; a Lei para Jesus é amar a Deus e ao próximo. De preconceitos sociais: todas as pessoas têm igual valor para Deus na sua dignidade de filhos amados pelo Pai. Da religião ritualista: a verdadeira religião não depende de um conjunto de normas ritualistas; a religião não está separada da vida. De preconceitos políticos: não se curvou perante os poderosos; o poder para Jesus é o serviço. JESUS FOI UM HOMEM EXTRAORDINÁRIO…

83 QUEM É JESUS? Uma Síntese JESUS FOI UM HOMEM DIFERENTE… Aponta caminhos de felicidade opostos aos da sociedade: As Bem-aventuranças: «felizes os que choram porque serão consolados» Amar os inimigos, rezar pelos que nos perseguem… Foi um Homem revolucionário, que rompeu com os esquemas da sociedade da sua época… Na história também têm aparecido homens e mulheres que, de forma corajosa também contestaram, com palavras e gestos, as estruturas injustas da sociedade… MAS JESUS FOI MAIS LONGE DO QUE TODOS …

84 QUEM É JESUS? Uma Síntese Jesus frente aos discípulos, ao povo ou às autoridades assume atitudes e faz afirmações que denunciam bem a Sua diferença, que não são próprias de um homem vulgar: FEZ MILAGRES: além das inúmeras curas que fez, vários milagres acreditam-n’O com poderes sobre a natureza, sobre a vida e a morte: transformou a água em vinho nas Bodas de Caná, acalmou a tempestade no mar, ressuscitou Lázaro, a filha de Jairo, o filho da vivúva de Naim… PERDOOU OS PECADOS: Jesus perdoava os pecados em nome pessoal; os judeus sabiam que só Deus perdoava os pecados e por isso escandalizavam-se… E as pessoas admiravam-se: «Quem é este, a Quem até o vento e o mar obedecem?» (Mc 8, 27). «Porque fala assim? Ela blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus? (Mc 2, 7). «De onde Lhe vem esta sabedoria e o poder de fazer milagres? (Mt 13, 54).

85 QUEM É JESUS? Uma Síntese Mas alguns perceberam a sua origem: Nicodemos, Simão Pedro («Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo»), o centurião romano, junto à cruz… O próprio Jesus declara-Se Deus: «Quem Me vê, vê o Pai… Não crês que Eu estou no Pai e que o Pai está em Mim…» (Jo 14, 9-11). Aliás foi por isso que O condenaram: «Intimo-te pelo Deus vivo que nos digas se és o Cristo, o Filho de Deus? Jesus respondeu-lhe: Tu o disseste. E eu digo-vos: vereis um dia o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens» (Mt 26, 63-66). E mataram-n’O! Morreu como um maldito! Mas o sinal mais evidente da divindade de Jesus foi o da Sua própria Ressurreição, de que foram testemunhas os discípulos… apareceu às mulheres no sepulcro, a Pedro, aos apóstolos, e a mais de quinhentos irmãos!

86 QUEM É JESUS? Uma Síntese Triunfando sobre a morte, Jesus venceu não só a própria morte, mas também a morte em absoluto. Assim, a partir de Jesus, a morte tem um novo sentido. Como diz S. Paulo aos Coríntios: «A morte foi tragada pela vitória. 55Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? 56*O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a Lei. 57Mas sejam dadas graças a Deus que nos dá a vitória por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo. 1 Cor 15, É a vitória sobre a morte, a passagem de Jesus da morte à Vida de sempre: é o que celebramos na Páscoa, que é a festa da libertação! JESUS é também DEUS: VERDADEIRO DEUS E VERDADEIRO HOMEM.

87 QUEM É JESUS? Uma Síntese UM AMIGO Quando me faltam forças E razão para continuar. Baixinho há Alguém que me diz: Vai!! Sempre que sofro. Sempre que necessito. Há Alguém que me ouve. Embora não O veja. Eu sei que me ajuda: É Ele que considero O meu maior amigo. É Ele quem sigo Escutando, sentindo, rezando… É Ele que me mostra O modo de viver em verdade É Jesus Cristo! Sara Queirós Amigo que nunca falha! «Para mim, viver é Cristo» (Fil 1, 21)

88 Bibliografia recomendada (Escolas 7 e 8)


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