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PREPARAÇÃO PARA O EXAME NACIONAL. EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO 2008 Prova Escrita de Português - Prova 639 12.º Ano de Escolaridade Duração da.

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1 PREPARAÇÃO PARA O EXAME NACIONAL

2 EXAME NACIONAL DO ENSINO SECUNDÁRIO 2008 Prova Escrita de Português - Prova º Ano de Escolaridade Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância: 30 minutos. - Utilize apenas caneta ou esferográfica de tinta indelével, azul ou preta. - Não é permitido o uso de corrector. Em caso de engano, deve riscar, de forma inequívoca, aquilo que pretende que não seja classificado. - Não é permitido o uso de dicionário. - Escreva de forma legível a numeração dos grupos e/ou dos itens, bem como as respectivas respostas. - Para cada item, apresente apenas uma resposta. Se escrever mais do que uma resposta a um mesmo item, apenas é classificada a resposta apresentada em primeiro lugar. - As cotações dos itens encontram-se na página 8. - Nos itens de resposta fechada, as respostas ilegíveis, ou em que apresente mais do que uma alternativa (ainda que inclua a correcta), são classificadas com zero pontos. - Para responder aos itens de escolha múltipla, o número do item; escreva, na folha de respostas, a letra identificativa da alternativa correcta. Para responder aos itens de verdadeiro/falso, escreva, na folha de respostas, o número do item; a letra identificativa de cada afirmação e, a seguir, uma das letras, «V» para as afirmações verdadeiras ou «F» para as afirmações falsas.

3 GRUPO I A Leia, atentamente, o texto a seguir transcrito. De Montemor a Évora não vão faltar trabalhos. Voltou a chover, tornaram os atoleiros 1, partiram-se eixos, rachavam-se como gravetos 2 os raios das rodas. A tarde caía rapidamente, o ar arrefecia, e a princesa D. Maria Bárbara, que enfim adormecera, auxiliada pelo torpor emoliente dos caramelos com que aconchegara o estômago e por quinhentos passos de estrada sem buracos, acordou com um grande arrepio, como se um dedo gelado lhe tivesse tocado na testa, e, virando os olhos ensonados para os campos crepusculares, viu parado um pardo ajuntamento de homens, alinhados na beira do caminho e atados uns aos outros por cordas, seriam talvez uns quinze. Afirmou-se melhor a princesa, não era sonho nem delírio, e turbou-se de tão lastimoso espectáculo de grilhetas, em véspera das suas bodas, quando tudo devia ser ledice 3 e regozijo, já não chegava o péssimo tempo que faz, esta chuva, este frio, teriam feito bem melhor se me casassem na primavera. Cavalgava à estribeira um oficial a quem D. Maria Bárbara ordenou que mandasse saber que homens eram aqueles e o que tinham feito, que crimes, e se iam para o Limoeiro ou para a África. Foi o oficial em pessoa, talvez por muito amar esta infanta, já sabemos que feia, já sabemos que bexigosa, e daí, e vai levada para Espanha, para longe, do seu puro e desesperado amor, querer um plebeu a uma princesa, que loucura, foi e voltou, não a loucura, ele, e disse, Saiba vossa alteza que aqueles homens vão trabalhar para Mafra, nas obras do convento real, são do termo de Évora, gente de ofício, E vão atados porquê, Porque não vão de vontade, se os soltam fogem, Ah. Recostou-se a princesa nas almofadas, pensativa, enquanto o oficial repetia e gravava em seu coração as doces palavras trocadas, há-de ser velho, caduco e reformado, e ainda se recordará do mavioso diálogo, como estará ela agora, passados todos estes anos.

4 A princesa já não pensa nos homens que viu na estrada. Agora mesmo se lembrou de que, afinal, nunca foi a Mafra, que estranha coisa, constrói-se um convento porque nasceu Maria Bárbara, cumpre-se o voto porque Maria Bárbara nasceu, e Maria Bárbara não viu, não sabe, não tocou com o dedinho rechonchudo a primeira pedra, nem a segunda, não serviu com as suas mãos o caldo dos pedreiros, não aliviou com bálsamo as dores que Sete-Sóis sente no coto do braço quando retira o gancho, não enxugou as lágrimas da mulher que teve o seu homem esmagado, e agora vai Maria Bárbara para Espanha, o convento é para si como um sonho sonhado, uma névoa impalpável, não pode sequer representá-lo na imaginação, se a outra lembrança não serviria a memória. José Saramago, Memorial do Convento, 27.ª ed., Lisboa, Caminho, atoleiros: lugares de solo mole, pantanoso. 2 gravetos: galhos finos e secos de árvore ou arbusto. 3 ledice: alegria.

5 Grupo I Apresente, de forma bem estruturada, as suas respostas aos itens que se seguem. 1. Vários são os imprevistos da viagem que a princesa e a sua comitiva fazem, de Montemor a Évora. Refira três desses imprevistos, fundamentando a sua resposta com elementos do texto. 2. Explicite o sentido do seguinte excerto: «turbou-se de tão lastimoso espectáculo de grilhetas, em véspera das suas bodas, quando tudo devia ser ledice e regozijo» (linhas 9 a 11). 3. Identifique um dos recursos de estilo presentes no último parágrafo do texto e comente a respectiva expressividade. 4. Divida o texto em partes lógicas e apresente, para cada uma delas, uma frase que sintetize o respectivo conteúdo.

6 B A reflexão da princesa Maria Bárbara – «teriam feito bem melhor se me casassem na primavera» (linhas 11 e 12) – revela que outros, e não ela, é que decidiram sobre o seu casamento. O mesmo não se passa com o casal Baltasar e Blimunda, cuja relação não foi imposta e na qual ninguém interfere. Fazendo apelo à sua experiência de leitura de Memorial do Convento, comente, num texto de oitenta a cento e vinte palavras, a relação amorosa de Baltasar e Blimunda. Observações 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2008/). 2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido.

7 GRUPO II Leia, atentamente, o seguinte texto. Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui publicando […]. A estranheza do título justifica uma explicação, para que ele não passe como um mero exercício de estilo. Quando era pequeno – muito pequeno, talvez oito ou nove anos – lembro-me de estar deitado na banheira, em casa dos meus pais, a ler um livro de quadradinhos. Era uma aventura do David Crockett, o desbravador do Kentucky e do Tenessee, que haveria de morrer na mítica batalha do Forte Álamo. Nessa história, o David Crockett era emboscado por um grupo de índios, levava com um machado na cabeça, ficava inconsciente e era levado prisioneiro para o acampamento índio. Aí, dentro de uma tenda, havia uma índia muito bonita – uma «squaw», na literatura do Far-West – que cuidava dele, dia e noite, molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma. E, a certa altura, ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro: «não te deixarei morrer, David Crockett!» Não sei porquê, esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre, quase obsessivamente. Durante muito tempo, preservei-as à luz do seu significado mais óbvio: eu era o David Crockett, que queria correr mundo e riscos, viver aventuras e desvendar Tenessees. Iria, fatalmente, sofrer, levar pancada e ficar, por vezes, inconsciente. Mas ao meu lado haveria sempre uma índia, que vigiaria o meu sono e cuidaria das minhas feridas, que me passaria a mão pela testa quando eu estivesse adormecido e me diria: «não te deixarei morrer, David Crockett!» E, só por isso, eu sobreviveria a todos os combates. Banal, elementar.

8 Porém, mais tarde, comecei a compreender mais coisas sobre as emboscadas, os combates e o comportamento das índias perante os guerreiros inconscientes. Foi aí que percebi que toda a minha interpretação daquela cena estava errada: o David Crockett representava sim a minha infância, a minha crença de criança numa vida de aventuras, de descobertas, de riscos e de encontros. Mas mais, muito mais do que isso: uma espécie de pureza inicial, um excesso de sentimentos e de sensibilidade, a ingenuidade e a fé, a hipótese fantástica da felicidade para sempre. [...] Miguel Sousa Tavares, Não Te Deixarei Morrer, David Crockett, «Nota Prévia», 26.ª ed., Lisboa, Oficina do Livro, 2007 Para responder aos itens de 1 a 6, escreva, na folha de respostas, o número do item seguido da letra identificativa da alternativa correcta. 1. Com a afirmação «esta frase e esta cena viajaram comigo para sempre» (linha 14), o autor quer dizer que… A. se sentia marcado para toda a vida por aquela frase e por aquela cena. B. transportava consigo, sempre que viajava, um livro sobre David Crockett. C. se lembrava daquela frase e daquela cena sempre que viajava. D. tinha aquela frase gravada na pasta que usava em viagem.

9 2. Na frase iniciada por «Foi aí que» (linha 23), o autor assinala o momento em que… A. leu a história aventurosa e acidentada do desbravador David Crockett. B. tomou consciência de que David Crockett era o símbolo da sua infância. C. sentiu a necessidade de preservar na memória o herói David Crockett. D. julgou que era David Crockett, o mítico combatente de Forte Álamo. 3. A perífrase verbal em «e ao longo dos últimos anos fui publicando» (linhas 1 e 2) traduz uma acção A. momentânea, no passado. B. repetida, do passado ao presente. C. apenas começada, no passado. D. posta em prática, no momento. 4. A locução «para que» (linha 2) permite estabelecer na frase uma relação de A. causalidade. B. completamento. C. finalidade. D. retoma. 5. O uso de travessão duplo (linha 4) justifica-se pela necessidade de A. destacar uma explicitação. B. registar falas em discurso directo. C. marcar alteração de interlocutor. D. sinalizar uma conclusão.

10 6. O uso repetido do nome «David Crockett» (linhas 6, 7, 12-13, 16, 20, 24) A. constitui um mecanismo de coesão lexical. B. assegura a progressão temática. C. constitui um processo retórico. D. assegura a coesão interfrásica do texto.

11 7. Para responder, escreva, na folha de respostas, o número do item, a letra identificativa de cada afirmação e, a seguir, uma das letras, «V» para as afirmações verdadeiras ou «F» para as afirmações falsas. A. O segmento textual «Este livro reúne alguns dos textos que mensalmente e ao longo dos últimos anos fui publicando» (linhas 1 e 2) constitui um acto ilocutório directivo. B. O constituinte «inconsciente» em «Nessa história, o David Crockett (...) ficava inconsciente» (linhas 7 e 8) desempenha, na frase, a função de predicativo do sujeito. C. Os vocábulos «batalha» (linha 7) e «combates» (linhas 20 e 23) mantêm entre si uma relação de antonímia. D. O antecedente do pronome relativo «que» (linha 10) é «uma índia muito bonita» (linha 9). E. Em «molhando-lhe a testa com água, tratando das suas feridas e vigiando o seu coma» (linhas 10 e 11), as formas verbais «molhando», «tratando» e «vigiando» traduzem o modo continuado como a índia cuidava de David Crockett. F. Na frase «ela murmurava para o seu prostrado e inconsciente guerreiro» (linhas 11 e 12), os adjectivos têm um valor restritivo. G. Em «não te deixarei morrer, David Crockett!» (linha 12 e 13), «te» e «David Crockett» são referências deícticas pessoais. H. Na frase «preservei-as à luz do seu significado mais óbvio» (linha 15), o referente de «as» é «esta frase e esta cena» (linha 14). I. A frase «que vigiaria o meu sono» (linha 18) é subordinada relativa restritiva. J. O conector «Porém» (linha 22) introduz uma relação de oposição entre o que anteriormente foi dito e a ideia exposta posteriormente.

12 GRUPO III O herói simboliza a união das forças celestes e terrestres. Mas não goza, naturalmente, da imortalidade divina, embora conserve até à morte um poder sobrenatural: deus caído ou homem divinizado. Os heróis podem, entretanto, adquirir a imortalidade […]. Podem também surgir do seu túmulo e defender do inimigo a cidade que está colocada sob a sua protecção. Jean Chevalier e Alain Gheerbrant, «Herói», in Dicionário dos Símbolos, trad. Cristina Rodriguez e Artur Guerra, Lisboa, Teorema, 1994 Num texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, apresente uma reflexão sobre o que é afirmado no excerto, considerando a importância da figura do herói na vida do ser humano. Para fundamentar o seu ponto de vista, recorra, no mínimo, a dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. Observações 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2008/). 2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido. FIM

13 COTAÇÕES DA PROVA GRUPO I pontos A pontos Conteúdo (12 pontos) Organização e correcção linguística (8 pontos) pontos Conteúdo (12 pontos) Organização e correcção linguística (8 pontos) pontos Conteúdo (9 pontos) Organização e correcção linguística (6 pontos) pontos Conteúdo (9 pontos) Organização e correcção linguística (6 pontos) B pontos Conteúdo (18 pontos) Organização e correcção linguística (12 pontos)

14 GRUPO II pontos pontos pontos pontos pontos pontos pontos pontos GRUPO III pontos Estruturação temática e discursiva pontos Correcção linguística …………..20 pontos Total pontos

15 CRITÉRIOS GERAIS DE CLASSIFICAÇÃO As classificações a atribuir às respostas dos examinandos são obrigatoriamente expressas em números inteiros. Sempre que, ao responder a um item, o examinando elabore mais do que uma resposta, não assinalando inequivocamente a(s) que não deve(m) ser avaliada(s), deve proceder-se apenas à classificação da resposta apresentada em primeiro lugar. No caso de omissão na identificação de um item, a resposta deve ser classificada se, pela resolução apresentada, for possível identificá-lo inequivocamente. 1. Itens de resposta fechada As respostas ilegíveis são classificadas com zero (0) pontos. – de escolha múltipla As respostas em que é assinalada a alternativa correcta são classificadas com a cotação total do item. As respostas incorrectas são classificadas com zero (0) pontos. Não há lugar a classificações intermédias. – de verdadeiro/falso A classificação é atribuída de acordo com o nível de desempenho. As respostas em que todas as afirmações são identificadas como verdadeiras ou como falsas são classificadas com zero (0) pontos.

16 2. Itens de resposta aberta curta e de resposta aberta extensa A cotação é distribuída pelos parâmetros conteúdo (C) e organização e correcção linguística (F). Os critérios de classificação referentes ao conteúdo apresentam-se organizados por níveis de desempenho. As respostas que apresentem pontos de vista diferentes dos que são apresentados nos cenários de resposta, mas que sejam considerados válidos e devidamente fundamentados, devem também ser classificadas, seguindo os mesmos procedimentos previstos para os descritores apresentados. O afastamento integral dos aspectos de conteúdo relativos a cada um dos itens implica que a resposta seja classificada com zero (0) pontos. Sempre que o examinando não respeite os limites relativos ao número de palavras indicados na instrução do item, deve ser descontado um (1) ponto por cada palavra a mais ou a menos, até cinco (1 x 5) pontos, depois de aplicados todos os critérios definidos para o item.

17 No Grupo I, nos casos em que a classificação referente aos aspectos de conteúdo (C) for igual ou inferior a um terço do previsto para este parâmetro, os descontos relativos aos aspectos de organização e correcção linguística (F) recaem sobre um terço da totalidade da cotação inicialmente prevista para este parâmetro, aplicando-se sobre este valor os eventuais descontos relativos aos factores de desvalorização no domínio da correcção linguística. Exemplo: Num item cotado com nove (9) pontos para os aspectos de conteúdo e seis (6) pontos para os aspectos de organização e correcção linguística, se o examinando obtiver três (3) pontos nos aspectos de conteúdo, a classificação a atribuir aos aspectos de organização e correcção linguística será de dois (2) pontos, aplicando-se sobre este valor os eventuais descontos relativos aos factores de desvalorização no domínio da correcção linguística. Se, da aplicação dos factores de desvalorização no domínio da organização e correcção linguística, resultar uma classificação inferior a zero (0) pontos, é atribuída aos aspectos de organização e correcção linguística a classificação de zero (0) pontos.

18 3. Factores de desvalorização, no domínio da correcção linguística (F), das respostas abertas curtas e extensas Por cada erro de sintaxe ou de impropriedade lexical são descontados dois (2) pontos. Por cada erro inequívoco de pontuação, ou por cada erro de ortografia (incluindo acentuação, translineação e uso convencional de maiúscula) é descontado um (1) ponto. Por cada erro de ortografia repetido ao longo da prova (incluindo acentuação, translineação e uso convencional de maiúscula) deve proceder-se apenas a uma desvalorização. Os descontos por erro de utilização de letra maiúscula são efectuados até ao máximo de cinco (5) pontos na totalidade da prova. Por cada erro de citação de texto (uso indevido ou não uso de aspas, ausência de indicador(es) de corte de texto, etc.) ou de referência a uma obra (ausência de sublinhado ou não uso de aspas no título, etc.) é descontado um ponto. Os descontos por erro de citação de texto ou de referência a uma obra são efectuados até ao máximo de cinco (5) pontos na totalidade da prova. Os descontos por aplicação dos factores de desvalorização no domínio da organização e correcção linguística são efectuados até ao limite das pontuações indicadas para este critério.

19 CRITÉRIOS ESPECÍFICOS DE CLASSIFICAÇÃO E RESPECTIVOS CENÁRIOS DE RESPOSTA GRUPO I pontos Os itens deste grupo visam avaliar a competência de leitura de um texto literário e a de expressão escrita. Ao classificar as respostas do examinando, o professor classificador deve observar o domínio das seguintes capacidades: – compreensão do sentido global do texto; – adequação da resposta aos objectivos da pergunta; – interpretação do texto, através da identificação e da relacionação dos elementos textuais produtores de sentido, na base de informação explícita e de inferências; – interpretação do texto, fundada no diálogo entre as referências textuais, no seu contexto, e o leitor; – formulação de juízos de leitura pessoais e fundamentados; – produção de um discurso correcto nos planos lexical, morfológico, sintáctico, ortográfico e de pontuação. Os cenários de resposta que a seguir se apresentam consideram-se orientações que têm em vista uma aferição de critérios. Deve, no entanto, ser classificada, em igualdade de circunstâncias com respostas compreendidas nos cenários fornecidos, qualquer interpretação que, não coincidindo com as linhas de leitura apresentadas, seja julgada válida pelo professor classificador.

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21 A pontos Critérios específicos de classificação Aspectos de conteúdo (C)* pontos Níveis de desempenho / Aspectos de conteúdo / Pontuação N PONTOS Refere três dos imprevistos e fundamenta a resposta com elementos do texto. N2 - 8 PONTOS Refere três dos imprevistos, mas fundamenta a resposta apenas com um ou dois elementos do texto. OU Refere três dos imprevistos, mas não fundamenta a resposta com elementos do texto. OU Refere dois dos imprevistos e fundamenta a resposta com elementos do texto. N1 - 4 PONTOS Refere um dos imprevistos e fundamenta a resposta com elementos do texto. OU Refere dois dos imprevistos, mas não fundamenta a resposta com elementos do texto.

22 Aspectos de organização e correcção linguística (F) pontos Estruturação do discurso pontos Correcção linguística** pontos 1- Cenário de resposta A resposta deve contemplar três dos seguintes aspectos ou de outros considerados igualmente relevantes: – condições climatéricas adversas – «voltou a chover» (linha 1), «esta chuva» («este frio») – linha 11; – consequência dessa precipitação – «os atoleiros» (linha 2); – desgaste do meio de transporte – «eixos» que se partem e «raios das rodas» que se racham «como gravetos» (linha 2); – visão perturbadora de um «pardo ajuntamento de homens, alinhados (…) e atados uns aos outros por cordas» (linhas 7-8); –...

23 pontos Critérios específicos de classificação Aspectos de conteúdo (C)* pontos Aspectos de organização e correcção linguística (F) pontos Estruturação do discurso pontos Correcção linguística** pontos

24 2- Cenário de resposta A resposta deve contemplar a ideia de contraste entre a vontade de festejar a anunciada felicidade «das suas bodas» (linha 11) e a visão da realidade brutal (a constatação da escravatura de homens no trabalho de construção do convento) negativamente conotada pelo adjectivo «lastimoso» e pelo nome «grilhetas» (linha 11); –... ** A qualquer texto produzido pelo examinando que apresente um desempenho inferior ao do nível 1 (N1) é atribuída a classificação de zero (0) pontos. **Vide Factores de desvalorização, no domínio da correcção linguística, dos itens de resposta aberta curta e aberta extensa (p. C/3). Níveis de desempenho / Aspectos de conteúdo / Pontuação N PONTOS Explicita o sentido do excerto, destacando o contraste entre os dois aspectos nele apresentados. N2 - 8 PONTOS Explicita o sentido do excerto, mas refere de forma vaga e imprecisa o contraste nele apresentado. N1 - 4 PONTOS Re ** A qualquer texto produzido pelo examinando que apresente um desempenho inferior ao do nível 1 (N1) é atribuída a classificação de zero (0) pontos. **Vide Factores de desvalorização, no domínio da correcção linguística, dos itens de resposta aberta curta e aberta extensa (p. C/3). fere apenas o sentido de uma parte do excerto, sem destacar o contraste nele apresentado.

25 pontos Critérios específicos de classificação Aspectos de conteúdo (C)* pontos Aspectos de organização e correcção linguística (F) pontos Estruturação do discurso pontos Correcção linguística** pontos Níveis de desempenho / Aspectos de conteúdo / Pontuação N3 - 9 PONTOS Identifica um dos recursos de estilo e comenta a respectiva expressividade. N2 - 6 PONTOS Comenta a expressividade de um recurso de estilo, mas não o identifica. N1 - 3 PONTOS Identifica um recurso de estilo, mas não comenta a respectiva expressividade.

26 3- Cenário de resposta A resposta deve contemplar apenas um dos recursos de estilo presentes no último parágrafo do texto e o comentário da respectiva expressividade: – a construção anafórica – «Maria Bárbara não viu, não sabe, não tocou (…) não serviu, não aliviou, não enxugou» (linhas 29-32) – realça o forte contraste negativo entre a indiferença da princesa face à construção do convento e essa construção como fonte de desgosto e de sofrimento para os trabalhadores; – a comparação – «o convento é para si como um sonho sonhado» (linhas 33-34) – sublinha que o convento não faz parte da realidade de Maria Bárbara. É uma espécie de sonho inconsistente, sem imagens; «sonho sonhado» – redundância que reforça o afastamento do real; – a metáfora – «uma névoa impalpável» (linha 34) – traduz a incapacidade de Maria Bárbara para representar o convento. Este, apesar de existir porque Maria Bárbara existe, não é, para a princesa, mais do que essa «névoa» abstracta; –...

27 NÃO TE ESQUEÇAS QUE… conhecer os exames de anos anteriores é uma mais valia no processo de preparação para o momento em que também tu serás avaliado. Contudo, a aprendizagem efectiva só acontece se assumires uma prática regular na resolução de exercícios. A experiência acumulada determinará o teu grau de preparação e definirá as tuas competências nos domínios da leitura/interpretação de enunciados escritos e da escrita. Prof. António Costa


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