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PROJETO DE LEITURA-ANÁLISE Jane Austen Delinha Vilas Boas.

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Apresentação em tema: "PROJETO DE LEITURA-ANÁLISE Jane Austen Delinha Vilas Boas."— Transcrição da apresentação:

1 PROJETO DE LEITURA-ANÁLISE Jane Austen Delinha Vilas Boas

2 Objetivos: Estimular a turma a ler enredos literários para ampliar o domínio da linguagem plurissignificativa. Promover a pesquisa científico-bibliográfica sobre os temas que dialogam com os livros lidos de acordo com a ABNT. Debater os temas (fórum). Produzir resumos, resenhas e textos-pesquisa. Elaborar roteiros e filmar curtas-metragens (narrativas) ou documentários (temática). Produzir dissertação sobre o tema relacionamento entre homens e mulheres (UFMS/2005).

3 Justificativa: O trabalho se justifica porque observa-se que, além de o aluno de não ter o hábito da leitura, quando a faz, geralmente o maior objetivo é cumprir um requisito de avaliação escolar. E o prazer parece uma outra forma de estimulá-lo ao hábito. Por isso esse projeto une tanto Leitura-prazer: Livro na mão como leitura-análise com enfoque na compreensão e interpretação dos enredos.

4 Além disso, deseja-se que o aluno dialogue não só com o texto literário, mas com outros gêneros, como por exemplo, o cinematográfico, o histórico-científico. Para alcançarmos esse objetivo é necessário que o aluno entenda como proceder na redação de um texto científico, cujo resultado vem da pesquisa bibliográfica. É preciso compreender que não basta usar copiar e colar da Internet ou outra fonte, mas há que selecionar organizar o conteúdo para escrever, com vocabulário próprio outro texto, o da pesquisa.

5 ESTRATÉGIAS DE LEITURA: I – A leitura interpretativa: - Mesa Temática (fórum): debates sobre os temas presentes nas obras. II – A leitura na esfera da produção textual: - A técnica do resumo. - A técnica da resenha. III – A leitura na esfera científica: - O artigo científico a partir das pesquisas bibliográficas ( propostas a seguir). IV – Leitura (esfera artística): - O texto dramático. - Produção de curtas-metragens e documentários (multimídia).

6 Pesquisa Bibliográfica: a) As guerras na Idade Média: - Os tratados de Utrecht ( ). - A guerra da Tríplice Aliança. - A guerra da sucessão da Áustria. - A guerra dos Sete Anos. b) O tratamento dispensado à mulher na Idade Média. c) A desigualdade social na Idade Média. d) A mulher como escritora na Idade Média. e) As danças na Idade Média. f) Os casamentos arranjados na Idade Média.

7 g) Como o amor era vivido na Idade Média. h) A Revolução Francesa. i) A Revolução Industrial. j) O Iluminismo (os filósofos). m) As músicas da época. n) Belle Époque. o) Os casamentos na atualidade. p) A desigualdade social na Idade Contemporânea. q) Comparação da mulher na Idade Média e com a mulher na atualidade.

8 1. A técnica do resumo: A Norma NBR 6028, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, define resumo como "apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto". Uma apresentação sucinta, compacta, dos pontos mais importantes de um texto. Esta definição pode, no entanto, ser melhorada: resumo é uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto, ressaltando a progressão e a articulação delas.

9 Nele devem aparecer as principais ideias do autor do texto. Objetivo: O resumo abrevia o tempo dos pesquisadores; difunde informações de tal modo que pode influenciar e estimular a consulta do texto completo. Para o pesquisador o resumo é um instrumento de trabalho.

10 Deve destacar: o assunto do trabalho; o objetivo do texto; a articulação das ideias; as conclusões do autor da obra resumida; ser redigido em linguagem objetiva; não apresentar juízo crítico; ser inteligível por si mesmo (isto é, dispensar a consulta ao original); evitar a repetição de frases inteiras do original; respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são apresentados.

11 Um resumo pode ter variadas formas: a) Apresentar apenas um sumário das ideias do autor. b) Narrar as ideias mais significativas. c) Condensar o conteúdo de tal modo que dispense a leitura do texto original. Os procedimentos para realizar um resumo incluem: A) Em primeiro lugar: descobrir o plano da obra a ser resumida.

12 B) Em segundo lugar: a pessoa que está realizando-o deve responder, no resumo, a duas perguntas: a) o que o autor pretende demonstrar? b) De que trata o texto? C) Em terceiro lugar: deve-se ater às ideias principais do texto e a sua articulação. Muito importante nesta fase é distinguir as diferentes partes do texto. D) Em quarto lugar: é a de identificação de palavras-chaves. E) Em quinto lugar (último): passa-se à redação do resumo.

13 ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, p. Texto integral: EXEMPLO DE RESUMO: Examina redações de candidatos a vestibulares (1978), obtidas da FUVEST. O livro resultou de uma tese de doutoramento apresentada à USP em maio de Objetiva caracterizar a linguagem escrita dos vestibulandos e a existência de uma crise na linguagem escrita, particularmente desses indivíduos. Escolheu redações de vestibulandos pela oportunidade de obtenção de um corpus homogêneo.

14 Sua hipótese inicial é a da existência de uma possível crise da linguagem e, através do estudo, estabelecer relações entre os textos e o nível de estruturação mental de seus produtores. Entre os problemas, ressaltam-se a carência de nexos, de continuidade e quantidade de informações, ausência de originalidade. Também foram objeto de análise condições externas como família, escola, cultura, fatores sociais e econômicos. Um dos critérios utilizados para a análise é a utilização do conceito de coesão.

15 A autora preocupa-se ainda com a progressão discursiva, com o discurso tautológico, as contradições lógicas evidentes, o nonsense, os clichês, as frases feitas. Chegou à conclusão de que 34,8% dos vestibulandos demonstram incapacidade de domínio dos termos relacionais; 16,9% apresentam problemas de contradições lógicas evidentes. A redundância ocorreu em 15,2% dos textos. O uso excessivo de clichês e frases feitas aparece em 69,0% dos textos.

16 Somente em 40 textos verificou-se a presença de linguagem criativa. Às vezes o discurso estrutura-se com frases bombásticas, pretensamente de efeito. Recomenda a autora que uma das formas de combater a crise estaria em se ensinar a refazer o discurso falho e a buscar a originalidade, valorizando o devaneio. Segundo a NBR 6028, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, deve-se evitar o uso de parágrafos no meio do resumo. Portanto, o resumo é constituído de um só parágrafo.

17 Texto-resumo: ROCCO, Maria Thereza Fraga. Crise na linguagem: a redação no vestibular. São Paulo: Mestre Jou, p. Estudo realizado sobre redações de vestibulandos da FUVEST. Examina os textos com base nas novas tendências dos estudos da linguagem, que buscam erigir uma gramática do texto, uma teoria do texto. São objeto de seu estudo a coesão, o clichê, a frase feita, o "não- texto" e o discurso indefinido. Parte de conjecturas e indagações, apresenta os critérios para a análise, o candidato, o texto e farta explicação.

18 ESTILO E EXTENSÃO: O resumo deve salientar o objetivo, o método, os resultados e as conclusões do trabalho. Não é desejável que se esqueça de apresentar os objetivos e os assuntos do texto original, bem como os métodos e técnicas de abordagem, mas sempre de forma concisa. Também será objeto do resumo a descrição das conclusões, ou seja, as consequências dos resultados.

19 A norma da ABNT recomenda que o resumo tenha até 100 palavras se for de notas e comunicações breves. Se se tratar de resumo de monografias e artigos, sua extensão será de até 250 palavras. Resumo de relatórios e teses podem ter até 500 palavras.

20 Quanto ao estilo, deve ser composto com frases concisas, evitando-se enumerar tópicos. A primeira frase explica o assunto do texto. Em seguida, indica-se a categoria do tratamento. Do que se trata? De estudo de caso, de análise da situação? Preferencialmente, serão escritos os resumos em terceira pessoa do singular e com verbos na voz ativa.

21 Resumo é, pois, uma apresentação concisa de elementos relevantes de um texto; um procedimento de reduzir um texto sem destruir-lhe o conteúdo. Constitui-se em forma prática de estudo que participa ativamente da aprendizagem, uma vez que favorece a retenção de informações básicas.

22 TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO DE RESUMO O resumo deve destacar: Elementos bibliográficos do texto; sua ficha técnica: Sobrenome do autor, nome. Título da obra. Local de publicação do texto.

23 Editora. Ano. Páginas. Tipo de texto, ou gênero a que se filia (literário, didático, acadêmico). Resumo do conteúdo: assunto do texto, objetivo, métodos, critérios utilizados, conclusões do autor da obra resumida.

24 A elaboração de resumos exige mais habilidade de leitura que de escrita. O resumo permite melhor compreensão das ideias expostas, uma vez que, para realizá-lo, é necessário apreender a estrutura do parágrafo.

25 Não cabem no resumo comentários ou julgamentos apreciativos. E ainda acrescentam que a dificuldade de resumir um texto pode advir da complexidade do texto (vocabulário, estrutura sintática, relações lógicas), bem como da competência do leitor. Para reduzir as dificuldades de elaboração de resumos, recomenda-se ler o texto do começo ao fim, sem interrupções.

26 Nesta fase inicial, responde-se à questão: de que trata o texto? Na segunda leitura, decodificam-se frases complexas, recorre-se ao dicionário para solução do vocabulário. Em terceiro lugar, segmenta-se o texto, dividindo-o em blocos temáticos, de ideias (ou de espaço, ou de tempo, ou de personagens) que tenham unidade de significação. Finalmente, redige-se o resumo com as próprias palavras.

27 2. A Técnica da Resenha O que é uma resenha? Resenha, ou recensão, é, segundo o dicionário, uma "apreciação breve de um livro ou de um escrito". A definição do dicionário pode ser dividida em três partes, que devem servir de orientação para que você possa entender o que é uma resenha. A primeira parte está representada pela palavra "apreciação"; a segunda parte é a que concerne ao adjetivo "breve"; e a terceira e última parte diz respeito ao sintagma "de um livro ou de um escrito".

28 O primeiro elemento a ser destacado nas resenhas é o fato de que tratam, todas elas, de uma apreciação. Ou seja, a resenha tem por finalidade: (1) fazer uma análise, um exame; e (2) emitir um julgamento, uma opinião. O objetivo da resenha é, pois, duplo. A resenha pretende decompor o objeto resenhado em suas unidades constituintes, proceder a um exame pormenorizado, investigá-lo a fundo; e, a partir dessa análise, a resenha deve se posicionar em relação ao objeto resenhado, deve julgá-lo, avaliá-lo.

29 É importante que você perceba que esses dois objetivos estão combinados: para que você tenha elementos para julgar alguma coisa, é preciso que seja feita antes uma análise; e a finalidade da análise é exatamente fornecer elementos para o julgamento. Na resenha, esses dois objetivos são solidários: um não existe sem o outro.

30 O segundo elemento presente na definição é o adjetivo "breve". A resenha é um texto rápido, pequeno. Você deve fazer a análise e emitir o julgamento em um tempo consideravelmente restrito (geralmente em torno de duas a três laudas em espaço duplo). Isso não significa que sua análise deva ser rasa, superficial, ou que o seu julgamento possa ser precipitado. Não é isso. A principal implicação das limitações de tempo e espaço é que você deve ser seletivo.

31 Você sabe, desde o início, que não vai conseguir esgotar a obra, investigar todos os seus pontos, examinar tudo pormenorizadamente. Logo, você deve eleger um ou outro aspecto mais saliente do texto para análise, deve investigar em detalhe apenas um dos pontos do objeto resenhado, em vez de tentar dar conta de tudo. Mas é importante que a sua escolha recaia sobre um ponto efetivamente relevante do texto, como a tese do autor ou um de seus principais argumentos.

32 Por fim, a definição apresenta um terceiro elemento, a expressão "de um livro ou de um escrito". Este é um ponto controverso, porque o uso normal das resenhas ultrapassa muito o texto escrito. É extremamente comum encontrarmos hoje nos jornais resenhas de discos e filmes. O objeto da resenha não é, portanto, apenas um texto escrito. Em princípio, qualquer objeto é passível de uma apreciação nos moldes de uma resenha. Fazem-se resenhas de textos e obras, e não de temas.

33 Você não deve jamais se esquecer do texto que serve de ponto de partida para a resenha: esse texto é a própria razão de ser da sua resenha. Você deve retomá-lo sempre, você deve dialogar com o autor do texto. Nas resenhas há mesmo um resumo do texto, em que você recupera as ideias centrais do autor. Mas não confunda: resenha não é resumo; o resumo é apenas uma parte da resenha, que tem pelo menos duas outras partes: a parte da análise do texto e a parte do julgamento do texto.

34 A resenha é um tipo de texto em que há, concomitantemente, exigências de forma e de conteúdo: Exigências de conteúdo: a) Toda resenha deve conter uma síntese, um resumo do texto resenhado, com a apresentação das principais idéias do autor; b) Toda resenha deve conter uma análise aprofundada de pelo menos um ponto relevante do texto, escolhido pelo resenhista; c) Toda resenha deve conter um julgamento do texto, feito a partir da análise empreendida no item b).

35 Exigências de forma: d) A resenha deve ser pequena, ocupando geralmente até três laudas de papel A4 com espaçamento duplo; e) A resenha é um texto corrido, isto é, não devem ser feitas separações físicas entre as partes da resenha (com a subdivisão do texto em resumo, análise e julgamento, por exemplo); f) A resenha deve sempre indicar a obra que está sendo resenhada.

36 Quais são os tipos de resenha? 1. A resenha descritiva, também chamada técnica, ou científica. 2. A resenha crítica, também conhecida como opinativa. Nos dois casos, observam-se as mesmas exigências quanto à forma e quanto ao conteúdo listadas no item anterior; o que as diferencia é a natureza do julgamento proferido acerca do texto.

37 No entanto, há uma terceira parte, o julgamento, que pode assumir significados bastante diferenciados: o julgamento pode ser entendido como um julgamento de valor, em que se afirma a qualidade do texto (se o texto é bom ou ruim, se vale a pena a leitura ou não); ou o julgamento pode ser entendido como um julgamento de verdade, em que se discute se o autor tem razão ou não, se o que ele diz faz ou não sentido.

38 Os dois julgamentos são próximos, e estão mesmo relacionados, mas é preciso diferenciá-los, para que você possa entender exatamente a diferença entre uma resenha descritiva e uma resenha crítica. Perceba que um bom texto pode conter várias imprecisões e inverdades, e que um mau texto não contém necessariamente ideias mal desenvolvidas. A qualidade de um texto geralmente depende de sua consistência, mas nem sempre isso acontece.

39 Exemplo de procedimento: Considere um texto literário, um conto de Machado de Assis (O Alienista) que procura discutir a ideia de loucura no final do século XIX, por exemplo. Há duas formas de julgar esse texto: (1) avaliar o seu valor literário, dizer se o texto é bom ou ruim, se foi ou não bem escrito; e (2) avaliar a pertinência das ideias do autor, a sua clareza, a sua consistência, se as ideias de fato são verdadeiras, se de fato são aplicáveis àquilo que o autor pretende.

40 No primeiro caso, estaríamos diante de uma resenha crítica. É mais ou menos o que acontece sempre que é lançado um novo romance, um novo filme, um novo disco. Há sempre alguém (um resenhista) que ocupa um espaço nos jornais para fazer a apreciação da nova obra. Procure nos jornais (geralmente no caderno de cultura) e perceba: faz-se um resumo da obra (do enredo do livro ou do filme, das músicas que compõem o CD),

41 elegem-se alguns pontos para análise (a qualidade da escrita, a atuação de uma atriz, os arranjos de uma música), e julga-se a obra (classificando-a em excelente, boa, regular, ruim, péssima, e recomendando-a ou não ao leitor, através das carinhas (que ora sorriem, ora dormem), do bonequinho (que ora aplaude, ora abandona o cinema no meio da sessão), ou de qualquer outro indicador de qualidade).

42 Na segunda forma de julgamento, avaliaríamos a pertinência das ideias do autor, e não a qualidade do texto. Não se trata mais de dizer se o texto é bom ou ruim, se é bem escrito ou não, se merece uma carinha sorrindo ou um bonequinho deixando a sessão. A questão aqui é outra. Deveríamos discutir se as ideias do autor são ou não são válidas. Discutiríamos, por exemplo, se o que se passa com a personagem principal é ou não verossímil, se o autor foi ou não foi fiel às instituições que pretendia retratar, se as conclusões que o autor retira do episódio são ou não pertinentes.

43 Faríamos, enfim, um julgamento de verdade do texto: se o texto é verdadeiro (no sentido de conter uma verdade) ou não. Este tipo de resenha é menos comum nos jornais, e está geralmente restrito às publicações mais técnicas. Quando alguém divulga os resultados de uma pesquisa, por exemplo, há sempre alguém que comenta os resultados atingidos: se a metodologia foi correta ou não, se os resultados são ou não são confiáveis, se a pesquisa é ou não relevante.

44 Esta é basicamente a tarefa de uma resenha descritiva. No caso de O Alienista poderíamos discutir, por exemplo, se a situação dos asilos, como o descrito por Machado, era realmente aquela, ou se o autor faz uma descrição grosseira, fora da realidade. Ou poderíamos discutir se os médicos eram efetivamente dotados da autoridade de internar toda a cidade, como supõe Machado de Assis no texto.

45 Em síntese: Perceba as diferenças entre as duas propostas: O mesmo texto (de Machado de Assis) poderia conduzir a uma resenha crítica positiva (que julga a qualidade do texto) e a uma resenha descritiva negativa (que julga a verdade do texto). No primeiro caso, reconhece-se que é um bom texto, agradável de ler, instigante, prazeroso. No segundo caso, admite-se que o texto não é fundamentado, que apresenta uma visão apenas caricatural da loucura no século XIX. Um não compromete o outro, e são duas coisas diferentes. É preciso ter em mente, portanto, que há dois tipos de resenha, que cumprem a objetivos diferentes, e que essa diferença está relacionada à maneira como se entende a ideia de "julgamento". Em resumo, pode-se dizer que:

46 1. Resenha descritiva, científica, técnica, é aquela cujo objetivo é julgar a verdade das proposições (ideias) do autor, investigar a consistência de seus argumentos e a pertinência de suas conclusões. Responde basicamente à pergunta: O que o autor diz faz sentido? 2. Resenha crítica, opinativa, é aquela cujo objetivo é julgar o valor do texto, a sua beleza, a sua relevância. Responde basicamente à pergunta: O texto é bom?

47 Como se faz uma resenha? Como todos os outros tipos de texto, é alguma coisa que aprendemos por experiência e erro, treinando, fazendo. Serão muitos exercícios de resenha até você poder produzir boas resenhas, e o importante é não desanimar nesse trajeto. Para aqueles que, apesar de tudo o que viram, ainda não sabem por onde começar, seguem algumas dicas para uma resenha descritiva:

48 1) Leia o texto que serve de ponto de partida para a resenha. É o primeiro passo e o fundamental. A qualidade da sua resenha depende, em grande medida, da qualidade da leitura que você fizer desse texto. Se necessário, leia mais de uma vez. 2) Faça um resumo do texto. Selecione as ideias principais do autor do texto e monte um outro texto, seu. Mas cuidado: resumo não é cópia de alguns trechos do texto, com as palavras do autor. Resumo é um outro texto, um texto seu, em que você diz o que entendeu do texto, e quais são as ideias principais do autor.

49 e você não sabe ainda como resumir um texto, pense em como você o apresentaria para alguém que estivesse acabando de chegar em sala e lhe perguntasse: Sobre o que é esse texto que você está lendo? Outra estratégia interessante é ler o texto em um dia e tentar resumi-lo alguns dias depois. As ideias de que você conseguir lembrar serão seguramente as principais ideias do autor. Se você não conseguir lembrar de nada a respeito do texto, você não o entendeu. Volte ao texto e o leia novamente. 3) Eleja uma entre as principais ideias do texto. Todo texto contém várias ideias, que estão postas em uma hierarquia. Há ideias principais e há ideias secundárias, periféricas. Eleja uma ideia principal.

50 4) Analise a ideia escolhida. Procure traçar quais são os seus pressupostos, o que o autor pressupõe para formular essa ideia. Procure traçar também as suas implicações, as consequências que se pode retirar dessa idéia. Verifique quais as relações que a ideia estabelece no texto, com quais outras ideias ela dialoga. 5) Emita um julgamento de verdade a respeito dessa ideia. Ela é verdadeira ou não? Se é verdadeira, por quê? Se é falsa, por quê? rocure responder a essas perguntas com outros argumentos que não os usados pelo autor do texto.

51 Por exemplo, se o autor diz que "ninguém é normal" e usa como argumento a colocação de que "o conceito de "normal" é muito relativo", não responda que essa idéia é verdadeira porque "o conceito de normal é muito relativo"; você estaria apenas repetindo o autor do texto. É crucial que o julgamento seja "seu", e não uma mera reprodução do que o autor pensa. Olhe para a maneira como o autor usa os conceitos, procure definir o que significa "relativo" para o autor e, aí sim, decida.

52 6) Faça tudo isso antes de começar a redigir o texto. Use um rascunho, se necessário. Apenas depois de resolvidos os passos de 1 a 5 é que você estará pronto para escrever o texto, e decidir sobre a sua organização. Não há ordem predeterminada: você pode começar o texto pela sua conclusão, e depois explicá-la para o leitor (através da análise) e terminar por uma apreciação mais genérica do texto (o resumo); ou você pode começar pelo resumo, passar à análise e, em seguida, ao julgamento; ou você pode misturar as três coisas. É você que decide. O importante é que seu texto tenha organização, e unidade. Enfim, que não seja apenas um amontoado de parágrafos sobre o texto que está sendo resenhado.

53 ESTRUTURA DE UMA RESENHA CRÍTICA 1. Obra (autoria, título, comunidade onde foi publicada, firma publicadora, ano da publicação, edição, número de páginas ou volumes, ilustrações, formato, preço) 2. Credenciais do autor (quem fez o estudo, quando, porque, onde, informações gerais sobre o autor, autoridade científica)

54 3. Conhecimento (resumo detalhado das idéias principais de que trata a obra; o que diz; qual característica especial; como foi abordado o assunto; exige conhecimentos prévios para entendê-lo). 4. Conclusão do autor (o autor faz conclusões [ou não?]; onde foram colocadas [final do livro ou dos capítulos? quais foram?)

55 5. Quadro de referências do autor (modelo teórico – que teoria serviu de embasamento; qual o método usado?; cria novo modelo teórico) 6. Apreciação a) Julgamento da obra a.1 - situação do autor quanto: -às escolas ou correntes científicas, filosóficas -aos momentos culturais, sociais, econômicos, históricos... b) Mérito da obra

56 -qual a contribuição para o conhecimento já existente -idéias justificadas, originais, criativas? -conhecimentos novos, amplos, abordagem diferente? c) Estilo -conciso, objetivo, simples -claro, preciso, coerente -linguagem correta, segundo as exigências de linguagem científica -ou o contrário d) Forma -lógica, sistematizada -há originalidade e equilíbrio na disposição das partes -a quem se dirige: grande público, especialistas, estudantes. 7.Indicações do Resenhista

57 Exemplo de resenha crítica:

58 O Caçador de Pipas é um romance escrito pelo afegão Khaled Rosseini que atualmente mora nos EUA. O livro virou best- seller, com milhões de cópias vendidas pelo mundo inteiro, fora os downloads do livro e do filme pela internet. Com o lançamento do filme a situação ganhou um caráter duplo. Escreveram nas estrelas que todos deviam ter lido ou pelo menos assistido ao O caçador de pipas; quem não se encaixa nesse perfil poderia ficar de fora do bonde da globalização que parte em alta velocidade.

59 Confesso que nunca li o livro; primeiro porque todo mundo gosta, o que me assusta! Não acredito que livros que libertam sirvam para uma ampla maioria das pessoas, pelo contrário, a maioria prefere a literatura do pastiche. Segundo, porque minha preferência por leitura é bem distante de romances, aventuras e outras leituras mais de entretenimento – o que não significa nenhum desmerecimento dessas obras, pelo contrário, a história dos homens passa também pela história da literatura e da poesia.

60 Amir, o garoto rico e mimado; e Hassan, o garoto pobre que mesmo diante das dificuldades ainda sonhava, são os dois personagens centrais. O ponto orgástico do filme, onde irá arrebatar os espectadores para o reino das idealizações, é quando a amizade entre os dois é colocada em xeque. Hassan, diante de um grupo de garotos de etnia inimiga da sua, resiste em dar uma pipa que havia capturado e prometido levá-la ao amigo Amir, resultando em uma cena de estupro que é presenciada de longe por Amir. Diante da situação Amir foge da realidade, imaginando que nada havia acontecido, no entanto, é condenado aos tormentos do sentimento de culpa islâmico – não muito diferente do judaico-cristão – pelo resto da vida.

61 A partir daí muitos espectadores se sentem indignados com Amir que não fez nada para defender o amigo. – Talvez precisamos questioná-los sobre qual o comportamento que eles esperam de uma criança que presencia uma cena de estupro. Mas a principal ingenuidade do filme é a tentativa frustrante de fazer dramatização onde não há. – Além das fantasias de Khaled, alguém, por mais que tenha uma relação ritualística com uma pipa, estaria disposto a não perdê-la mesmo diante de uma iminente violência?

62 Outra ingenuidade marcante no filme, embora eu não possa dizer se o mesmo ocorre no livro, é a tentativa de mostrar a cultura afegã com veracidade, mas evidentemente a mesma é enquadrada nos moldes ocidentais. O pai de Amir bebe uísque, anda de Mustang, ouve músicas em inglês e desfruta de outras regalias do mundo ocidental. – No entanto, isso pode ter sido a velha e tradicional chantagem capitalista diante do comunismo russo que batia às portas do oriente.

63 Sei que muitos irão dizer que o filme é bem discrepante mas que o livro mantém a coerência. Certamente que o livro deve ter suas diferenças, no entanto, acho bem improvável que um fale sobre cogumelos e o outro sobre amizade. Termino ressaltando que minha crítica é mais para o público do que o autor Khaled Rosseini. Talvez o autor tivesse a intenção de produzir apenas um romance, fazendo valer da criativa expressão que é livre para caminhar despreocupada entre os reinos das fantasias, dos sonhos e daquilo que chamamos de realidade. No entanto, serve para mostrar o quanto as pessoas ainda pensam nos moldes platônicos e cristãos, na medida em que colocam a relação de amizade idealizada no filme enquanto um bem-maior que, se não preservado, o terrível peso do sentimento de culpa se encarregará de fazer justiça!

64 Referências resenha.htm


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