4º CONGRESSO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL “A SOCIEDADE EM REDE E AS IMPLICAÇÕES NA INTEGRAÇÃO SETORIAL, NA MUDANÇA SOCIAL E NA LOCALIDADE” Petrópolis,

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Transcrição da apresentação:

4º CONGRESSO BRASILEIRO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL “A SOCIEDADE EM REDE E AS IMPLICAÇÕES NA INTEGRAÇÃO SETORIAL, NA MUDANÇA SOCIAL E NA LOCALIDADE” Petrópolis, 29-11-2012 CONSIDERAÇÕES SOCIOLÓGICAS A RESPEITO DE SOCIEDADE EM REDE E ‘REDES SOCIAIS’ Eduardo Navarro Stotz

Roteiro 1. Sociedade em rede: apresentação sucinta, questionamentos, ilustrações 2. Redes sociais: pertinências do conceito

Caracterização da sociedade em rede – 1 Manuel Castells (2005) Nós estamos na sociedade em rede [...] criada por indivíduos inovadores, comunidades contraculturais e empresas de negócios (p. 26-7) A sociedade em rede (...) é um novo tipo de estrutura social, baseada em redes operadas por tecnologias de comunicação e informação fundamentadas na microeletrônica e em redes digitais de computadores que geram, processam e distribuem informação a partir de conhecimento acumulado nos nós das redes. (p. 20)

Caracterização da sociedade em rede – 2 Entretanto, como o autor afirma: Nós sabemos que a tecnologia não determinada a sociedade...é a sociedade que dá forma à tecnologia de acordo com as necessidades, valores e interesses das pessoas que utilizam as tecnologias. (p.17) Como? As redes operam ao longo de vários processos que se reforçam uns aos outros desde os últimos 25 anos (...) Assim, num determinado ponto do tempo, a actividade económica é realizada por redes de redes (...). A empresa continua a ser uma unidade legal e uma unidade de acumulação de capital, mas a unidade operacional é a rede de negócios, aquilo que eu chamo de empresa em rede (...). Além disso, uma vez que a acumulação de capital acontece realmente no mercado financeiro global, a empresa é simplesmente o nó de ligação entre as redes de produção construídas à volta de projectosw de negócios e de redes de acumulação organizadas em torno das finanças globais. (p.21)

Considerações críticas: um novo tipo de estrutura social? As relações sociais capitalistas (capital e trabalho) deixam de ser a referência (empresa=unidade legal e de acumulação versus unidade operacional que funciona no mercado financeiro). Noção de “sociedade em rede” expressa uma descrição da realidade social, mostra como aparece mas não desvela sua lógica, sua racionalidade; trata-se, porém, do uso de categorias que pretende, simultaneamente, evidenciar e explicar. Relevância da noção de “rede” na literatura de administração empresarial a partir da década de 1980.

Considerações críticas: um novo tipo de estrutura social? Novo vocabulário incorporado pelas ciências sociais aplicadas: cidadania corporativa, empresa cidadã, responsabilidade social da empresa, selo verde, responsabilização individual (empreendedorismo e empregabilidade), complementado por outros termos como “empowerment”.

Considerações críticas: aspectos epistemológicos Ralph Dahrendorf: a sociologia nasce com a “sociedade industrial”, isto é, com o capitalismo (Comte, Durkheim) mas sua origem vincula-se à secularização da sociedade: Concurso literário da Academia de Dijon, 1754: “Qual é a origem da desigualdade humana? Ela está legitimada pelo direito natural?” Rousseau, Millar e Schiller Implicação da ciência social com os valores – Durkheim sobre a relação entre divisão social do trabalho e moralidade (estudo sobre o suicídio) A crítica de Karl Marx e Friedrich Engels. Definições: sociedade capitalista, de alienação, da injustiça, da miséria e opressão.

Considerações críticas: aspectos epistemológicos A ruptura provocada pelo socialismo desde o final do século XIX – o surgimento da Sociedade Alemã de Sociologia e a consagração da tese de Max Weber sobre a separação entre juízos de fato e juízos de valor na ciência social. Resultados dessa tendência que acabou por conformar a visão dominante na Sociologia: a perda do aguilhão da desigualdade social – sociedade industrial, de consumo, de massa, da informação e... em rede.

Considerações críticas: uma perspectiva histórica – 1 A longa duração (1850-1950) e os “anos dourados (1950-1973) A crise do capitalismo de 1974 e os desdobramentos da fase de recuperação: ● a emergência de uma nova força produtiva: a automação de base microeletrônica e sua apropriação pelo capital (Braverman, 1981): reestruturação empresarial (novos coletivos de trabalhadores, redução de níveis hierárquicos,etc.), terceirização; necessidade, numa economia de mercado, de novas formas de articulação (“empresa-rede”). ● a hegemonia do capital financeiro no processo de acumulação de capital. ● a superação do Estado de Bem-Estar Social pelo Estado Neoliberal ● A inter-redes (internet)

O caso da internet: da Guerra Fria à disputa pelo direito de propriedade – 1 1957: o satélite soviético Sputnik faz a órbita da Terra 1958: criação da Agência de Projetos Avançados de Defesa (ARPA) pelo presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower – recursos para computação; participação de funcionários do governo, militares, cientistas e estudantes de pós-graduação 1966 a 1969: organização da primeira rede entre computadores – a ARPANET

O caso da internet – 2 1973-1977: conexão da ARPANET a outras redes por meio de rádio e satélite – a inter-networking. Conceito implícito: complexo industrial-militar Década de 1970: permissão de conexão de universidades e outras instituições prestadoras de serviços de defesa à ARPANET 1975: aproximadamente 100 sites 1990: sistema de ‘navegação’ na internet: World Wide Web 1991: no Brasil, a Rede Nacional de Pesquisa/MCT Cooperação mundial para o desenvolvimento de software livre versus apropriação privada (comercial) da internet

Top 10 sites de redes sociais no mundo 1° – Facebook.com 2° – Youtube.com 3° – Twitter.com 4° – LiveJournal.com 5° - MySpace.com 6° - LinkedIn.com 7° – Badoo.com 8° - Orkut.com 9° – Tagged.com 10° – Ning.com Fonte:http://top10mais.org/

Acesso à internet na China como um indicador de transformação social

Sobre a pertinência das redes sociais: linguagem comum Redes sociais na linguagem comum: relacionamentos virtuais, “abertos” ou “fechados” (Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock)

Sobre a pertinência das redes sociais: estudos acadêmicos – 1 Pesquisa livre na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) em 2007:´11 dissertações e teses e 7 artigos Redes como: apoio social (estudos sobre monitoramento de tratamento, controle de doenças, nutrição, envelhecimento, prevenção de riscos como gravidez, doenças sexualmente transmissíveis); solidariedade (estudos sobre ação de soropositivos do HIV/Aids); focalização de políticas sociais (programa Saúde da Família); gestão de políticas e articulação de interesses (estudos sobre cidades saudáveis e políticas de combate à pobreza); compromisso social (estudos sobre ação de adolescentes).

Sobre a pertinência das redes sociais: estudos acadêmicos – 2 As redes primárias dizem respeito às relações significativas que uma ou mais pessoas estabelecem cotidianamente ao longo de suas vidas (relações de familiaridade, parentesco, vizinhança, amizade etc.) e que respondem ao processo de socialização dos indivíduos. O processo é autônomo, espontâneo e informal. Já as redes secundárias formam-se pela atuação coletiva de grupos, instituições e movimentos que defendem interesses comuns. (Stotz, 2009, 29)

Sobre a pertinência das redes sociais: estudos acadêmicos – 3 Contribuição de Bruno Latour sobre a construção das ciências, particularmente das sociais: proposições universais são legitimadas e, portanto, eficazes, quando centros produtores atuam em redes de modo a estabelecer alianças e garantir a sua verificabilidade. De acordo com Alejandro Cepeda (2000) A universalidade que uma proposição sociológica pode alcançar ao longo de uma rede (...) deriva de um processo contínuo de “tradução” entre os interesses particulares (...) cujo objetivo (...) é conseguir a reprodução eficaz (...) por todos os aliados envolvidos, [das condições que], tendo sido construídas com as características das associações [formadas] entre esses aliados, servem para confirmar a proposição (...) cuja eficácia e validade requerem tais condições.

Sobre a pertinência das redes sociais: estudos acadêmicos – 3 Ilustração: universalidade da noção sociológica de cidadania não depende de sua racionalidade intrínseca, mas da extensão da rede de alianças construídas entre sociólogos, reformadores sociais e diversos atores coletivos ou individuais, públicos ou privados interessados e em conformidade com os requisitos básicos dessa noção – educação universal, direitos civis e políticos. Supõe, no interior dessa rede, agências (instituições) de registro e de habilitação civil e pública (escolas, Institutos de Segurança Pública, Tribunais eleitorais, partidos, etc.). Os pressupostos sociológicos da cidadania (coesão social, funcionalidade dos conflitos, direitos humanos) são confirmados e/ou reformulados segundo o caminho adotado pela expansão da rede.

Uma tentativa de definição e uma perspectiva Rede social é uma forma de ação coletiva, resultado de um processo social mais amplo. [...] A existência de redes sociais facilita a interlocução livre e igualitária, mas a construção de agendas comuns e a tomada de decisões implicam o estabelecimento de alianças e, em contrapartida, de oposições de interesses. (p.31, 40)

Bibliografia Braverman, Harry. Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no século XX. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1981. Castells, Manuel. A Sociedade em rede: do conhecimento à política. Lisboa, Imprensa Nacional, 2005. Cepeda, Alejandro H. Os centros de cáluclo e a construção da racionalidade das ciências sociais. Informare – Cad. Progr. Pós-Grad Ci.inf., Rio de Janeiro, v. 6, n.1, p.44-50, jan/jun 2000. Dahrendorf, Ralph. Sociologia e sociedade industrial. In: M.M. Foracchi e J de S Martins (orgs.) Sociologia e sociedade: leituras de introdução à Sociologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Cinetíficos Ltda, 1977.

Bibliografia Stotz, Eduardo N. Redes sociais e saúde. In; R. M. Marteleto e E N Stotz (orgs.) Informação, saúde e redes sociais: diálogos de conhecimentos nas comunidades da Maré. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz; Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2009.