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Estratégias em Serviço Social 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Vicente de Paula Faleiros.

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Apresentação em tema: "Estratégias em Serviço Social 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Vicente de Paula Faleiros."— Transcrição da apresentação:

1 Estratégias em Serviço Social 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Vicente de Paula Faleiros

2 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social O primeiro aspecto que gostaria de abordar é a situação da pesquisa em Serviço Social. Para isso levanto três problemas: a) o pragmatismo; b) a acomodação; c) a insuficiência de formação. Há uma tendência nas profissões ligadas à prática, diferentemente daquelas mais ligadas à teoria, em não realizar pesquisas. (p.163)

3 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social O pragmatismo consiste numa atitude voltada para a solução de problemas imediatos, sem pensar e refletir as consequências teóricas e históricas desta ação imediata. O pragmatismo, no Serviço Social, tem origem no próprio tipo de trabalho realizado pelos assistentes sociais, voltado para a atribuição de recursos ou de orientações em relação à problemática da assistência social. A consequência disso é a pulverização da ação, de acordo com o que vai aparecendo na estrutura e dinâmica institucionais, realmente fragmentadoras dos problemas sociais. Há uma fragmentação da própria orientação profissional da ação e uma fragmentação político-institucional dos problemas sociais. (p.164)

4 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Nós não formamos pesquisadores em Serviço Social. As instituições não demandam pesquisas e a população também não as exige diretamente dos profissionais. As escolas ainda são extremamente deficientes na formação para a pesquisa. Felizmente, o novo currículo introduz, de maneira mais explícita, esta disciplina, porque seu ensino nas escolas tem ficado na mão dos institutos de Ciências Sociais, dos sociólogos, que passam e repassam técnicas completamente desvinculadas da prática do assistente social. Esta insuficiência tem se manifestado no CNPq, onde conquistamos um lugar para o Serviço Social, por meio de uma luta dos mestrados. (p.165)

5 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Quem é que está produzindo o saber difundido hoje no Brasil em termos de Serviço Social? Fundamentalmente, são os mestrados em Serviço Social. É aí ainda o locus da produção. Nos metrados é que há produção de teses, e, por meio das teses, pesquisas. No entanto, a tese ainda é um trabalho artesanal, em que o individuo isolado faz a sua pesquisa, do começo ao fim, realizada por ele mesmo, sem organização de apoio, contando apenas com a bolsa e um orientador. (p. 166)

6 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social A pesquisa se solidifica a partir do trabalho continuado, de base. Para isto é fundamental a criação de núcleos de pesquisa em cada instituição, em cada universidade. Que as universidades liberem professores para fazer pesquisa, que as instituições liberem profissionais para fazer pesquisa, porque sem tempo, gente e recursos não se faz pesquisa. (p. 168).

7 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Agora desenvolverei os dois outros aspectos mais teóricos que se referem a uma crítica aos tipos de pesquisa que vêm sendo realizados, enfatizando em primeiro lugar uma forma muito usada nos Estados Unidos e no Canadá e ainda pouco difundida no Brasil: a pesquisa avaliativa. Em seguida abordarei o problema do método. (p.168)

8 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social A pesquisa avaliativa dominante consiste na análise dos resultados de uma intervenção, em função dos objetivos propostos pelas instituições, respondendo à questão: quais os resultados das políticas sociais em função dos objetivos propostos? Por exemplo, em relação aos idosos, pergunta-se como está sendo realizada a política da velhice, sobre as necessidades dos idosos na sociedade capitalista, sobre os tipos de recursos postos à sua disposição e também sobre as alternativas de recursos mais baratos que possam ser implantados. Trata-se de uma investigação extremamente limitada, conservadora, que reproduz o sistema, na lógica da eficiência e da eficácia. Trata-se de uma pesquisa funcionalista, que visa reproduzir a própria organização da instituição. (p.168)

9 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social A utilização de levantamentos e pesquisas em Serviço Social está, não raramente, vinculada às necessidades de planejamento, cadastro de populações, diagnósticos de necessidade. O próprio planejamento é uma técnica extremamente conservadora. Nesta ótica, o planejador prevê o futuro como continuidade do passado, em que o futuro deverá perpetuar a continuidade daquelas tendências que se extrapolam do passado. Aí surge um segundo tipo de pesquisa ligada ao planejamento, que não valia o que foi feito (passado), mas que consulta a população para projetar tendências para o futuro. (p. 169)

10 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social O ponto de vista da multilateralidade, para o qual Marx chama atenção na famosa expressão de que o concreto é concreto por ser a síntese de múltiplas determinações, logo, unidade da diversidade (Marx, 1983: 218), consiste justamente em ver a relação dialética entre a produção do real e sua reprodução pelo pensamento. Não podemos nos circunscrever às relações entre as manifestações analíticas, às dimensões analíticas, apenas como causa e efeito unilateral, se quisermos, mas ver as relações em termos dialéticos, o que significa considerar a contradição no contexto na totalidade histórica, do processo de produção social e de sua reprodução pelo pensamento. (p.173)

11 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social A visão dialética considera o processo, não o fato isolado, busca a totalidade, a multilateralidade, a síntese das múltiplas determinações. As perspectivas das classes dominantes consideram a sociedade a partir das visões do poder, e para conservá-lo, enquanto a visão revolucionária do proletariado é mais ampla, pois visa à transformação da ordem burguesa e à sua própria superação. A burguesia já realizou a sua revolução, está no poder, ela está na condução, na direção de um processo hegemônico. Sua ótica é a ótica da conservação, a ótica funcionalista, a ótica da reprodução da própria sociedade e das suas condições de poder. A ótica transformadora é a de uma outra sociedade, a da destruição da própria burguesia, e da alternativa de sociedade que supere a existente (Goldmann, 1984: 46-8). (p.174)

12 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social A dialética do desenvolvimento da ciência, como vimos, passa pela contradição abstrato/concreto nesse processo de confronto das perspectivas, que hoje se revela como teoria/empiria. A teoria não deixa de ser um recorte da realidade, um determinado ângulo, do qual nós precisamos estar conscientes. No Serviço Social ressente-se a falta de capacidade de elaboração dessas categorias teóricas, para dar-se conta do seu próprio objeto de pesquisa, e de seu próprio objeto profissional. Conforme as diferentes perspectivas pode-se chegar a construir vários objetos. Segundo determinado ângulo, o objeto é conservador, de outro é transformador (Faleiros, 1981: cap.8). (p )

13 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Agora, desejamos refletir mais especificamente sobre o objeto da pesquisa. Como vamos construí-lo? Somente a construção e articulação de categorias teóricas permite delimitar o objeto da pesquisa. A prática, a empiria, passa a ser recortada nestes diferentes ângulos, para que se possa pensa-la dentro de determinados eixos fundamentais. Sem isso, não faremos pesquisa. Não há alternativa de pesquisa se não considerarmos nossa capacidade teórica para pensar a realidade, para construir categorias de análise. Não é fazendo folhas de rosto, cadastros, contatos, preenchimento de fichas que vamos conseguir pesquisar. (p.175)

14 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social A teoria e a construção de categorias é um processo crítico na busca do fundamento dos fenômenos. Busca-se ver a situação presente para destruí-la teoricamente, para desmontá-la. Para se fazer a omelete é preciso quebrar os ovos. Para repensar a prática do Serviço Social e encontrar alternativas de pesquisa é preciso desmontá-lo teoricamente e reconstruí-lo na busca do seu fundamento. Fundamento é a condição da possibilidade da gênese e da articulação das contradições num processo. Não se trata apenas de considerar a gênese, mas a articulação estrutural do todo na história. A construção da teoria passa por essa crítica histórica. A história nos coloca diante das condições objetivas de surgimento dos fenômenos, diante do momento e da totalidade, para a construção do objeto. (p.176)

15 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Agora, a questão do método. Não há possibilidade de construção do método sem teoria crítica. O método não é, pois, um conjunto de regras fixas para se chegar sempre aos mesmos resultados (Faleiros, 1985). Isso é receita, não é método. Mesmo numa receita é preciso conhecer o pulo do gato, e isto nem sempre está previsto na fórmula. O processo metodológico é dinâmico, talvez seja um estilo, como afirmou, na exposição precedente, o prof. Cupani. No entanto, não se deve confundir metodologia com uso adequado. Ela é a reflexão crítica do seu próprio caminhar, dando- se conta das alternativas possíveis e dos argumentos e contra- argumentos que foram usados para seguir determinada direção. Isto significa que a metodologia é um processo constante de construção. (p. 177).

16 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social Não se decide uma metodologia de uma vez por todas, e nas pesquisas concretas há revisão do projeto e retomada do caminho, talvez para se recomeçar tudo outra vez. A metodologia é uma aventura intelectual, uma aventura que se faz num processo histórico de crítica do seu próprio caminho, do encaminhamento do seu caminho, repensando-se as condições existentes de sua realização. O uso de técnicas também é um processo que podemos construir, na combinação do qualitativo e do quantitativo. Em O capital, de Marx, há esta constante articulação entre os dados estatísticos e a análise qualitativa. (p )

17 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social No caso específico do Serviço Social, parece-me, pelas razões abaixo expostas, que precisamos, pelo nosso próprio contexto, redescobrir as técnicas qualitativas (Cardoso & Brignoli, 1983). Dentre estas destaca-se a história de vida. Temos, em nossas mãos, milhões de histórias de vida, das quais participamos no cotidiano do nosso trabalho. É preciso que essas histórias de vida sejam inseridas na perspectiva estrutural da história. Essa é uma das alternativas técnicas de pesquisa que nós precisamos reaprender a construir no processo crítico acima definido. Ligar as histórias de vida do dia-a-dia à complexidade de uma análise e às organizações de luta do proletariado pode ser feito na própria dinâmica do nosso trabalho. (p.177)

18 10 Alternativas metodológicas da pesquisa em Serviço Social A crítica às pesquisas existentes e o repensar das alternativas teóricas e metodológicas são condições de produção do conhecimento e de organização do saber necessárias para redirecionar a pesquisa social. Não adianta levantar alternativas metodológicas apenas como exercício acadêmico, mas construí-las a partir da própria história de nossa situação de pesquisa. É isso que tentamos fazer. (p.178)

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