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INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA LICENCIATURA EM ORGANIZAÇÂO E GESTÃO DE EMPRESAS 2º SEMESTRE – ANO LECTIVO 2004/2005 Economia Global.

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1 INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS DO TRABALHO E DA EMPRESA LICENCIATURA EM ORGANIZAÇÂO E GESTÃO DE EMPRESAS 2º SEMESTRE – ANO LECTIVO 2004/2005 Economia Global Aula teórica 6: As estruturas de regulação das relações económicas internacionais no século XX O Fundo Monetário Internacional

2 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre As estruturas de regulação das relações económicas internacionais no século XX O Sistema Monetário Internacional (SMI) numa perspectiva histórica Considerações prévias O SMI no período de vigência do Padrão Ouro (1870 – 1914) O SMI no período entre guerras O SMI no pós IIGG: O sistema de Bretton Woods O SMI no início da década de 70: a generalização dos sistemas de câmbios flexíveis O FMI O comércio internacional: do GATT à OMC O GATT Os resultados da actuação do GATT A criação da OMC

3 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre bibliografia Bibliografia fundamental: Stiglitz, J. (2000), "The Insider: What I Learned at the World Economic Crisis", New Republic, 17 de Abril. Feldstein, M. (1998), "Refocusing the IMF", Foreign Affairs, vol. 77 (2). Bibliografia complementar: Barro, R. (1998), "The IMF doesn't put out fires, it starts them", Business Week, 7 de Dezembro, p.18. Boileau, M. (2002), "A Primer on the IMF and the World Bank", Mimeograph. Fisher, S. (1999), "On The Need for an International Lender of Last Resort", working paper. Frankel, Jeffrey A.(1999), "International Lender of Last Resort Primer on the IMF and the World Bank", Mimeograph, Harvard University. Masson, Paul e Michael Mussa (1997), The Role of the IMF - Financing and Its Interactions with Adjustment and Surveillance, Pamphlet Series No.50, International Monetary Fund, Washington DC. Meltzer, A. (1999), "What's Wrong with the IMF? What Would Be Better?", The Independent Review, vol. IV (2), pp Sachs, J. (1997), "IMF is a power unto itself", Financial Times, 11 de Dezembro. Shultz, G., Simon, W. e Wriston, W. (1998), "Who Needs the IMF?", The Wall Street Journal, 3 de Fevereiro.

4 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre FMI Os primeiros passos Os objectivos iniciais As fases As funções actuais Os Estados-membros Organograma Os recursos financeiros Os mecanismos de apoio financeiro A condicionalidade O modelo de intervenção A supervisão Balanço crítico dos 50 anos de existência As críticas aos esquemas de intervenção As críticas à estrutura e funcionamento interno da organização A resposta às críticas: algumas iniciativas recentes

5 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre FMI – breve enquadramento os primeiros passos 1944 Organização supranacional de carácter permanente criada em BW por iniciativa dos principais países industrializados. Missão: Regular e fiscalizar o sistema financeiro internacional As regras estabelecidas em BW para o SMI entraram em vigor 1946 Primeira reunião do Conselho de Governadores 1947 Primeiro empréstimo concedido (França ) O início das operações do FMI

6 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Os objectivos iniciais do FMI princípios estabelecidos em bw Promover a cooperação monetária internacional Garantir a estabilidade cambial Facilitar o crescimento das trocas comerciais Contribuir para criar um sistema multilateral de pagamentos para as transacções correntes entre membros Eliminar as restrições cambiais Por à disposição dos membros meios para resolverem desequilíbrios da Balança de Pagamentos sem terem de recorrer a medidas que comprometam mais que o necessário a sua prosperidade futura Encurtar a duração e reduzir o grau de desequilíbrio das Balanças de Pagamentos dos membros 1944 Dexter White e Keynes na 1ª reunião do FMI EUA,

7 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre FMI - as fases As alterações ocorridas na comunidade internacional foram exigindo redefinições nos: Objectivos Funções Mecanismos de intervenção revisões nos estatutos 1ª revisão dos Estatutos (1969) A expansão do comércio nos anos 50 e 60 os meios de reserva (ouro e dólares) começaram a revelar-se insuficientes os Bancos Centrais acusavam dificuldades em assegurar o incremento das reservas para aumentar a liquidez internacional o FMI criou um novo activo de reserva (Direitos de Saque Especiais) do FMI

8 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre FMI - as fases 2ª revisão dos Estatutos (1978) – severa modificação nos princípios estruturantes do SMI Abandono do sistema acordado em BW Introdução da possibilidade de cada país escolher livremente o seu regime cambial O princípio que estabelecia a estabilidade cambial como sendo um fim em si mesmo é revogado 3ª revisão dos Estatutos (1990) – aprovação de um novo regime de penalizações para os membros que não cumpram as suas obrigações financeiras para com o FMI Sanções introduzidas: Bloqueio do poder de voto Suspensão dos seus direitos de membro

9 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre As funções actuais do FMI: S upervisão – Assist. Técnica – Assist. FinanceiraSupervisão: Apuramento e publicação de indicadores sobre cada país Acompanhamento das políticas económicas: Nacionais Regionais Globais (World Economic Outlook e Global Financial Stability Report ) Os técnicos do Fundo realizam visitas periódicas aos países membros Assistência técnica Assistência técnica: Disponibiliza meios para permitir aos países reforçar as competências de gestão dos seus recursos humanos e a estrutura das suas instituições Possibilita aos seus membros solicitar aconselhamento em diversas áreas: Concepção e implementação de políticas fiscais e monetárias Revisão de legislação económica e financeira Arquitectura de instituições (Banco Central, Tesouro, Departamentos de Controlo Fiscal e Aduaneiro, Serviços de Estatística) Assistência financeira Assistência financeira: providenciando recursos para apoiar as reformas pertinentes para solucionar desequilíbrios da BP

10 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Os Estados-membros Número de países Anos

11 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Organograma – a estrutura do FMI O Director-Gerente O Director-Gerente Responsável hierárquico máximo da instituição. O Conselho de Governadores O Conselho de Governadores Órgão máximo do FMI Constituído pelos representantes de cada país membro (normalmente Ministro das Finanças + Governador do Banco Central) Reúne uma vez por ano O Conselho Provisório O Conselho Provisório Órgão que representa o Conselho de Governadores no acompanhamento da actividade corrente do FMI Constituído por 24 Governadores Reúne duas vezes por ano Rodrigo de Rato y Figaredo (actual Director Gerente do FMI)

12 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Organograma – a estrutura do FMI O Directório Executivo Órgão colectivo que acompanha a actividade quotidiana do FMI (reúne 3x/semana) Supervisiona: a política cambial dos países membros a prestação de assistência financeira Analisa a evolução da economia internacional Constituído por 24 directores executivos: 9 Directores - nomeados pelos países com maior quota 15 Directores - eleitos por grupos de países geograficamente próximos. O Corpo de Funcionários Inclui 2,700 pessoas, oriundas da maior parte dos países membros Estrutura-se em 4 departamentos: Departamento de Bancos Centrais Departamento Jurídico Departamento de Estatísticas Departamento de Finanças Públicas O Comité para o Desenvolvimento Constituído por 24 Governadores do FMI ou do Banco Mundial Órgão criado para acompanhar a intervenção do FMI nos países em desenvolvimento.

13 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Organograma A composição do Directório Executivo Os países que pela dimensão da sua quota nomeiam representante são: Estados Unidos (17,8% da quota e dos votos - país com maior quota individual) Alemanha (5,54%), Japão (5,54%), França (4,98%), Reino Unido (4,98%), Arábia Saudita (3,45%), Rússia (2,9%) China (2,28%). Os restantes membros são representados através de um Director eleito por grupos de países. Portugal integra um grupo de países da Europa do Sul conjuntamente com a Itália, a Grécia, a Albânia, Malta e São Marino. Este grupo detêm 4,02% dos votos. Portugal (0,41% - quota em % do total)

14 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Os Recursos financeiros Os recursos financeiros do FMI são as quotas pagas pelos seus membros. A quota de cada país é determinada em função: do PIB nacional e sua importância relativa no PIB mundial; das reservas oficiais de ouro e divisas do país; dos rendimentos e pagamentos correntes internacionais do país. O valor da quota é importante porque: o princípio adoptado nas votações é o de "um dólar, um voto (e não "um país, um voto) Consequência: quanto maior a quota do país maior o seu poder para influenciar as decisões EUA+Alemanha+Japão+França+Reino Unido detêm 38,8% dos votos determina o montante de recursos financeiros a que um país tem acesso - as "linhas de crédito" são fixadas em % das quotas.

15 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre FMI – Os mecanismos de apoio financeiro Os empréstimos concedidos pelo FMI visam permitir a resolução de problemas de desequílibrio externo. - Este apoio é concretizado através de um esquema que permite aos países com dificuldades aumentar as suas reservas de divisas, estabilizar o valor da taxa de câmbio e iniciar a recuperação económica - Nas últimas décadas, os montantes dos empréstimos e sua duração foram alvo de fortes alterações. Choques petrolíferos Crises do serviço da dívida dos países da América Latina Desaparecimento do bloco soviético Trouxeram um painel de desafios à estabilidade do sistema financeiro aos quais o FMI foi respondendo com novos instrumentos

16 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre FMI – Os mecanismos de apoio financeiro As Tranches de Reserva Mecanismos Permanentes Mecanismo de Financiamento Compensatório e de Financiamento para Imprevistos O Mecanismo de Financiamento dos Stocks Reguladores O Mecanismo Alargado de Crédito Mecanismos Temporários O Mecanismo Petrolífero O Mecanismo de Financiamento Suplementar A Política de Acesso Alargado Mecanismos Especiais O Fundo Fiduciário A Facilidade de Ajustamento Estrutural A Facilidade de Ajustamento Estrutural Reforçada Participação Directa nas Reestruturações da Dívida Externa Bancária Facilidade para a Transformação Sistémica Mecanismos criados para dar resposta a problemas pontuais que tenham afectado fortemente a economia internacional

17 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre As tranches de reserva Única modalidade de assistência prevista nos estatutos iniciais Funciona como linha de crédito ao serviço da economia mundial É um sistema de compra e venda de diferentes moedas: Os países que necessitem de um empréstimo para diminuir o desequilíbrio da sua BP entregam ao FMI uma quantidade da sua moeda e obtêm à paridade fixada uma quantidade da moeda que precisam para fazer face aos pagamentos internacionais O montante de endividamento máximo por país depende da quota O instrumento tradicional de intervenção

18 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Os mecanismos permanentes Têm carácter especial mas revestem-se de natureza permanente Foram criados para alargar os instrumentos de apoio aos membros Destacam-se: Mecanismo de Financiamento Compensatório e de Financiamento para Imprevistos (1963) Direccionado para países em desenvolvimento Visa compensar as quedas de receitas de exportação de mercadorias (devido a diminuição do preço internacional das matérias-primas, calamidades), das receitas de turismo ou das remessas de emigrantes Mecanismo de Financiamento dos Stocks Reguladores (1969) Mecanismo Alargado de Crédito (1974) Visa fazer face a dificuldades do tipo estrutural Pretende apoiar países com dificuldades derivadas do desequilíbrio da BP mas que precisam de empréstimos de valor superior e de prazo mais alargado que os concedidos pelo mecanismo das tranches

19 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Os Mecanismos especiais O Fundo Fiduciário (em vigor entre 1976 e 1981) Concebido para conceder ajuda suplementar em termos vantajosos a países com necessidades financeiras mais fortes para promover programas de ajustamento A Facilidade de Ajustamento Estrutural – FAE (1986) Mecanismo de concessão de empréstimos de médio prazo a baixas taxas de juro condicionados à apresentação de um documento quadro de política económica A Facilidade de Ajustamento Estrutural Reforçada (1987) Prolongamento do FAE mas em que os montantes de empréstimo que podem ser solicitados são mais elevados Participação Directa nas Reestruturações da Dívida Externa Bancária (1989) Mecanismos financeiros em que se prevê que parte do financiamento concedido seja usado para pagamento de dívida ou juros A Facilidade para a Transformação Sistémica (1993) Instrumento criado para apoiar Rússia e países da ex-URSS na implementação de programas de transição para economias de mercado

20 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Objectivos da ajuda financeira Todas as metas são sempre subordinadas ao objectivo último de equilíbrio externo Preocupações com: crescimento e desenvolvimento económicos efeitos sociais negativos da estabilização conjuntural equidade, …. são sempre secundárias Os programas de ajustamento pretendem alcançar posição sustentável da balança corrente taxa de inflação reduzida taxa estável e alta de crescimento económico nível suportável de dívida externa

21 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A condicionalidade - políticas de utilização dos recursos do fmi " Quando o FMI concede apoio financeiro a um país tem de ter a certeza de que ele irá prosseguir políticas que melhorem ou eliminem o seu problema de pagamentos externos. O compromisso explícito que os membros aceitam de implementarem medidas que remedeiem aquele problema em troca do apoio do Fundo é conhecido por "condicionalidade". (in IMF Bulletin, número especial de Setembro de 1997)

22 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A condicionalidade - políticas de utilização dos recursos do fmi Os pedidos de acesso a fundos ao abrigo das tranches superiores de crédito, do "mecanismo alargado de crédito" e da "política de acesso alargado", dependem de um exame prévio do FMI que: 1.Avalia a compatibilidade entre: Estatutos Natureza dos desequilíbrios Programa de intenções apresentado pelo país 2. Estabelece (em função da apreciação anterior): As tranches de crédito Os termos do escalonamento As cláusulas de realização e os objectivos do programa As medidas de política económica e financeira a implementar A condicionalidade permite ao FMI condicionar as políticas económicas dos países nos quais intervém

23 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A condicionalidade A condicionalidade visa: aumentar as probabilidades dos fundos disponibilizados: serem usados na prossecução dos fins para os quais são atribuídos (i.e. o reequilíbrio das contas externas); conseguir que os problemas que motivaram os desequilíbrios sejam ultrapassados de forma duradoura. assegurar o reembolso dos saques projectar regras de boa conduta penalizar os países que se confrontem com crises financeiras por não terem orientado correctamente as suas políticas públicas

24 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A condicionalidade Questões discutidas aquando da negociação do acordo 1. Condições prévias "pré-condições; medidas que formalmente não constam dos acordos mas são consideradas pelo FMI como essenciais para que eles sejam assinados; funcionam como manifestação de vontade do governo do país de implementar o programa estabelecido. 2. Critérios de avaliação de cumprimento dos programas são metas quantitativas definidas para certas variáveis visando avaliar se os acordos estão a ser cumpridos 3. Conjunto de medidas de política económica que constituem o programa

25 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A condicionalidade Questões discutidas aquando da negociação do acordo 4. Grau de flexibilidade do FMI à definição e execução do programa FMI baseia as suas intervenções num contrato-tipo que adapta às características de cada país 5. Prazo de execução do programa e prazo de efeito do mesmo Estes programas requerem sempre pelo menos 2 anos para começar a produzir resultados a duração do programa terá de estar acima deste limite 6. A condicionalidade cruzada As agências bilaterais de ajuda ao desenvolvimento e a banca comercial por vezes impõem como condição para a concessão de novos apoios ou empréstimos, o estabelecimento de um acordo com o FMI

26 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A condicionalidade: um princípio a respeitar em todas as situações? A condicionalidade tem sido principalmente questionada no âmbito dos processos de intervenção em economias em desenvolvimento. Motivo: nas economias pouco desenvolvidas é pertinente colocar a questão: A quem deve ser atribuída responsabilidade pelos desequilíbrios observados? Em muitas situações, as dificuldades sentidas por estes países têm origem em factores externos que incidem sobre os preços e volumes de exportação dos bens que colocam nos mercados internacionais. Assim importa avaliar se a intervenção do FMI não deve ter em conta: o nível de desenvolvimento do país – não seria mais adequado procurar compatibilizar as políticas de ajustamento com as de desenvolvimento? a origem dos problemas da BP – será que a um país que se depara com um défice da BP porque levou a cabo políticas económicas pouco idóneas devem ser feitas as mesmas exigências que a países que se confrontem com problemas da BP por pressão de forças exógenas?

27 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre O modelo de intervenção Hipótese dos programas do FMI O desequilíbrio externo resulta do desequilíbrio interno = Os problemas do país derivam do facto de estar a gastar mais do que o que ganha "vivendo acima das suas possibilidades" O reequilíbrio exige a redução da despesa interna Hipótese que os economistas do FMI assumem quando analisam um processo: Se saldo da BP<0 é porque o país implementou políticas monetárias que provocaram um excesso de moeda em circulação.

28 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre O modelo de intervenção um modelo do lado da procura O combate ao desequilíbrio da BP deve ser realizado pelo controlo da procura interna. Medidas comuns dos programas de ajustamento: Diminuição das despesas públicas (redução da intervenção do Estado na economia e na dimensão do aparelho de Estado) Aumento da carga fiscal Alterações nos esquemas de gestão das empresas públicas (através de processos de privatização) Promoção das exportações (via desvalorização) Aumento do controlo prudencial das instituições do sector bancário Esta abordagem defende que os ajustamentos se têm de processar através de uma recessão mas nunca lançando barreiras nem sobre os fluxos de capitais, de bens ou de serviços.

29 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A supervisão Função atribuída ao Fundo na 2ª revisão dos seus estatutos Objectivos: Criar mecanismos de previsão de ameaças à estabilidade dos mercados de capitais Visando reduzir a frequência e a magnitude das perturbações negativas derivadas do funcionamento dos mercado financeiros Permitir que os países beneficiam de um enquadramento macroeconómico que favoreça o crescimento económico sustentável Expansão e diversificação dos movimentos internacionais de capitais Supervisão adquire uma importância superior Reduzir os riscos Potenciar os benefícios da integração da economia mundial Consequência Alargamento das políticas económicas monitorizadas pelo FMI

30 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A supervisão áreas em que o FMI acompanha Política monetária, fiscal e cambial Políticas estruturais abrange políticas que possam ter impacto no desempenho macroeconómico – ex. políticas relativas ao comércio externo, mercado de trabalho Questões relacionadas com o sector financeiro Aspectos de natureza institucional Independência do BC, regulamentação que incide sobre o sector financeiro, transparência no funcionamento das organizações,…

31 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Balanço crítico dos 50 anos de existência do FMI As primeiras intervenções do FMI foram relativamente bem conseguidas O FMI foi criado para implementar a cooperação monetária internacional num contexto que se revelou insustentável O fracasso do sistema de BW deve ser encarado como uma consequência da incapacidade do FMI para ter apresentado um programa de intervenção eficaz face aos problemas que se afirmaram O FMI publica um relatório semestral que apresenta previsões macroeconómicas e enumera os principais perigos que se afirmam no contexto internacional – aspecto bastante positivo A análise do desempenho dos países que beneficiaram do FAE e FAER na década de 80 não permite atribuir um sinal inequívoco a estas iniciativas O balanço dos programas de intervenção nos países mais pobres (África e América Latina) aponta para retrocessos na pobreza pelo que nestes países os esquemas de intervenção devem ser repensados

32 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Balanço crítico dos 50 anos de existência do FMI Queda do muro de Berlim o FMI passou a ser uma organização universal (por alargamento do número de membros) A integração das economias do 2º Mundo trouxe novos desafios. O FMI interveio defendendo a implementação de programas de transição assentes no tratamento de choque Resultados das políticas adoptadas: inflação, desarticulação dos esquemas de produção, … – instalação de cenários de caos em diversos países

33 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre As críticas aos esquemas de intervenção do FMI O facto dos programas de ajustamento privilegiarem sempre a área monetária e a balança de capitais à custa dos efeitos no sector real Em diversos casos não são realizados os estudos necessários para contabilizar os efeitos das medidas sugeridas – situação evidente no que se relaciona com os efeitos das desvalorizações – o recurso a este instrumento deve ter em conta: Os efeitos na BP (estimando se os aumentos esperados nas quantidades exportadas mais do que compensam as reduções no valor de cada unidade transaccionada) Os efeitos na taxa de inflação Em vários países acentuaram-se efeitos contrários aos que o FMI antecipou, tendo-se registado: Aumento do défice da BP Elevadas pressões inflaccionistas

34 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre As críticas aos esquemas de intervenção do FMI As intervenções nos países menos desenvolvidos manifestaram-se desadequadas na dimensão dos empréstimos concedidos e na sua duração As políticas de limitação da procura têm custos sociais elevados Críticas ao conteúdo da condicionalidade Impor regras de política económica como contrapartida dos seus empréstimos não é censurável. Mas há um problema com o tipo de medidas sistematicamente solicitadas, com a orientação das suas intervenções, etc. Programas adoptados são bastante padronizados – estando mais ajustados às condições dos países industrializados que dos países em desenvolvimento Apesar de se reconhecer que parte das causas dos desequilíbrios são derivados da estrutura e/ou da conjuntura internacional não é pedido aos países que dela beneficiam (os países superavitários) que participem no reequilíbrio das contas externas dos países deficitários

35 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre As críticas à estrutura do FMI Inadequação de representação dos países – exemplo: as quotas da Ásia não acompanharam o seu crescimento poder de voto da China (2,95%) é inferior ao que detém a Arábia Saudita (3,23%) Falta de transparência de diversos processos e decisões Ausência de mecanismos de controlo e de avaliação da gestão efectuada dos recursos à sua guarda Fortes pressões de grupos de interesse nas políticas do Fundo, nos empréstimos que autoriza, …

36 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre A resposta às críticas Algumas iniciativas recentes Preocupação crescente com a definição de uma nova arquitectura do SMI Resultados deste processo: 1999 – criação da Contingent Credit Line - mecanismo de apoio aos países com problemas na BP derivados de efeitos de contágio financeiro 2000 – na linha do aumento da vigilância de riscos à estabilidade dos mercados de capitais, o FMI passou a disponibilizar informação sobre os mercados emergentes com maior periodicidade 2001 – FMI anunciou a criação de um Departamento para supervisionar os mercados internacionais de capitais (objectivos: aumentar a vigilância, prevenir surgimento de crises e desenvolver competências adicionais na gestão de crises)

37 Economia Global Ano lectivo 2004/2005 – 2º semestre Algumas das últimas iniciativas Para resfriar as críticas à sua actuação criou: Um departamento independente com a missão de imparcialmente avaliar as suas operações Passou a disponibilizar mais informação sobre as suas actividades de financiamento – nomeadamente através do site (www.imf.org)www.imf.org Para procurar soluções de carácter estrutural para os problemas dos países menos desenvolvidos e em desenvolvimento: Tem estabelecido várias delegações de regionais para: Qualificar recursos humanos na gestão das questões relacionadas com as políticas monetária e financeira Criação do Comité para o Desenvolvimento (visando estreitar a articulação dos seus programas para os países pouco desenvolvidos com os do Banco Mundial)


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