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Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Profª. Maria Elizabeth Urtiaga Ética na Prescrição de Medicamentos Adaptado de Daisson José Trevisol.

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1 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Profª. Maria Elizabeth Urtiaga Ética na Prescrição de Medicamentos Adaptado de Daisson José Trevisol Universidade do Sul de Santa Catarina Professor de Farmacologia Clínica Coordenador dos Laboratórios Didáticos de Saúde

2 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Se fundamenta em três pré-requisitos: Consciência Autonomia Coerência ÉTICA

3 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de PRINCÍPIOS DE USO DE MEDICAMENTOS Mas há 30 anos... USO TRADICIONAL

4 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de X CIÊNCIARELIGIÃO USO RELIGIOSO

5 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Isto é ultrapassado. Eu só uso o que há de mais moderno nessa área... USO FASHION

6 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de CONDUTAS BASEADAS EM EVIDÊNCIAS DIFERENÇA FUNDAMENTAL o que se espera que funcione o que comprovadamente funciona

7 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Duncan BB & Schmidt MI, 1996 Haynes RB, 1993 Estima-se que apenas metade das intervenções médicas atualmente disponíveis foram avaliadas com metodologia sistematizada de bom nível. Entre estas, menos da metade mostrou- se efetiva.

8 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Existe uso racional quando os pacientes recebem os medicamentos apropriados à sua condição clínica, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período de tempo adequado e ao menor custo possível para eles e sua comunidade. OMS, Conferência Mundial Sobre Uso Racional de Medicamentos, Nairobi, USO RACIONAL PRINCÍPIOS DE USO DE MEDICAMENTOS

9 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Indicação apropriada Esquema de administração adequado Paciente em condições de receber o tratamento proposto tratamento proposto Ausência de contra-indicações e menor possibilidade de efeitos adversos possibilidade de efeitos adversos Dispensação correta, incluindo informação adequada para o paciente adequada para o paciente Seguimento do paciente USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS (1985)

10 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de NO ENTANTO, 21 ANOS DEPOIS….

11 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de 15% da população consome mais de 90% da produção farmacêutica % do gasto em saúde nos países em desenvolvimento correspondem a medicamentos, comparativamente a menos de 15% nos países desenvolvidos % das consultas médicas geram prescrição medicamentosa. 50% de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou usados inadequadamente. 75% das prescrições com antibióticos são errôneas. Brundtland, Gro Harlem. Global partnerships for health. WHO Drug Information 1999; 13 (2): 61-64

12 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Somente 50 % dos pacientes, em média, tomam corretamente seus medicamentos. Cresce constantemente a resistência da maioria dos microrganismos causadores de enfermidades infecciosas prevalentes. Aos dois anos de idade, algumas crianças receberam aproximadamente 20 aplicações medicamentosas injetáveis. A metade dos consumidores compra medicamentos para tratamento de um só dia. Brundtland, Gro Harlem. Global partnerships for health. WHO Drug Information 1999; 13 (2):

13 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de = POR QUE TANTOS FÁRMACOS SÃO PRESCRITOS? POR QUE TANTAS PESSOAS SE AUTOMEDICAM ?

14 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de USO NÃO-RACIONAL DE MEDICAMENTOS Compulsão pelo uso de medicamentos. Necessidade de prescrever algo. Comodidade e sensação de dever cumprido por parte do prescritor (atende às necessidades de pacientes crônicos ou poliqueixosos). Expectativas, crenças e fantasias de prescritores, consumidores e dispensadores a respeito dos medicamentos. Desconhecimento dos aspectos farmacológico-clínicos que embasam a prescrição. Publicidade da indústria farmacêutica.

15 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de USO NÃO-RACIONAL DE MEDICAMENTOS Uso excessivo faz com que, a cada ano, novos produtos sejam lançados, sem que isso redunde em proporcional melhora no estado geral de saúde dos consumidores. Estudo francês De 508 novos produtos farmacêuticos lançados entre 1975 e 1984, 70% não ofereciam vantagens terapêuticas com relação aos produtos existentes. Avaliação da FDA De 348 novos medicamentos comercializados entre 1981 e 1988, só 3% representaram uma contribuição importante em relação aos tratamentos já existentes.

16 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de CONSEQÜÊNCIAS DO USO NÃO-RACIONAL DE MEDICAMENTOS Progressão da patologia. Iatrogenia. Aumento da incidência de efeitos adversos por uso inadequado de doses, vias, intervalos de administração e/ou tempo de tratamento. Aumento do tempo de tratamento. Aumento dos custos. Não adesão do paciente ao tratamento e, portanto, insucesso terapêutico.

17 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de ESTRATÉGIAS DE USO RACIONAL DIRIGIDAS AO PRESCRITOR Processo de indicação e seleção da terapêutica farmacológica a ser adotada 1. 1.Há real necessidade de intervir ? 2. 2.Com que objetivos ? 3. 3.É realmente necessário um fármaco para alterar o curso clínico da doença ? 4. 4.Estabelecida esta necessidade, que fármaco indicar ? 5. 5.Como o fármaco deve ser administrado ao paciente ? 6. 6.O paciente já usa outros medicamentos ? 7. 7.Quais são os efeitos benéficos e adversos esperados? 8. 8.O paciente está devidamente informado sobre a terapêutica proposta ?

18 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de GRANDES DESAFIOS A VENCER A promoção do uso racional não faz parte da agenda dos serviços de saúde. Materiais de treinamento, livros e cursos ainda têm impacto limitado no país. A promoção de uso racional exige monitoramento constante para o qual os recursos são escassos. A profissão médica não está suficientemente engajada em promover uso racional de medicamentos.

19 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de DESAFIOS E ESTRATÉGIAS PARA O MEIO ACADÊMICO Ensino de graduação: Solução de problemas Aprendizado ativo Espírito crítico Ensino de pós-graduação: Desenvolvimento de pesquisas que dêem suporte a ações de saúde. Educação continuada em serviço: Busca e leitura crítica da informação científica. Ênfase em posturas éticas na tomada de decisão terapêutica. Avaliação constante das ações de saúde.

20 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de QUALIFICAÇÃO DOS ESTUDOS Nível I: ECR com desfechos primordiais e mínima possibilidade de erro; metanálise. Nível II: ECR pequenos; hipóteses secundárias. Nível III: Estudo quase-experimental; análise de subgrupos de ECR. Nível IV: Quase experimento com controles históricos; coorte. Nível V: Estudos de casos e controles. Nível VI: Séries de casos.

21 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de GRAUS DE RECOMENDAÇÕES TERAPÊUTICAS A: um estudo Nível I B: um estudo nível II C: um estudo nível III ou dois nível IV ou V D: estudos nível VI; recomendações de especialistas

22 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Estimula a prescrição Irracional de medicamentos Dá ênfase aos benefícios, sem apresentação dos riscos Estimula à automedicação Limitar aos profissionais da área de saúde seria a solução? ESTRATÉGIAS PARA PROMOÇÃO DO URM LIMITAR A PUBLICIDADE DE MEDICAMENTOS, POIS PropagandistasX Ensino baseado em evidências

23 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Medicamentos essenciais são aqueles que servem para atender às necessidades de assistência à saúde da maioria da população. Devem estar disponíveis em qualquer momento, nas quantidades adequadas e nas formas farmacêuticas que sejam requeridas. ESTIMULAR O USO DE MEDICAMENTOS ESSENCIAIS ESTRATÉGIAS PARA PROMOÇÃO DO URM

24 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de ESTRATÉGIAS IMPLEMENTADAS NO BRASIL Implantação de Política Nacional de Medicamentos Criação de Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – Política de Medicamentos Genéricos - PNM Criação da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - RENAME ( 2000 e 2002) Protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas Atualização de Boas Práticas de Fabricação em indústrias farmacêuticas e farmacoquímicas Regulamentação da publicidade e propaganda dos medicamentos Câmara de Medicamentos para o controle de preços Comissão Técnica e Multidisciplinar de Atualização da RENAME - COMARE Cursos nacionais, regionais e institucionais sobre Ensino para o Uso Racional de Medicamentos ( )

25 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Medicamento é como gente Tem qualidades e defeitos. As qualidades – a gente admira Os defeitos – a gente agüenta ou não Por isso, podemos ficar, (usar eventualmente) Namorar, (usar por determinado tempo) ou até casar com algum medicamento. (para o resto de nossas vidas) Mas ele deve atender ao nosso jeito de ser. (eficácia para a condição clínica), Deve ter uma convivência regrada. (dose e tempo de tratamento) Não deve proporcionar mais problemas do que aqueles que já temos. (custo econômico e reações adversas).

26 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de O QUE FAZ BEM PRA SAÚDE? O QUE FAZ BEM PRA SAÚDE? Cada semana, uma novidade. A última foi que pizza previne câncer do esôfago. Acho a maior graça. Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas peraí, não exagere... Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos. Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde. Prazer faz muito bem. Dormir me deixa 0 km. Ler um bom livro faz eu me sentir novo em folha. Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois eu rejuvenesço uns cinco anos. Viagens aéreas não me incham as pernas, me incham o cérebro, volto cheio de idéias. Brigar me provoca arritmia cardíaca. Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago. Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano. E telejornais, os médicos deveriam proibir - como doem! Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar. Essa história de que sexo faz bem pra pele acho que é conversa, mas mal tenho certeza de que não faz, então, pode-se abusar.

27 Grupo de Estudos da É tica na Educa çã o em Sa ú de Caminhar faz bem, dançar faz bem. Ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada. Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda. Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou muzzarela que previna. Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau! Cinema é melhor pra saúde do que pipoca. Conversa é melhor do que piada. Beijar é melhor do que fumar. Exercício é melhor do que cirurgia. Humor é melhor do que rancor. Amigos são melhores do que gente influente. Economia é melhor do que dívida. Pergunta é melhor do que dúvida. Tomo pouca água, bebo mais que um cálice de vinho por dia, faz dois meses que não piso na academia, mas tenho dormido bem, trabalhado bastante, encontrado meus amigos, ido ao cinema e confiado que tudo isso pode me levar a uma idade avançada. Sonhar é melhor do que nada… Luis Fernando Veríssimo Luis Fernando Veríssimo

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