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SAÚDE, CORPO E SOCIEDADE Professora: Letícia Gonçalves Organizadoras: Alícia Navarro de Souza e Jacqueline Pitanguy Aspectos.

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Apresentação em tema: "SAÚDE, CORPO E SOCIEDADE Professora: Letícia Gonçalves Organizadoras: Alícia Navarro de Souza e Jacqueline Pitanguy Aspectos."— Transcrição da apresentação:

1 SAÚDE, CORPO E SOCIEDADE Professora: Letícia Gonçalves Organizadoras: Alícia Navarro de Souza e Jacqueline Pitanguy Aspectos gerais: Parceria: UFRJ e CEPIA Era atividade de extensão, se tornou disciplina eletiva do curso de medicina: SABER MÉDICO, CORPO E SOCIEDADE

2 Objetivo de propor reflexões sobre o saber e a prática médica. A disciplina é pensada para a graduação em medicina, porém as discussões são válidas à todos os profissionais da saúde e externos à ela, já que articula medicina e cidadania/direitos humanos. Importante: o livro faz críticas importantes ao saber médico biologicista tradicional, portanto todas as questões que reforçarem essa perspectiva devem ser lidas com atenção!

3 Está dividido em cinco partes. 1: se refere à relação entre ciência e a produção do conhecimento na área médica. 2: discute a complexidade histórica e social do conhecimento na área da saúde e sua função ética no alívio do sofrimento.

4 3: Aborda questões de gênero, naturalizações das hierarquias sociais e as repercussões na produção de conhecimento e na atuação do médico. 4: Amplia o escopo para temas diversos: discute a presença da moralidade na prevenção em saúde, cidadania e saúde mental e a experiência de implantação de um serviço de saúde voltado a mulheres vítimas de violência sexual no Rio de Janeiro. 5 – A quinta parte trata-se de uma contextualização do autores sobre a produção do livro, não será discutida na aula.

5 PARTE I 1> Cabe ainda invocar o método científico universal? - Alberto Oliva - Questionamentos sobre a rigorosidade, universalização e padronização do método científico e da credibilidade absoluta da ciência, enquanto representação da verdade única. Metodologia universal compreendendo regras pra produção do saber científico (visão ortodoxa) x variações metodológicas produzindo verdades locais (heterodoxa). > a adoção de um ou outro método se vincula a discussão de confiabilidade ou não dos resultados.

6 Normas metodológicas bem formuladas > saber científico universal > diferente do senso comum, religião e filosofia. Questionamento sobre essa lógica, já que a própria ciência demonstra serem falsas determinadas verdades de outras épocas. > é possível duvidar da ciência? Ou podemos duvidar somente dos métodos? Ou ainda, dos pesquisadores?

7 Pensamento científico > hierarquia de saber: razão> filosofia> religião> senso comum. ou Pensamento científico > articulação: filosofia + razão + senso comum + religião > já que o olhar do pesquisador seleciona por um esquema teórico-valorativo.

8 > questionamento sobre a objetividade da ciência. > nesse sentido, o empirismo era a proposta de fazer a ciência potencializar ao máximo o carater neutro da pesquisa. Uso da estatistica na construção do saber: existência de exceções: risco de generalizações. > é uma estratégia importante em saúde, mas é preciso cautela.

9 cognitividade (racionalização) x sociabilidade (construção social). > existência de gradientes entre essas duas possibilidades. > Há atualmente uma produção de resultados que não podem ser objetivamente comparados > o que contribui para o aumento de descrença nos métodos científicos. > assim como muitos cientistas discutem pouco ou nada a metodologia utilizada.

10 > o autor propõe tornar a ciência (e os cientistas) menos pretenciosos em relação ao saber ou saberes, produzindo complementaridades e não exclusões. > aponta a realidade como ampla, sendo impossivel compreendê-la por inteiro. Sendo tanto mais difícil sem diálogos entre produções de ciência. > Não há mais lugar para a certeza. (p.44)

11 1.2 – Flávio Coelho Edler – A função dos paradigmas na atividade científica O autor apresenta algumas ideias de Thomas Kuhn: influenciou criticas às abordagens positivistas da ciência. > preocupação positivista em distinguir ciência, da religião e filosofia, através de seus procedimentos racionais e metodológicos.

12 Kuhn: rejeita a ideia de método universal, com suas regras e técnicas fixas e generalizações teóricas; > assim como recusa a lógica de acumulação do conhecimento científico, por meio de um processo gradativo. > essa lógica de processo evolutivo se deve ao fato das leituras dos cientístas e pesquisadores anteriores serem feitas sob olhares metodológicos e conceituais do presente.

13 Paradigma: diz o que compõe o fenônemo observado e a interação desses componentes entre si e com os nossos sentidos. Ex> anencéfalos. Kuhn: critica a existência de escolas que competem e enfoques em fenômenos particulares aos quais sua teoria melhor compreende ou tenha mais capacidade de explicar. Há assim uma liberdade de métodos e fenômenos, flexibilizando de forma muito ampla para os estudiosos.

14 defesa de que nesse sentido a existência de um paradigma torna positivo ao limitar campos para serem melhor trabalhados. > percebe-se o surgimento de um novo paradigma (concentração de saber) por meio de veículos e ferramentas especializadas, como criação de jornais e cursos, associações específicas.

15 > a existencia de um paradigma restringe o campo de intervenção autorizado / escolhas de problemas legítimos, científicos. > Kuhn: um teoria científica, depois de ter sido tomada como paradigma, só é realmente rejeitada quando há outra para substituir.

16 > quando um novo paradigma é aceito, há um exercício contrário de forçar a natureza a se conformar a ele.

17 3 – Elvira Maciel – Aspectos epistemológicos e éticos da pesquisa clínica > pesquisa sobre o conhecimento médico sobre as doenças, os processos de adoecimento e os métodos de diagnóstico, profilaxia e terapêutica. > questionamento sobre o caráter científico da produção de conhecimento, que não é livre da história e vida comum experimentada fora do laboratório. > dois movimentos inseparáveis para o processo de fazer ciência: um diz respeito a formular um determinado problema de investigação, uma hipótese e transportar para o laboratório para ser testado. Esse movimento representa que o fenômeno está submetido a um protocolo experimental. > o que asseguraria purificaçao e controle dos intervenientes.

18 A autora faz uma discussão sobre o que é aceito como científico, semelhantes ao abordado nos capítulos I e II. (SÓ PARA LEMBRAR, ACABAMOS DE CITAR AS SUPERAÇÕES PARADIGMÁTICAS NO OUTRO ARTIGO)

19 Para Canguilhem (1990 e 1994) seria problemático atribuir à medicina o rótulo de ciência, pois busca tratar doentes e prevenir doenças através do cuidado de indivíduos, então, o domínio da prática clínica não seria propriamente científico. Para Foulcault (1987) a clínica nasce no final do século XVIII, e se dá pela passagem de um quadro classificatório de enfermidades a partir do olhar sobre o corpo doente, para um olhar voltado à produção de conhecimento pela observação de sinais e sintomas

20 > século XX: investigações transferidas dos leitos para os laboratórios: expectativa de vida aumentou e foi reduzido significativamente a incidência de doenças infecciosas. > transição epidemiológica demandando transgressão do espaço do laboratório e da utilização de sistemas inanimados ou animais. > defesa de testagem com seres humanos.

21 A autora levanta a questão ética nas pesquisas em medicina com humanos. Remete aos experimentos feitos pelos nazistas na segunda guerra e à proliferação de pesquisas americanas após esse período, feitas com grande investimento do setor público. (pesquisa com humanos) O consentimento do paciente, apesar de importante, não basta. Daí a importância de comitês de ética, para que o um julgamento externo à relação médico-paciente seja feito.

22 Para finalizar, Elvira Maciel discute dois pontos: 1- o caráter experimental do ato terapêutico em si, pois os médicos sempre experimentam a pesquisa clínica, pois a escolha da técnica de pesquisa, o dimensionamento e a previsão de riscos, o comprometimento com a informação dos sujeitos da pesquisa, da comunidade científica e da sociedade são imprescindíveis.

23 1.4 – Alícia Navarro de Souza – A pesquisa qualitativa em saúde A pesquisa qualitativa na área da saúde é mais recente que nas ciências sociais, embora a medicina seja considerada uma prática social, apoiada nas ciências biológicas e na epidemiologia. > há uma dificuldade de legitimação das pesquisas qualitativas na saúde, em detrimento das epidemiológicas. > pesquisa qualitativa: permite profundidade na compreensão do fenômeno.

24 Pesquisas qualitativas e quantitativas se complementam. Apresentação de três métodos mais tradicionalmente utilizados na pesquisa qualitativa: Observação participante: observação sistemática dos comportamentos e das falas como fonte de coleta principal, ao mesmo tempo que se envolve nas atividades em graus variados.

25 Entrevistas semi-estruturadas ou em profundidade: na primeira, há formulação de um roteiro e questões que podem ser flexibilizadas durante a entrevista; na segunda existe um ou dois temas investigados em detalhe e a maior parte das questões surgem do que o entrevistado diz. Grupos focais: técnica de entrevista em grupo, que considera a interação entre os participantes e que se produz a partir de tópicos lançados pelo pesquisador, que atua como moderador.

26 Defesa de complementaridade entre métodos qualitativos e quantitativos, em aspectos distintos.

27 PARTE 2 SABERES E PRÁTICAS DE SAÚDE: REFLEXÃO SOBRE A CLÍNICA

28 2.1 - Benilton Bezerra Júnior - O normal e o patológico: uma discussão atual Resumo: Aborda a temática do normal e do patológico e realizando uma discussão conceitual a partir do trabalho paradigmático de Georges Canguilhem, que além de muito atual é fundamental para quem vai viver a clínica. Enfatiza que essa discussão deve estar no centro da reflexão clínica e na base da formação dos profissionais de saúde, para que estes não ocupem uma posição subordinada, assimilando e reproduzindo conceitos e pontos de vista de sobre a saúde e a patologia que refletem o imaginário social e teórico vigente, transformando-se – à sua revelia – em agentes de um processo crescente de medicalização da existência e patologização do normal.

29 A demarcação entre saúde e doença orienta a ação terapêutica/clínica. Constatação: sociedade do risco: mensuração de probabilidades de eventos patológicos possíveis.> amparada em ideais de performance física e mental, transformando quase toda a sociedade em patológica.

30 Canguilhem: o normal e o patológico: essencial da medicina sendo a clínica e a terapeutica e não a produção de conhecimento. O médico não deve se valer de dados estatísticos para definir a saúde e/ou a doença.

31 Princípio de Broussais: saúde e doença compondo a mesma realidade da vida, sendo diferenciados pelo cirtério de excesso ou diminuição da excitação (enquanto característica primordial da vida). > Canguilhem concorda com a primeira afirmativa e discorda da segunda: duas formas de definir o normal: como um fato: > aquilo que é mais constante estatisticamente em uma população; > caráter normativo: produção de normas de funcionamento para preservação do estado de saúde.

32 Anomalia: qualquer diferença constatada em relação ao que é prevalente. Normatividade: não como desvio, mas como resposta criativa quanto a norma. Proposta da patologia como resposta do organismo para reequilibrar. Não como negatividade. > assim como saúde não é ausência de doença, mas potencia vital que permite recuperações.

33 Canguilhem destaca: Necessidade de colocar a experiência do sofrimento no centro da terapêutica; indivíduo é quem detém maior conhecimento sobre si e não o médico.

34 2.2 - Rachel Aisengart Menezes – Entre o biológico e o social > relato e discussão de uma pesquisa: objetivo: investigar como se dá o exercício da prática médica quando voltada a indivíduos gravemente enfermos.> realização em um CTI de um hospital do RJ. > observação participante.

35 Hospital naturalizado como espaço direcionado à saúde, doença e morte. Médico ocupando lugar central. > portador de um saber historicamente legitimado. > relação de poder com os usuários e outros profissionais. Realização de um estudo sobre a tomada de decisões médicas referentes à doença, ao sofrimento, à vida e à morte dos pacientes. CTI: pacientes mais graves; equipamento técnico mais sofisticado e equipe com conhecimento e experiência para lidar com esses equipamentos e usuários.

36 PARTE 3 CORPO, SEXUALIDADE E PRÁTICAS EM SAÚDE

37 CTI investigado: 7 leitos; cerca de duas solicitações de vaga por dia. Decisões: internação, medicamento, aparelhagem, reanimação ou não do paciente; O profissional reconhece outros fatores na tomada de decisão, senão o técnico. Paciente ideal: viabilidade, idade, avaliação moral, privilégios.

38 Paciente difícil: rebeldia e não sujeição. culpabilização do doente. Desvalorização do paciente excepcional. Inviabilidade: sem melhora, nem piora; morredor: decisão sobre medicamentos e aparelhos mantidos.

39 3.1 - Jurandir Freire Costa – A medicina como projeto social: controle dos corpos e sexos Resumo: Detendo-se mais no tema da sexualidade, vai chamar nossa atenção para a autoridade cientifica dos médicos que possibilita à medicina fornecer argumentos para a discriminação político-moral. Sendo assim, médicos ou outros profissionais da saúde devem estar atentos para as armadilhas de seu próprio imaginário moral.

40 HISTÓRICO Até o século XVI, para a medicina científica havia somente o macho Segundo a filosofia neo-aristotélica o homem era mais perfeito por possuir mais calor vital que a mulher (a mulher somente o teria em doença e isso poderia acarretar na morte do embrião – seriam os vapores – ainda no século XIX se discutia se as mulheres vaporosas seriam as histéricas), concepção one sex model;

41 Primeiro desenho de esqueleto feminino – 1793 Revolução Francesa - Escancararam-se três grandes desigualdades: homem e mulher, elite e povo, e entre povos colonizados e colonizadores A divisão dos sujeitos humanos a partir de predicados sexuais ou preferências sexuais é uma criação do século XIX. Essa divisão em categorias é tão absurda quanto dividir os homens do mundo em pessoas que usam óculos e que não usam, carecas e não carecas, etc...

42 Lorenz Olken inventou uma classificação de raças a partir de predisposições para sentidos correspondentes: raças olfativas, raças visuais, raças auditivas, etc Atrás de cada idéia de manipulação do real, de instrumentalização do mundo ou do outro, existe um compromisso moral assumido, implícita ou explicitamente. Tudo isto leva a crer que existem histórias das idéias científicas vencidas(...). (p.140)

43 Nem tudo que se apresenta como pura ciência é tão puro assim. Devemos, nós médicos ou outros cuidadores da saúde física e mental, estar atentos para as armadilhas de nosso próprio imaginário moral. Também faz parte do espírito científico saber o que nos leva a colocar certas perguntas e buscar certas respostas. Só deste modo podemos ser fiéis aos preceitos fundamentais de nossa deontologia. (p.143)

44 3.2 - Jacqueline Pitanguy - Gênero, violência e saúde Resumo: Jacqueline Pitanguy nos fala da interferência de variáveis sociais sobre a saúde, em termos de como as relações de poder vigentes na sociedade e seus valores influem no processo de saúde e doença e também nos processos de diagnóstico e tratamento, uma vez que existem laços estruturais entre o corpo e a sociedade. O olhar do profissional de saúde, impregnado por estereótipos sociais, pode deixar de enxergar os efeitos sobre a saúde de formas de violência como as agressões de maridos sobre mulheres, de pais e mães sobre crianças, ocultando o abuso sexual, o estupro. Conclui a autora pela importância da discussão e reflexão sobre em que medida e de que forma, também atualmente, a produção do conhecimento e a atuação cotidiana do médico incorporam padrões sociais vigentes e quais as suas consequências.

45 Existe uma distância entre o que é percebido como violência e o que é qualificado como crime. E também entre o que é qualificado como crime e o que é punido.

46 Grécia Antiga, Pandora abriu uma caixa contendo o mal; a figura da bruxa na Europa durou mais de três séculos; na construção judaico-cristã aparece a figura de Eva e o fruto proibido e em certos trechos da bíblia a mulher e sua sexualidade é demonizada. A associação entre sexualidade feminina e transgressão afeta a configuração do campo saúde e violência. Na África existe a mutilação genital e em alguns países islâmicos é cassado o direito da mulher à identidade civil e imagem corporal.

47 Dentre essas heranças históricas, houve a instituição na medicina do corpo da mulher amparado na imperfeição: manuais anteriores ao século XIX que consideravam o útero como um sacro escrotal invertido; Ambroise Parré, médico francês do século XIX afirmava que o corpo feminino não havia tido a inteligência de colocar seus órgãos para fora; a medicina de cunho aristotélico dizia que a semente que engendrou o homem é superior à que engendrou a mulher; Santo Agostinho reforçava a idéia da menos-valia da mulher ao dizer que sua alma demorava quarenta dias a mais para ficar pronta que a do homem.

48 Em 1993, na Conferência Internacional de Direitos Humanos de Viena, organizada pela ONU, a violência doméstica passou a ser considerada uma violação de direitos humanos. A linguagem de direitos humanos é, portanto, uma linguagem eminentemente política, assim como o são as fronteiras dos conceitos de violência e saúde p. 155.

49 3.3 - Fabíola Rohden – Sexualidade e gênero na medicina Resumo: Fabíola Rohden nos apresenta uma cuidadosa pesquisa histórica, demonstrando como certos avanços ou mesmo especialidades, no caso a Ginecologia e a obstetrícia, não se desenvolveram apenas em consequência de determinados progressos científicos, mas também em virtude das influências e das pressões vindas dos contextos sociais em jogo.

50 HISTÓRICO – VER APOSTILA -A autora propõe mapear o surgimento do interesse da medicina por sexo e sexualidade acentuando a importância do tema reprodução nesse histórico. O fato de concepção, gravidez, parto e aleitamento serem exclusivos do corpo feminino associa diretamente a mulher à reprodução mais significativamente do que o homem

51 PARTEIRAS x CIRURGIÕES x MÉDICOS

52 Surgimento da ginecologia Os americanos Ephraim MacDowell e J. Marions Sims são considerados os pais da ginecologia. O desenvolvimento da obstetrícia traria contribuições importantes para a ginecologia. -Ignace-Philippe Semmelweis – Diante de grande incidência de febre puerperal que matava muitas mulheres, esse austríaco propôs a desinfecção das mãos do médico e o isolamento das pacientes contaminadas, gestos simples que geraram sua condenação pela sociedade médica. A ascensão de Pasteur confirmaria suas suspeitas e a febre passou a ser combatida. - Somente nas últimas décadas do século XIX se ampliou o conhecimento sobre a reprodução. Em 1839 Augustin N. Gendrin relaciona a menstruação à ovulação. - A. Pinard – Obstetra francês preconizou as consultas pré e pós natais e foi considerado o pai da puericultura.

53 A medicina, assim como todos os outros saberes de um modo geral, também sofre influências do contexto em que é produzida e exercida, e em alguma medida aquilo que define como suas bases e seus modos de atuação carrega sempre o peso dos padrões sociais vigentes em cada momento histórico. (p.178)

54 PARTE 4 SAÚDE E SOCIEDADE

55 4.1 – Jane Russo – Do corpo-objeto ao corpo-pessoa: desnaturalização de um pressuposto médico Resumo: Jane Russo discute a tensão entre corpo-objeto e corpo- pessoa, dualidade constitutiva da prática e da formação médicas. Quem adoece não é o corpo-objeto, mas o corpo-pessoa, portanto a doença é indissociavelmente física e moral. Associamos, de um modo geral, a doença a um modo de vida desregrado, malsão. Cada vez mais a medicina, na sua face preventiva, também exorta as pessoas a buscar uma existência regrada, tranquila, equilibrada. Condenação moral, portanto, dos excessos de uma sociedade em busca de valores perdidos? Não terá a valorização do alimento integral a ver com a busca de uma certa integridade moral de cuja ausência nos ressentimos?.

56 O corpo-pessoa sempre resiste a ser corpo-objeto. Por mais despido que esteja cada sujeito sempre será homem ou mulher, jovem ou velho, gordo ou magro, branco ou negro, etc.

57 Eis um paradoxo: a medicina ensina regras do bem-viver, quer mudar o estilo de vida do paciente, e tudo isso, numa dimensão físico- moral da noção saúde/doença; no entanto, vai funcionar em uma espécie de recalcamento dessa dimensão, afirmando cotidianamente o funcionamento biológico do ser humano.

58 4.2 – Madel Therezinha Luz - Biomedicina e racionalidade científica no ensino contemporâneo da área de saúde Resumo: A autora aborda a tensão entre o cientista da doença e o artesão da cura, ou entre o pesquisador (ou teórico da doença) e o terapeuta, estabelecida no profissional médico, sobretudo, ao longo do século XX. Para ela, a arte da cura ficou demasiadamente subordinada à questão da medicina como ciência das doenças, com importante reflexo na formação profissional.

59 Até o século XVI, as curas eram vistas como arte médica, a inter-relação de sujeitos na prática da medicina era a tônica (paradigma indiciário). A racionalidade científica é introduzida já a partir do século XVII, na passagem cultural para a modernidade (para Foulcault, episteme seria a forma coletiva de pensar e ver o mundo em determinado período histórico - Noção de Paradigma, para Carlo Ginzburg).

60 usando viseiras

61 Um médico pesquisador de doenças do campo da biomedicina, e mesmo da psicanálise, não é, necessariamente um bom terapeuta p.197. Exemplifica citando suposto fracasso na atuação clínica de Lacan.

62 Ao tipo de conhecimento do paradigma indiciário (artesão da cura) costuma-se atribuir o rótulo intuitivo. Porém, são raciocínios sintéticos em que a dedução se faz a partir de uma série de experiências singulares de observação que se organizam, formando um acervo de conhecimentos do médico.

63 4.3 – Pedro Gabriel Godinho Delgado – Cidadania e Saúde Mental Resumo: O autor discute a internação por tempo indeterminado, enquanto triunfo da tutela que praticamente provoca a substituição jurídica do sujeito pelo estado. À medida em que o paciente sai do território da casa (manicômio) para a polis o estatuto da tutela precisa ser revisto.

64 Norberto Bobbio – Era dos direitos, discurso exalta o mercado em ambiente econômico nem tão animador assim. TUTELA - mecanismo criado pelo estado para proteger pessoas que não têm autonomia para exercitar seus direitos ou para transitar de forma adequada e feliz na cidade humana.

65 Hannah Arendt – utopia e humanidade na idéia de cidadania. Metáfora do reino da casa e do reino da Polis (cidade) Tendo as condições satisfeitas na casa, atravessa um muro invisível para exercer a liberdade pela atividade política. Para ela, essa é a grande utopia humana: construir a idéia de polis, ou da cidadania. Mulheres, crianças e os escravos atravessam?

66 CASTORIADS – A idéia de cidadão ter sido germinada na sociedade grega (70% de escravos), a configura como utópica e quase ficcional. - A instauração da cidadania não se daria por regras da natureza, mas como uma construção da história humana.

67 Para preservar a vida e a guerra de todos contra todos, formula-se um contrato que dá ao Estado o monopólio da força e das regras. As guerras serão entre Estados inimigos, e não de todos contra todos. HOBBES – as guerras seriam úteis na consolidação do poder do príncipe. Absolutismo.

68 - Revolução Francesa confronta isso, para instaurar uma suposta vontade geral. - Para isso deve predominar a razão. Loucos estariam fora.. A loucura passa a ser problema da democracia, um empecilho para a disciplina urbana. - Por estarem fora da razão, devem ter proteção especial.

69 - Segundo o código civil brasileiro os loucos de todo gênero são absolutamente incapazes - Esse estatuto de tutela vai se estender aos menores de 16 anos, surdos-mudos que não souberem se comunicar e pessoas ausentes. - Asilos destinados a proteger os loucos, protegem a cidade dos loucos. - Exemplo: Parecer do Ministério da Saúde

70 - importância das ações afirmativas para inclusão em registro de cidadania. - Transgressões acontecem quando surgem furos na organização jurídica, por exemplo, quando incapazes votam por erro. - Avanços tem acontecido graças a profissionais que ousam. Nova ética se estabelece, e pode por fim ao prurido com relação a saber se isso faz ou não parte da atividade clínica.

71 4.4 – Ruth Floresta de Mesquita – Implantação de serviços de atendimento em saúde à mulher vítima de violência sexual – A experiência da cidade do Rio de Janeiro. Resumo: A autora relata a experiência de implantação de serviços de atendimento em saúde a mulheres vítimas de violência sexual na cidade do Rio de Janeiro, fruto do trabalho em parceria entre órgãos do poder público e organismos da sociedade civil.

72 Em 1987, o prefeito do Rio de Janeiro sancionou a Lei 1042 instituindo duas unidades da rede pública municipal de saúde como referência para realização do aborto previsto em lei – Unidade Integrada de Saúde Herculano Pinheiro e Instituto Municipal da Mulher Fernando Magalhães. A CEPIA (Cidadania, Estudos, Pesquisa, Informação, Ação – ONG que gestou esse livro, junto com a UFRJ) participou ativamente dessa conquista.

73 Para finalizar a autora comenta a importância da manutenção dos serviços, do investimento na formação dos futuros profissionais de saúde e na educação continuada dos profissionais. Manda um recado para os profissionais da saúde sobre a importância de fortalecimento de políticas públicas que enfrentem os efeitos devastadores da violência sexual sobre a saúde psíquica e física de suas vítimas.

74 SUCESSO PARA VOCÊS !!!


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