Transtorno Bipolar do Humor

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Transcrição da apresentação:

Transtorno Bipolar do Humor Dr. Douglas Motta Calderoni Transtorno Bipolar do Humor

Histórico A cerca de 400 a. C. Hipócrates usou os termos “mania e melancolia” para perturbações mentais. Ao redor do ano 30, Aulus Cornelius Celsus descreveu a melancolia em seu trabalho “De re medicina” como uma depressão causada pela bílis negra.

Histórico Arateus da Capadócia ( Alexandria-sec.I D C.) foi o primeiro a estabelecer explicitamente um vínculo entre a mania e a melancolia, concebendo-as como aspectos diferentes da mesma doença. Para Arateus, o desenvolvimento da mania é o resultado da piora da melancolia, em vez de constituir-se na mudança para outra doença. Em 1686, Bonet descreveu uma doença mental, a qual chamou de maníaco “– melancholicus”. Em 1854, Jules Falret descreveu uma condição chamada de folie “circulaire”, na qual o paciente experimenta humores alternados de depressão e mania.

Histórico Em 1899, Emil Kraepelin, Em 1882, o psiquiatra alemão Karl Kahlbaum, usando o termo “ciclotimia”, descreveu a mania e a depressão como pólos da mesma doença. Em 1899, Emil Kraepelin, descreveu a psicose maníaco-depressiva que continha a maioria dos critérios usados atualmente pelos psiquiatras, para o estabelecimento do diagnóstico de transtorno bipolar tipo I, além de ter chamado atenção para ausência de um curso demenciante e deteriorante que a diferenciava da demência precoce (isto é, da esquizofrenia).

Transtorno Afetivo Bipolar Transtorno afetivo bipolar CID X Transtorno caracterizado por dois ou mais episódios nos quais o humor e o nível de atividade do sujeito estão profundamente perturbados, sendo que este distúrbio consiste em algumas ocasiões de uma elevação do humor e aumento da energia e da atividade (hipomania ou mania) e em outras, de um rebaixamento do humor e de redução da energia e da atividade (depressão). Pacientes que sofrem somente de episódios repetidos de hipomania ou mania são classificados como bipolares. TRANSTORNO BIPOLAR I - DSM.IV Características Diagnósticas A característica essencial do Transtorno Bipolar I é um curso clínico caracterizado pela ocorrência de um ou mais Episódios Maníacos ou Episódios Mistos. Com freqüência, os indivíduos também tiveram um ou mais Episódios Depressivos Maiores. TRANSTORNO BIPOLAR II - DSM.IV Características do Episódio A característica essencial do Transtorno Bipolar II é um curso clínico marcado pela ocorrência de um ou mais Episódios Depressivos Maiores (Critério A), acompanhados por pelo menos um Episódio Hipomaníaco (Critério B). Os Episódios Hipomaníacos não devem ser confundidos com os vários dias de eutimia que podem seguir-se à remissão de um Episódio Depressivo Maior. A presença de um Episódio Maníaco ou Episódio Misto exclui o diagnóstico de Transtorno Bipolar II (Critério C).

Espectro Bipolar Espectro bipolar, segundo Olavo Pinto e Akiskal   1) Bipolar tipo I: representa toda amplitude de variação do humor, é o pico mais alto (mania plena), que pode durar várias semanas, até depressões graves. Em geral começa entre os 15 e 30 anos, mas há casos de início mais tardio. Não é raro apresentar sintomas psicóticos como delírios ou mesmo alucinações. Bipolar tipo II: a fase maníaca é mais suave e curta, (hipomania). Os sintomas são semelhantes, mas não prejudica a pessoa de modo tão significativo, pois, apesar de semelhantes não são tão intensos. As depressões por outro lado, podem ser profundas. Também pode iniciar-se na adolescência, com oscilações do humor, mas uma parte dos pacientes só expressa a fase depressiva ao redor dos 40 anos. Com freqüência os sintomas do humor deixam de ser de um pólo para assumir características mistas, são os Estados Mistos. 3) Bipolar tipo III: é uma classificação usada quando a fase maníaca ou hipomaníaca é induzida por psicofármacos, antidepressivos ou psicoestimulantes, é o caso de pacientes que pertencem ao espectro bipolar, mas o pólo positivo só é descoberto pelo uso dessas drogas, Sem antidepressivos, em geral, manifestam características de temperamento hipertímico ou ciclotímico. Como regra, devem ser tratados como bipolares, mesmo que saiam do quadro maníaco com a retirada do antidepressivo, porque tendem a voltar a apresentar hipomania. 4) Bipolar tipo IV: É o caso dos pacientes que nunca tiveram mania ou hipomania, mas têm uma história do humor um pouco mais vibrante, pois, possuem temperamento hipertímico. A fase depressiva pode ocorrer por volta dos 50 anos e pode apresentar-se com características mistas.

Depressão Unipolar versus Bipolar É muito comum classificar-se uma pessoa que apresenta sintomas depressivos como primeira alteração do humor no espectro unipolar. No entanto o fato de ainda não ter apresentado um episódio de elevação do humor não descarta a possibilidade de que não venha apresentá-lo no futuro. O que se sabe da clínica é que as depressões bipolares são diagnosticas somente depois de vários anos em busca de tratamento adequado. Estudos mais recentes têm demonstrados que entre pacientes internados pela primeira vez numa unidade psiquiátrica com diagnóstico de depressão unipolar, a metade desenvolve um episódio de mania ou hipomania nos próximos 15 anos. Isto mostra que o diagnóstico correto desses pacientes deveria ter sido de depressão tipo bipolar e não unipolar.

Depressão Bipolar O diagnóstico de depressão bipolar é um desafio, mesmo para o psiquiatra experiente, tendo em vista que é geralmente Subdiagnosticada ou erroneamente confundida com outros transtornos depressivos ou transtornos depressivos recorrentes. 10 anos para se estabelecer um diagnóstico correto e um tratamento adequado. .

  Características que auxiliam no diagnóstico diferencial entre depressão bipolar e unipolar. Depressão unipolar Surge mais tarde - depois dos 25 anos. Costuma piorar gradativamente. Não há história passada de mania e ou hipomania.   Depressão bipolar O inicio é precoce. Episódios abruptos e se instalam numa questão de horas ou dias e costumam ser periódicos ou sazonais. Antecedentes familiares para bipolaridade. Resistência a tratamento com antidepressivos. Encontramos nestes pacientes frequentemente sintomas de irritação, inquietação, insônia ou que já foram diagnosticados como tendo pânico, ansiedade generalizada, etc. A historia clinica dos pacientes com depressão bipolar é permeada de instabilidade temperamental/emocional e de relacionamentos instáveis, sejam no trabalho ou pessoais. O que mais ajudam no diagnostico diferencial entre depressão bipolar e unipolar é a historia clinica, ou seja, perguntar sobre o inicio precoce do transtorno, historia familiar e episódios de hipomania no passado, pois a hipomania não é relatada espontaneamente.

MANIA - quadro clínico Humor para cima, exaltação, alegria exagerada e duradoura; irritabilidade. Agitação, inquietação física e mental.  da energia, da produtividade, começar muitas coisas e não conseguir terminar. Pensamentos acelerados, tagarelice, distraibilidade. Idéias grandiosas, gastos excessivos. Erotização,  desejo e atividade sexual

MANIA - quadro clínico Delírios e/ou alucinações Desinibição,  contato social, comportamento inadequado e provocativo, agressividade física e/ou verbal Insônia e  da necessidade de sono Delírios e/ou alucinações

HIPOMANIA Dificuldade para paciente e familiares identificarem Mesmos sintomas da mania, com menor gravidade, menor duração. Menor grau de aceleração psíquica Dificuldade diagnóstica Causa conseqüências danosas

DEPRESSÃO Tristeza, angústia, sensação de vazio. Irritabilidade, desespero. Pouca ou nenhuma capacidade em sentir prazer. Cansaço, desânimo, falta de energia. Falta de interesse, iniciativa e vontade. Pessimismo, pensamentos negativos.

DEPRESSÃO - Insegurança, baixa auto-estima, medo. - Diminuição da libido. - Diminuição ou aumento do apetite. - Insônia ou excesso de sono. - Dores difusa pelo corpo. - Alucinações ou delírios.

TAB - ESTADO MISTO Sintomas depressivos e maníacos associados O paciente pode sentir-se agitado, acelerado, inquieto e ao mesmo tempo angustiado, com desesperança e idéias de suicídio Pode sentir-se deprimido pela manhã e ao longo do dia tornar-se eufórica, ou vice-versa Agitação, insônia, alteração do apetite Alucinações e delírios Ideação suicida

Tratamento

TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA MANIA/HIPOMANIA Sem EH Com EH Fatores precipitantes Retirar AD Estabilizar sono Melhorar contato clínico Fatores precipitantes Aumentar dose do EH Retirar AD Estabilizar sono Eufórico sem ciclagem rápida – lítio Misto/ciclador rápido – valproato Psicótico – adicionar ApA Sem resposta na segunda semana Adicionar ApA ao EH Adicionar segundo EH Sem resposta após 4-5 dias -Terapia tripla Sem resposta após 4-5 dias -Terapia tripla Goodwin & Jamison 2007

Estabilização Inicial Valproato e/ou lítio ou antipsicóticos típicos Antipsicóticos atípicos + lítio, valproato ou carbamazepina Tohen et al. 2001

Continuação/Manutenção 4 semanas ou mais para estabilização Diminuição dos antipsicóticos típicos Terceira semana – medicação única – lítio, valproato, atípicos Tohen et al. 2001

DEPRESSÃO BIPOLAR - MEDICAÇÕES EH clássicos – Li > VAL ou CBZ Antidepressivos Sem evidência de maior ou menor eficácia Escolha baseada no risco de ciclagem ISRS (paroxetina) e bupropiona – 1a. escolha IMAO – não respondedores Evitar tricíclicos

DEPRESSÃO BIPOLAR – NOVOS AC Lamotrigina 7 estudos abertos e 2 controlados Calabrese et al. 1999 200mg – 51% resposta 50mg – 41% Placebo – 26% Gabapentina = placebo

DIRETRIZES DA APA (2002) DEPRESSÃO Li ou lamotrigina– 1a. Linha AD isoladamente – ñ recomendado Li + AD em casos graves ECT – risco de suicídio, inanição, sint. psicóticos

EH+Lam Lamotrigina Quetiapina ou Olanzapina-Fluoxetina Estágio 1 EH+Lam Lamotrigina C Quetiapina ou Olanzapina-Fluoxetina Estágio 2 C Estágio 3 Combinação Li, Lam, QTP ou OF C Estágio 4 Li, Lam, QTP, OF, VAL ou CBZ+ISRS, BUP, VEN, ECT C Estágio 5 IMAO, ADT, pramipexol, ApA, OXC, estimulantes, horm. tiroideanos

Tratamento não medicamentoso Psicoterapia TCC Interpessoal Encontros psicoeducacionais Familiar Controle dos ritmos biológicos Apoio psicossocial

Tratamento não medicamentoso Lidar com estressores Mudança no estilo de vida Qualidade de vida, bem-estar Lidar com preconceito e estigma Adesão ao tratamento