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PENSANDO A LEITURA In: Tipos de Textos, modos de leitura Graça Paulino.

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1 PENSANDO A LEITURA In: Tipos de Textos, modos de leitura Graça Paulino

2 A leitura é um processo e o resultado é a produção de sentido. Ler vem do latim legere – em sua raiz traz três níveis de leitura: CONTAR – soletramos, repetimos os fonemas, agrupamos sílabas, palavras, frases. Ato primeiro da leitura – alfabetização. CONTAR – soletramos, repetimos os fonemas, agrupamos sílabas, palavras, frases. Ato primeiro da leitura – alfabetização. COLHER – perceber um significado, um sentido. Algo que está pronto. Detectar a intenção do autor. Como se fóssemos colher uma laranja do pé. Interpretação de texto. COLHER – perceber um significado, um sentido. Algo que está pronto. Detectar a intenção do autor. Como se fóssemos colher uma laranja do pé. Interpretação de texto. ROUBAR – busca no texto de outros sentidos, mesmo o autor não tendo consciência. Não se rouba algo com o conhecimento do dono, por isso dizemos que a leitura é construída à revelia do autor. Produção de sentido do próprio leitor. ROUBAR – busca no texto de outros sentidos, mesmo o autor não tendo consciência. Não se rouba algo com o conhecimento do dono, por isso dizemos que a leitura é construída à revelia do autor. Produção de sentido do próprio leitor. HISTÓRIA DE UM CONCEITO

3 Bem longe de serem escritores, fundadores de um lugar próprio, herdeiros dos lavradores de antanho – mas, sobre o solo linguagem, cavadores de poços e construtores de casas -, os leitores são viajantes; eles circulam sobre as terras de outrem, caçam furtivamente, como nômades através de campos que não escreveram, arrebatam os bens do Egito para com eles se regalar. (DE CERTEAU, p. 11.)

4 Essa consideração nos permite dizer que as palavras embora tenham um sentido fixo, carregam significações que permite o leitor passar por diversas e sucessivas sondagens. A capacidade de transgressão dos sentidos do texto revela a eficiência e o poder do leitor.

5 Algumas teorias norteiam a questão da leitura, e ela passa, necessária e simultaneamente, por: uma teoria do conhecimento – construção do sentido do texto – autor/leitor. Antes o autor era considerado dono absoluto do texto. Cabia ao leitor apenas detectar a intenção do autor. uma teoria do conhecimento – construção do sentido do texto – autor/leitor. Antes o autor era considerado dono absoluto do texto. Cabia ao leitor apenas detectar a intenção do autor.

6 uma psicologia/psicanálise – o ato de ler é motivado pelo desejo, e ao mesmo tempo pelo inconsciente. O leitor investe no texto suas angústias, seus medos, suas fantasias e esperanças. uma sociologia – cada autor/leitor possui valores, poderes e expectativas diferentes. Estão inseridos em culturas distintas, portanto agem de maneira diferente dentro da sociedade.

7 uma pedagogia – o desenvolvimento da leitura se dá não somente na escola, mas também no decorrer da vida do cidadão. Processo incessante de troca. uma teoria da comunicação – ao pensar no texto e no leitor, o processo envolve o processo de comunicação (emissor, receptor, mensagem, código, referente, canal). Para quem se escreve, para que se escreve e como se escreve.

8 uma análise do discurso – a organização interna do texto, sua relação com outros textos, suas dimensões político-econômicas são elementos essenciais no ato de ler. O sentido de uma palavra não existe em si mesma, ela assume sentidos diferentes dependendo do contexto em que está inserida ou até mesmo do autor.

9 uma teoria literária – quando se constitui como experiência estética. Chamando de literária a leitura da linguagem poética, tanto na escrita quanto na leitura. Estão definidas historicamente, dependendo da época e da sociedade em que são produzidas. Nesse sentindo é importante considerar a prática da leitura em tempos e espaços diferentes. uma teoria literária – quando se constitui como experiência estética. Chamando de literária a leitura da linguagem poética, tanto na escrita quanto na leitura. Estão definidas historicamente, dependendo da época e da sociedade em que são produzidas. Nesse sentindo é importante considerar a prática da leitura em tempos e espaços diferentes.

10 HISTÓRIA DE UMA PRÁTICA impossibilidade de acesso aos livros, objetos raros e indecifráveis para muitos. Idade Média – impossibilidade de acesso aos livros, objetos raros e indecifráveis para muitos. A leitura era feita em grupos por um lector ou ledor. Tal prática era restrita ao clero e à nobreza. Havia necessidade de controle da leitura e seu poder subversivo.

11 Controle da leitura da bíblia e de outros textos, sobretudo pela Igreja Católica. Por divergência de leitura é que ocorreu a Reforma proposta por Lutero.

12 Assim, nem todos os poderes do leitor são iluminadores. O mesmo ato que que pode dar vida ao texto, extrair suas revelações, multiplicar seus significados, espelhar nele o passado, o presente e as possibilidades do futuro pode também destruir a página da viva. Todo leitor inventa leituras, o que não é a mesma coisa que mentir; mas todo leitor também pode mentir, declarando obstinadamente que o texto serve como doutrina, a uma lei arbitrária, a uma vantagem particular, aos direitos donos de escravos ou à autoridades de tiranos. (MANGUEL, p ).

13 A Leitura pode ser utilizada em favor de uma causa, para atender objetivos e interesses pessoais, atender uma ideologia. Antes da reforma e também depois, não só a igreja, mas também o Estado continuavam controlando a vida doméstica, na escola e na sociedade. Muitos autores foram vítimas de censuras dos seus escritos, fossem por motivos religiosos, fossem por possuirem ideias contrárias ao Estado.

14 Recentemente, na ditadura militar, livros considerados subversivos ainda eram queimados. A figura do lector também está presente em outros momentos e em outros países, onde as pessoas utilizavam dessa prática não necessariamente para controlar ou censurar. Recitação em praça pública; Recitação em praça pública; Salões de leituras e academias aconteciam rituais coletivos de leituras; Salões de leituras e academias aconteciam rituais coletivos de leituras; Intelectuais se reuniam para discutir os textos em salões organizados para isso. Intelectuais se reuniam para discutir os textos em salões organizados para isso.

15 A democratização da leitura ocorre com o advento da sociedade burguesa (por volta de 1930). Grande parte da população foi alfabetizada e pôde ter acesso a livros, jornais e outros impressos. Havia necessidade de ampliação do mercado e para isso tinha que se formar mais leitores. Mesmos nessa sociedade a figura do lector não desapareceu. Ritual que perdurou ainda por muito tempo no Brasil. É o caso no século XIX, nos serões domésticos, em que uma pessoa da família lia para as outras, sobretudo para as mulheres.

16 No Brasil o hábito de ler romance surge durante o romantismo, com divulgação nos jornais de narrativas, publicadas em folhetins. Foram divulgados os romances: O Guarani de José de Alencar, Mémorias de um sargento de milícias de Manoel Antônio de Almeida. O público feminino teve um destaque nas obras dessa época.

17 Pouco a pouco, a leitura coletiva cede lugar à leitura individual, solitária. Essa solidão do leitor acompanhado apenas do seu livro, permite um desenvolvimento moderno não somente da leitura, mas também da escrita. A leitura mesmo vista como ato individual, mantém uma dimensão socializada/socializante, já que constitui uma inserção do sujeito numa prática presidida pelas relações interativas. (Íntimo para o coletivo)

18 Torna-se público o que é aparentemente privado. Indiscreta era a interferência de alguém na leitura do outro. A produção de sentido imposta pelo outro. Um exemplo dessa interferência indiscreta seria a condução da leitura por professores, que tornada hábito, inibe as iniciativas de leituras dos alunos.

19 O caráter de ler individualmente em nossa sociedade é um processo fundamental. Essa pessoalidade abrange objetivos pessoais e psíquicos. O trabalho mental, emocional e físico da leitura. Ao ler o indivíduo ativa seu lugar social, suas vivências, sua biblioteca interna, suas relações com o outro, os valores da sua comunidade.

20 A leitura tornou-se, depois de três séculos, um gesto do olho. Ela não é mais acompanhada como antes, pelo rumor de uma articulação vocal, nem pelo movimento de manducação muscular. Ler sem pronunciar em voz alta ou à meia-voz é uma experiência moderna, desconhecida durante milênios. Antigamente, o leitor interiorizava o texto e fazia de sua voz o corpo do outro; ele era, ao mesmo tempo, autor. Hoje o texto não impõe o seu ritmo ao indivíduo, ele não manifesta mais pela voz do leitor. Essa suspensão do emprego do corpo, condição de sua autonomia, equivale a um distanciamento do texto. Ela é o habeas-corpus do leitor. (PAULINO, p.23)

21 Além de prazer, a leitura envolve outras importantes questões, que é o status. Ler passa a ter relevante importância dentro da sociedade (posição social).

22 Magda Soares comenta sobre a diferença entre o sentido de leitura para as classes economicamente desfavorecidas e aquelas privilegiadas. Para os primeiros significava ascensão social. Alcançar melhores condições de vida. Já para os outros é uma forma de expressão, comunicação e nunca uma exigência do e para o mundo do trabalho.

23 Essa leitura feita como exigência do e para o mundo do trabalho é denominada funcional. Objetivo de obter informações básicas na vida cotidiana. Leitura prática (cartazes, avisos, manuais, propagandas, jornais). E não leitura intelectual. Quando se pensa em livro, não se pensa em leitura funcional.

24 Mas É nos livros que estão a filosofia, a literatura e as ciências. Dessa forma, a maioria dos cidadãos estatisticamente considerados alfabetizados não é levada ao universo, dado como mais nobre, o dos livros. Controle ainda exercido pela sociedade sobre o ato de ler.

25 Espaço de circulação dos livros; Espaço de circulação dos livros; Altos preços; Altos preços; Forma como o texto é escrito prevê um tipo de leitor e exclui outros (vocabulário, sintaxe, conhecimentos veiculados); Forma como o texto é escrito prevê um tipo de leitor e exclui outros (vocabulário, sintaxe, conhecimentos veiculados); Os textos mais valorizados socialmente exigem um maior conhecimento prévio dos leitores. Muitos não têm acesso devido à educação precária. Os textos mais valorizados socialmente exigem um maior conhecimento prévio dos leitores. Muitos não têm acesso devido à educação precária.

26 UMA ABORDAGEM PEDAGÓGICA Qual o papel da escola na formação do leitor? A Escola que se pretende democrática também exclui. Controla e dirige o leitor. Este coloca sua leitura aos outros e é obrigado a corrigir de acordo com o consenso. Conhecimento construído sem imaginação e sem investimento pessoal do leitor.

27 A escola, aparentemente, espaço de incentivo para a leitura de livros ao impedir que os objetivos, as iniciativas e as estratégias sejam dos próprios leitores/alunos, pode afastá-los do processo de produção de sentindo e assim dos livros. Livros que são escolhidos aleatoriamente, sem objetivos, com testes automatizados como forma de controle, empobrece a interação Livro/Leitor.

28 Não é a escola que mata a leitura, mas o excesso de didatismo e a burocracia do ensino, as normas rígidas e castradoras. A Escola contribui para este tipo de leitor? Aquele leitor que interage, dialoga, produz sentido, dentro de um contexto, e não um leitor obediente que responde às fichas de livros.

29 Apesar disso não podemos descartar que na escola descobrimos outros caminhos e alimentamos o gosto pela leitura. Em nossa formação de leitores ouvimos estórias lidas pelos professores, declamamos poemas, apresentamos pequenas peças, lemos textos sem se quer fazer uma prova de verificação, nas primeiras séries do ensino fundamental. Havia métodos, mas circulava a paixão pelo ato de ler. Muitas vezes a escola é o único espaço de oportunidade de acesso aos livros e aos textos literários para as crianças.

30 DE TEXTOS E LEITURAS PACTOS DE LEITURA Não basta apenas circular na escola os diversos tipos de gêneros textuais existentes na sociedade, mas é preciso preparar os alunos para a recepção destes textos. Apresentar como se dá a composição dos diversos gêneros textuais. É necessário saber que ler um poema não demanda as mesmas habilidades, os mesmo procedimentos quando se lê uma crônica ou um texto científico, um problema matemático.

31 Trata-se de mito dizer que só é leitor quem lê livros. Mas não podemos esquecer que, em livros, estão os textos filosóficos, literários, científicos e religiosos. A interação com texto/livro muda pelo seu contato proximal, íntimo com o leitor. Portanto, não é a mesma coisa a leitura feita na tela de um computador. Não causa o mesmo efeito, devido a postura corporal.

32 Ao aprendermos a ler entramos no mundo da escrita e acabamos por fazer um pacto com a leitura e somos cobrados por ela. Somos cobrados pelas leituras pertinentes. Eco (1994) em seu estudo sobre o leitor-modelo diz que: Todo texto é uma máquina preguiçosa pedindo ao leitor que faça uma parte de seu trabalho. O texto exige do leitor várias competências como a ligadas ao conhecimento prévio (da língua e do mundo).

33 (...) um bosque é um jardim de caminhos que se bifurcam. Mesmo quando não existem trilhas bem definidas, todos podem traçar sua própria trilha, decidindo ir para a esquerda ou para a direita de determinada árvore e, a cada árvore que encontrar, optando por esta ou aquela direção. (BORGES apud ECO, 1994)

34 Devemos criar nossa própria trilha, mas isso não quer dizer deixar as marcas geográficas de lado. Não podemos e nem devemos deixar as pistas textuais que o texto nos apresenta. Em um texto temos possibilidades diversas de leituras, porém não qualquer leitura.

35 Assim como escrevemos com objetivo e para um certo público, também lemos com algum objetivo. Há pactos de leitura que respeita o que o texto propõe, outros utilizam da trangressão para produzir o sentido de acordo com a sua intenção. O conhecimento dessas variantes amplia as possibilidades do processo ensino/aprendizagem da leitura.


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