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ESTABELECIMENTO DE ENSINO: A INOVAÇÃO E A GESTÃO DE RECURSOS EDUCATIVOS Rui Canário, in: NÓVOA, Antonio( coord). As organizações escolares em análise.

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1 ESTABELECIMENTO DE ENSINO: A INOVAÇÃO E A GESTÃO DE RECURSOS EDUCATIVOS Rui Canário, in: NÓVOA, Antonio( coord). As organizações escolares em análise. Lisboa: Publicações D. Quixote. Lisboa ( Instituto de Inovações Educacionais) 1992

2 INOVAÇÃO: UMA RELAÇÃO ENTRE O CENTRO E A PERIFERIA Durante os anos 60 e 70, época das grandes reformas, foi dominante a tendência para conceber e introduzir nas escolas inovações a partir de cima, com base no poder coercitivo da administração ou na racionalidade intrínseca da inovação, tentando-se, nesse caso, de adaptar às escolas um modelo industrial de produção de inovações.

3 Os resultados não foram brilhantes uma vez que a lógica intrínseca das estratégias verticais subestima a especificidade e a singularidade de cada escola, o papel desempenhado e a inter-relação dos vários atores sociais, o potencial criativo de cada escola.

4 A DESCOBERTA DA IMPORTÂNCIA DA ESCOLA Os anos 80: marcados pela descoberta da escola em termos do reconhecimento da sua importância estratégica ao nível local, na gestão e produção de mudanças no sistema escolar, ou seja, o nível do estabelecimento de ensino é determinante. para a execução eficaz de políticas educativas.

5 É dessa perspectiva - da importância da análise dos problemas e fenômenos educacionais no âmbito da escola - que o autor vai analisar a relação entre a inovação e os recursos educativos. Ele considera pertinente e útil encarar a escola como um sistema organizado de recursos (materiais, humanos, simbólicos) internos e externos, definido pelas fronteiras fixas do estabelecimento.

6 A questão dos recursos de que as escolas dispõem constitui, com efeito, um pano de fundo da problemática da inovação educativa. Paralelamente à idéia de que é dentro das escolas que se processam as inovações, desenvolveu-se também a idéia de que inovar custa caro e exige meios ou seja, a inovação só é possível mediante recursos suplementares. Assim, a insuficiência quantitativa de recursos tornou-se uma explicação cômoda, um discurso alibi para justificar os resultados pouco satisfatórios de numerosas experiências inovadoras.

7 Essa maneira de ver concretizou-se num acréscimo de recursos, que não questiona a lógica de utilização dos já existentes e nem leva em conta a especificidade e a complexidade de cada escola e nem os efeitos que que a produz. Ou seja, a inovação concebida como simples soma ao que já existe dificilmente consegue o impacto necessário para provocar mudanças.

8 Para a análise da relação entre os recursos e a inovação, ao nível do estabelecimento de ensino, propomos uma abordagem que privilegia uma outra gestão dos recursos disponíveis, procurando validar as seguintes idéias: A não pertinência de uma análise centrada em critérios quantitativos dos recursos presentes numa situação educacional A inadequação de uma identificação a priori dos recursos, sem a contextualização de cada realidade educacional; A possibilidade de inovar, numa situação particular, a partir de uma organização diferente dos recursos disponíveis e de uma ação que conduza a transformar limitações em recursos, ou fazer passar estes de uma condição virtual a uma condição real; Associar o processo de inovação a um processo de pesquisa que permita produzir recursos, experimentar e descobrir modos de otimizar sua utilização.

9 PENÚRIA DE RECURSOS: UMA CRISE DURÁVEL O quarto de século posterior ao fim da 2ª Guerra Mundial constitui um período de crescimento econômico sem paralelo na história da humanidade e de expansão sem precedentes dos sistemas de ensino. Paradoxalmente, é no setor educativo que se manifestam sinais evidentes de descontentamento social e sentimentos coletivos de frustração. Numa obra clássica, publicada em 68, Coombs estabeleceu o diagnóstico da crise mundial da educação em que se apontou como um dos cinco fatores essenciais a penúria aguda de recursos, prevendo-se que ela permaneceria e iria se acentuar.

10 Realmente, essas previsões se confirmaram e ficou claro que a penúria de recursos era um dado estrutural que marcaria o futuro dos sistemas de ensino, condenando-os a adaptar-se a um novo contexto que concretizou-se a partir dos anos 70: a diminuição drástica ou mesmo a ausência de recursos destinados à educação.

11 A crise mundial da educação é indissociável de um modelo de expansão dos sistemas de ensino caracterizado pelo crescimento linear e quantitativo. A superação da crise não se dará por acréscimos de recursos mas, pela inovação, entendida como princípio reorganizador dos sistemas de ensino. A adaptação dos sistemas a um novo contexto, de fortes constrangimentos econômicos, indica a necessidade de uma cultura da austeridade, traduzida numa transformação de valores, costumes e crenças quanto à maneira de fazer as coisas.

12 RECURSOS EDUCATIVOS E FUNCIONAMENTO DO ESTABELECIMENTO DE ENSINO É comum entre os professores a queixa em relação à penúria de recursos, supondo-se que os fenômenos educativos que ocorrem na escola seriam explicáveis a partir de fatores externos e anteriores à situação de ensino. Assim, a simples existência de mais recursos teria efeitos diretos na natureza, modalidades e efeitos da ação educativa.

13 No entanto, a investigação empírica não confirma essa crença. Estudos sobre os efeitos no rendimento dos alunos de recursos como: equipamentos, bibliotecas, laboratórios etc evidenciam que, o que está em jogo, é o modo como, em cada situação concreta, os recursos são mobilizados pelos atores e traduzidos numa ação educativa.Se as escolas continuarem a utilizar os seus recursos da mesma maneira que atualmente, dar- lhes mais meios não terá influência nos resultados das crianças medidos pelos testes. Se as escolas organizarem de forma diferente o uso dos seus recursos, é possível imaginar que os recursos suplementares possam dar melhores resultados.

14 O ESTABELECIMENTO DE ENSINO: SISTEMA COMPLEXO E IMPREVISÍVEL Num estabelecimento tradicional de ensino, a organização do espaço privilegia um modelo de escola que favorece a homogeneidade. Contudo é sabido que mesmo nessas condições, dar uma aula comporta, potencialmente, uma grande diversidade de soluções diferentes. O modo como os diferentes tipos de recursos didáticos são mobilizados, a coerência e o sentido que lhes são atribuídos correspondem a um processo que depende dos atores envolvidos (professores e alunos), e é marcado pela imprevisibilidade e pela capacidade desses atores para realizar as conexões mais inesperadas. Ou seja, os recursos são, parcialmente, criações do observador, em função de sua leitura da realidade.

15 Assim, a identificação de recursos constitui um momento privilegiado de elaboração coletiva de um projeto educativo sendo, ao mesmo tempo, um processo de pesquisa e de aprendizagem que permitirá lucidez sobre a estratégia de ensino a ser adotada e ao mesmo tempo, a transformação de limitações em recursos. Essa articlação permanente entre objetivos da ação – limitações - recursos, em função de uma estratégia, não é outra coisa senão o projeto do estabelecimento, expressão de um compromisso coletivo, permanentemente re- elaborado pelos atores na escola.

16 INOVAÇÃO: UMA OUTRA GESTÃO DOS RECURSOS EDUCATIVOS A pertinência de considerar o estabelecimento de ensino como nível privilegiado quer para estudar, quer para desenvolver processos de inovação educativa é corroborada pela análise de diferentes experiências inovadoras, adotadas em diversos estabelecimentos escolares. O autor apresenta e discute alternativas como a criação de centros de recursos nas escolas e a articulação da escola com a comunidade local.

17 RECURSOS, ESTRATÉGIA E PROJETO DE ESCOLA O estabelecimento de esino corresponde a uma forma determinada de organização de relações entre os seus diversos componentes materiais e humanos, susceptível de mudança. A forma assumida, em cada momento, por esse sistema de relações é o resultado da ação, mais ou menos consciente, dos indivíduos. É o produto em permanente elaboração e re- elaboração da ação humana.

18 A sua transformação, ou simples pilotagem, num contexto em que as mudanças do meio envolvente são inevitáveis e imprevisíveis, exige que se pense ao nível da totalidade, a partir de uma atitude prospectiva, ou seja, que se evolua de uma navegação à vista para a elaboração de uma estratégia. Essa estratégia materializa-se no projeto educativo de cada estabelecimento.

19 A dificuldade dessa transformação reside numa atitude fatalista, rotineira e desinvestida por parte dos professores, que tende a se modificar sob um modelo de gestão democrático e participativo. Mais do que os sistemas escolares, as escolas estão condenadas à inovação e a fazê-lo num contexto estrutural de penúria de recursos. Para que as inovações sejam possíveis é necessário favorecer situações que permitam aos professores aprender a pensar e agir de forma diferente, enriquecendo, reconstruindo e reorientando a sua cultura profissional.


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