PEDAGOGIA DA CULTURA CORPORAL CRÍTICAS E ALTERNATIVAS

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Transcrição da apresentação:

PEDAGOGIA DA CULTURA CORPORAL CRÍTICAS E ALTERNATIVAS MARCOS GARCIA NEIRA MARIO LUIZ FERRARI NUNES

4. CULTURA CORPORAL A DISCUSSÃO SOBRE CULTURA CORPORAL: Qualquer intenção ou ação no sentido da transformação da prática escolar da Educação física deve passar, antes de qualquer outra coisa, pela compreensão do diferencial que lhe é atribuído; - A tendência higienista, que certamente permeou outras áreas da escola, parece ter encontrado na Educação Física um terreno bastante fértil para a disseminação das suas ideias fundamentais;

A prática escolar do componente, por muito tempo, serviu de instrumento ideológico para a “educação do corpo”, sugerindo um caráter funcionalista; Segundo Castellani Filho (1988), a Educação Física por muito tempo foi tratada como “atividade escolar” ao invés de componente curricular; Mesmo com o status que a LDB 9.394/96 lhe atribuiu como componente curricular obrigatório inserido na proposta pedagógica da escola (art.26), a preocupação de alguns professores parece ser uma mistura entre “educação do corpo”, aprendizado das modalidades esportivas, promoção da saúde, recreação e lazer.

A Educação Física é, portanto, uma prática social, construída culturalmente e reproduzida tradicionalmente em diversos ambientes e espaços; Por ser uma prática social que também acontece no âmbito escolar, envolve, portanto, toda a comunidade escolar: professores, alunos, funcionários, equipe técnica, pais e moradores do entorno da escola apresentam sua diversas representações sobre a Educação Física; Apesar da formação específica do professor de Educação Física, por inúmeras vezes, pudemos observar esses profissionais desempenhando prioritariamente papéis que não exigiam qualquer conhecimento especializado. Exemplos: distribuir materiais esportivos, dividir equipes e arbitrar modalidades esportivas coletivas;

Árbitros, treinadores e outros atores do meio esportivo são chamados, frequentemente, de professores, sem, no entanto, possuir o que a sociedade atual entende por ser próprio da função de professor: o certificado de conclusão de curso de Licenciatura; Promover mudanças na dinâmica sociocultural da Educação Física escolar é contrapor-se a conceitos, valores, crenças e tradições, há muito tempo arraigados à prática dessa disciplina; O estudo e a compreensão das influências de diversos elementos filosóficos, políticos, religiosos, sociais e pedagógicos que se constituíram ao longo da sua história, para que possam ser superados, configurando uma perspectiva cultural sobre a linguagem corporal, isto é, a cultura corporal;

A expressão “cultura corporal”, apesar de bastante disseminada no meio acadêmico, é pouco compreendida no ambiente profissional da Educação Física; Se quisermos compreender o que cada abordagem, cada autor, quer dizer quando se refere à cultura corporal, é necessário que saibamos de que ponto de vista partiu, em qual referencial teórico se fundamenta, ou seja, em uma perspectiva crítica de educação, precisamos fazer uma genealogia do conceito; Cultura física, cultura motora, cultura de movimento ou cultural corporal de movimento, são empregados como sinônimos, quando nem sempre o são, ou utilizam-nos para exprimir aspectos diferentes, quando na verdade se referem aos mesmos elementos (Celante, 2000);

Betti (1992), ao justificar a presença da Educação Física na escola, afirma que a função pedagógica desse componente é integrar e introduzir o/a aluno/a no mundo da cultura física, formando o cidadão que vai usufruir, partilhar, produzir, reproduzir e transformar as formas culturais da atividade física (o jogo, o esporte, a dança, a ginástica etc.); Á cultura corporal são atribuídas as diferentes manifestações do esporte, do jogo, da ginástica, da dança e da luta, cada uma dessas manifestações terá uma identidade cultural, sentido e significado diferentes na cultura na qual ocorrem;

POR UMA ABORDAGEM CULTURAL DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR A Educação Física, ao longo de sua história, consolidou-se nos âmbitos profissional e acadêmico por fatores externos a ela, favorecendo a instituição e a manutenção do status quo (Castellani Filho, 1988); Bracht (1992) considera que as relações mantidas entre a Educação Física e as instituições militares e esportivas é um fator constituinte da sua identidade, enquanto prática pedagógica (obras: história da Educação Física no Brasil – Marinho, 1980; Cavalcanti, 1984; Castellani Filho, 1988; Ghiraldelli Jr., 1988; Betti, 1991; Bracht, 1992 e Soares, 1994)

Medina (1983), propõe que a Educação Física precisaria entrar em “crise” para auxiliar o desenvolvimento da área; No período pós-ditadura, surgiram abordagens que fundamentam cientificamente a Educação Física como prática pedagógica: a educação psicomotora de Le Bouch (1986) e a desenvolvimentista de Tani et al. (1988); Várias discussões foram suscitadas no meio intelectual da Educação Física e influenciadas por uma produção acadêmica inserida nas Ciências Humanas, sobretudo nas Ciências Sociais;

Sigmund Freud (Psicanálise) – Problemas sociais confinados nos corpos; Marcel Mauss (Antropologia) – Inseriu o corpo como elemento constituinte da cultura; Merleau – Ponty (Filosofia) - Conferiu um status ontológico à corporeidade; Michel Foucault, Pierre Bourdieu e Luc Boltanski (Sociologia) – Discutem o uso do poder sobre o corpo na constituição da identidade do indivíduo; Norbert Elias (História) – Apontou que o processo civilizador ocorre através da inibição dos sentidos; Harry Pross (Semiótica da cultura) – Afirmou o corpo como forma de mídia;

Na abordagem psicomotora, a Educação Física é vista como meio para o desenvolvimento de habilidades necessárias para o bom desempenho para outras disciplinas; Por visar ao desenvolvimento de capacidades que podem ser atingidas fora de sua especificidade, perde sua característica e deixa de ser necessária; Na abordagem desenvolvimentista, o aspecto mais criticado é a transformação do desenvolvimento motor em objetivo da Educação Física. Desta forma obriga o professor a transformar as habilidades de locomoção, equilíbrio e manipulação em conteúdos de ensino; Estas propostas não proporcionam situações reais que possam incidir sobre o momento sócio-histórico atual;

Durkhein (1960) argumenta que o homem necessita dar forma, organizar e ordenar as coisas do mundo. Esse processo se dá por meio dos sistemas classificatórios; Ele afirma que é mediante dos rituais e a construção de símbolos que as relações práticas sociais são corporificadas; (sagrado e profano) É pela maneira como se constroem os sistemas de classificação que a cultura nos fornece a possibilidade de darmos sentido ao mundo social e estabelecer significados; É pela corporificação de sua ações que as culturas se expressam e se ressignificam; O mito, a magia e o rito são formas que garantem a integração da sociedade, proclamando as regras de organização social;

Medina (1988) – Afirma que o corpo carrega sua condição de classe, imposta por uma cultura dominante que, veiculando seus valores, constitui corpos opressores (classe dominante) e corpos oprimidos (classe dominada); Ivan Bystrina – Classificou em três níveis os códigos gerais da comunicação humana: hipolinguístico – códigos biológicos – códigos de comunicação do corpo biológico; Linguístico – códigos sociais que envolvem toda a comunicação pragmática, que têm por objetivo finalidades instrucionais e técnicas; Hiperlinguísticos – que são códigos culturais (Campelo, 1997). O que não é estritamente biológico é da práxis social;

Os signos não são fixos, pois a linguagem é uma estrutura instável Os signos não são fixos, pois a linguagem é uma estrutura instável. A linguagem, por ser uma construção da cultura, sofre a influência dos seus sistemas simbólicos; A prática pedagógica na abordagem cultural estuda-se o gesto, sem adjetivá-lo de certo ou errado, sem focalizar sua quantidade ou qualidade, sem tencionar a melhoria do rendimento, nem tampouco a manutenção da saúde, da alegria ou do prazer. Nesta abordagem, o gesto fomenta um diálogo por meio da produção cultural, por meio da representação de cada cultura; Johan Huizinga, afirma que a cultura nasce como forma de jogo e nunca perde seu caráter porque ela é jogada.;

Huizinga entende que , ao ganhar a consciência da sua finitude, o homem precisa viver na ilusão para não sofrer as angústias provocadas pelo seu conhecimento, e é o jogo que, por arrebatar o homem da realidade, proporciona esse momento; O jogo, ao mesmo tempo em que afasta o indivíduo da realidade, traz essa realidade, inconscientemente, de volta, pois é pela ação do jogo que a cultura se expressa; A visão funcionalista do jogo destitui seu componente lúdico, transformando-o em trabalho pedagógico;

- Na perspectiva da pedagogia crítica e pós-crítica, o jogo será tratado como jogo. A tematização será sobre os significados e sentidos produzidos culturalmente por ele manifestados, como, por exemplo, as relações de poder, as questões do consumo, gênero, classe, entre outras.;